sexta-feira, 19 de outubro de 2012

PROFESSORES DE MALAS PRONTAS COM O SANTANDER UNIVERSIDADES

 

clip_image001 Em homenagem ao dia do professor, em 15/10, o Santander Universidades lança concurso cultural que levará 15 docentes para intercâmbio na Espanha

clip_image001[1] Parceria com Fundação Comillas oferecerá bolsas de estudo de 2 semanas com curso de cultural e idioma espanhol

São Paulo, 11 de outubro de 2012 – Em comemoração ao dia do professor, em 15 de outubro, o Santander Universidades preparou um concurso cultural para enriquecer ainda mais a bagagem dos docentes universitários. O objetivo é valorizar esses profissionais que dedicam suas vidas em prol da formação cultural das pessoas e distribuir 15 bolsas de estudos de cultura e idioma espanhol na Fundação Comillas.

Todos os docentes universitários do Brasil serão convidados a responderem de maneira criativa e original a pergunta: “Como um curso no exterior pode enriquecer minha trajetória acadêmica em prol do ensino superior?”.

Para participar, os professores universitários devem acessar o site: www.santanderuniversidades.com.br/concursoprofessor e registrar a resposta até o dia 30/11,com uma única frase entre 40 e 250 caracteres. A bolsa de estudos contempla além do curso de cultura e idioma espanhol, passagens aéreas, traslados, hospedagem e alimentação. O período da viagem será em janeiro de 2013.

“O Santander está comprometido em contribuir com o desenvolvimento sustentável do País, por meio da educação superior. Ao todo, são três eixos estratégicos: Inclusão social e financeira, Educação, e Gestão e Negócios Sociambientais. E esta nossa responsabilidade assumida perante o público universitário já faz parte da nossa atuação há 16 anos, por acreditarmos que é possível transformar a sociedade e criar profissionais mais preparados no futuro, por meio do investimento na educação superior. Assim, criamos uma série de iniciativas que fomentam o desenvolvimento de toda a cadeia de valor da academia, formada pelas universidades, professores, pesquisadores, funcionários e alunos,que são peças fundamentais em todo o relacionamento construído”, afirma Jamil Hannouche, diretor do Santander Universidades Brasil.

Esta é mais uma iniciativa que integra o Plano de Apoio à Educação Superior (PAES) do Santander Universidades Brasil, estruturado em 4 eixos estratégicos: mobilidade, inovação e empreendedorismo, transferência tecnológica e apoios acadêmicos, com o objetivo de promover o desenvolvimento da educação superior de maneira estratégica, contribuindo com o progresso econômico e social nos 17 países onde está presente.

Santander Universidades

O Santander Universidades atua com investimentos no ensino, pesquisa e extensão, mobilizando toda a cadeia de valor da educação, com apoio a alunos, jovens profissionais, professores, pesquisadores, funcionários administrativos e instituições de educação superior. Por meio do Plano de Apoio ao Ensino Superior (PAES), a Divisão Global Santander Universidades atua em 4 eixos estratégicos: mobilidade, inovação e empreendedorismo, transferência tecnológica e apoios acadêmicos.

Com 16 anos de atuação em 17 países, o Santander Universidades possui 1026 convênios com universidades de todo o mundo, sendo 426 parceiras somente no Brasil. Desde a criação da Divisão Global do Santander Universidades, em 1996, já foram investidos mais de 2 bilhões de reais em iniciativas de apoio à educação no mundo, que somarão R$ 3,5 bi até 2015. Já foram concedidas mais de 95 mil bolsas de estudos nos países onde está presente, e a atuação tem como base um modelo único no mercado que reúne equipes para atender a cadeia de valor formada pelas instituições: alunos, professores, pesquisadores e funcionários administrativos.

PROFESSOR DA UNIFAP LANÇA LIVRO SOBRE ROTEIRO PARA QUADRINHOS NA 1ª FEIRA DE LIVROS DO AMAPÁ

O escritor e professor universitário Ivan Carlo Andrade de Oliveira, mais conhecido nos meios quadrinísticos como Gian Danton, lançará no dia 4 de novembro, às 18h, no auditório da Biblioteca Pública Elcy Lacerda, o livro de sua autoria "O roteiro nas histórias em quadrinhos". O lançamento é mais um evento inserido na extensa programação da 1ª Feira de Livros do Amapá, promovida pelo governo do Estado, entre os dias 3 e 6 de novembro. Às 16h do mesmo dia, o autor ministrará uma palestra sobre a temática da obra, precedendo o lançamento.

