sexta-feira, 18 de maio de 2012

PROFESSORES A FAVOR DO REAJUSTE DE 15,56% PROTOCOLAM DOCUMENTO PARA CONVOCAR NOVA ASSEMBLEIA GERAL

O documento protocolado nesta quinta-feira, 17, às 17h, na sede do Sindicato dos Servidores Públicos em Educação do Amapá (Sinsepeap), contendo mais de 800 assinaturas de professores que aceitam o reajuste de 15,56% e que querem o fim da greve, revela que nem todos concordam com a atual postura do presidente da categoria, Aroldo Rabelo, que só aceita encerrar a paralisação se o reajuste for de 20%.
Os professores argumentam que a direção do sindicato não chamou para apreciação em assembleia geral a última proposta apresentada pelo governo do Estado, que garante reajuste salarial à classe em 15,56%, o que é considerado o maior aumento salarial dos últimos 16 anos, além do pagamento das progressões e outros benefícios.
“Em assembleia geral, a categoria decidiu pela rejeição da proposta do governo e pela greve, mas agora a situação é outra. Um grupo de mais de 800 professores quer os 15,56% de reajuste, então o presidente Aroldo Rabelo tem que convocar nova assembleia para que a maioria diga o que quer. Ele não pode radicalizar e achar que a primeira opinião tem que prevalecer para sempre”, desabafou a professora Sandra Picanço.
Agora, após o protocolo das assinaturas, a direção do Sinsepeap terá 72 horas para chamar uma nova assembleia geral. A professora diz que, se for necessário, a comissão vai acionar a Justiça. “Ele precisa respeitar esses quase mil professores e convocar assembleia geral e, lá, vamos avaliar o que é melhor para o coletivo”, ponderou Sandra.
Além do reajuste de 7% no salário base, o governo garantiu um reajuste linear de 8%, celeridade no processo de promoções dos professores da classe  A para a classe C, bem como acelerar a implementação do projeto Professor Conectado. Também garantiu o chamamento imediato dos mais de 1.400 professores aprovados no último concurso da educação.
No que diz respeito à estrutura física, garantiu a reforma, ampliação e construção de 40 escolas que estão em andamento, ampliando vagas e proporcionando melhor condição de trabalho aos professores. Em relação à gestão democrática, uma das bandeiras do Sinsepeap, o governo também declarou que vai dar início a esse processo, bem como a implementação  dos Conselhos Escolares. E uma das propostas mais importante diz respeito ao pagamento retroativo das promoções concedidas em 2010 e 2011, a partir de agosto de 2012.

É BIG! É BIG - Bruno Mont'Alverne

O tempo passa. Meu filho Bruno completa hoje 30 anos. Eis ai alguns closes desta linda jornada. Parabéns, filho. Feliz Aniversário.

BASQUETE SOLIDÁRIO AO JORNALISTA MARIO TOMAZ


 Basqueteiros do Amapá promovem nesta sexta-feira, 18, Campeonato solidário de basquetebol em benefício ao jornalista Mario Tomaz. Sob organização do São José e em parceria com os times Master Amapá, Meta e a Associação de Basqueteiros do Amapá, o objetivo deste evento é arrecadar dinheiro para auxiliar no tratamento do jornalista esportivo.
 O show de basquete solidário inicia às 19h no ginásio do São José e promete seis rodadas de jogos, no total estão inscritos 8 times, sendo 4 femininos e 4 masculinos. Confira a tabela:

1º Rodada Feminino: São José x Meta / 19h
2º Rodada Masculino: Seleção Amapaense x ADAP / 19h45
3º Rodada Feminino: Seleção Amapaense x Master / 20h30
4º Rodada Masculino: São José x Meta / 21h15
5º Rodada final Feminino: vencedor da 1º x vencedor da 3º rodada
6º Rodada final Masculino: vencedor da 2º x vencedor da 4º rodada

Mario Tomaz
É um jornalista dedicado aos seus trabalhos e em especial ao jornalismo esportivo, no entanto, no dia 28 de fevereiro, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), com sérios problemas de saúde ficou internado por cerca de um mês, tempo em que o quadro clínico evoluiu para uma trombose.
Livre do hospital, a jornada continua, com baterias de exames, medicamentos, tratamentos fisioterapeutico, com fonoaudiólogo e alimentação balanceada. O jornalista recebe tratamento domiciliar e ainda está impossibilitado de exercer suas atividades profissionais, pois o AVC o fez perder parcialmente os movimentos do corpo, afetando também uma de suas grandes ferramentas de trabalho: a fala.
De acordo com familiares, o tratamento é intensivo, de segunda à sexta faz fisioterapia. “Agradecemos todos que têm se sensibilizado e ajudado no tratamento do meu tio em toda essa trajetória difícil da vida dele”, ressalta a sobrinha Glenda.

Doação
O ingresso será vendido num valor simbólico de 2 reais, no entanto, toda a delegação de basquete, atletas e comissão técnica contribuirá com uma taxa de 5 reais, assim estabeleceu a comissão organizadora.
Aberto ao público, quem quiser contribuir com uma quantia a mais que o valor do ingresso, terá o livro de ouro, onde serão lançadas todas as contribuições.
O presidente da Federação de Basquetebol, Agostinho Lopes destaca a importância deste ato solidário para o esporte: “Diferente dos outros campeonatos de basquete, o principal objetivo deste não é a competição por um título e sim a união de todas as equipes por uma causa maior que é ajudar alguém especial por meio do esporte que é o maior bem que todos devem praticar”, ressalta o presidente.
Os amantes do esporte e basqueteiros do Amapá estão juntos a esta luta pela vida e retorno de Mario Tomaz. (Fonte: Renivaldo Costa/Comunicação/PMM)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O ANHANGA


