segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O apanhador no campo de centeio

Por Ray Cunha

BRASÍLIA, 11 de novembro de 2012 – Os dias sucedem-se nublados. Às vezes, abre-se uma gigantesca fresta de sol sobre a cidade, que pulsa ao calor. Há dias de vento forte, e chove. Assim caminha o ano rumo a dezembro, docemente, ao embalo do verão. Há mangueiras que já se vergam ao peso das mangas, belas como enfeites de Natal. Lemos, nas mentes das pessoas, que depositarão novamente todas as suas esperanças no primeiro dia do novo ano. Contudo, isso já está assegurado, porque a vida renasce todos os dias, todos os instantes, e para isso precisamos ouvir apenas o canto dos sabiás, sorrir para as crianças, especialmente as tristes, e oferecer flores aos que amamos, com o mesmo espírito de entrega do poeta ao ofertar rosas para a madrugada.

Dezembro não tardará, trazendo toda a magia da vida, até para os que se julgam perdidos na noite eterna dos danados, pois basta ouvir o riso dos pequeninos para que surja o sol no jardim do coração. Não importa quanto mal tenhamos praticado, mas quando sentimos o perdão todas as correntes se partem para sempre e descobrimos que é fácil voar. A esperança de 1 de janeiro deve se perpetuar para o dia 2 e se renovar, como as manhãs no trópico, até 31 de dezembro. Então, tudo recomeça.

Em 2013, vou abrir de novo meu relicário e ofertar todas as pedras preciosas que conseguir tirar de dentro dele. Posso ofertá-las para sempre, pois surgem mais e mais, infinitamente; são focos de luz, e só os vemos com o coração. Pretendo também ouvir mais a música da madrugada, para produzir mais diamantes, rubis e esmeraldas.

À medida que nos aproximamos de dezembro, a esperança brota numa flor, no canto dos passarinhos, nas mangueiras carregadas de frutos, no riso das crianças, nos olhos da mulher amada. As manhãs são redentoras, as tardes escoam como rios amazônicos e as noites são navios grandes e bem iluminados.

Sou o apanhador no campo de centeio. Estou ali, de vigília, e as crianças brincam de bola. Estou atento. Se a bola cai longe, vou apanhá-la e a devolvo para as crianças. Se uma delas se machuca, cuido do machucado e a consolo; quando elas sentem fome, alimento-as; e se alguma delas quer ficar triste, alegro-a, pois sei que tudo posso; até voar.

E assim vão-se os dias, embalados por ventos tão azuis que cheiram a mar. O Natal logo baterá à porta do meu coração, e virá o novo ano, num voo vertiginoso como o primeiro beijo, roubado dos lábios de um anjo, e tudo isso temos para sempre dentro de cada célula, de cada átomo, de cada quantum da nossa mente.

As madrugadas, as mesmas madrugadas que perpassam o Concerto para Piano e Orquestra, em Ré Menor, de Mozart, essas madrugadas impregnadas de Chanel Número 5 espargido nos labirintos de mistérios do corpo da mulher amada, essas noites tórridas da Amazônia, regadas ao choro dos jasmineiros, esse Atlântico, abrem-se na minha vida em veredas ladeadas por zínias multicoloridas e rosas colombianas, vermelhas. É nas madrugadas que dou à luz personagens que nascem ao computador.

E isso é tudo o que eu quero, além do brilho dos olhos da minha amada, e do riso da minha filha, e da luz dos meus anjinhos, e do cheiro da minha mãe, e do bate-papo com meus antepassados, e dos voos vertiginosos junto com meu pai. Assim, estarei sempre acordado e bem-disposto na missão do apanhador no campo de centeio.

Sementes do Sol – Lançamento

ConviteCaro Ademar, agradeço o convite e, se possilvel, estarei presente. Grangre abraço e sucesso!

sábado, 10 de novembro de 2012

ZUNIDOR


Recebi das mãos do poeta Algimiro Firmino Torres, o livro de poemas “Meu Pensar - Poesias Regionais do Amapá”, publicado por conta própria em 2008. Algimiro é pernambucano e está radicado por aqui desde 1984. “Já reuniu seis coletâneas de livros e poemas, onde deixou registrado vários momentos marcantes de sua vida, através de sua obra: Meu pensar, Meu Olhar, Olho no Mensalão, Carta de Amor, Viva Macapá, demonstrando a todos nós, que a poesia é como uma poderosa máquina de produzir ternura e sentimento”. Para o prefaciador do livro, Renivaldo Costa, “Trata-se de um poeta popular que consegue, sem eruditismo, falar de suas preocupações sociais e românticas, sem deixar de ser lírico”.


A cantora Juliele entra na semana que vem em estúdio na vizinha capital paraense, para gravar mais um disco com músicas natalinas. Depois faz show com Nilson Chaves no restaurante Motor’s Club do Araxá dia 26. Também tem em vista show com o cantor Jerry Adriani, antigo ídolo da Jovem Guarda.


Cleverson Baía e Bolachinha preparam uma apresentação com o conhecido grupo musical “Casablanca” para o fim do ano.
LETRAMANA, Ana Martel ao contrário esteve em casa tomando um cafezinho no final da tarde. Prepara um showzão no Amazontech 2012. Já está ensaiando no estúdio do Carlitão.


O artista plástico Ivan Amanajás vai expor a partir do dia 16 de novembro no hall do Teatro das Bacabeiras. Ivam pinta com maestria seus trabalhos de cunho surrealista, mas também é um craque em paisagens amazônicas.

A Amazontech 2012 vai proporcionar aos interessados inúmeras capacitações técnicas, entre palestras, mesas-redondas e oficinas. Muitos artistas locais farão apresentações culturais na área de dança e da música: Lady Púrpura, Taty Taylor, Cássio Pontes, Grupos de Marabaixo, Adriana Rachel, Brenda Melo, Lula Jerônimo, Karol Diva, Celine Guedes, Clay Luna, Maria Eli, Quarteto Amazon Music, Claudete Moreira, Adenor Monteiro, Ana Martel e, no final do evento, haverá um pout-porri das Escolas de Samba. O local será o palco montado ao lado da Cidade do Samba.


O evento também vai fazer os lançamentos dos livros: “Amazônia – As Raízes do Atraso”, de Cristóvão Lins, no dia 14; “Adoradores do Sol”, de Fernando Canto, no dia 15; “Amazônia – Autógrafos e leituras de texto do livro “Por Dentro das Amazônia”, de Nilson Moulin e “Conversas no Embalo das redes”, dia 16. No dia 17 o arquiteto Rostan Martins lança “Alô, Alô, Amazônia – a linguagem da floresta no rádio”. Todos os lançamentos serão realizados entre 19 e 20h00 no Café Literário da Cidade do Samba. Vá lá.


Maestro Manoel Cordeiro grava em São Paulo seu disco instrumental, depois parte para show na Alemanha.


Foi um sucesso a I FLAP. Quem participou, como eu, achou um barato. Muitas palestras, oficinas e eventos paralelos. Para uma primeira feira desse porte foi um sucesso de organização. Até os escritores de fora fizeram muitos elogios, principalmente o veterano Ignácio de Loyola Brandão, que veio pela primeira vez ao estado. Estudantes e professores compareceram em massa nos eventos, tanto os da EAP, BPEL, Centro Franco Amapaense como os realizados na Casa do Artesão, onde foram instalados os estandes da livrarias e editoras. Conheci inúmeros poetas novos, escritores nacionais e estrangeiros (da Guiana Francesa), inclusive revi madame Tchisséka LOBELT, presidente da Association Promolivres, que conheci na Feira do livro de Caiena em 2000, no Zèphir, quando ministrei palestra sobre literatura amapaense. Agora os escritores esperam o Edital de Literatura da SECULT, prometido para esta semana. A coluna reafirma e parabeniza a poeta Carla Nobre e equipe pelo desempenho na organização da FLAP. Que se mandem às favas as críticas dos cri-cris. Eles deveriam mais era participar do que ficar falando besteira.


Foi um sucesso o show do cantor Zé Miguel no restaurante do Gil, na Beira Rio no dia 1º de novembro. Uma proposta nova, mais ligth foi apresentada pelo cantor.


Entreouvido no balcão do bar do Abreu: “Pior que não são só um. É vários.”

A Universidade Boêmios do Laguinho vai apresentar na Feira Amazontech 2012, no dia 17, o seu samba enredo para 2013: “Pernambucália, um frevo no meio do mundo”, de autoria de Vicente Cruz e Ademir do Cavaco. Os roteiristas do enredo Alan Gomes, Vicente Cruz, Célio Alício e Cláudio Rogério já voltaram do Recife, onde estiveram ultimando as pesquisas para pôr a Universidade na passarela do Samba em 2013.

 
Inderê! Volto zunindo na semana que vem.

A LISTA DOS MELHORES LIVROS DO PROFESSOR MUNHOZ

munhozLido pelo próprio na BPEL, dia 03 de novembro de 2012, por ocasião de uma homenagem do grupo poético “Abeporá de Palavras” aos seus 80 anos, no Ano da Educação Antônio Munhoz Lopes.

Sábado passado, antecipando a abertura da 1ª Feira de livro do Amapá, citei o livro Essências da Literatura Mundial, terminando com um escritor nacional, Machado de Assis, autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas, obra que deu início ao Realismo no Brasil, e como tal, colocado entre os melhores escritores de todos os tempos. Lembrando a abertura do Corredor literário, terça feira passada, na Biblioteca Pública, acho por bem enumerar por critério individual, dez obras essenciais da literatura brasileira em todos os gêneros e em todos os tempos, o que é difícil, porque cada cabeça tem uma maneira própria de pensar e julgar. Mas vamos às obras escolhidas:

1. Mais uma vez voltamos a “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, obra sobre um “autor que é defunto ou um defunto que é autor”, o ficcionista carioca revolucionando a literatura brasileira.