Gian Danton é um dos mais premiados roteiristas de quadrinhos do Brasil. Já ganhou os prêmios Araxá, HQ Mix, Ângelo Agostini e Associação Brasileira de Arte Fantástica. Também foi o vencedor do I Concurso de Contos e Crônicas da editora Geração. Foi um dos 50 autores escolhidos para homenagear Maurício de Sousa no álbum MSP + 50. Mais recentemente tem sido convidado a participar de diversas antologias nacionais de terror e fantasia e seu romance de fantasia histórica, "Galeão", está sendo negociado para lançamento nacional em março de 2013.
O professor também lançará o livro "Introdução à metodologia científica" (editora Virtual Books), também na Biblioteca Pública, às 18h do dia 5, ainda como parte da programação da Flap. Para conhecer mais sobre Gian Danton, basta acessar o blog
http://ivancarlo.blogspot.com/ ( Fonte: Rita Torrinha/Secult)

Boêmios do Laguinho – Um frevo no meio do mundo.

PROJETO 2013A Universidade de Samba Boêmios do Laguinho irá homenagear o Estado de Pernambuco no Carnaval 2013, a valorização do povo nordestino que ajudou a construir o nosso chão, a cultura, crenças e misticismo  serão os pontos que a agremiação irá apresentar na Ivaldo Veras.

O enredo "Nação Pernambucália, um frevo no meio do mundo" será defendido pela Universidade de Samba que vem revolucionado esteticamente o carnaval amapaense e com o samba de Vicente Cruz e Ademir do Cavaco, a Nação Negra vai cair no frevo, nos blocos e nas manifestações daquele povo.

Para o carnaval 2013, Boêmios do Laguinho apresentará algumas mudanças em sua equipe e estará realizando um Workshop com seus diretores de harmonia e evolução para aperfeiçoamento e capacitação dos quadros técnicos da agremiação.

A arte da logomarca é do designer gráfico Danilo Madureira e a concepção do enredo é de Cláudio Rogério, Vicente Cruz, Célio Alicio e Alan Sales.

Já no dia 1 e 2 de novembro o herói laguinhense Macunaíma entra nos estúdios para a gravação do samba que vai sacudir o mundo do samba.

Informações sobre o carnaval da Nação Negra  entre em contato com Cláudio Rogério 9141-8420.

Fonte: http://jeitotucuju.blogspot.com.br/

Aguardada obra de Joaquim Caetano da Silva será lançada na 1ª Feira de Livros do Amapá – Flap

 

LIVRO JOAQUIMEntre os dias 3 e 6 de novembro Macapá sediará sua 1º Feira de Livros, evento muito aguardado por toda a classe estudantil, professores, acadêmicos, leitores, escritores, livreiros e editoras. Uma extensa programação está sendo organizada pelo Governo do Estado e a coordenação, com saraus, participação de mais de 80 escritores do Estado e de outras capitais, palestras, corredor literário que vai da Biblioteca Elcy Lacerda até a Casa do Artesão e muitos lançamentos de livros, entre os quais, um em especial, escrito há mais de 150 anos, por Joaquim Caetano da Silva, e somente agora traduzido para o português, em sua quarta edição: “O Oiapoque e o Amazonas – uma questão brasileira e francesa” (1861).

O lançamento será às 17 horas do dia 5 de novembro, no espaço Tapaina da Palavra, na Casa do Artesão. A reimpressão da obra foi possível a partir do trabalho conjunto entre Secretaria de Estado da Cultura do Amapá (Secult) e Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH/Unicamp), com organização e coordenação editorial de Paulo Miceli e Janaina Camilo e tradução de Ana Cláudia Grebot, Denise G. Esteves e Paulo Miceli.

O livro deixado por Joaquim Caetano, segundo os estudiosos da Unicamp, é de imensurável valor histórico, que trouxe ao autor a consideração de todos os cientistas que estudam a história geográfica do Novo Mundo. Foi a partir deste documento, por exemplo, que se decidiu, definitivamente, as batalhas sobre territórios entre Portugal e França, que resultaram no laudo de Berna, assinado, em 1º de dezembro de 1900, na Suiça, estabelecendo a fronteira do Brasil com a Guiana Francesa.