Nas cartas dos padres José de Anchieta, Manuel da Nóbrega e Fernão Cardim fala-se de Anhanga como de um espírito malfazejo, temido pelos indígenas. O alemão Hans Staden chamou-o Ingange.
 O franciscano André Thevet registrou-o também. São todos do século XVI. Thevet (1558) notou que o Anhangá não tinha forma positiva. O certo era atormentar os viventes. Jean de Léry, o huguenote macio e doce, anotou o seu complicado Aygnhan, irmão de Agnan de Thevet, atormentador das gentes tupinambás. Até a lembrança do Aygnhan os fazia sofrer.
Hans Staden (1557) diz que
Os indígenas não gostam de sair das cabanas sem luz, tanto medo têm do Diabo, a quem chamam Ingange, o qual freqüentemente lhes aparece.
Gonçalves Dias (O Brasil e a Oceania) fala sobre o Anhangá como entidade inteiramente espiritual, responsável por todos os males selvagens. Gonçalves Dias ensina que Anhangá ou Mbaaíba quer dizer "cousa má." Parece, escreve o douto maranhense, que houve uma confusão entre os primeiros historiadores coloniais. O verdadeiro gênio do Mal era Jurupari e não Anhangá.
De minha parte creio firmemente que Jurupari nunca esteve perto de ser Demônio. É trabalho puramente adaptacional da catequese. Qual seria a função desse Anhanga (e não Anhangá) entre os índios brasileiros? Couto de Magalhães, que chegou a fazer uma teogonia tupi, explica:
Anhangá é o deus da caça do campo; Anhangá devia proteger todos os animais terrestres contra os índios que quisessem abusar de seu pendor pela caça, para destruí-los inutilmente.
O destino da caça no campo parece estar afeto ao Anhangá. A palavra Anhangá quer dizer sombra, espírito. A figura com que as tradições o representam é de um veado branco, com olhos de fogo. Todo aquele que persegue um animal que amamenta, corre o risco de ver o Anhangá, e sua vista traz febre e às vezes a loucura (o Selvagem, de 1870)
Teodoro Sampaio estuda o vocábulo no seu magnífico O Tupi na Geografia Nacional .
ANHÃ, s.c. Ã-nhã, a alma errante, o espírito que anda vagando; o gênio andejo, o diabo. Alt. Inhan, Inhang. Aignan, segundo J. de Léry.
ANHANGÁ, s. o diabo, o mau espírito.
ANHANGABA, s. a ação do diabo, a diabrura, o malefício. Alt. Anhangá.
O conde Ermano de Stradelli que não somente estudou o idioma nhengatu, mas igualmente hábitos e mentalidade de várias tribos amazônicas, escreveu no seu Vocabulário:
ANHANGA, ANANGA. Espectro, fantasma, duende, visagem. Há também o pirarucu-anhanga, iurará-anhanga, etc., Isto é haga, isto é, visagem de gente, de tatu, de veado, de boi. Em qualquer caso e qualquer que seja visto, ouvido ou pressentido, o Anhangá traz para aquele que o vê, ouve ou pressente certo prenúncio de desgraça, e os lugares que se conhecem como freqüentados por ele são mal-assombrados. Há também o pirarucu-anhanga, jurará-anhanga, etc., isto é, duende de pirarucu e tartaruga, que são o desespero dos pescadores como os de caça o são do caçador.
Um conhecedor dos assuntos americanistas, sabedor do folclore e etnografia do norte brasileiro, o Des. Jorge Hurley narra um episódio endossando a acepção de Stradelli quanto aos vários Anhangás para as muitas espécies de animais:
Na excursão que fiz do alto Guamá ao alto Gurupi, em 1919, através de 93 quilômetros de floresta, certa noite, no centro da floresta, ouvimos um assobio prolongado, estridente e feio...e os Tembês, impressionados, disseram-me que era a Paca-Anhanga que havia passado perto do nosso acampamento e cada um pôs à fogueira seu punhado de tirama (é farinha ) para afastá-lo do nosso pouso e todos murmuraram: "juáca-tupãna ! juáca-tupanã ! Deus do céu !
O padre Tastevin não discrepa da opinião clássica quanto à etimologia do vocábulo:
- Anhangá - etim. - Anhu, só alma; espírito maligno. Designava também as almas dos finados como consta da expressão - Anhangá y yora, viúva. i.e. o marido dela é Anhangá.
A tradição seguida por todos os estudiosos do Folclore indígena do Brasil é incidir no mesmo erro e laborar na confusão que Gonçalves Dias notava, há mais de setenta anos, embora não a quisesse corrigir. Gustavo Barroso somou Anhangá como o Deus dos pesadelos. O Deus dos pesadelos sempre foi Jurupari. Basílio de Magalhães, um legítimo sabedor, acha Jurupari e Anhangá como sinônimos, com diferenças meramente verbais ou de forma de materialização. Era no século XVIII, a opinião de Laet, anotando Marcgrave: Jurupari et Anhangá significant simpliciter diabolum. Jurupari, entretanto, não tem forma. Anhangá, o Anhangá clássico de Couto de Magalhães e de Barbosa Rodrigues, é um veado branco com os olhos de fogo.
Barbosa Rodrigues é indispensável em seu depoimento, sempre nítido, original e saboroso:
..se tem querido que o Anhanga amazonense seja por isso o mesmo Jurupari, quando não é aquele mais do que um núncio da desgraça, uma alma perdida, penada, que não foi para o céu, que vagueia no espaço sem que para isso Jurupari concorresse ou dela se apossasse, ou então, é um duende que não é mau e antes protetor e conservador (no Pará); somente alguém mal comete quando se vai de encontro ao que ele quer, isto é, que se poupe, na caça, o animal que mama ou amamenta e o pássaro que choca ou cria. O Jurupari não tem encarnação alguma e o Anhangá tem. A encarnação deste quando aparece ao homem é sempre sob a forma de um veado, de cor vermelha, de chifres cobertos de pêlos, de olhar de fogo, de cruz na testa, conhecido por Suassu Anhangá, que não é mais do que Suassu Caatinga, do Sul, ou Cervus simplicicornis, de Illerger, conhecido hoje por "Catingueiro" e que Azara denominou Guazu 'Birá.
O que se deduz é ter o indígena brasileiro dois vocábulos homófonos designando funções sobrenaturais perfeitamente diferenciadas. Anhan e Anhangá querem dizer alma, sombra, espírito. Tastetevin, Stradelli, Batista Caetano estão de acordo. O que atormentava interiormente o ameraba era "a alma do outro mundo", que ainda arrepia os fracos e predispostos. A "coisa-má" de Gonçalves Dias, aiua, aiba, má e anga, alma ou espírito é justamente, a alma penada que amedronta e terrifica. Barbosa Rodrigues ainda propõe aná, parente e onga, alma, a alma dos antepassados. A superstição brasileira referente aos mortos da família era vasta e profunda. Estavam os indígenas sempre dispostos a ouvir-lhes a voz longínqua, trazida pelas aves de agouro. O indígena teme imensamente, como o nosso matuto, a mbai-aib, a coisa má, a visagem, o fantasma, e para não vê-lo é capaz de todos os sacrifícios.