2. O segundo livro seria ainda de Machado de Assis, “Dom Casmurro”, história sobre o ciúme, o adultério e a dúvida, obra prima de narração psicológica, revelando os frágeis limites da condição humana.

3. Um livro citado no último programa: “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos. Eu lembro dos aplausos, em Lisboa, na Cinemateca Portuguesa, quando foi apresentado o filme homônimo de Nelson Pereira dos Santos, com o ator Átila Iório, no papel de Fabiano.

4. Um livro pouco lido, um misto de ensaio científico e literário: “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, descrevendo a Guerra de Canudos. O livro é dividido em três partes: A Terra, O Homem e A Luta.

5. Um livro que é o ápice do nosso Romantismo, inicialmente publicado em folhetim, saga indianista da formação da nossa nacionalidade: “O Guarani”, de José de Alencar.

6. “O Imperador da Língua Portuguesa”, segundo Fernando Pessoa, obra ímpar na defesa dos cristãos novos, dos índios e dos negros, portanto alto de sua poderosa retórica.

7. “Memórias de Um Sargento de Milícias” de Manuel Antônio de Almeida, tendo como protagonista o primeiro grande malandro da novelística brasileira, também publicado em folhetim, no Correio Mercantil entre 1854 e 1855. A história gira em torno de Leonardo “filho de uma pisadela e de um beliscão”. Leonardo é filho de Leonardo Pataca, “algibebe em Lisboa” e Maria da Hortaliça, “rechonchuda e bonitona”.

8. Outro livro importante da nossa literatura, um dos mais importantes do séc, 19 é “O Ateneu”, de Raul Pompéia, publicado como folhetim na Gazeta de Notícias, em 1888, tendo como subtítulo “Crônicas de Saudades”, é um romance de inspiração autobiográfica, a história girando em torno do menino Sérgio.

9. “Fogo Morto”, de José Lins do Rego, abra prima do autor que mostra em linguagem forte e poética a decadência dos engenhos de cana-de-açúcar.

10. E, por último, um dos mais inovadores romances da literatura brasileira, livro que já foi eleito como um dos 100 de todos os tempos: “Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa, publicado em 1956, repleto de neologismo, arcaísmo recuperados, linguagem coloquial e regionalismo trabalhado. Acredito que foi nesse romance, que Guimarães Rosa, pela primeira vez, grafou a palavra “estória”, como a arte de contar fatos. Segundo o Círculo do Livro da Noruega, Grande Sertão Veredas, é um dos 100 livros mais importantes de todos os tempos, narrando as aventuras de Riobaldo pelo sertão mineiro. Segundo os críticos, o romance de Guimarães Rosa é um convite irrecusável à viagem pelas palavras.

E como tenho certeza de que algum ouvinte está se perguntando como é possível em dez obras essenciais da literatura brasileira, eu não citar nenhum de poesia, eu arisco mais dez apenas de versos:

1. A Obra Poética, de Gregório de Matos Guerra, o poeta rebelde e ferino que ficou com a XX de “Boca do Inferno”, havendo também muitos críticos que consideram sua obra lírica superior à satírica.

2. “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga, o poeta mais versátil do nosso arcadismo.

3. “I-Juca Pirama”, de Gonçalves Dias, sem dúvida o maior nome da primeira geração de poetas românticos do Brasil, destacando-se também com “Marabá”, “Canto do Tamoio”, “Canto do Guerreiro” e “Os Timbiras”

4. “Os Escravos”, de Castro Alves, o poeta baiano nascido em 1884, em Curralinho, hoje com o nome do autor. Tem como ponto alto os poemas “O Navio Negreiro” e “Vozes d’África”. Mas o único livro que publicou em vida foi “Espumas Flutuantes”.

5. “Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles, sua obra prima da poetisa, narrando episódios da Inconfidência Mineira. Cecília também se dedicou ao magistério no ensino primário, mas foi também professora de literatura brasileira na Universidade do Texas, nos Estados Unidos.

6. “A Rosa do Povo”, de Carlos Drummond de Andrade, síntese de seu tempo, o livro retoma lirismo social dos anteriores e atesta a sua maturidade de poeta.

7. “Libertinagem”, de Manoel Bandeira, em versos livres, trazendo de volta o lirismo para a literatura do país. Um poema famoso desse livro de Manoel Bandeira, inclusive pela ironia, é o “Pneumatórax”. Mas o grande poema do livro é sem dúvida, “Vou-me Embora Pra Pasárgada”.

8. Nova Antologia Poética, de Vinícius de Moraes, autor de soneto de separação e Soneto de Fidelidade, onde ele confessa. “Eu possa me dizer do amor (que tive):/ que não seja imortal, posto que é chama/ mas que seja infinito enquanto dure”.

9. “Invenção de Orfeu” de Jorge de Lima, considerado por Mario Faustino “o maior, o mais alto, o mais vasto, o mais importante, o mais original poeta brasileiro de todos os tempos”. Nascido em União dos Palmares em Alagoas, exerceu a profissão de médico, tendo sido também professor de literatura.

10. “Morte e Vida Severina” de João Cabral de Melo Neto, poema que combina estrutura rigorosa e temática popular. O poema que é um auto de natal foi musicado por Chico Buarque de Holanda.

E poderíamos ainda citar outros livros importantes de poesia, como: “Lira de Vinte Anos”, de Álvaro de Azevedo, livro maior do ultrarromantismo brasileiro; “Nova Antologia Poética”, de Mário Quintana; “Poema Sujo”, de Ferreira Gullar; “Broquéis”, de Cruz e Souza, o poeta maior do nosso simbolismo; “As Metamorfoses”, de Murilo Mendes; o “Eu” e “Urubu pousou na minha sorte”. E para não ir mais adiante, um poeta magnífico, que foi meu contemporâneo em Belém: Mário Faustino, com “O Homem e Sua Hora”, morto tragicamente aos 32 anos num desastre de avião. E não esqueçamos que às dez horas, no Teatro das Bacabeiras, será oficialmente aberta a 1ª Feira de Livro do Amapá, indo até o dia 06, com palestras, saraus oficinas, tendo como convidado especial, Inácio de Loyola Brandão, autor do romance “Zero”, um dos muitos que sofreram as consequências da censura pela ditadura militar. Participemos, pois, da 1ª FLAP, isto é, da 1ª Feira de Livro do Amapá.

MEDO DE DENTISTA


Ontem, sexta-feira, finalmente acabou meu tratamento odontológico com o doutor Décio Bisognin e a doutora Vanessa, da Odonto Advance, aos quais eu agradeço pelo empenho e profissionalismo. Foi um tratamento sério que levou mais tempo do que eu esperava. Mas tudo deu certo. No mais ficou a imagem das luzes da “cadeira do dentista” que, quer queira ou não, contribui para alimentar o mito do medo do dentista que todos temos. Essa foto da luminária que fica sobre o paciente mais parece uma formiga gigante. É o escotoma, que ocorre quando o cérebro interpreta a imagem como quer.

MENTIRA

Um traço inevitável da comunicação entre os seres humanos (*)

Lamentavelmente de uma forma ou de outra, alguém acaba cotidianamente cometendo uma mentira, seja para não ter problemas no emprego, seja para não complicar sua vida pessoal ou então como é o caso de muitos políticos, para mudar o destino de uma cidade, Estado ou nação.

Aliás, quando chega a época de eleição é sempre a mesma coisa, ou seja, os candidatos em sua grande maioria prometem fazer maravilhas caso sejam eleitos.

Dizem que vão resolver o problema da falta de segurança, melhorar a educação básica, incrementar o número de postos de trabalho, solucionar problemas de trânsito e de falta de habitações dignas, etc.

Meses depois, já eleitos, constata-se que eles não iniciaram nenhum programa que permita tornar reais as suas promessas e tudo que disseram passa a ser uma mentira.

A verdade é que a mentira não é um atributo apenas da classe política.

Pode-se infelizmente dizer que todo mundo mente!?!?

E cada ser humano faz isso por motivos diferentes tais como: vingar-se dos inimigos (ou concorrentes), chamar atenção para “grandes feitos”, divertir-se com a reação dos outros, salvar a própria pele etc.

E o pior é que muitos acabam acreditando nas mentiras, valendo aí a constatação feita por um dos indivíduos mais falaciosos da história da humanidade, isto é, o filósofo italiano Nicolau Maquiavel (1469 - 1527) que disse: “aquele que engana sempre acha que se deixa enganar!!!”.

O psicólogo norte-americano Robert Feldman que estuda a mentira há 20 anos, conclui que mais de 62% das pessoas mentem em conversas do dia-a-dia e frequentemente sem nenhum motivo óbvio .

E porque mentimos?

Naturalmente a intenção primordial é extrair algum benefício.

Assim por exemplo, quando um homem cordialmente elogia uma mulher pela sua “boa forma” – mesmo que o elogio não corresponda totalmente com a realidade – ambos tiram proveito (!?!?)da situação.

Além de fazer a senhorita se sentir bem com uma “pequena” mentira, ele faz com que ela o considere bem mais gentil que a média, o que certamente aumenta a empatia mútua.

Do ponto de vista psicológico, certos tipos de mentira podem auxiliar no contato social.

Dessa maneira, dizer a um paciente que se recupera de uma doença grave que seu aspecto está melhor – mesmo que não esteja – pode até ajudar no tratamento.

Isto é, a mentira pode ser desculpada (!?!?) se não prejudicar outras pessoas e for admitida pelo autor.

O ruim é quando as pessoas mentem e já nem se dão conta disso, invocando razões extremas ou imaginárias para esconder o fato de que pretendem obter vantagem com isso.

Muito pior que isso é quando a mentira se torna uma compulsão mórbida.

É o caso da mitomania, ou seja, uma tendência de narrar extraordinárias aventuras imaginárias como sendo verdadeiras ou ainda, o hábito de fantasiar desenfreadamente.