Joaquim Caetano da Silva era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, designado pelo Imperador Pedro II, para resolver os impasses referentes ao limite fronteiriço que deveria dividir as terras pertencentes ao Brasil e à França. Diplomata, nascido em 1810 em Jaguarão, Rio Grande do Sul, e falecido em 1873 em Niterói (RJ), passou 24 anos de sua vida na Europa, principalmente na França, onde, de 1826 a 1837, estudou, graduando-se em medicina e onde, mais tarde, escrevera o livro. Possuidor de uma fortuna modesta e apaixonado pelos estudos históricos e geográficos, nunca exercera a medicina. Entre 1851 e 1854 fora Encarregado de Negócios do Brasil e Haia e deixara o cargo quando obteve do Ministério das Relações Exteriores a permissão para dedicar-se exclusivamente ao preparo de seu livro.

Fonte: Rita Torrinha/Secult

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

ZUNIDOR

Continuam os preparativos para a Feira Literária do Amapá - FLAP. O Grupo Executivo de Trabalho e organização está reunido em sala própria no fim do prédio da Casa do Artesão, na Beira-Rio. Seus integrantes preparam a programação que constará de vários projetos, como o “Rufar Literário”, que será apresentado nas escolas, o “Corredor Cultural” e palestras de escritores locais e nacionais. Na sexta-feira ocorre um café da manhã com autores e participantes da FLAP na sua sede.


Quem já está em Macapá é o professor Nilson Moulin, que palestrará na Feira.


A ex-livreira e agora Coordenadora do Livro e da Leitura da Secult, Ângela Carvalho, trabalha nos editais que serão lançados durante a FLAP. Ela informa que a Secult também participará da Amazontech com um stand onde haverá lançamentos de livros e outras atividades culturais.


Foi muito bacana o lançamento do livro ”Cênico em Contextos – Peças Teatrais”, do diretor e ator Daniel de Rocha, ontem, na Biblioteca Elcy Lacerda. O pessoal do teatro apareceu em peso.

A Tina Rocha, esposa do diretor, contratou até uma baiana para fazer e oferecer acarajé aos presentes. Tudo para lembrar a origem de Daniel, que está há anos no Amapá e declarou que “daqui não sai nem morto”. Quer ser enterrado em Macapá, ou cremado, diz ele, se sua mulher deixar.


Vem aí o Congresso Amapaense de Ciências Sociais, para o fim do mês.


Durante o Círio o inevitável encontro com velhos amigos do Morro do Sapo. Pessoas que a gente só vê praticamente uma vez por ano. Ou duas, no ano eleitoral. Segundo a Diocese de Macapá o Círio de Nazaré já tem 70 anos e hoje cerca de 180 mil pessoal acompanham o trajeto da procissão.


Durante o lançamento do livro do Daniel de Rocha conversei com o Secretário de Cultura Zé Miguel. Ele disse que esta semana será pago o cachê dos músicos e artistas que se apresentaram na Expofeira.

Falou das dificuldades de sua pasta, principalmente no que trata de recursos financeiros e de sua preocupação no relacionamento com a classe artística.


Geovani Coelho apresentou uma performance de Daniel de Rocha na BPEL. Agora se prepara para montar novamente “O Bálsamo”, peça adaptada do meu conto homônimo, que seu grupo teatral apresentou há alguns anos no palco do Museu Sacaca. O projeto será para 2013, nas comemorações de 20 anos de premiação do conto, que foi contemplado em 1993 com o primeiro lugar no Concurso de Contos das Universidades do Norte. Depois foi publicado com outros contos pela Editora da UFPA, em 1995, traduzido para o francês e publicado na Guiana Francesa. Além disso, virou HQ, roteiro para cinema e opereta. Também foi usado para o vestibular da UNIFAP e receberá outro roteiro para ser filmado sob a direção de Alex Silveira, do Rio de janeiro. O conto vai ter uma edição especial de vinte anos. Aguardem.


Inderê! Volto zunindo outro dia.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

POETA POR VOCAÇÃO. VOCACIONE= AÇÃO DE CHAMAR (LATIM)

roberto aciedo

“A poesia é uma arte e um tirocínio; um ofício e um magistério. A poesia representa o ajustamento de um destino, a fidelidade fundamental de um homem à sua vocação. A biografia de um poeta corresponde a um interminável vir-a-ser. Ele é o protagonista de si mesmo, ao realizar o longo trajeto da existência à linguagem” (Roberto Acízelo de Souza).

   
ENSINAR LITERATURA  
   
FLC

 

“Não podemos ‘ensinar’ Literatura; podemos partilhar aquele momento inaugural da leitura, confrontando o texto e o nosso mundo presente” (Flávio Loureiro Chaves).

   
italo-calvino2

 

“As escolas e universidades deviam ajudar a entender que nenhum livro que fala a respeito do outro livro diz mais do que o livro em questão. Há uma inversão de valores. Os intermediários alegam saber mais que o texto sabe” (Italo Calvino).