Ao mesmo tempo existia o Suaçu-anhanga, protetor da caça, castigador dos caçadores impiedosos e égide dos animais em gravidez. Era esta a outra entidade que perseguia a tranqüilidade dos brasileiros no século XVI. O Veado-fantasma, como todas as espécies animais que possuíam defensores (Couto de Magalhães, Stradelli) constituíam uma galeria suprema de ameaça e de respeito anormais. O indígena, entretanto, sempre flechava o veado, mesmo o "Catingueiro", tido por encantado. Pochi uassu suacuera suassu ananga, dizia um tuixaua a Barbosa Rodrigues, - "a carne do veado-ananga é muito má."Karl Von del Stein lembra que os Bororos não matavam nem comiam o veado-campeiro, o Suçuapara (Cervus campestris). A crença geral é que um veado, saindo inopinadamente do mato, anuncia um acontecimento grave...se não for abatido com um tiro certeiro. Essa superstição se mantém a mesma ente a população mestiçada que trabalha na extração da borracha, caucho, cravo, madeira, e naturalmente se infiltrou para os moradores brancos.
Uma lenda dos índios do rio Uaupés, afluente do rio Negro, Amazonas, recolhida por Brandão de Amorim, diz que uns veados estavam comendo as plantações e os donos o mataram. Carregaram os corpos para casa a fim de moqueá-los. Pela manhã vieram ver e encontraram, em cima do moquém, carne humana. Jogaram no rio toda a moqueada, horrorizados. Isto sucedeu no Iaureté-Cachoeira. "Duas luas depois, apareceram do Papuri pessoas que procuravam seu avô e mulher que se tinham daí sumido. Já então essa gente soube que aqueles dois veados que estragavam suas roças eram gente ! Assim, contam, lhes sucedeu, por isso hoje em dia a gente não moqueia mais veado dentro de casa.
O padre Tastevin recolheu uma estória semelhante em substância. Os negros Ba Kamba contam que um caçador encontrou dois antílopes que estragavam sua roça, e matou a fêmea e levou-a para a aldeia. Apesar de morta, esfolada, preparada, levada para o fogo, a antílope conservava a voz humana e perguntou para onde a levam. Assando, ainda fala. Quem comeu da antílope morreu. Sacudiram o resto no mato. Imediatamente o corpo se recompôs e a antílope, sã e completa, reganhou, numa carreira veloz, a floresta.
As lendas que Couto de Magalhães e Barbosa Rodrigues publicaram são referentes ao Anhangá da caça. Numa, ele ilude o caçador fazendo-o abater a própria mãe em castigo de matar animal em via de parto. Essa mesma lenda Stradelli a citou como pertencendo ao Corupira. Noutra estória, um veado, devorando as roçarias dos índios, ameaçou comer umas mulheres que diziam mal dele. Um Anhangá devorando mulheres seria novidade. Não há a menor notícia da antropofagia entre os seres sobrenaturais, matam, quando matam, não tocam no cadáver. Os animais fabulosos comendo carne humana já me parecem influência negra, como o Quibungo e mesmo as tintas gerais com que o seringueiro desenha verbalmente o Mapiguari.
A Anga, o Anhangá que sacudia de desespero o selvagem, Anga, era alma sem pouso, o espírito errante, significando diabrura, malefício, feitiçaria. Todos os povos tiveram essa mesma assombração para o espírito dos seus mortos. Assim, gregos, romanos, persas, chineses têm o mesmo sentimento dos nossos amerabas. Em todas as religiões do mundo as almas dos finados sem sepultura são demônios atormentadores. A Anga, alma dos mortos, não tem corporificação. É o pesadelo, é coisa má, é o medo sem forma e sem nome possível. O Anhangá que toma o aspecto de um veado branco, com os olhos de fogo é outra personalidade. É um nume protetor da espécie, superstição indígena, mito local. Para este é que se dirige o respeito da tradição cinegética. O Anhangá da caça é carabina dos caçadores insaciáveis e, mesmo morto, não podia ser alimento, como disse a Barbosa Rodrigues o indígena amazonense sobre o "Catingueiro". Vimos que os Ba Kambas pensam o mesmo de certo gênero de antílopes.
Muitas vezes desaparece a liturgia de uma crença e sobrevive apenas o respeito instintivo, a reminiscência esvaecida do rito, vivendo numa proibição de uso ou de renúncia, de reverência ou de obediência a determinadas restrições. A escola do "Tabu" como é muito vaga, plástica e complexa, serve para explicar atos inexplicáveis que são automatismos secundários, restos de cerimônias de cultos mortos. O Orongo é um animal sagrado para os mongóis, mas o coronel Prejevalski não mais encontrou justificativa dessa veneração. A pele de Nébi (Dendrohyraz emini) só pode ser usada pelos soberanos africanos, mas o explorador Casati nada pôde saber que explicasse o hábito.
O Anga ou Anhanga incorpóreo, atormentador dos ameríndios, bem poderá ser, verdadeiramente, o primitivo mito, único a ser compreendido pelos aborígines durante dilatados anos. O Anga assombrador, tido como Jurupari, como o pesadelo, parece-me ser o ur-mythus, o terror inicial. O Anhangá, mito zoomorfo, induz-me a julgá-lo de influência aloctônica. Esse nume, protetor, égide, guia defensor da caça, leva-me a suspeitar da criação africana com adaptação posterior e confusão natural com o preexistente Anhangá invisível.
Um vocabulário do idioma N'bunda entremostra um possível caminho. O substantivo caça em n'bunda é n'hanga, justamente como Teodoro Sampaio, o indiscutido mestre tupilólogo ensinava a pronunciar o Anhangá brasileiro, o da caça. O verbo caçar é, nessa língua africana, cu-nhanga, e caçador é ri-nhangá. O mito do Batatão (mboitatá) que era tido como pura criação indígena, registrado em 1560 pelo venerável Anchieta, hoje não mais se discute a influência negra, ou, no mínimo, a coexistência de estória idêntica nos dois continentes. A Mboi tanto é africana quanto brasileira. Poder-se-á insofismavelmente dar processo igual ao mito do Anhanga. O africano N'hanga, emigrado, converge para o Anhanga existente no Brasil e os dois nomes, com acepções diversas, fundem-se. Os nossos dois Anhangás tão desiguais em ação e teimosamente reunidos como sendo uma só expressão sobrenatural, para mim nada mais representam que um daqueles casos que o velho Max Muller chamava "mitos de confusão verbal."