Um exemplo foi o personagem interpretado por Leonardo di Caprio em Prenda-me se For Capaz, uma película que narra a história verídica de Frank Abagnale Jr., que enganou uma empresa aérea passando-se por piloto profissional e depois por advogado e médico.

Sua carreira de mentiroso acabou quando foi agarrado pelas autoridades.

Aliás, esse é comumente o destino de muitos “pacientes” com mitomania, isto é, enfrentar a polícia e a punição da justiça.

Os médicos por sua vez já estão acostumados com um tipo de paciente que é aquela pessoa que “especializou-se” em mentir, ou seja, é portador da síndrome de Münchausen.

O nome da doença é uma “homenagem” ao barão de Münchausen, famoso pelas histórias mirabolantes – piores que as dos pescadores... – sobre as suas experiências militares, como aquela de ter “cavalgado uma bala de canhão”.

Assim, a mentira não passa de um mundo de fantasia e ficção, para muitos outros serve inclusive como artifício capaz de modificar até o rumo da história.

Um exemplo típico é o do Napoleão Bonaparte que como poucos, soube manipular os fatos para alcançar seu objetivo.

Nos idos de 1799, as coisas não iam nada bem para esse conquistador.

O seu sonho de dominar o Oriente Médio estava se dissipando após a humilhante derrota às margens do rio Nilo para o almirante inglês H. Nelson bem como o seu fracasso na Síria.

Com essas derrotas parecia que estava certo o sepultamento político e bélico de Napoleão Bonaparte.

Mas aí ele soube utilizar a imprensa da época para “soprar” aos quatro ventos, no lugar da verdade, as suas “fantásticas vitórias” no Oriente.

Pois bem, as mentiras surtiram efeitos e Napoleão Bonaparte ao retornar à França foi recebido como vitorioso e, em meio às confusões sociais que atingiam a França, conseguiu tomar o poder!!!

Tudo faz crer que não só Napoleão Bonaparte, mas muitos líderes anteriores a ele e também os contemporâneos – basta ver o que foi divulgado para justificar a invasão do Iraque em 2004, ou seja, que o país estava armazenando armas químicas e biológicas – têm seguido ao pé da letra a “cartilha da mentira” do filósofo grego Platão.

Em sua obra A República, Platão defende o uso da mentira na política, justificando inclusive porque os governantes têm o direito de não dizer a verdade para os cidadãos.

Escreveu o filósofo grego: “Se compete a alguém mentir, é aos líderes da cidade, em virtude dos inimigos e dos cidadãos mal intencionados. Entretanto a todas as demais pessoas não é lícito esse recurso!!!”.

Talvez apoiado, entre outras coisas, nos conceitos de Platão, o ser humano vem tentando justificar ao longo dos séculos essa tendência de “escorregar” em declarações falsas no dia-a-dia, de induzir os outros a certas ações que irão prejudica-lo, como é o caso de fazer alguém aplicar em ações de uma empresa que claramente está a beira da falência.

Entre os exemplos recentes de pessoas que mentiram enganando muitas pessoas deve-se citar o ex-presidente da World Com Inc., Bernard J. Ebbers que foi considerado culpado da maior fraude contábil da história dos EUA; a apresentadora e empresária Martha Stewart que enganou com suas “sugestões” muitos investidores; as autoridades ucranianas que no final de 2004 envenenaram o então candidato e depois presidente eleito Viktor Yuschenko, e o grande escândalo do presidente da Boeing, Harry Stonecipher, que escondeu a sua relação extraconjugal com uma das vice-presidentes da empresa Debra Peabody .

O que reforçou o uso da mentira foi talvez a teoria do filósofo italiano Torquato Accetto que em 1641 afirmou que muitas vezes a verdade é mais prejudicial que a mentira!?!? Explica Torquato Accetto: “Pra mim não é correto, por exemplo, uma pessoa que vive sob a ditadura ir à praça pública e gritar que o governo está nas mãos de um tirano. Ele pode dissimular sua crítica e sua ‘mentira honesta’ terá um efeito final melhor.

É vital que cada um saiba o que pode e o que não pode ser dito em público. Deve-se sempre não infringir o decoro”.

Outros estudiosos no passado concluíram também que é adequado dizer uma mentira em certas situações “filantrópicas”.

É o caso de alguém que dá guarida a um fugitivo político da justiça, não informando a policia seu paradeiro...

Muitos filósofos por outro lado e entre eles o alemão Immanuel Kant, ressaltaram que a mentira era inadmissível em qualquer tipo de circunstância.

Aliás, Immanuel Kant salientou: “É a verdade que está na base do direito, assegurando dessa forma a liberdade de todos os indivíduos. A mentira por sua vez sempre prejudica, a alguém, a um grupo de pessoas ou então a humanidade como um todo”.

Porém no século XIX, outro pensador alemão Friedrich Nietzsche, deixou as pessoas mais confusas ainda em relação a sua própria existência.

“Friedrich Nietzsche Procurou ensinar que todos nós precisamos da mentira para conseguir viver nesse mundo falso, cruel, contraditório, inseguro e absurdo”.

Em outras palavras na penosa obrigação de viver nesse contexto é imprescindível que o homem para sobreviver faça uso da mentira.

Dizia Friedrich Nietzsche: “O mundo que enxergamos é ilusório e o conhecimento – tudo que a ciência e a Filosofia nos ensina – é uma invenção do homem para explicar o mistério do universo”.

Mas, uma vez que a filosofia e a ciência ainda não esclareceram todas as facetas da falsidade humana as pessoas vão seguir mentindo, e provavelmente nunca vão parar!?!? Bem no século XXI as coisas estão mudando muito e parece que estamos entrando não apenas na era da reatividade, da economia digital e da educação continua, mas também na era da ética, da moral e da transparência.

Nestes novos tempos, como já pensava Immanuel Kant alguns séculos atrás, não há como desculpar a mentira, que ela deve ser banida.

Numa época da tolerância, com respeito à diversidade e plena democracia, a mentira deveria realmente deixar de existir, ou pelo menos todo aquele que fizesse uso da mesma deveria ser severamente punido.

O que você acha disso caro leitor?

Concorda ou não concorda?

Espero que você seja do clube da verdade, da moral elevada e da transparência!!!

(*) Revista Qualimetria – FAAP – Abril de 2005

PALAVRÃO

Não costumo publicar palavrões nesta coluna, exceto quando eles estão contidos em algum texto escrito por autores que me autorizaram publicar seus trabalhos na íntegra. Mas esse poema do Millôr parece refletir muito bem a cultura brasileira que usa desses expedientes até mesmo como eufemismo para escamotear uma realidade, para suscitar um sentimento, enfim, para expressar a vontade que por outra via não satisfaria o emissor do palavrão. Agradeço ao amigo Aldomário Henriques pelo envio do texto e o deixo aí para os comentários dos leitores.

FODA-SE

Por Millôr Fernandes

O nível de stress de uma pessoa
é inversamente proporcional
a quantidade de
foda-se!
que ela fala.
Existe algo mais libertário
do que o conceito do
foda-se!?
O foda-se!
aumenta minha autoestima,
me torna uma pessoa melhor.
Reorganiza as coisas. Me liberta.
- Não quer sair comigo ?
Então foda-se!
- Vai querer decidir essa merda
sozinho (a) mesmo?
Então foda-se!.
O direito ao foda-se!
deveria estar assegurado
na Constituição Federal.
Os palavrões não nasceram por acaso.
São recursos extremamente válidos e criativos
para prover nosso vocabulário
de expressões que traduzem
com a maior fidelidade
nossos mais fortes e genuínos sentimentos.
É o povo fazendo sua língua.
Como o Latim Vulgar,
será esse Português Vulgar
que vingará plenamente um dia.
Prá caralho, por exemplo.
Qual expressão traduz melhor a ideia
de muita quantidade do que
Prá caralho?
Prá caralho
tende ao infinito
é quase uma expressão matemática.
A Via-Láctea tem estrelas
prá caralho,
o Sol é quente
prá caralho,
o universo é antigo
prá caralho,
eu gosto de cerveja
prá caralho,
entende?
No gênero do Prá caralho,
mas, no caso, expressando
a mais absoluta negação,
está o famoso
Nem fodendo!...
O Não, não e não! e tampouco
o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade Não,
absolutamente não! o substituem.
O Nem fodendo
é irretorquível, e liquida o assunto.
Te libera, com a consciência tranquila,
para outras atividades
de maior interesse em sua vida.
Aquele filho pentelho de 17 anos
te atormenta pedindo o carro
pra ir surfar no litoral?
Não perca tempo nem paciência.
Solte logo um definitivo:
Marquinhos presta atenção, filho querido,
Nem fodendo!.
O impertinente se manca na hora!
Por sua vez,
o porra nenhuma!
atendeu tão plenamente as situações
onde nosso ego exigia
não só a definição de uma negação,

mas também o justo escárnio
contra descarados blefes,
que hoje é totalmente impossível imaginar
que possamos viver sem ele
em nosso cotidiano profissional:
ele redigiu aquele relatório sozinho
porra nenhuma!.
O porra nenhuma,
como vocês podem ver,
nos provê sensações
de incrível bem estar interior.
É como se estivéssemos
fazendo a tardia e justa denúncia pública
de um canalha.
São dessa mesma gênese os clássicos
aspone, chepone, repone
e mais recentemente, o prepone
- presidente de porra nenhuma.
Há outros palavrões igualmente clássicos.
Pense na sonoridade de um
Puta-que-pariu!,
ou seu correlato
Puta-que-o-pariu!,
falado assim, cadenciadamente,
sílaba por sílaba...
Diante de uma notícia irritante qualquer
puta-que-o-pariu!
Dito assim te coloca outra vez em seu eixo.
Seus neurônios têm o devido tempo e clima
para se reorganizar e sacar a atitude
que lhe permitirá dar um merecido troco
ou o safar de maiores dores de cabeça.
E o que dizer de nosso famoso
vai tomar no cu!?
E sua maravilhosa e reforçadora derivação vai
tomar no olho do seu cu!.
Você já imaginou o bem
que alguém faz a si próprio
e aos seus quando,
passado o limite do suportável,
se dirige ao canalha de seu interlocutor
e solta:
Chega!
Vai tomar no olho do seu cu!.
Pronto,
você retomou as rédeas de sua vida,
sua autoestima.
Desabotoa a camisa e sai a rua,
vento batendo na face,
olhar firme, cabeça erguida,
um delicioso sorriso de vitória
e renovado amor íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto
não registrar aqui
a expressão de maior poder de definição
do Português Vulgar:
Fodeu!.
E sua derivação mais avassaladora ainda:
Fodeu de vez!.
Você conhece definição mais exata,
pungente e arrasadora
para uma situação
que atingiu o grau máximo imaginável
de ameaçadora complicação?
Expressão, inclusive, que uma vez proferida
insere seu autor
em todo um providencial contexto interior
de alerta e autodefesa.
Algo assim como quando você está dirigindo bêbado,
sem documentos do carro
e sem carteira de habilitação
e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar:
O que você fala?
Fodeu de vez!.
Liberdade, igualdade, fraternidade e
foda-se!!!

