Que seja palpável a mansidão da vidaAssim como o sol ilumina os rostos oprimidos
Que seja leve o grande fardo dos dias
Que sejam tocáveis todas as estrelas
Que seja luzente e transponível
O horizonte das manhãs.
Pela angústia crescente dos homens
Assim como a esperança permanece presa
No sagrado baú dos deuses
Que seja a vida a arte de equilibrar o medo
Pois o ofício de viver exige ter talento.
Que seja necessário apreciar os camposQue a cidade seja um grande coração
Pois os olhos devem descansar no belo
Que as madrugadas sejam cândidas e nuas
Que a violência desapareça de todas as moradas.
Para acolher até o sibilo do vento
Que se cantem hinos esperançosos
Que se assobiem pensando na liberdade
Que não deverá tardar.
Que todos os homens olhem o sol nascerQue se abram todos os cadeados
E todos os dias imitem sua trajetória
Que as ruas sejam uma grande praça
E que se derrubem todos os muros
Porque assim todos poderão passear e se cumprimentar
Porque assim todos serão vizinhos
E se confraternizarão na Grande Festa.
Que as lágrimas sirvam para lavar as almas
E não mais inundem as avenidas
E que o amor seja forte e belo
Que tenha ele a alegria da planta
Ao dar fruto pela primeira vez.
Texto publicado inicialmente no livro “Os Periquitos Comem Mangas na Avenida” (Macapá, 1984)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado por emitir sua opinião.