   
PALAVRAS  
antonio_olinto

“Contos se escrevem com palavras; romances se escrevem com palavras; poemas se escrevem com palavras. Quem domina as palavras, quem as apascenta, quem as guarda no fundo de si mesmo para uso no momento necessário, pode estar preparado para captar um pouco do mistério das coisas. Só dando nome a cada coisa pode alguém realizar uma obra” (Antonio Olinto. Palestra na ABL, nas comemorações do centenário de Orígenes Lessa – 2002).

   

 

 

 

DOIS POEMAS DE PAULO TARSO BARROS


DIMENSÃO PRIMÁRIA DO SER

Antes que as palavras de poeta
se percam como as nuvens itinerantes,
quero que o poema transforme-se numa casa
(não precisa que seja uma mansão
ou uma construção portentosa).
Que o poema seja uma casa
-      com um quarto apenas, onde caiba
um coração universal e as emoções
viáveis de uma existência.

Se eu chamasse por mim nas planícies,
a minha voz não seria ouvida,
pois eu não estaria lá.
Eu só estarei onde houver espíritos
porque eu sou a vida.
Por isso me expresso,
às vezes sem jeito,
às vezes com exagero.
A febre de viver,
os delírios de andar neste mundo-betoneira,
tudo isso já experimentei.
Já experimentei ser neutro, ser zero,
ser equilibrado, mas foi inútil.

Nasci assim.
Mas eu só nasci aos treze anos cronológicos
e de lá para cá tenho andado meio sem norte
(embora embrenhado no Norte geográfico),
tenho perambulado levando nas almas
as pleonásticas solidões dos poetas;
tenho dormido na insensatez do ócio,
esse ócio infame, estéril e
extorquidor de emoções, que chega até mesmo
a boicotar nossa luminosidade.

Arrependido?
Não.
Apenas encabulado, constrangido,
patético e verminal:
na dimensão primária do ser.


INVENTÁRIO DAS BUSCAS


Nesta manhã deixo a vida cair como a chuva
nos poliedros dos olhos e nos invisíveis
espelhos cromáticos dos meus espíritos.
Em mim, que sinto e tento explicar, digladiam-se
os liquefeitos sonhos de anos e anos,
de esperas e esperas, com anjos e demônios
que despencam do horizonte como perfuratrizes
assassinas sobre a minha sorte.

Nas desfeitas ondas, irmanadas aos abismos
para onde fomos exilados
(como se fôssemos paranóicos),
a síndrome imensurável da Terra
é compactada na minha percepção de poeta.
E a minha visão, que decola de sua órbita natural,
busca os infinitos do criador.
E deixo a vida viabilizar-se,
amar seus amores,
escrever seus poemas e buscar-se, sempre.

Como um animal eu volto ao meu lar
e contemplo vossos telhados, Macapá;
contemplo a absurda calmaria das praças
moldadas na linear paisagem urbana.
Volto a casa como um poeta do século XX,
com meu livro de incontáveis páginas em branco,
minha dor de cabeça proletária e civil.
Os bares já estão vazios e tudo é muito ambivalente
e tudo vai explodir na bela aurora setentrional.
Caminho por Macapá e tenho cinco bilhões
de irmãos espalhados neste planeta solitário.

acIDEz e SOLidão (*)

Fernando Canto

solidaoQue diferença faz acidez e solidão se jaz pela escuridão a dor da infecundidade do solo que agora deito. Que diferença, me diga, se a acidez destrói a massa e a solidão sombreia a alma. Na certa a acidez da dor vislumbra o soerguimento do pó que vomitaremos após solidões cansadas. Que diferença faz acidar-me ou isolar-me se for capaz de nascer. Que diferença, me diga, na certa terei castigo se for capaz de nascer. Se me desgasto sou pedra, sou esmeril contra o aço e ainda insólito prisma de vidro e de cores rudes. Que diferença, me diga, entre gastar e parar, se resta apenas desejo de ser superfície e ar.


* Publicado no livro Equinocio – Textuário do Meio do Mundo – Editora Paka-Tatu – Belém, 2004

Imgem disponível em: http://tempestade-jesuisentraindechercher.blogspot.com.br/2008_08_01_archive.html

GALO CEGO

Conto de Paulo Tarso Barros

EXIF_IMGNão há uma versão exata, embora se tenha buscado nos arquivos dos raros jornais do bairro, onde se registravam alguns fatos de certa relevância – e outros nem tanto, de como Juracy dos Santos perdeu um dos olhos. Mas ganhou o infame apelido de Galo Cego, que o acompanhou durante boa parte da vida, até a sua morte, em janeiro de 2004, aos sessenta e sete anos, de um ataque do coração. Quem o viu morrer - uma garota de 11 anos que estava ao seu lado, no hospital, garante que ele deu um grito medonho antes do desenlace. Logo a notícia se espalhou pelo bairro: o Galo Cego Morreu, comentavam as pessoas, já acostumadas com as respostas rimadas e indecorosos que ele repetia para cada cretino que o chamasse pela alcunha galinácea, principalmente a molecada, os vadios e outros cachaceiros que perambulavam pelas ruas.