O GURIJUBICÍDIO

Leia abaixo o texto do saudoso jornalista oiapoquense Hélio Pennafort, publicado no dia 21 de dezembro de 1991, quando atuava em “A Província do Pará”, no caderno que escrevia sobre o Amapá aos domingos. Infelizmente, quase 21 anos depois, o cenário da vigilância costeira e das fronteiras continua o mesmo. Apenas os atores mudaram.

COSTA GERENCIADA

Por Hélio Pennafort

Que ninguém se atreva a penetrar nas águas territoriais da Guiana Francesa – a possessão europeia colada ao Estado do Amapá -, a fim de capturar peixes ou tramalhar camarão. Imediatamente a guarda costeira Gendarmerie é acionada e o barco é preso com a tripulação e tudo. A fiscalização é tão rigorosa na costa guianense que os brasileiros que viajam clandestinamente a Cayenne, em busca de trabalho, esperam a chegada da noite para a etapa MontgneBrurelle/Maroni justamente o trecho mais policiado. Evitam assim o contato visual com os helicópteros e a consequente detenção pelas lanchas-patrulha. O guianense defende com unhas e dentes o seu banco camaroneiro e a variedade enorme de peixes que existem no seu litoral.

Também há bancos camaroneiros e cardumes das mais variadas espécies nas águas que banham a costa amapaense. E muito, só que a fiscalização e o mecanismo de defesa atuam de maneira um tanto precária, oportunizando a presença quase que constante de embarcações estrangeiras, muitas das quais operando clandestinamente, inclusive oriundas da própria Guiana Francesa. Com os meios em que dispõe a Marinha de Guerra não pode efetuar um patrulhamento ostensivo no litoral amapaense. Mesmo assim, quando os corvetas aparecem há um recuo temporário por parte dos pescadores clandestinos. Mas depois voltam e abusam, causando inclusive mortandade de peixes. Não faz muito tempo houve um gurijubicídio no trecho Cabo Norte/Cabo Orange, causado, segundo se informou na ocasião, por um tipo de bomba de profundidade lançada por barco de pesca japonês para desalojar os camarões que procuram as profundezas em determinada época do ano. Tem ainda o desperdício da chamada fauna acompanhante, que são toneladas de peixes mortos devolvidos ao mar após a separação das espécies mais nobres.

Inúmeras vezes percorri de barco o litoral (Macapá/Oiapoque) em missão jornalística. E certa ocasião, quando fazia o documentário “As Favelas do Atlântico”, vi de perto os amontoados de peixe apodrecendo em diversos pontos da costa, e posso dizer para vocês que o espetáculo não é dos mais agradáveis. Acredito que nenhum outro país permite coisa parecida em suas águas.

Mas isto um dia pode acabar. Ou pelo menos melhorar. Vários sinais já foram dados de que as atenções começam a se voltar também para a Costa do Norte. Um deles é o Programa de Gerenciamento Costeiro que vai ser operacionalizado no Amapá, envolvendo vários órgãos da administração federal e do governo estadual. Segundo o Coordenador Estadual do Meio Ambiente, professor Antônio Carlos Farias, serão colocados em prática a curto prazo muitos planos de proteção e aproveitamento racional dos recursos do mar. A iniciativa é boa e deve favorecer um elenco de atividades ao longo do litoral, motivando inclusive o surgimento de pequenas comunidades à beira mar. Trata-se de um entreposto de pesca implantado num dos maiores pontos de concentração de gurijuba, um tipo de peixe dos mais saborosos e rentáveis. Fora Sucuriju, existem os povoados do Taperebá, Cocal, Montanha, Goiabal, Nazaré e uma ou outra feitoria de pescadores, armadas em pontas como a do Maiacaré, a do Ninhal e a da Cova da Onça: Tem ainda uma estação ecológica e vários moradores na Ilha do Maracá: todos esses lugares podem servir de bases operacionais para o programa.

Vamos acompanhar essa ideia do gerenciamento costeiro do Amapá e torcer para que ela dê certo.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

ESTUDO REGISTRA MIL ESPÉCIES DE PEIXES NA BACIA DO RIO MADEIRA

Pesquisa de 3 anos na região da Hidrelétrica de Santo Antônio, a maior já feita na Amazônia, credencia o rio como o de maior biodiversidade do mundo

Bruno Deiro - O Estado de S.Paulo

A maior pesquisa já feita na Amazônia de ictiofauna - nome que se dá ao conjunto das espécies de peixes que existem numa determinada região - completa três anos com a perspectiva de atingir a identificação de mil espécies na bacia do Rio Madeira.

arraia

Modelo diferente de arraia descoberta no Madeira

O estudo liderado pela Universidade de Rondônia (Unir), que descobriu cerca de 40 novas variedades de peixes, credencia o rio como o de maior biodiversidade do mundo.

Parte do programa de conservação da ictiofauna para a construção da Hidrelétrica de Santo Antônio, o levantamento avaliou uma área de 1,7 mil quilômetros, quase metade do tamanho total do rio - o 17.º maior do mundo em extensão. Foram encontrados desde novembro de 2008 um total de 957 espécies. No Rio Congo (7.º do mundo), um estudo baseado em estimativas apontou pouco mais de 700.

Segundo os pesquisadores, o alto número encontrado no Rio Madeira está ligado à abrangência da pesquisa. "Graças a um grande aporte financeiro da concessionária responsável pelas obras, pudemos ter uma área de amostra bastante ampla", afirma Carolina Dória, coordenadora do Laboratório de Ictiofauna e Pesca da Unir.

Entre os principais achados estão um gênero novo de arraia, pouco comum nos rio amazônicos. "Encontramos um indivíduo cartilaginoso, com formato achatado e ferrão de cerca de 50 centímetros de diâmetro", diz João Alves de Lima Filho, coordenador do inventário de ictiofauna da Unir.

Outros destaques do inventário são um exemplar raro de linguado e uma espécie de peixe brilhante, chamada Phreatobius, que vive em ambiente sem luz, nos lençóis freáticos.

As novas espécies transformaram o acervo do laboratório na terceira maior coleção de peixes amazônicos do País, com um total de 250 mil exemplares. "Não existem catálogos deste porte no País. Nossa coleção é a única no mundo que mantém uma quantidade tão grande de espécies de apenas um rio", diz Carolina. "Nenhum outro local foi tão bem amostrado como o Rio Madeira, quando se trata de inventário sobre a ictiofauna."

Até o início do trabalho, que é uma das contrapartidas para a construção da hidrelétrica, o acervo da Unir era de pouco mais de 10 mil exemplares. "Além da contribuição para de fato conhecer o local, o projeto tem propiciado a formação de diversos alunos", afirma Dória. "É sabido que as universidades federais estão passando por dificuldades, então parcerias como esta são muito importantes."

Segundo ela, com a colaboração de 70 participantes internos e externos, a produção científica da Unir tem se multiplicado a partir dos quatro projetos do programa de conservação. A instituição, que em média costumava enviar no máximo 7 trabalhos para congressos da área, enviou neste ano um total de 41.

10 MITOS E VERDADES NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Será que os professores brasileiros dão aula em várias escolas ao mesmo tempo? Será que os alunos sabem mais português que matemática? O Porvir listou dez verdades em que as pessoas costumam acreditar quando se trata de educação e decidiu classificá-las como mito ou verdade. Para tanto, recorreu ao QEdu, plataforma que entra no ar hoje com dados educacionais do País organizados de maneira atraente, e convidou o especialista Ernesto Martins, da Fundação Lemann, para comentar essas hipóteses.
Como o Porvir adiantou em agosto, o
QEdu é um sistema online lançado pela Fundação Lemann e pela Meritt que permite que qualquer pessoa tenha acesso fácil e intuitivo a dados oficiais do Ministério da Educação referentes à Prova Brasil (seus resultados e questionários socioeconômicos de 2007, 2009 e, em breve, 2011) e ao Censo Escolar – que, verdade seja dita, já estavam disponíveis, mas o chegar a eles nem sempre era fácil e cruzar esses dados mais difícil ainda. Nesse ambiente virtual, será possível comparar desempenhos de cidades e estados, ver a proficiência dos alunos a partir de suas notas na Prova Brasil e ter acesso aos contextos em que esses alunos estão inseridos com dados atualizados do Censo Escolar. Confira!
1. Professores brasileiros dão aula em muitas escolas
Mito. No Brasil, 57% dos professores dão aula em apenas uma escola; 37% lecionam em 2; 5% em 3 e 1% em 4.
Caminho: Escreva “Brasil” na janela de busca. O site redirecionará para uma tela em que aparecem várias abas. Selecione a última, chamada “Panorama”. Abaixo, selecione a opção “Professores” para ter informações detalhadas. Ao lado esquerdo, dentro da janela Perfil, clique em “Trabalho”. Uma aba se abrirá abaixo e clique na opção “Rotina”. A pergunta referente ao número de escolas em que atua é a 21, segunda a ser mostrada na tela.
Análise do especialista. É muito difícil avaliar o perfil dos professores da educação básica como um todo. Os professores de educação infantil são muito diferentes dos professores do ensino fundamental, por exemplo. O perfil dos professores de língua portuguesa também é diferente do perfil dos professores de física. A análise específica da condição de trabalho declarada dos professores de todo o país de língua portuguesa e matemática dos alunos que fizeram a Prova Brasil mostra que muitos professores dão aulas apenas em uma escola (principalmente os do 5º ano).