Extraído do ”Geografia dos Mitos Brasileiros”, de Luís Câmara Cascudo.

AS ORIGENS DA LÍNGUA PORTUGUESA (*)


Renivaldo Costa
         O Português está diretamente relacionado com o latim, portanto, antes de nos aprofundarmos nessa abordagem, é bom conhecer a origem do latim. Sua origem remonta só século VII a.C., período que vai da fundação de Roma até a queda do Império Romano do Ocidente.
           Teve suas origens em Laso, também conhecida como “Latium”, região central da Itália, onde habitavam pastores e agricultores. O Latium se constitui na língua nacional do Império Romano.
         O filósofo Serafim da Silva Neto dizia que a língua tem dois empregos: o Literário (quase sempre escrito, usado pelos cultos) e o popular (falado pelos homens do povo). Em Roma havia o latim clássico e o vulgar. Além dessas havia outras modalidades, dependendo da classe social: o latim familiar (classe média), latim plebeu (classe baixa), latim castrense (soldados), latim náutico (marinheiros) e latim proletário (operários). A Língua Portuguesa é um prolongamento do latim levado pelos romanos à Península Ibérica.
            Pouco se sabe dos povos que habitavam o solo penínsular antes da invasão romana (III a.C.). Sabe-se que alguns deles eram os íberos, celtas, fenícios, gregos e cartagineses.
           A Península Ibérica era habitada por íberos, povo agrícola e pacífico e o mais antigo que se tem notícia. Pelo século VI a.C., os celtas invadem a península. Com a mesclagem de povos surgiram os celtíberos. Com o passar dos anos, gregos, fenícios e cartagineses estabeleceram colônias comerciais em vários pontos da península. Nessa época, aconteceu o famoso cerco de Segunto pelos cartagineses, que queriam apoderar-se por completo da península.
Chega então a vez de Roma invadir a península para sustar a expansão de Cartago. Vitoriosos, os romanos estabeleceram a península com província romana em 197 a. C. Desde então, iniciou uma dominação política, militar e principalmente cultural.
Roma impunha sua língua: o latim, portanto instituiu escola, abriu estradas e implantou correios.
No século V, a península foi invadida pelos bárbaros germanos (alavos, suevos, vândalos, visigodos), povo guerreiro que impôs a força, mas adotou grande parte da cultura romana. Esses bárbaros fecharam as escolas romanas, pois consideravam que a instrução enfraquecia o espírito guerreiro dos homens.
No século VII, foi a vez dos árabes invadirem a península. Nela ficaram até o século XV quando foram banidos por completo. Em nossa língua tiveram pouca influência. Apenas cerca de mil palavras existem em nosso léxico que vieram do árabe, entre elas: álgebra, algema, algodão, alqueire, etc.
As lutas pela expulsão dos mouros do solo penínsular culminaram em 1139 com o brado do nacionalismo lusitano, com Dom Afonso Henrique, rei do Condado Portucalense, que depois se transformou no Império de Portugal, em 1143. Inicia aí um novo reino – Portugal - uma nova nação – Portuguesa – e uma nova língua – a Língua Portuguesa. Onde foi fundado Portugal, fala-se o dialeto galeziano ou galego-português. Depois se dividiram ambos, e o galego assumiu unidade castelhana.

(*) Publicado no jornal “Artecultor”, sem data.

