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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Latitude 0° na capital do meio do mundo

ignacioMACAPÁ - Equilibro-me sobre fina barra de ferro, tentando manter-me em pé. Estou em uma situação curiosa. Não estou em lugar nenhum. Claro que é força de expressão, caminho na latitude 0º, é o que leio na placa aos meus pés. Se cair para a esquerda - meio da tarde, estou de costas para o sol -, penetro no Hemisfério Norte. Se cair para a direita, toco o Hemisfério Sul. Tênue linha divide o Brasil, a Terra. Subitamente, não estou aqui, equilibro-me sobre os trilhos de minha infância, quando o desafio era não cair, era manter-se de pé sobre estreita língua de aço.

Latitude 0°. Marco Zero da capital do Amapá, que indica a passagem da linha do Equador. Nos dias do equinócio, bianual, março e setembro, o sol atravessa um círculo em um monumento de concreto e acompanha certeiro essa linha. Fronteira que atravessa igualmente o meio do estádio Zerão, levando os jogadores a atuarem um tempo no Hemisfério Sul, outro tempo no Norte. Situação insólita. Grande, diverso e curioso este Brasil. Faltava-me apenas o Amapá para concluir um périplo (epa!) por todos os Estados brasileiros, ao longo destes anos. Fechei o trajeto.

Certo dia, Carla Nobre, poeta, cantadora, se perguntou: "Por que todos têm uma feira de livros, menos o Amapá?" Foi lá e convenceu o jovem governador Camilo Capiberibe, que concordou: "Organize, dou sustentação". Havia no ar uma certa hesitação. Quem iria para tão longe? Afinal, não se chega a Macapá por rodovia, não há como. É barco ou avião, o que aumenta a excitação. Só duvidava quem não conhecia Carla e os escritores amapaenses e brasileiros contemporâneos. Ela e um grupo de assessore(a)s sorridentes e incansáveis buscaram parceiros e estruturaram a primeira Flap, Feira de Livros do Amapá.

Durante cinco dias, mais de 70 escritores (três internacionais) do Amapá e do Brasil, entre poetas, cronistas, dramaturgos, romancistas, ensaístas, contadores de histórias, se encontraram, conversaram com o público, foram às escolas, autografaram livros, frequentaram oficinas e cafés literários, participaram de mesas-redondas, de rodas de conversas e do Rufar e do Corredor literário. Houve a Tapaina das Palavras, com encontros e autógrafos. Tapaina é palavra indígena, da tribo dos vajãpis, e significa habitação.

Cada começo de noite, num palco ao ar livre, havia poetas e cantadores. Qual o diferencial da Flap? Ela é aberta, tudo é gratuito, a população participa. E como! Foi o maior ti-ti-ti. Era difícil circular pela feira de livros, sempre congestionada. Gente curiosa, gente feliz, gente a nos fotografar, a pedir autógrafos, a perguntar.

O governador injetou R$ 90 mil em vale-livro e o que se viu foi estudante (e professor) por todo lado com o vale na mão, comprando, comprando. (*) Ele e a mulher, a linda Cláudia, passaram todos os dias pela feira, o que me pareceu inusitado; em geral, autoridades desaparecem. Foi mais longe o casal, ofereceu na residência oficial um jantar com pratos típicos para todos os participantes.

Leandro Leite Leocádio, poeta e um dos organizadores da Off Flip, em Paraty, afirmou em seu blog: "A Flap nasceu grande, parece que já tem cinco anos, tudo funcionou azeitado." Carla Nobre tem "musculatura", mexe, remexe, leva escritor, organiza, comanda, esbraveja, sorri, vê o que funciona e o que não, acompanhada por um fiel escudeiro, o marido Bené, doce figura. Esta primeira Flap teve como patrona Esmeraldina dos Santos, poeta e escritora quilombola.

Macapá é cidade quente, arborizada, cheia de praças. O orgulho do povo é ser a única capital brasileira banhada pelo Rio Amazonas. Nem Manaus (Rio Negro) nem Belém (Rio Pará) podem ostentar o título. De margem a margem são 17 quilômetros, o que deixa embasbacado (epa!) um paulista como eu. As águas são pontilhadas por ilhas. Soube que são milhares! Imperdível - e necessário - é comer o camarão no bafo com açaí, mais farinha d'água e farofa, nos fins de tarde, à beira-rio. E deixar espaço para enfrentar o peixe ao molho de leite de coco, ou a maniçoba (a feijoada deles), o pirarucu crocante, o tucunaré grelhado ao creme e banana. Não esquecer de acrescentar pingos de tucupi com pimenta. Falando em tucupi, aqui também se come o pato nesse molho. Há ainda o charque, o tacacá, o tucunaré na chapa com leite de castanha, o filhote, o tambaqui, o gurijuba, a dourada e o matrinchã. Uma semana para experimentar todos. Caminhando pela orla, deparamos com vendedores de roletes gelados de cana.

Cuidado com o que ouve e com o que fala. Algumas dicas são necessárias. Se alguém disser que você é panema, saiba logo que está dizendo que você é paradão, abestado. Praticamente o mesmo que pomba-lesa. Se disserem fanchião, saiba que é vencedor, gabola, metido a besta. Fona quer dizer o último, insiguerado é viciado. Istórdio é ressaca, ficar doente. Jarana é o mão-de-vaca. Donzela é um tipo de bolacha, enquanto "dor de viado" é uma dor na altura do umbigo, por causa ao cansaço.