2. Matemática é o calcanhar de Aquiles dos alunos brasileiros
Verdade. Se comparados com os resultados de língua portuguesa, os de matemática são realmente piores. Apenas a título de exemplificação,
10% dos brasileiros chegam ao fim do 9.º ano com o conhecimento adequado em matemática. Em português, esse porcentual é de 23%.
Caminho: Escreva “Brasil” na janela de busca. O site redirecionará para uma tela em que aparecem várias abas. Selecione a quarta, chamada “Explorar Estados”. Dentro dessa página haverá o percentual de aprendizado de cada disciplina (português e matemática) em cada um dos estados. Do lado esquerdo da tela, clique na opção “Disciplina”, onde é possível escolher se serão analisados dados de português ou matemática, e “Etapa”, onde se deve selecionar se as informações serão de 5.º ou 9.º ano.
Análise do especialista. Os índices de aprendizado em matemática são, de fato, muito mais baixos do que os de língua portuguesa. Como boa parte das habilidades em matemática é desenvolvida apenas na escola, isso aponta um problema no ensino grave.

3. As escolas do Norte e do Nordeste vão de mal a pior
Mito. Nenhum estado brasileiro piorou seu desempenho em nenhuma das quatro provas avaliadas (português 5.º e 9.º anos; matemática 5.º e 9.º anos). É verdade que alguns deles não evoluíram em nada, mas alguns estados do Norte e do Nordeste vêm se destacando como estados que mais aumentaram suas notas, como Acre, Ceará, Rondônia e Tocantins. Em muitos casos, eles estão acima da média nacional.
Caminho: Escreva “Brasil” na janela de busca. O site redirecionará para uma tela em que aparecem várias abas. Selecione a quarta, chamada “Explorar Estados”. Para fazer essa comparação, é preciso clicar em “Ativar o Modo Avançado”. Em seguida, na opção de “Ordene os Resultados”, selecione “Evolução”. Do lado direito da tela, todos os Estados brasileiros ficarão listados conforme a evolução no ano e na matéria selecionados. Por exemplo, selecionando português e 5.º ano, Ceará aparece como o 5.º Estado com maior evolução. Existe também a opção de estabelecer comparações entre os estados. Clique uma vez no Acre, Ceará e Tocantins, depois selecione “Comparar” e então “Abrir”. Para cada Estado será aberta uma caixa que apresenta sua evolução na disciplina selecionada, o número de matriculados, entre outros dados. Essa mesma operação pode ser executada para avaliar o ensino da mesma disciplina no 9.º ano, assim como matemática nos dois anos.
Análise do especialista: Um ponto muito importante é que médias mais baixas na prova Brasil em uma região do país não necessariamente apontam que as escolas são as piores, pois as notas dos alunos não indicam o quanto foi agregado pelas escolas. No Norte e no Nordeste, a escolaridade e o nível socioeconômico dos pais são mais baixas, o que está correlacionado a condições mais insatisfatórias para o aprendizado fora da escola (e que influenciam no resultado). Apesar de esses estados virem evoluindo de modo insatisfatório, como no resto do país, algumas redes vêm obtendo um avanço considerável, em especial do estado do Ceará.

4. É mais fácil ter notas maiores nos anos iniciais do que nos anos finais
Verdade. Comparativo das notas da Prova Brasil 2007 e 2009 mostra consistência no resultado melhor no 5.º e no 9.º ano tanto em português quanto em matemática.
Caminho: Escreva “Brasil” na janela de busca. O site redirecionará para uma tela em que aparecem várias abas. Selecione a quinta, chamada “Proficiência”. As proficiências em português e matemática no 5.º e no 9.º ano nas provas de 2007 e 2009 aparecerão em quadradinhos já no alto da tela. Para verificar detalhes de cada uma das variáveis (disciplinas e anos), basta selecionar a opção desejada acima dos quadradinhos.
Análise do especialista: O aprendizado é acumulativo. Portanto, se um aluno sai de uma etapa sem o aprendizado adequado será ainda mais difícil conseguir concluir a etapa seguinte com o aprendizado esperado. Como a maioria dos alunos que conclui os anos finais não adquiriu o aprendizado adequado a essa etapa, o desafio que é colocado para os anos finais e para o ensino médio acaba sendo muito alto.

5. A internet já chega em boa parte das escolas do Brasil
Mito. De acordo com o Censo Escolar 2010, apenas 47% das escolas têm internet. A banda larga chega a apenas 39% das instituições. No entanto, entre as participantes da Prova Brasil, que são majoritariamente públicas, 75% têm acesso à internet.
Caminho: Escreva “Brasil” na janela de busca. O site redirecionará para uma tela em que aparecem várias abas. Selecione a última, chamada “Panorama” e vá para “Censo Escolar”. Ao lado, na caixa com os temas relacionados à infraestrutura, selecione “Tecnologia”. Aparecerá, então uma tela à direita. Selecione “Filtre pelo Universo de escolas”, depois escolha a opção “Todas as Escolas”. Abaixo, estarão os números referentes ao uso de internet e banda larga em todas as escolas do Brasil, independentemente de terem realizado a Prova Brasil.
Análise do especialista: As condições de infraestrutura locais têm um grande impacto sobre esse dado. Não por acaso as taxas mais baixas estão nas regiões com um grande percentual de escolas em áreas rurais. O requisito de a escola ter que ter pelo menos 20 alunos para poder fazer a Prova Brasil exclui uma parcela considerável das escolas rurais, fazendo com que o dado da Prova Brasil ajude a ilustrar que na área urbana a internet já é consideravelmente presente nas escolas.

6. Alguns alunos passam anos na escola sem aprender rigorosamente nada
Verdade. Ao se analisar a escala de proficiência adotada pelo QEdu, é possível verificar, por exemplo, que 39% dos alunos do 9.º ano têm conhecimentos insuficientes de matemática. Isso quer dizer que 776.776 alunos no país não aprenderam quase nada – ou mesmo nada – do que se esperava que eles tivessem aprendido.
Caminho: Escreva “Brasil” na janela de busca. O site redirecionará para uma tela em que aparecem várias abas. Selecione a quinta, chamada “Proficiência”. Assim como em outras páginas, aqui haverá as opções entre 5.º e 9.º  anos e as disciplinas de português e matemática. Selecionando qualquer uma das opções, aparecerão todas as informações a respeito da eficiência no aprendizado naquela etapa, naquela série. Também é possível filtrar para apenas instituições municipais ou estaduais.
Análise do especialista: Uma análise mais aprofundada sob esse aspecto é difícil de ser feita pelo fato de haver poucas pesquisas longitudinais no país que acompanham como o resultado de um aluno evolui ao longo do tempo. Mas o retrato que os dados apresenta, indicando que muitos alunos do 9.º ano não têm o aprendizado adequado ao 5.º ano, mostra que muitas redes estão com dificuldade de agregar o aprendizado mínimo aos alunos.

7. Alunos muito bons não têm oportunidade de aprender mais do que está planejado
Mito. Também pela escala de proficiência é possível ver que, nas quatro provas analisadas, há sempre grupos de alunos com conhecimentos acima do esperado.
Caminho: Escreva “Brasil” na janela de busca. O site redirecionará para uma tela em que aparecem várias abas. Selecione a quinta, chamada “Proficiência”. Selecione o ano e a disciplina que deseja consultar e abaixo estarão listados os desempenhos dos alunos nas últimas avaliações. Se o escolhido, por exemplo, for o 5.º ano e na disciplina de português, será possível ver que o último registro (da prova de 2009), 8% dos alunos mostraram um aprendizado avançado, ou seja, sabem mais do que precisariam saber nesse período.
Análise do especialista: Em muitas turmas, de forma acentuada a partir dos anos finais do ensino fundamental, existem alunos com diferentes níveis em relação ao aprendizado. Essa situação exige que o professor consiga individualizar o ensino, para que alunos em situação pior possam recuperar o conteúdo e alunos com um nível de aprendizado mais avançado possam seguir avançando. Os dados ilustram que em boa parte das redes brasileiras existe um grupo de alunos com um nível de aprendizado avançado – para alunos de 9º ano, para alguns especialistas, indica um aprendizado condizente a um aluno com ensino médio completo.

8. Um bom resultado na Prova Brasil significa que o sistema de ensino é bom
Não necessariamente. É preciso analisar a participação e o número de alunos que fizeram a prova ao longo de várias edições da Prova Brasil para se ter dados mais consistentes. Tome-se como exemplo a cidade de Fernão (SP). Entre os alunos de 5o ano em português, 100% obtiveram resultado com aprendizado adequado em 2009. Mas note-se que apenas 19 alunos fizeram a prova. Assim, apenas com base nessa edição, apesar do resultado unânime, não é possível afirmar se o sistema de ensino é mesmo muito bom.
Caminho: Escreva “São Paulo” na janela inicial de busca. Depois clique em “Explore Cidades” e “Ative o Modo Avançado”. Ordene, então, os resultados por “Aprendizado”, deixando a disciplina de português e o 5o ano selecionados. A cidade que teve melhor qualificação foi Fernão, atingindo 100% de eficiência. Selecione o município, clique em Abrir, depois clique novamente em seu nome. Uma página dedicada exclusivamente ao município será aberta e nela será possível verificar dados mais específicos da cidade, que podem ajudar numa análise mais aprofundada.
Análise do especialista: O resultado da Prova Brasil reflete o aprendizado dos alunos e não apenas a qualidade das escolas e das redes de ensino. O envolvimento dos pais nos estudos e as condições para o estudo em casa também impactam o resultado. Além disso, é importante se atentar a validade do dado. Se a taxa de participação é baixa, talvez os alunos que fizeram a prova não representem o conjunto de alunos da escola, assim como se o número de alunos que fez é baixo, o número de itens e provas aplicados podem não ser suficientes para dar robustez ao resultado.