ISNARD LIMA MORREU! (*)


Alcy Araújo
            Segunda-feira, oito horas da madrugada. Este cronista estava na maior fossa. Havia chorado. É que as filhas – Astrid e Aline – haviam acabado de voar com destino a Belém, da Província do Grão Pará. Terminada as férias de verão, depois de festinhas, pele dourada pelo sol da fazendinha, elas retornavam ao seu cotidiano estudantil, em busca de um título universitário, deixando uma tremenda saudade. A mãe com lágrimas prontas a escorrer pela face, as irmãs entristecidas, com a caçula choramingando a ausência das mais velhas.
            O cronista com uma dor no peito, uma saudade apertando a alma e o coração e o coração. Então adentra o nosso “studio” o poeta Obdias Araújo, “avec” a namorada atual. Segunda-feira, oito horas da madrugada, era alguma coisa de inusitado. E informa, sem mais aquela: o Isnard Lima morreu e seu corpo está sendo velado na Escola de Música “Walquíria Lima”.
            Esclareceu que a informação havia partido do Jansen, amigo e patrão do poeta de “Malabar Azul”. Isnard levara a mão ao peito, dera um berro angustiado e sua alma escapara pela boca. Havia desencarnado, com sua alma voando para as estrelas, com asas de cristal.
          Então o Obdias, portador de notícia tão triste, deixou o “studio” e partiu para o velório, com a promessa de telefonar dizendo a hora do enterro e os motivos do repentino óbito.
            Algum tempo depois tilinta o telefone. Aquela voz do além está do outro do fio. A voz pergunta se está tudo bem. Reconheço o Isnard, falando. O Isnard é capaz de tudo, até de telefonar do orelhão de São Pedro. Acostumado a conversar com almas penadas, espíritos de luz, anjos, caboclos e pretos velhos, perguntei como ele estava sendo tratado ao lado de Vinícius, Cartola, Bilac, Guimarães Rosa, Noel e Mário Faustino. Perguntei se podia falar com o Georgenor Franco.
          Então o Isnard falou que não tinha subido. Estava telefonando do “Walquíria Lima” ou do Bar do Abreu, sei lá. Estava vivinho da silva.
            E eu que já estava pensando em escrever alguma coisa que servisse como epitáfio para o poeta dos postes da Rua Leopoldo Machado, fiquei até certo ponto frustrado. Uma frustração, misto de alegria, na fossa da segunda-feira.
            Isto posto, acendo um cigarro. Espremo uma laranja até o bagaço. Coloco o suco num copo alto, dois cubo de gelo e uma generosa dose de Vodka.
           Penso em Nonato Leal, sem qualquer razão aparente. Sento na “Remington 33” e escrevo esta crônica. E a paz volta a reinar no mundo conturbado, com o sol entrando pela janela, espantando a noite que há de vir.

(*) Publicado no jornal Amapá Estado, edição de 08 de agosto de 1987

CARTA AO HÉLIO PENNAFORT (*)


JORGE HERNANY (**)
            Hélio, já se passaram algumas horas desde que recebi a notícia que não queria ouvir. A primeira coisa que consigo raciocinar meio atordoado é que não irás mais ver a Paula e a Flávia crescerem.
       Queria tanto que isso acontecesse. Estou defronte ao Rio Amazonas te vendo naquela pequena embarcação que vence a imensidão da baía de Macapá com destino a algum lugar do interior. Tento me apegar à esperança de que os médicos estão enganados; que ainda te verei entrando por aquela porta a qualquer instante; que continuarei a receber os teus telefonemas nos fins de semana pedindo para bater fotos das crianças; que continuarei a te ver pedalando em frente a cidade. Tento ser o mais severo possível e coordenar as ideias, mas a realidade agora é uma cruel verdade. Você partiu e não haverá retorno. Estamos aqui olhando um pra cara do outro sem poder fazer nada, prostados e de mãos atadas. Em meio a esse momento de apatia e solidão começo a rir quando vem a memória o nosso primeiro contato. Aquela travessia entre a cidade de Macapá e a Ilha de Maracá. Estava mesmo cansativa, lembras?
          Depois é que fui entender o porquê da tua impaciência diante de mim, um repórter em começo de carreira querendo puxar uma entrevista burocrática durante uma viagem enfadonha, quando tudo que você queria era contar “causos” e gargalhar a vontade. Lembro bem do sutil puxão de orelha que levei: “rapaz, deixa de ser chato eu sou um contador de estórias e não de histórias”. Ainda bem que aquela gurijuba cozida somente com água e sal e as doses de pinga alegraram depois o ambiente. Parece que foi ontem esse ponto de partida que me faria mais tarde a fazer parte da família.
            Hoje contemplo teu corpo inerte na sede da UNA. Ele tem algo de angelical vestido de branco e com o teu rosto cheio de paz na hora da partida. De você, só falavam virtudes. Também pudera, não lembram de ti um gesto de maldade. Como escritor, jornalista e radialista todos são unâmines em dizer que ninguém foi melhor no jornalismo amapaense para traduzir com naturalidade cada pedaço de vida do interior do Amapá e exprimir a cultura e o sentimento caboclo. Se existir um consolo neste momento é justamente saber que isto ficará para sempre como grande contribuição à nossa história. É o legado que você deixa como referência para a posteridade. O mínimo que pudemos fazer foi te levar sob fortes aplausos e, acredita, foram manifestações das pessoas que sempre te admiraram. Sei perfeitamente que não gostavas de tristeza, mas não dá para evitar de dizer que ficamos todos órfãos, que estamos sentindo saudades e choramos a tua ausência. Descanse em paz amigo. Como sabes a Paula e a Flávia ainda são crianças, indiferentes a nossa dor, mas na hora certa prometo contar cada página bonita da tua história e certamente elas terão motivos de sobra para se orgulhar do vovô Hélio.

(*) Publicado no Jornal “Artecultor”. Sem data.
(**) Jornalista, genro do Hélio Pennafort, falecido em 01 de fevereiro de 2006.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Professores das Federais entram em greve a partir de quinta-feira (17)


Os professores das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) irão deflagrar greve por tempo indeterminado, a partir de quinta-feira (17). A decisão foi tomada, neste sábado (12), durante reunião do Setor das Ifes, do ANDES-SN. 
A greve foi aprovada sem nenhum voto contrário, com 33 votos favoráveis e três abstenções. A reunião contou com a presença de 60 representantes de 43 Ifes. No momento da votação estavam presentes docentes de 36 instituições.