Capô de fusca é mulher que tem a genitália avantajada. E quando alguém ao seu lado comentar xilis-zire, saiba que disse: deixe eles irem. Só tome cuidado com a pissica, ou má sorte, mau agouro, azar. E olhe meu conselho: não saia de Macapá sem antes tomar uma boa gengibirra gelada. Quanto mais toma, mais disposto fica.

Chamada capital do meio do mundo, Macapá tem uma estátua de São José, padroeiro da cidade, colocada no alto da Pedra do Guindaste. Embaixo dessa pedra mora uma cobra grande que bebe a água do rio, de modo que as águas não sobem. Se a cobra for tirada dali, o Amazonas cresce, sobe e inunda a cidade.

(*) Aproveito para mostrar minha indignação. Diante de gestos como esse, de alguém que entende o papel do livro e sua importância, lembro que na semana passada fui a Itapeva, para a Feira de Livros, organizada com imenso sacrifício por um grupo e praticamente sem verbas. Procurada, a secretária de Educação desdenhou oferecendo nada mais nada menos que mil reais. Uma esmola. Depois, ela foi à abertura e falou da necessidade de feiras e foi fotografada. Nas mãos de gente assim está a educação em muitos lugares do Brasil.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

PALESTRA

Durante a programação da FLAP estarei ministrando a palestra “O Simbolismo da Fortaleza de São José de Macapá na Literatura Amapaense”, na Escola de Administração Pública (Praça Zagury), dia 05, às 10h00. Participe. Vá lá.

POETAS

20121015_153549Os poetas amapaenses compareceram para expressaram o seu contentamento com a realização da FLAP. A poeta Carla Nobre, coordenadora da Feira, apesar de aparentemente cansada, não parou um minuto, e estava feliz da vida. Nossos parabéns a ela e a sua equipe. Quem quiser saber mais sobre a FLAP pode acessar o site www.agenciaamapa.com.br

CLÉCIO E ZÉ MIGUEL

20121030_193633O trajeto do Corredor Literário inicia na Biblioteca Pública Elcy Lacerda e termina na Casa do Artesão, onde serão montados os estandes de livros. Durante a caminhada, em frente ao Macapá Hotel, encontrei o prefeito eleito Clécio Luís e o secretário estadual de Cultura Zé Miguel, que foram prestigiar o tão esperado evento literário.

CORREDOR LITERÁRIO

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Professo Munhoz, sempre presente aos eventos culturais.

O primeiro projeto da FLAP foi inaugurado ontem, após recitações de poesia e apresentação de Marabaixo na BPEL. Dezenas de estudantes da rede pública estadual, professores e escritores foram ao auditório da biblioteca para estartar, junto com atores, o “Corredor”. O trajeto está repleto de banners contendo trechos de obras de escritores locais, estátuas vivas e decorações pertinentes à literatura universal e regional.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Coluna Canto da Amazônia - BIENAL DO LIVRO DO RIO VAI HOMENAGEAR O BRASIL

Rio de Janeiro - A 15ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro vai homenagear o Brasil. Em função do momento econômico e cultural do país, a Gerente de Negócios da empresa organizadora da bienal, Tatiana Zaccaro, disse à Agência Brasil que “não tinha por que homenagear outro país que não fosse o Brasil”. O encontro ocorrerá no Riocentro, no período de 1º a 11 de setembro.
Cerca de 950 expositores participarão da bienal, que deverá receber entre 120 e 150 autores nacionais e estrangeiros. O Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) é um dos idealizadores da bienal.
Esta semana, a bienal bateu um recorde. As inscrições para o programa Visitação Escolar, abertas na última segunda-feira (4), esgotaram-se em apenas três horas. “Foi um recorde na história do evento”, disse Tatiana Zaccaro. “Normalmente, as inscrições se esgotam em uma semana”, completou. Foram oferecidas 170 mil vagas para estudantes das redes pública e privada de ensino do estado.
O programa foi implantado na bienal em 1999, visando a organizar a participação dos estudantes. Nessa época, ao constatar que os alunos das escolas públicas saíam da bienal sem um livro, ao contrário do que ocorria com os estudantes das escolas particulares, a organização da mostra lançou a Nota da Bienal. “É um dinheirinho feito só para a bienal”.
Buscou-se, assim, patrocínio dos governos municipal e estadual de modo a garantir aos estudantes o direito de não só participarem da bienal, conhecerem os autores e manusearem os livros, mas também adquirirem alguma obra, no valor de R$ 5. “Com isso, nenhuma criança que participa da visitação escolar sai da bienal sem um livro”, explicou Tatiana. O apoio da prefeitura carioca e do governo fluminense totaliza este ano R$ 850 mil.
A finalidade é estimular o hábito da leitura entre as crianças e adolescentes na faixa dos sete aos 14 anos de idade. “A ideia é aproximar os estudantes do universo dos livros. A gente tem uma série de atividades infantis focadas nesse público. Com atividades lúdicas e interativas com o universo literário, a gente visa a despertar o interesse deles pelas histórias, pelas narrativas, pelos livros.” (Fonte: Portugal Digital)