9. Neste País, a violência na escola é generalizada
Mito. Quando alunos, professores e diretores responderam a questões sobre violência no Censo Escolar 2010, eles chegaram a relatar casos de violência na escola, mas esses números estão muito longe de ser generalizados. Agressões físicas de aluno para professor, por exemplo, foram confirmadas por 8% dos diretores e negadas por 92%.
Caminho: Escreva “Brasil” na janela de busca. O site redirecionará para uma tela em que aparecem várias abas. Selecione a última, chamada “Panorama”. Para entender essas questões, é possível selecionar tanto “Professores” quanto “Alunos” quanto “Diretores”. Ao lado esquerdo de cada uma dessas possibilidades estarão as questões respondidas. Abaixo de “Anormalidades”, selecione a opção “Violência na Escola”. Dentro dela você poderá ter as respostas sobre agressão física, agressão verbal, armas, atentado à vida, furto e roubo.
Análise do especialista: É importante olharmos o cenário da violência em cada tipo de violência individualmente, algo que o QEdu, por meio das respostas dadas nos questionários da Prova Brasil, permite. Alguns estudos já apontaram que o clima escolar é um problema em grande parte das escolas brasileiras. Os dados de agressão verbal relatados por diretores e professores parecem corroborar isso. Mas, quando analisamos os casos de agressão física, os relatos apontam que isso é algo que ocorre apenas em pequena parcela das escolas.

10. O Brasil ainda tem muito o que melhorar na educação

Verdade. Meta do movimento Todos Pela Educação para 2022 é de 70% de nível adequado em português e matemática, no 5.º e no 9.º ano. Até agora, na etapa e disciplina que o país vai melhor, que é português no 5.º ano, alcançou apenas 32% dos alunos com aprendizado adequado.
Caminho: Escreva “Brasil” na janela de busca. O site redirecionará para uma tela em que aparecem várias abas. Selecione a quinta, chamada “Proficiência”. Em qualquer uma das opções selecionadas, seja português ou matemática, em qualquer um dos anos, a meta a ser alcançada em 2022 é de 70% de conhecimento em cada uma das disciplinas.
Análise do especialista: Os resultados mostram que poucos alunos estão tendo o seu direto ao aprendizado garantido. Por outro lado, vemos redes escolares, como a de Foz do Iguaçu (PR) e a de Pedra Branca (CE), que, em um período de quatro anos, conseguiriam dar um grande salto nesse sentido, sendo um alento e indicando caminhos que podem ser seguidos. De qualquer forma, grandes avanços passam por mudanças estruturais, como uma melhor formação e plano de carreira de professores e documentos que orientem mais as escolas do que se espera que todos os alunos brasileiros devem aprender.

(Fonte:O ESTADÃO)

OSCAR NIEMEYER VOLTA A SER INTERNADO NO RIO, DIZ FAMILIAR

niemayerAgNews

Dez dias depois de receber alta, o arquiteto Oscar Niemeyer, de 104 anos, foi novamente internado, informou nesta terça-feira (6) à Reuters um parente próximo.

O arquiteto foi levado ao hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, para receber cuidados médicos após apresentar mais uma vez dificuldades para se alimentar e ingerir líquido.

"Parece ser um novo quadro de desidratação. Conversei com o pessoal do hospital, que me disse que ele está bem, mas fica por precaução", afirmou o parente à Reuters. "Nossa expectativa é que ele possa sair até o fim da semana", completou o familiar, que preferiu não se identificar.

Niemeyer recebeu alta do hospital no dia 27 de outubro, depois de passar cerca de 15 dias internado com um quadro de desidratação. Essa é a terceira internação do arquiteto neste ano. "Ele saiu do hospital e vinha trabalhando na medida do possível, mas com calma", finalizou o parente (Fonte: O Estadão).

GRUPO DE TEATRO DO RIO GRANDE DO NORTE MINISTRA OFICINA E APRESENTA O ESPETÁCULO “O CAPITÃO E A SEREIA” EM MACAPÁ

O grupo de teatro potiguar Clowns de Shakespeare apresenta nesta sexta-feira, 9, no Salão de eventos do Sesc Araxá, o espetáculo "O Capitão e a Sereia", vencedor do Prêmio Shell 2009 de melhor figurino e indicado na categoria melhor música, sendo também considerado o terceiro melhor espetáculo da temporada paulistana de 2009 pela Folha de São Paulo. Serão duas sessões, com entrada gratuita, às 17h e às 19h, voltada a um público acima de 14 anos.
Antecedendo o espetáculo, na quinta-feira, 8, das 18h às 21h, o grupo ministra a oficina “Clowns de Shakespeare: prática e pensamento”, que possibilitará aos participantes vivenciarem alguns dos procedimentos de trabalho e de construção de pensamento em grupo, como os atos administrativos, a busca de meios de subsistência, as bases filosóficas e as técnicas usadas no trabalho de elaboração da cena. As vagas são limitadas. Interessados devem encaminhar e-mail para o endereço: desclassificaveis@gmail.com, para receber de volta a ficha de inscrição.

Sobre a peça O Capitão e a Sereia
A montagem cênica, baseada na obra do escritor pernambucano André Neves, conta a história de Marinho, um sertanejo que nasceu e cresceu ouvindo histórias e canções sobre o mar. O rapaz desenvolve uma exímia habilidade de contar histórias sobre o mar e logo forma uma trupe de mambembes que sai pelo alto sertão a encantar as pessoas com suas histórias marítimas. Certo dia, o sertanejo se cansa desta vida e abandona a trupe para, finalmente, conhecer o mar.
Na encenação, o foco é diferente da narrativa do livro: ao invés de contar a história do herói que parte em busca do seu sonho, o grupo conta a história da trupe que ficou. Através da espera pelo retorno do Capitão Marinho, a trupe constrói seu espetáculo, porém o espetáculo em si supostamente não acontece, pela ausência do protagonista do grupo.
A luta dos mambembes em fazer com que o público não perceba a situação delicada que eles estão vivendo é o fio condutor da peça, mediado por um outro plano narrativo em que o grupo – os Clowns de Shakespeare, e não a trupe, batizada de "Tropega, Mas Não Escorrega” – comenta a situação dos seus personagens e estabelece um diálogo com a obra literária original.
Com direção de Fernando Yamoto e elenco formado por Camille Carvalho, César Ferrario, Marco França e Renata Kaiser, a produção conta com uma equipe formada por profissionais de sete estados brasileiros. Além de André Neves (PE/RS) e Helder Vasconcelos (PE), também participam do processo a figurinista e cenógrafa Wanda Sgarbi (MG), a caracterizadora Mona Magalhães (RJ), o paulistano Márcio Marciano, ex-integrante da Cia. do Latão, que realiza uma consultoria de dramaturgia e encenação, o dramaturgo colaborador Rafael Martins (CE) e os diretores-colaboradores Adelvane Néia (SP) e João Lima (BA).
Em Macapá, a produção é do grupo de teatro Desclassificáveis e do coletivo de artistas Amazourbanidade, em parceria com o Sesc Amapá e o restaurante Norte das Águas.

Sobre a oficina:
Dia: quinta-feira, dia 8 de novembro
Horário: 18h às 21h
Local:  Teatro Porão do Sesc Araxá
Vagas: 25 pessoas
Temática: “Clowns de Shakespeare: prática e pensamento”. Irá possibilitar aos participantes vivenciarem alguns dos procedimentos de trabalho e de construção de pensamento do grupo, como os atos administrativos, a busca de meios de subsistência, as bases filosóficas e as técnicas usadas no trabalho de elaboração da cena.
Oficineiros: Grupo Clowns de Shakespeare
Investimento: R$ 10,00

CLÉCIO LUIS REÚNE COM BANCADA AMAPAENSE DE SENADORES EM BRASÍLIA‏

clip_image001Por Márcia Corrêa

Parque Zoobotânico na pauta de Clécio com senadores em Brasília

O prefeito eleito em Macapá, Clécio Luis (PSOL), deu continuidade em Brasília ao cronograma de reuniões para definir as prioridades da prefeitura municipal de Macapá após sua posse, marcada para o dia 1º de janeiro. Clécio, que no começo desta semana foi recebido em Macapá pelo atual prefeito, Roberto Góes, e pelo governador do Estado, Camilo Capiberibe, reuniu-se nesta terça-feira (06) com os senadores do estado, em Brasília.

No encontro com o senador Randolfe Rodrigues (PSOL), eles elencaram ações estratégicas para melhorar a vida da população de Macapá em áreas como a saúde, educação e cultura, além das emendas ao orçamento da União que poderão auxiliar a melhoria dos índices do município nessas áreas. Outro ponto abordado na reunião foi a necessidade de garantir a liberação das emendas já definidas no orçamento de 2012. “Nossa gestão não quer perder um centavo que possa ser utilizado em benefício do povo”, enfatizou Clécio Luis.

Ele lembrou a emenda no valor de R$ 15 milhões, destinada à revitalização do Parque Zoobotânico de Macapá. Esses recursos estão no orçamento de 2012 e podem perder a validade assim que for aberto o orçamento do próximo ano. O Parque, com mais de 100 hectares (um hectare equivale a medida de um campo de futebol), que abriga amostras de ecossistemas do Amapá como floresta, cerrado e ressaca, está fechado há mais de 10 anos por péssimas condições dos logradouros e por não oferecer segurança aos visitantes.