Reivindicações
Tendo como referência a pauta da Campanha 2012 dos professores federais, aprovada no 31º Congresso do Sindicato Nacional e já protocolada junto aos órgãos do governo desde fevereiro, os docentes reivindicam a reestruturação da carreira - prevista no Acordo firmado em 2011 e descumprido pelo governo federal. 
A categoria pleiteia carreira única com incorporação das gratificações em 13 níveis remuneratórios, variação de 5% entre níveis a partir do piso para regime de 20 horas correspondente ao salário mínimo do Dieese (atualmente calculado em R$ 2.329,35), e percentuais de acréscimo relativos à titulação e ao regime de trabalho.
Os professores também querem a valorização e melhoria das condições de trabalho dos docentes nas Universidades e Institutos Federais e atendimento das reivindicações específicas de cada instituição, a partir das pautas de elaboradas localmente.
Vale lembrar que estas são reivindicações históricas da categoria docente e que a reestruturação da carreira vem sendo discutida desde o segundo semestre de 2010, sem registrar avanços efetivos.
O acordo emergencial firmado entre o Sindicato Nacional e o governo no ano passado, estipulava o prazo de 31 de março para a conclusão dos trabalhos do grupo constituído entre as partes e demais entidades do setor da educação para a reestruturação da carreira.
Por diversas vezes, o ANDES-SN cobrou do governo uma mudança na postura e tratamento dado aos docentes, exigindo agilidade no calendário de negociação, o que não ocorreu. A precariedade nas Instituições Federais, em diversas partes do país, principalmente nos campi criados com a expansão via Reuni, também vem sendo há tempos sendo denunciada pelo Sindicato Nacional.

O que acontece agora?
A deliberação do Setor das Ifes será levada para as assembleias locais, que acontecem nesta segunda (14) e terça-feira (15), nas diversas seções sindicais do ANDES-SN nas instituições federais brasileiras, para confirmação da greve na base.
Uma vez referendada pelos professores de cada instituição, haverá notificação às reitorias e as atividades serão suspensas por tempo indeterminado. Deverão ser instaladas assembleias locais permanentes e constituídos os comandos locais de greve (CLG). As eventuais atividades que sejam consideradas essenciais serão assim entendidas e negociadas entre as instituições e os CLG, considerando suas especificidades.
Na
quinta, 17 de maio, será instalado o Comando Nacional de Greve na sede do Sindicato Nacional, em Brasília. Neste mesmo dia, os servidores públicos federais realizam 24 horas de mobilização e paralisação geral da categoria.

Confira a agenda:
14 e15 de maio: rodada nacional de Assembleias nas Ifes para deflagração da greve localmente;
15 de maio: reunião do Grupo de Trabalho para Reestruturação da Carreira Docente, entre o ANDES-SN, governo e demais entidades do setor da educação;
16 de maio: reunião do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Público Federais com o governo;
17 de maio: instalação do comando nacional de greve, às 14h na sede do ANDES-SN;
17 de maio: Dia nacional de mobilização e paralisação dos servidores públicos federais.


Fonte: Renata Maffezoli, Jornalista - ANDES-SN

SECULT REALIZA SEMINÁRIO DO PLANO ESTADUAL DE CULTURA PARA OS PRÓXIMOS DEZ ANOS


Acontece nesta terça-feira, 15, no Centro de Convenções João Batista de Azevedo Picanço, a partir das 8h, o "Seminário Plano Estadual de Cultura", com participação de gestores e representantes de segmentos artístico-culturais locais. O evento vai tratar da elaboração do Plano de Cultura do Amapá que irá vigorar pelos próximos dez anos, obedecendo ao Plano Nacional de Cultura, do Ministério da Cultura (MinC).