- Ei, Galo Cego!- gritavam os moleques.

- Tua mãe no meu prego, filho da puta, vagabundo, veado, fresco! Vai procurar um serviço, vai cavar um poço! – respondia, aporrinhado, seu Juracy.

Ou então esta outra rima, também nada social:

- Ei, Galo Cego!

- Galo Cego morreu; quem come a tua mãe sou eu!

Galo Cego comprava bastante cachaça – principalmente aqueles recipientes pequenos, de trezentos mililitros. Muitas vezes, para impedi-lo de tomar a bebida, os vizinhos aguardavam que ele dormisse, o que geralmente fazia na calçada em frente à casa de sua filha. Então derramavam o líquido, substituído por água. Quando ele acordava, goela seca, trêmulo, ávido pela aguardente, dava uma golada e, descobrindo a troca, abria seu obsceno dicionário de palavrões:

- Quem foi o ladrão, o safado, o veado, o corno, o vagabundo, o desgraçado, o miserável, o sacana que roubou a minha cachaça? Tomara que um trem passe por cima e que fique só o farelo desse vadio! Vai roubar a tua mãe, aquela frouxa!

Ao encontrar uma mulher na rua, ia logo fazendo propostas licenciosas e falando gracejos. Tinha o costume de bater no seu pênis e dizer: “Sossega, sossega, gigante! Fica calmo que ainda não tá na hora de brincar!” Quando lhe diziam: “Mas isso não funciona mais”, ele retrucava: “Aqui é só triscar que o bicho levanta! Por isso que ultimamente eu nem durmo mais em rede, que fica toda furada: o bicho endurece e deixa tudo furado. Nem precisa de Vinagre” – era assim que ele denominava o medicamento Viagra, usado para disfunção erétil. Se a mulher lhe dizia poucas e boas por causa das pilhérias, ele logo retrucava cheio de sarcasmo: “É a apertada, essa aí. Pode colocar uma pica de elefante que ela nem sente, nem faz cócegas! Deus me defenda de uma quenga dessas, era só pra me dar raiva e doença!”

Era um pândego o Galo Cego, e tão sem-vergonha que chegou a ludibriar um jovem policial militar, a quem se dirigiu, no centro de Macapá, dizendo-se “perdido” e sem saber retornar, fazendo-o trazê-lo até a casa, ensinando-lhe o caminho com riqueza de detalhes, para vergonha da família. Mas quando viajou a São Paulo em vista a uma das filhas, acabou realmente perdido na metrópole, depois de pegar um ônibus e cochilar, completamente alcoolizado. Lá, entretanto, não encontrou nenhum salvador da pátria e deu trabalho para a filha, que já estava desesperada com o sumiço do velho.

Quando morava no interior do Pará, num povoado perto da ilha de Marajó, Galo Cego vivia bem, era comerciante, dono de barco, usava relógio folheado a ouro e fazia viagens para Belém regularmente, onde se divertia nos prostíbulos e bebia boa quantidade de cachaça. Os moradores, quando sabiam que ele estava de partida para a capital paraense, vinham fazer suas encomendas. Como ele não sabia escrever, chamava um empregado e mandava anotar os pedidos num caderno: lampiões, machados, defumadores, rádios, terçados, espingardas, mantimentos, remédios, panelas, roupas, tecidos etc. Os moradores davam o dinheiro e lá ia o Galo Cego, de roupa branca, chapéu de primeira, óculos escuros. Quinze ou vinte dias depois ele retornava e o povo vinha atrás dos pedidos.

- Seu Juracy, cadê a minha encomenda?

- Eu comprei um outro barco, mas só vai chegar daqui a quinze dias. Aí tua encomenda também vem – justificava-se ele aos ribeirinhos. – Pode ficar sossegado que o barco vem tinindo de mercadoria lá da capital – garantia. Mas os dias se passavam e nada de barco novo, nada dos pedidos. É que o Galo, em Belém, como já dissemos anteriormente, caía na gandaia: farras, mulheres - e gastava todo o dinheiro destinado às compras. E tem gente de cabeça branca, até hoje, aguardando a nova embarcação e os pedidos...