Acompanhado do senador Randolfe, Clécio se reuniu com o Senador João Capiberibe (PSB) e com senador José Sarney (PMDB), parlamentar pelo estado do Amapá e presidente do Senado. Na conversa eles expuseram todas essas situações e pediram aos senadores o apoio para resgatarem esses recursos e planejarem a destinação de novas emendas para o orçamento de 2013. 

“O Amapá enfrenta uma crise urbana, mas também uma crise moral. O novo prefeito eleito precisará de todo o apoio para vencer o desafio que será fazer Macapá voltar a receber recursos da União”, destacou Randolfe.

Ministros: A agenda do novo prefeito de Macapá em Brasília prossegue até o final dessa semana. Nesta quarta-feira (07) ele e Randolfe serão recebidos pela ministra da Cultura, Marta Suplicy, pela ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti e pelo ministro da Educação, Aloízio Mercadante.

PALESTRA DO PROF. DR. FLÁVIO DOS SANTOS GOMES‏

O Prof. Dr. Flávio dos Santos Gomes, vai ministrar palestra com o tema “A Pesquisa Histórica e os Quilombos nas Terras do Ccabo Norte, no Museu Sacaca, no dia 08/11 (quinta-feira), a partir das 18h. Na ocasião, serão vendidos vários títulos do autor.

A programação será certificada pela UNIFAP e pelo NEER/SEED, com CH de 5h,

ELA TEM UM FANIQUITO SE OUVIR SÉRGIO SAMPAIO

Conto de José Edson dos Santos

Madrugada fria de julho, Odete fecha a janela para não se resfriar, numa hora em que não vinha mais ninguém em sua casa, a não ser que o Fernando tenha mudado de idéia e lhe telefone convidando para beber vinho tinto em algum lugar aconchegante, onde poderia conversar calmamente ouvindo uma música instrumental. A lufada do vento na vidraça trás o cheiro da dama da noite como se uma névoa soturna pairasse na Asa Norte. Ela senta no sofá, esperançosa e insone, folheando um livro de arte. René Magritte, O Pensador Tornando Invisível. Escuta os sonidos da quadra. Cães uivando à lua. Do apartamento ao lado chegam risos, abafados pela conversa discreta e pelo sacrifício das horas. O motor barulhento de um carro de um boy acelerado quebra o silêncio e a letargia. Miados de um gato embaixo do bloco, talvez reclamando do frio. Conversa distante de boêmios retardatários.

Odete tem a mania de roer as unhas até o sabugo para disfarçar quando está ansiosa. O relógio de parede boceja em uma solidão como soprasse da lembrança uma canção mordaz em seu ouvido. “Não é vivendo que se aprende Odete/ mas é vivendo que se aprende a viver. / A vida passa, eu fico louco/ Fico rouco, fico pouco me importando/ com o que vai acontecer...”.¹ Era uma canção que tinha o seu nome. Lembrar dos amigos da universidade em um momento frágil de soledade, reprojeta da memória um tempo de amizade e descontração, perpetuado em uma fotografia emoldurada na parede da sala. Coloca o livro na estante e vai decidida até o guarda roupa. Faz uma combinação totalmente anti-fashion e vai produzindo seu figurino. Calça verde de veludo, jaqueta cáqui de couro, blusa de manga comprida azul. Devidamente produzida, pega as chaves do carro do criado-mudo. Dá um retoque de batom carmim nos lábios antes de abrir a porta do elevador e ter a certeza que fará uma incursão pela madrugada do Plano Piloto.

“Eu daria tudo/ para não ver você chumbada/ para não ver você baleada/ para não ver você arriada/ a mulher abandonada/ mas não posso fazer nada/ eu sou apenas um compositor popular”². Estava com essa música martelando na cabeça o dia inteiro. O Fernando tinha muito a ver com a sua afetividade debilitada. Esse cara entrou em sua vida como um vento arrebatador, desses que sopra onde quer, mas que ultimamente não passava da uma ventoinha. Deve ser problema de carma, paciência. Sentindo o frio no rosto, liga o carro e parte. A insuportável lhe estressava o corpo inteiro, a mesmice das pessoas de seu trabalho também. Recorda novamente dos diletos fazendo a tesourinha debaixo do viaduto. O Ernesto tomou chá de sumiço já faz um tempão. Giselda a antílope tresloucada, virou hippie de boutique em Jeriquaquara. Luís Alfredo piorou de cirrose e foi para a casa de sua mãe em Pirenópolis. A Telma andava dilatando a pupila sobre os livros de antropologia para fazer mestrado. Daniel e Jô haviam mudado para o sítio de Sobradinho, consumidos no dilema da coqueíne e da contra cultura. Elder com sua paixão de tocar John Caltrane no sax, não visitava mais ninguém. O Gilberto tirou férias e foi pescar no rio Araguaia. Até a simplória da Rita andava se iniciando nos segredos de Santo Daime. Depois que ela tomou chá de cogumelo, pirou de vez. Que falta fazem os amigos mais diletos. Fazia tempo que a gente não se encontrava para tomar cerveja no bar cafofo ou no DCE do Divino, conversar fiado e contar piadas. Brasília tem muito dessa esfinge que precisa ser decifrada, deglutida, senão o distanciamento e a profusão de seus espaços nos devoram, principalmente quando as pessoas a quem a gente quer bem, somem.

Odete à vezes superava esse vazio enfiando a cara no trabalho, levando projetos para analisar em casa, concluindo relatórios, mas sempre na dependência afetiva e emocional do Fernando. Depois de seu ciúme desmedido, ele procurou dar um tempo. Daqui pra frente tudo vai ser diferente, ela pensava, mas a realidade sempre se mostrava sinuosa de mais, enquanto pudesse reagir, não havia qualquer possibilidade de morarem juntos. Cada um em seu canto, evita brigas e cenas de possessividade explícitas. “Você pode ir chorar no colo da mamãe/ dizer pros seus irmãos o quanto eu fui ruim/ chamar toda a polícia pra me prender/ chegar com o advogado e ordem do juiz/ você pode dizer o que quiser de mim.../ nem assim” ³. Novamente as músicas de Ségio Sampaio ficam azucrinando os seus ouvidos. Não dava pra conviver com as mentiras, as desculpas esfarrapadas do Fernando. O cafajeste vivia apontando e no outro dia aparecia com a cara mais cínica como nada tivesse acontecido. Ele que fosse choramingar suas mágoas no colo da mãe dele!

No começo da semana a maioria dos bares fecham mais cedo nas entrequadas. A solidão das ruas devem lavar em algum barzinho aprazível, raciocinava Odete, dirigindo o Monza a lugar que ela tinha certeza que estaria aberto naquela hora, dependendo da freguesia, ficava aberto até altas horas da madrugada. O “Refúgio” é um bar bem transado, frequentado por pirados, descolados, jornalistas, intelectuais e umas figuras meio góticas. Além da birinight, sempre rola uma música que agrada todas as tribos. Tem noite de esquetes teatrais, de recitais poéticos. É um lugar onde as pessoas vão ver pessoas, paquerar, jogar conversa fora. Estaciona o carro no lugar indicado pelo flanelinha. Vozes, risadas, sinal de vida na madrugada brasílica. Caminha por entre as mesas observando aquela fauna estranha e seus burburinhos. Senta-se em uma mesa esquecida em seu lado esquerdo. Faz uma panorâmica do local rapidamente e vê que não há ninguém conhecido. Acendeu um cigarro Free com prazer e fez um aceno ao garçom, um sujeito simpático, com sorriso largo e voz de locutor de rádio: - Boa noite. Em que posso lhe servir, senhorita?

- Um Jack Daniels com gelo.

- Mais alguma coisa?

- Por enquanto, não. Tem alguma apresentação de teatro hoje?

- Daqui a pouquinho começa. Já trago o seu uísque, diz o bom garçom, sumindo no meio do burburinho.

Um blues plangente de Muddy Walters vai invadindo o ambiente, criando um clima agradável. Odete fumega sua tensão quando Genaro, o garçom solícito, chega com o Jack Daniels on the rocks. A música pára. Surge um ator vestido com roupa branca de um hospital psiquiátrico. Tem uma maquilagem pesada no rosto. Começa uma coreografia ritualística seguido de um êxtase catártico. Faz uma estátua expressiva e anuncia a emissão radiofônica de Antonin Artaud:

- “O teatro é na realidade a gênese da criação, isto se fará. Tive uma visão hoje à tarde. Vi aqueles que me seguirão e aqueles que ainda não têm um corpo, porque os porcos como aqueles do restaurante de ontem à noite comem demais. Existe quem coma demais e outros como eu que não podem mais comer sem escarrar em você”.4

O ator com seu jogo de cena deixa todo mundo estarrecido, em silêncio sepulcral. Um rapaz barbudo na mesa vizinha começa a bater palmas, gritando efusivamente o nome da figura performática, ao seu lado, uma garota tipo dark com sorriso entre dentes. Apesar dos desenlaces, as pessoas cultivam um astral maravilhoso, pensava Odete. O Fernando haveria de ligar no outro dia inventando mais uma de suas desculpas, mas desta vez não teria perdão. O mau caráter pensa que não sei de suas aprontações. O safado chegou ao extremo de ser gigolô de uma professora viúva, mas vive dizendo aos sete ventos que conseguiu um bico de assessor de um deputado distrital. Paspalho, mentira tem pernas curtas. “Antigamente quando ele não tinha nada/saia sempre na captura do que fazer/e procurava, com todo mundo,/ encontrava você”5. Novamente o Sérgio Sampaio toma de assalto a sua boca. O ator artaudiano sai ovacionado quando alguém começa a récita Allan Ginsberg. Outro poeta, aproveitando a deixa, sobe em uma mesa e fala agressivamente um augusto dos anjos. Versos íntimos. Que emoção. Realmente o “Refúgio” bar dez se regozijava, Odete.