O objetivo do Seminário é sensibilizar a sociedade para a importância do mesmo. Para desenvolver os planos estaduais, o MinC firmou convênio com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para prestar assessoramento a 18 estados brasileiros, entre eles o Amapá.
No Amapá, a elaboração do Plano Estadual está em fase inicial. Para dar suporte aos estados, o MinC realizou, no mês de março, em Brasília, curso de capacitação direcionado aos seus articuladores. No Amapá, a equipe é integrada pelo articulador estadual, Raimundo Nonato de Oliveira Borges (Secult); o coordenador técnico, Paulo César Alfaia Neves; e o analista técnico, Clive Gavin Andrews. Esses últimos, contratados pela Universidade de Santa Catarina.
Ainda em Brasília, o secretário de Cultura, Zé Miguel, assinou o termo de responsabilidade, evidenciando o papel da Secult no desenrolar do Plano.
"Esse é um processo de suma importância para o Amapá e deve ter a participação de todos. É a construção de um plano de cultura, de políticas, que vão nortear nossa relação cultural durante dez anos, e isso significa também dar maiores condições para que o Estado capte recursos junto ao MinC e outras instituições de peso, além de assegurar políticas transversais e de Estado, de acordo com o Plano Nacional de Cultura (PNC).", pondera Zé Miguel.
Para garantir a legalidade, transparência e representatividade do Plano, será nomeada uma comissão multidisciplinar, que acompanhará todo o trabalho, até o encaminhamento à Assembleia Legislativa para votação e, posteriormente, à sanção governamental.
O Plano de Trabalho elaborado pela equipe articuladora já foi aprovado pela Coordenação Nacional do MinC. A primeira etapa está se operacionalizando com a realização do Seminário, que também tem como objetivo apresentar à sociedade a metodologia a ser utilizada e apresentar aos agentes culturais locais a equipe articuladora.
De acordo com o articulador Raimundo Borges, "o Seminário tem caráter pedagógico e obedecerá metodologia que permitirá a participação do poder público e da sociedade civil organizada".
Conforme as diretrizes instituídas pelo Plano de Trabalho, a comissão multidisciplinar fará parte da equipe responsável pela elaboração do Plano Estadual de Cultura e será constituída por representantes dos seguintes órgãos:
Conselho Estadual de Cultura (Consec), Assembleia Legislativa (AL) e Procuradoria Geral do Estado (Prog), Escola de Administração Pública (EAP), Universidade Federal do Amapá (Unifap), Universidade Estadual do Amapá (Ueap), Agência de Desenvolvimento do Amapá (Adapo), um representante dos Pontos de Cultura e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), respeitando dessa forma o princípio de participação da sociedade civil e a contribuição de todos os segmentos culturais.
Serviço
Evento: Seminário Plano Estadual de Cultura
Local: Centro de Convenções João Batista de Azevedo Picanço
Horário: das 8h às 12h e das 14h às 19h
Público-alvo: Sociedade civil organizada, gestores na área de Cultura, agentes, artistas, movimentadores da Cultura.
Programação
8h30
Credenciamento dos Participantes
9h
Atração Cultural
Pura Raíz (Grupo de Chorinho)
9h20
Abertura Oficial
Pronunciamento do secretário de Cultura do Estado, José Miguel de Souza Cyrillo
• Apresentação da Equipe Multidisciplinar responsável pela Elaboração do Plano Estadual de Cultura do Estado
• Cadastramento do Projeto Identidade Cultural Informatizado
9h30
Mesa Redonda
Tema: Os Planos de Cultura, a Cidadania Cultural e o Desenvolvimento Regional
Expositor
Profª Eloise Helena Livramento Dellagnelo - Coordenadora Executiva do Projeto de Apoio à Elaboração de Planos Estaduais de Cultura (Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC)
Debatedores
• Genário Dunas - Representante do Serviço Social do Comércio - Sesc/AP
• Otoniel Ramos Cruz - Representante do Conselho de Cultura - Consec
• Ângela de Carvalho - Gerência de Literatura/Secult
• Dorinha Raiol - Representante da região Norte do MinC
Mediador
• Fernando Pimentel Canto - Unifap
(Universidade Federal do Amapá)
10h30
Coffee Break
11h - Retorno ao Debate
(Participação da Plenária) - Através de perguntas escritas
11h30 - Considerações Finais dos Componentes da Mesa
14h - Apresentação Cultural
Intervenções Poéticas: Coletivo Amazourbanidade
14h20 - Mesa Redonda
Tema: Economia Criativa e Patrimônio Cultural & Valor Amazônico
Expositor
• Delson Cruz (Representante da região Norte - MinC)
Debatedores
• Profª Eloise, da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
• Geni Frota - EAP
• Dorinha, Representante da região Norte do MinC (Ministério da Cultura)
• Ms Profª Decleuma Lobato - Representante Estadual da Comissão Folclórico Popular
• Heluana Quintas - Representante Coletivo Palafita
Mediador
• Marlus Carvalho - Representante da EAP (Escola Administração Pública do Amapá)
17h - Coffee Break
17h30 - Retorno ao Debate
(Participação da Plenária) - Através de perguntas escritas
18h - Considerações Finais dos Componentes da Mesa
18h30 - Encerramento - Apresentação Cultural
Rodada de Marabaixo (Grupo Raizes do Bolão - Comunidade do Curiaú)
Rita Torrinha/Secult

sábado, 12 de maio de 2012

MÃES


Minha mãe, Saúde Pimentel Canto em tela de Olivar Cunha.

         Republico, a pedidos, o texto abaixo. Minha homenagem a todas as mães que passaram por este planeta e cumpriram a sua sagrada missão social e biológica. Às que permanecem, a minha incessante admiração e carinho.
  
CANÇÃO DO FILHO AGRADECIDO (*)
Crônica de Fernando Canto

Minha mãe está ali, do outro lado da rua ao lado de minha irmã, me olhando. Mas eu não posso atravessar porque muitos veículos passam constantemente em alta velocidade. A alegria de reencontrá-las é grande e o coração palpita na possibilidade de abraçá-las, afinal faz tempo que eu não as vejo. Elas estão lá e esboçam sorrisos de ternura, como que convidando para uma conversa longa ao redor da mesa onde um café fumegante feito em casa, saindo do coador, explode em seu odor característico. Os carros não param. Não há semáforos nesse cruzamento. Elas percebem meu desespero e espalmam as mãos pedindo calma, porque é perigosa a travessia e eu devo esperar o movimento dos veículos para poder passar. Fico agoniado e não tiro os olhos delas. Mas os carros dão lugar à manadas de animais em estouro, e quando a poeira passa, um trem se segue em seu lugar. É grande o movimento. E agora uma chuva fina molha os caminhões em comboio veloz no meio da rua, ensopando o som de suas buzinas barulhentas. Do outro lado da rua duas figuras diáfanas desaparecem progressivamente, indiferentes ao meu chamado, enquanto os obstáculos móveis pouco a pouco somem da minha vista.
Então eu acordo com os batimentos cardíacos fora do normal e uma imensa saudade rompe abruptamente os globos dos meus olhos embotados, formando milhares de gotículas cristalizadas no chão. É um dia de sol e chuva, mas de luz intensa varando os vapores no céu azul equatorial.
Sobra um espanto materializado na parede do quarto. Fecham-se as cortinas...
Restou-me a sensação do nada, um vazio cheio de alguma coisa, o sentido da ausência, não da falta, pois “não há falta na ausência”, diria Drummond inventando exclamações alegres por aí. Ficou ainda a lembrança das criaturas que desafiaram a vida e puseram filhos no mundo, predispostas que estavam a romper círculos enfadonhos e mesmices tentaculares que enredam a normalidade do ciclo vital.
E no interlúdio do sonho e da memória, do nascimento e da morte, do dia e da noite, uma canção renova-se mergulhada na saudade da planta e da flor. Uma canção encarna a melodia magnificamente soprada pelas ruas, onde só a escuta quem tem o ouvido treinado para ouvir sob o barulho dos carros da cidade. Dentro dessa canção se pronuncia o amor, palavra-escritura indecifrável para alguns ou guardada nos bolsos de outros. É uma canção que se inscreve em mosaicos, que venta e fustiga esconderijos de metal e é tecida com agulhas de ouro. Quem assobiá-la será feliz e descansará em macias almofadas de seda do oriente, recheadas de penas de ganso.
Por garantir essa promessa é que me alardeio proprietário de palavras inventadas, de músicas compostas em nome do amor e da memória. Eu narro essa façanha improvisada de fazer-me condutor do lume da saudade, a fim de vê-lo sempre aceso dentro do coração.
Inominada rutilância és tu, Mãe. Anjo astral, iluminadora. Grato eu sou pela concessão da espada nesta onírica epopéia inacabada em que me encontro e venço diariamente. Agradecido fico pelo indisfarçado crescimento das abelhas que colhem o pólen das hortênsias, dos jasmins e das papoulas que ainda florescem em teu jardim. Aqui teu filho lavra a terra, planta e separa o trigo onde lhe salpicam o joio. Aqui teu filho ainda pule a pedra bruta posta ao meio do caminho. Aqui ele canta a canção que lhe ensinaste para limpar os obstáculos e carregar os fardos inevitáveis que surgem nas ruas por onde passa.
Inefável rutilância tu és, Mãe. Fulcro lírico, bálsamo dos dias funestos, porto necessário ao barco sem destino. Grato eu sou pelos rios que atravesso nas pontes que me ensinaste a desenhar e transpor. Agradecido fico pelas metáforas da vida que Deus mandou-me e que eu, por ti, pude interpretar. (Fernando Canto)
 (*) Publicado no livro “Adoradores do Sol – Novo Textuário do Meio do Mundo”, de Fernando Canto. Scortecci, São Paulo, 2010.