O Galo Cego foi casado durante muitos anos e deixou numerosa prole. Depois que se separou, passou a morar nas casas dos filhos. Estes, certa época, juntamente com os genros, resolveram mandar construir uma casa para o velho. E foram escolher justamente uma área de palafitas. Reuniram o material: telhas, pregos e madeira e fizeram um mutirão para erguer o pequeno barraco. Depois que terminaram o serviço, um dos genros, de nome Ari, perguntou se o Galo Cego não ia pagar o Zé – justamente o atual marido de sua ex-mulher. Ele, gaiato, respondeu imediatamente:

- Pagar uma merda dessa? Eu já dei foi a minha mulher pra ele, esse corno. Só que ele é fresco e não fez nenhum filho. Parece até que é capado o filho duma égua. Eu fiz oito filhos, e nenhum é veado ou puta, pois essas “raças”, graças a Deus, até hoje não apareceram na minha família.

Também ficou registrada na memória dos amigos e vizinhos uma cena que ocorreu certa madrugada, quando o Galo tinha que viajar para Belém – desta feita iria de avião, pela antiga Cruzeiro do Sul. O carro de um parente, que o levaria para o aeroporto, enguiçou e não houve jeito de funcionar. O motorista lhe disse:

- Seu Juracy, se eu arranjasse um alicate botaria esse motor pra funcionar.

- E onde nós vamos arranjar a praga de um alicate em plena quatro horas da manhã? - quis saber o Galo, já agoniado, pois estava quase na hora de o avião decolar.

- Seu vizinho ali tem, mas eu mesmo não tenho coragem de bater na porta da casa dele de madrugada. Deus me livre; ele é muito ignorante.

- Ignorante com ignorante, doido com doido vamos ver quem ganha – exclamou o Galo, que partiu para a casa do vizinho.

E só faltou derrubar a porta do velho Matos, que gritou, colérico, lá de dentro do quarto:

- Quem é o maluco que não tem o que fazer e vem perturbar o sossego da gente? Não se respeita mais uma casa de família!

- É o Galo que tá batendo, Matos... Me diz uma coisa: você tem um alicate pra me emprestar?

- Ora, seu filho duma égua, você vem me acordar só pra pedir um alicate? Pois eu tenho alicate, chave de fenda, martelo, talhadeira e até carro de mão porque eu compro e não faço como você, que gasta seu dinheiro todo com cachaça...

- Pois pega teu alicate e toda a caixa de ferramenta e mete naquele lugar, seu filho duma capivara - retrucou o Galo, irritado.

O Galo perdeu o avião e ficou de mal com o seu vizinho durante muitos anos.

Um dia, depois de ouvir muita reclamação da família, resolveu comprar uma máquina de lavar. Vestiu-se, pegou o dinheiro e foi conversar com uma vendedora para negociar o produto. Depois da escolha, a vendedora lhe ofereceu café e pediu a sua carteira de identidade e o comprovante de endereço.

- Eu não trouxe documento, pois não gosto de mostrar minhas intimidades para os outros. Mas pergunta o que quiser; eu sei de cor.

E disse para a vendedora que seu nome era Juracy Carilho. O endereço forneceu corretamente. Mais tarde, quando o caminhão de entrega chegou, os familiares estranharam o nome, mas como os outros dados estavam corretos, receberam a máquina. Quando seu Juraci chegou e lhe perguntaram por que tinha informado aquele sobrenome estranho, explicou calmamente:

- Ora, Carilho é o parente mais próximo do Caralho! Eu vou bem deixar meu nome em arquivo de loja pra cobrador viver perturbando aqui na minha porta. Por isso eu só compro à vista: nada de crediário de 10 vezes, porque aquilo é só roubalheira! Vão roubar o diabo, não o Galo!

Quando foi comprar motor para uma pequena embarcação, chegou à loja e foi logo perguntando ao funcionário quanto custava uma “merda” dessas – e apontou para um motor da marca Kubota. O vendedor lhe explicou que aquela máquina era uma das melhores, fabricada no Japão, e que não era nenhuma merda. Mas ele foi logo com as suas explicações cretinas:

- Meu filho, a marca do motor não é Kubota? Pois bem, agora me responda com sinceridade: de onde sai a merda? Pelo que eu saiba, e se não mudaram a anatomia dos seres vivos, ainda é daquele lugar...