– Quem gosta de poesia, não pode ficar sozinha. Vem curtir esse momento maravilhoso com a gente, diz o rapaz barbudo da mesa vizinha. Ela fica sem saber como negar e se senta ao lado da garota dark.

– Tá legal. Vou avisar o Genaro que vou ficar na mesa de vocês.

– O meu nome é Mansur e o dela é Laura e o seu?

– Odete, muito prazer

– O prazer é todo nosso, você vem sempre aqui, Odete?

– Às vezes me encontro com os meus amigos, principalmente quando tem esse sarau quinzenal. Hoje estou solitária

– Uma andorinha sozinha, não faz verão, replica Laura.

– Nem sempre.

– Tem dias que é bem melhor ficar só.

– Conversar com a gente mesmo.

– Hoje você tem com quem conversar. Aquela figura que falou o texto do Artaud é o Fred, um amigo nosso. Quando sairmos daqui iremos até sua casa fazer um rango esperto. Vem com a gente?

– Claro, você é nossa convidada, antecipa Mansur.

–Preciso levar alguma coisa?

– A sua presença gratificante é suficiente, insiste Laura.

– Na casa do Fred tem uma adega formidável, você precisa ver.

– Tô vendo que desse jeito vou acabar amanhecendo com você.

– Então vamos chamar o Fred. Está ficando tarde, intercede Laura.

– Odete, tenha certeza de que teremos uma noitada excelente! Finaliza Mansur cheio de entusiasmo.

– Confio em vocês, aliás eu estava precisando fazer algo diferente, talvez essa seja a oportunidade que esteja faltando. Vou seguindo vocês no meu carro, sentencia com cumplicidade Odete.

Engraçada a maneira imprevisível como se conhece as pessoas Mansur, Laura e Fred, pareciam aqueles velhos amigos que andavam sumidos. Odete percebeu o quanto foi tola por esperar a ligação do crápula do Fernando. Caminha até o carro estacionado do outro lado da rua. O flanelinha faz um sinal de positivo com o polegar, um chuvisco frio começa a cair, misturando-se com suas lágrimas. Uma sensação inexplicável vai se amalgamando em seu sentimento. “Tola, você que não soube ser a dimensão/ de um poeta do riso e da dor/da tristeza alegria do amor.../pouco prazer/ não é coisa pro meu coração/ que foi feito pra grande paixão/ para os amores maiores/ como o seu/ tolo fui eu”6. Por onde andaria o calhorda do Fernando? Besteira ficar lembrando dele com as canções do Sérgio Sampaio latejando na cabeça. Quando a barra pesa, a corda arrebenta sempre para o lado do mais fraco. Agora seria diferente. Ele que fosse para os quintos do inferno e não aparecesse mais. Esse papo de que amor de pica quando bate fica, é um mito. Filosofar com a solidão não tem nada a ver com a fragilidade feminina. Quem sabe na próxima semana apareçam uns velhos amigos de guerra trazendo noticias recentes daqueles que realmente tomaram chá de sumiço. Nada de esfinges, couraças, distanciamentos. Precisava colocar apenas seu bloco na rua senão ia ficar louca. Não é vivendo que se aprende Odete batuca uma voz no subconsciente. Pobre blues de sua purgação interior. A questão do carma que se dane. O Fernando também. Os seus panos de bunda vou jogar da janela amanhã mesmo, arquitetava Odete. Aquele cara que tinha lhe consumido com suas energias podia esperar pelo pior, isso ele tinha. Um dia o amor acaba o respeito também, a consideração mais ainda. Tem que acontecer, tem que ser assim, nada permanece inalterado até o fim cada lugar em sua coisa. Até outro dia, até em outro lugar. Quem manda em mim sou eu, quem manda em você é você ou não é vivendo que se aprende? Não tenha medo. O que pintar, pintou. Sinceramente.

Citações incidentais em Ela Tem Um Faniquito Se Ouvir Sérgio Sampaio:

(1) Odete. Sérgio Sampaio (LP. Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua. Philips/ Polygram, 1973).

(2) Tem Que Acontecer. Sérgio Sampaio (LP. Tem Que Acontecer. Continental. 1976).

(3) Nem assim. Sérgio Sampaio (LP. Sinceramente. Gravina/ Transamérica. 1982).

(4) Antonin Artaud, em Uma Última Carta Sobre o Teatro (Carta à paule Thévenin, publicado no volume Para Acabar com o Julgamento de Deus, Ed. K / 1948, PP. 107/ 108).

(5) Na Captura. Sérgio Sampaio (LP. Sinceramente. Gravina/ Transamérica. 1982).

Tolo Fui Eu. Sérgio Sampaio (LP Sinceramente. Gravina/ Transamérica. 1982).

NO TEMPO DA REVISTA “O CRUZEIRO”

Helena_araguarino_lenioUMA CIDADE DIVIDE O MUNDO (*)

“Atesto que o senhor Carlos Weik transpôs, no dia 13/08/71, a linha divisória do globo terrestre. (lat. 0º00’00’’. Long. 51º05’15’’.) Macapá 13 de agosto de 1971. (a) General Ivanhoé Martins, governador.”

O diploma é concedido a quem vai a Macapá única cidade do mundo plantada sobre a linha imaginária do equador. Os moradores da cidade – ao todo oitenta mil – podem, tranquilamente, colocar um pé no hemisfério norte e outro no hemisfério sul.

A capital do Amapá já tinha, há anos um marco comemorativo da linha imaginária, quando um navio hidrográfico da Marinha, pesquisando a área, descobriu, através de instrumentos atualizados, que a linha passava quilômetros além do ponto assinalado. O marco antigo foi abandonado e outro construído, sempre dentro de Macapá, que se orgulha de dar aos visitantes, diploma alusivo à sua situação geográfica.

Seus habitantes mantêm a esperança na vinda da TV, pois observam o crescimento das antenas parabólicas da Embratel. Alguns afirmam não se tratar de televisão, mas de telefone, o que não invalida a fé dos candidatos a telespectadores: José Maria atos, comerciante, por via das duvidas, já adquiriu um televisor, em Manaus.

Três cinemas, sem ar condicionado, mas sempre prestigiados com grandes filas e uma boate fazem a vida noturna da cidade. Há os que se divertem passeando pelo trapiche frente à praça do hotel principal.

Exportação de minério faz a vida econômica de Macapá: muitos dos habitantes trabalham na ICOMI. As obras públicas e as repartições garantem emprego aos que não são pequenos comerciantes. O alto custo de vida é explicado pela dificuldade de transportes: as estradas param em Belém, e Macapá não tem porto, a não ser o de minérios, em Santana.

A rede escolar é excelente, não havendo falta de vagas para os cursos primário e médio. Para curso superior, os pais mandam os filhos a Manaus ou Belém.

O povo de Macapá prefere a bicicleta a qualquer outro meio de transporte. Sobre duas rodas os habitante atravessam a linha imaginaria que divide o globo.

(*) Reportagem de Aldo Almeida, Revista O Cruzeiro, outubro de 1971.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

É BIG! Isadora Canto

A coluna registra e parabeniza Isadora Canto, a Dorinha, pelo seu aniversário. Felicidades.

 

 

Inderê! Volto zunindo na semana que vem, ou antes.

PALESTRA

Durante a programação da FLAP estarei ministrando a palestra “O Simbolismo da Fortaleza de São José de Macapá na Literatura Amapaense”, na Escola de Administração Pública (Praça Zagury), dia 05, às 10h00. Participe. Vá lá.

POETAS

20121015_153549Os poetas amapaenses compareceram para expressaram o seu contentamento com a realização da FLAP. A poeta Carla Nobre, coordenadora da Feira, apesar de aparentemente cansada, não parou um minuto, e estava feliz da vida. Nossos parabéns a ela e a sua equipe. Quem quiser saber mais sobre a FLAP pode acessar o site www.agenciaamapa.com.br

CLÉCIO E ZÉ MIGUEL

20121030_193633O trajeto do Corredor Literário inicia na Biblioteca Pública Elcy Lacerda e termina na Casa do Artesão, onde serão montados os estandes de livros. Durante a caminhada, em frente ao Macapá Hotel, encontrei o prefeito eleito Clécio Luís e o secretário estadual de Cultura Zé Miguel, que foram prestigiar o tão esperado evento literário.

CORREDOR LITERÁRIO

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Professo Munhoz, sempre presente aos eventos culturais.

O primeiro projeto da FLAP foi inaugurado ontem, após recitações de poesia e apresentação de Marabaixo na BPEL. Dezenas de estudantes da rede pública estadual, professores e escritores foram ao auditório da biblioteca para estartar, junto com atores, o “Corredor”. O trajeto está repleto de banners contendo trechos de obras de escritores locais, estátuas vivas e decorações pertinentes à literatura universal e regional.

NANOTECNOLOGIA APLICADA

O projeto de formação da Rede Amazônica de Nanotecnologia Aplicada a Fármacos – RANAF, através do projeto “Nanoencapsulação de fármacos anti-inflamatórios de origem sintética e natural, em matrizes poliméricas para liberação controlada”, vem consolidar a pesquisa na área de nanotecnologia aplicada a fármacos nas instituições participantes da região amazônica.

O seminário vai ocorrer nos dias 05 e 06 de novembro no Auditório Multiuso do campus Marco Zero, promovido pelo Centro de Ciências da Saúde da UNIFAP

MANOEL PINTO

manoel pinto O professor Manoel Pinto, do curso de Ciências Sociais, retornou ao Brasil após ter defendido tese de pós-doutorado na Universidade de Cayenne. Vai ministrar palestra no IV seminário de Ciências Sociais, no dia 07. De novembro na UNIFAP.

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