DONO DE CABARÉ


         Depois de receber uma bolada do PDV do Governo Federal, onde trabalhou por quase 20 anos, Zé Ramos não sabia nem como nem onde investir o dinheiro. Mas queria ser comerciante. Como também era boêmio inveterado, frequentador de inúmeros botecos, bares e lupanares, alguém lhe falou que um cabaré estava à venda no subúrbio da cidade. A ideia de comprar um estabelecimento comercial já pronto despertou-lhe a cobiça e o sentimento de poder, pois comandaria pessoas e ainda aproveitaria os produtos da casa. Ou seja, uniria o útil e lucrativo negocio ao agradável  hábito do bem bom.
         Visando o lucro, Zé Ramos investiu toda a sua fortuna na compra do tal lupanar. Porém, despreparado (Naquele tempo não existiam programas de empreendedorismo a pequenas empresas assessorados pelo Sebrae), nosso heroi foi levando o negocio com a barriga. Era mais cliente do que dono.
         Quatro meses depois o único garçom roubou o caixa e fugiu; dois empregados, encarregados da limpeza e da cozinha, e um segurança o colocaram na justiça do trabalho e as cinco trabalhadoras sexuais da casa apareceram grávidas o acusando de ser o pai das crianças, pois ele às vezes, quando estava doidão, expulsava os clientes e fechava o estabelecimento, para seu usufruto pessoal.
         Acabou vendendo o negocio por uma ninharia para um cearense, dono de um minibox que lhe fornecia mercadoria no fiado. Quase não dava para pagar as indenizações dos empregados e as outras despesas que ficaram da sua gestão.
         Mesmo assim, Zé Ramos é um cara feliz da vida. Viveu a sua experiência de empresário como um xeique árabe. E diz, sempre rindo, com o maior orgulho: - Já fui dono de puteiro. Não ganhei, mas também não perdi.
         Esse é o Zé Ramos com suas histórias. 

CABRALZINHO MORREU DE VEZ, PROFESSORES?


   Depois de 117 anos “nossos herois morreram de overdose”? Cabralzinho na Praça que leva seu nome, ao cair da noite, em foto expressionista. 

    Parece que arrancaram do calendário o dia 15 de maio da Questão do Amapá, como mandaram pras cucuias os festejos de 1º de dezembro do Laudo Suíço. Onde andam os nossos herois? Professores, reativem nas escolas a memória histórica do nosso povo. Professores, façam alguma coisa em contraposição ao mar de lama que atola a política do Estado. Mesmo em greve, façam um ato memorial nesta terça-feira, dia 15, e usem a bravura de Cabralzinho para vencerem a luta.

PRESIDENTE MARINALVA


A professora Marinalva Oliveira é a nova presidente do Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior- ANDES, eleita na quarta-feira. A coluna deseja muito sucesso na sua gestão, professora. Boa sorte!

PARALISAÇÃO


Servidores da UNIFAP fecharam os portões da Universidade na paralisação da quarta-feira passada.

FOTOS DA EXPOSIÇÃO EM COMEMORAÇÃO AO DIA DO ARTISTA PLÁSTICO

Escultura “O Ribeirinho”, de Grimualdo.
Grimualdo e Ivan Amanajás
Jacson Amaral em show.                                             
Paisagem surrealista de Jorron.
Tela.
“Beira Rio”, de Irê Peixe.

ENCONTROADAS - Bar Du Pedro



Pinturas em cascos de tartaruga da decoração do Bar Du Pedro, atribuídas ao pintor R. Peixe, quando o artista trabalhava na Olaria Territorial na década de 1950. Tudo se aproveitava da tartaruga: da carne ao casco.

ENCONTROADAS - Bar Du Pedro


Rui Lima no sábado de manhã sendo atendido por Luís no Bar Du Pedro do Mercado Central.
Igor Lima
João Eudes
Marcos Brava
Igor Lima relaxando no Mercado Central, em companhia de João Eudes e Marcos Brava.

ENCONTROADAS - Rafael Lima


Rafael Lima, diretor do DINFO/UNIFAP ri, feliz, depois que ganhou um carro “novo” para uso do seu Departamento.

ENCONTROADAS - Cenas de Bar


 Cena triste no bar.
Cena mais triste ainda. Bar fechado.

ENCONTROADAS - Simões e Magá


Osvaldo Simões e Zé Nazaré (mais conhecido com Zé da Magá ou Filho do Mick Rooney) no colorido do último bar do Abreu.