Quando começou a ter problemas de varizes e má-circulação nas pernas, o médico lhe indicou meias elásticas, mas ele foi taxativo:

- Isso é coisa de fresco, de veado e eu não vou usar. Onde já se viu, na minha idade, o camarada sair de meia apertada nas pernas, parecendo uma quenga da casa da Suerda. Vão logo dizer: o Galo virou gay depois de velho. Deus me defenda. Imaginem a minha cara - que já não é bonita, mas eu não tenho outra nem sei onde enfiar esta...

Por mais que insistissem, ninguém foi capaz de convencê-lo dos benéficos. Morreu e jamais usou as meias.

Um vendedor ambulante, certa manhã de sábado, bateu à sua porta para lhe oferecer alguns produtos, e destacou, dentre as mercadorias, uma enorme panela de pressão.

- Meu filho, eu não sou doido em comprar um “aparelho” desses pra botar na minha casa, junto da minha família, principalmente dos meus netos, que são todos pequenos. A panela mais moderna que eu tenho aqui é de alumínio, dessas feitas em oficina de fundição. Mando fazer comida mesmo é em panela de barro e de ferro. Eu soube de uma história, acontecida nos Estados Unidos – pois tenho uma filha que é casada com americano e vive por lá - de uma senhora que estava cozinhando numa panela parecida com essa aí. A “bicha” explodiu e carregou um filho dela para o espaço e até hoje não se tem notícia do azarado. Deus me defenda! O que eu não esqueço também é o caso do rádio que explodiu. Você ouviu contar? Pois é. Eu era rapazinho novo, morava perto do Marajó, quando vi um rádio pela primeira vez. Era um monte de abestalhado em volta do receptor; gente que vinha de longe, montado em búfalo. Naquele tempo não existia rádio pequenininho. Esse pesava mais de uma arroba e esturrava feito onça. Fiquei de longe, espiando, desconfiado, pois meu pai tinha ouvido dizer que no Japão, logo que chegou rádio naquele país, levaram o aparelho para uma praça e uma multidão veio espiar e escutar. De repente, bum! bum! bum! Foi mesmo que uma bomba atômica e acabou com todo mundo que estava aglomerado por perto. Ainda bem que esse rádio do Marajó não estourou, senão imagina onde iria parar aquela ilha cheia de búfalos?

SECULT REUNE-SE COM COMUNIDADES PARA TRATAR DO ENCONTRO DOS TAMBORES 2012

 

Encontro dos Tambores é o ponto alto da Semana da Consciência Negra, prevista para ocorrer no período entre 20 e 25 de novembro em MacapáA Secretaria de Estado da Cultura (Secult) reúne-se nesta sexta-feira, 19, às 9h, com representantes das 38 comunidades tradicionais que participarão do Encontro dos Tambores deste ano. Serão tratados assuntos pertinentes à logística do evento, como hospedagem, alimentação, transporte, número de integrantes por comunidade, horários e o que ocorrer.

Em 2012, o governo do Estado investiu, em toda a programação da Semana da Consciência Negra, mais de R$ 750 mil, sendo o maior repasse de todos os tempos, contemplando os mais diversos segmentos.

O Encontro dos Tambores é o ponto alto do evento, momento em que as comunidades se encontram, integram-se e apresentam um espetáculo de encher os olhos do público com suas manifestações culturais - Marabaixo, Batuque, Zimba e Sairé - identidades do Amapá, com mulheres dançando com seus vestidos coloridos, flores nos cabelos, toalha nos ombros e o orgulho em estar ali, defendendo a sua gente, a sua comunidade.

"Este ano nossa intenção é fazer uma festa muito mais bonita, corrigir os contratempos pelos quais passamos no ano passado e contemplar muito mais segmentos dentro da programação. Para o Encontro dos Tambores, as comunidades podem ter certeza, a receptividade será bem melhor que em 2011 e vamos trabalhar para que o repasse saia adiantado, de modo que cada comunidade se apresente bonito. Não podemos esquecer também que, desde o ano passado, as comunidades que se apresentavam como participação especial, sem receber o recurso do governo, este ano estão inseridas nas contempladas", diz o secretário de Cultura, Zé Miguel.

Ele se refere a seis grupos que por anos vinham se apresentando na União dos Negros do Amapá (UNA) em caráter de participação especial, sem receber os R$ 4 mil garantidos pelo Estado para cada grupo, como apoio para confecção das roupas. São eles: São Sebastião de Mazagão Novo, Grupo de Marabaixo Infanto-Juvenil do Laguinho do Arthur Dô, Raízes de Mazagão Velho, Grupo Tia Sinhá, Grupo São João do Maruanum e Nossa Senhora da Conceição.

Técnicos da Secult farão outras reuniões com os demais segmentos para tratar da programação geral da Semana da Consciência Negra, prevista para ocorrer de 20 a 25 de novembro. (Fonte: Rita Torrinha/Secult)

IV Festival de Música Instrumental do Amapá (Feminsap)

feminsap

(Fonte: Blog De Rocha: http://eltonvaletavares.blogspot.com.br/)

Ralfe Braga ilustra da Eletronorte para o Círio de Nazaré


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O artista plástico e designer amapaense assina coleção com cinco belas
ilustrações para Eletronorte em comemoração ao Círio de Nazaré em Belém.

ÚLTIMA SEMANA PARA VISITAR A EXPOSIÇÃO DO PRÊMIO CNI SESI MARCANTONIO VILAÇA, NA FORTALEZA DE SÃO JOSÉ.

exposiçãoA Federação das Indústrias do Estado do Amapá (FIEAP) e o Serviço Social da Indústria (SESI) convidam a população para visitar a exposição do Prêmio CNI/SESI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas, que estará até o dia 21 de outubro exposta na Fortaleza de São José.

As visitações são gratuitas e guiadas por monitores, que conduzem os visitantes a um passeio pelas obras de cinco artistas plásticos, reconhecidos internacionalmente, que expõem diferentes técnicas, meios
e linguagens como esculturas, fotografias e desenhos.

O horário de visitação é de terça a sábado das 8h às 12h e das 14h às 18h, domingo, de 13h30 as 18h30.

A exposição do Prêmio Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas é itinerante e aberta ao público. A iniciativa que está na 4ª edição, já passou este ano pelo Rio de Janeiro, Cuiabá e Porto Alegre e, depois de Macapá segue para Maceió, Ribeirão Preto e Belo Horizonte. A exposição é realizada desde 2005 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo o Serviço Social da Indústria (SESI). (Fonte COMUNICAÇÃO DO SISTEMA FIEAP/ 3084-8826)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Brasil tem um déficit de quase 300 mil professores de disciplinas básicas


É preciso investimento para atingir metas do Plano Nacional de Educação


A falta de professores é tão grande no Brasil que corremos o risco de sofrer um “apagão” de profissionais, principalmente nas áreas de Química, Física, Matemática e Biologia. O alerta foi dado pela Câmara de Educação Básica, em relatório divulgado em 2007. De lá para cá, a situação piorou. O déficit atual chega a quase 300 mil professores, de acordo com a professora Clélia Brandão, integrante do Conselho Nacional de Educação, da Câmara de Educação Básica e presidente da Comissão Bicameral de Formação de Professores.

 “Faltam professores desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Hoje existem professores trabalhando na Educação Infantil só com a formação da escola normal, quando todos já deveriam ter o 3º grau completo. O quadro é preocupante, uma vez que todos sabem que a educação é a mola propulsora do desenvolvimento de qualquer país”, defende a professora.

Clélia Brandão, presidente da Comissão Bicameral
de Formação de Professores (Foto: Divulgação)
Para Clélia, é fundamental a atenção urgente para alguns pontos, como infraestrutura das escolas, formação continuada dos professores, plano de carreira e salários que contemplem as necessidades fora da sala de aula, já que o docente precisa estudar, ler e aprender a lidar com as novas tecnologias.

“O Governo já tomou algumas iniciativas, como a criação do Plano Nacional de Formação de Professores. Isso é inédito no país, pois a União está assumindo a responsabilidade pela formação dos professores. Foi criada também a opção da segunda licenciatura, para contemplar professores que têm uma graduação, mas acabam dando aula em outra disciplina,o que é muito comum. Estamos lutando para que 10% do PIB (Produto Interno Bruto) seja destinado à educação. Se não conseguirmos isso, as metas do Plano Nacional de Educação não serão alcançadas”, ressalta Clélia.

O professor Mozart Neves Ramos, presidente-executivo da ONG Todos pela Educação, concorda com a opinião da professora Clélia. “Se não tornarmos a carreira de professor atrativa, o Brasil não vai longe. Em outros países, o salário dos docentes é mais atraente, existe plano de carreira, aqui não. Isso se reflete na sala de aula, na falta de professores em várias disciplinas, ou com gente dando aula sem formação adequada. O MEC (Ministério da Educação) tem feito um esforço para mudar o quadro, com a criação da Universidade Aberta e da Plataforma Freire (nessa última os professores podem se inscrever para complementar a formação), mas os resultados das políticas só poderão ser avaliados daqui a alguns anos”, explica.

Conheça a seguir as iniciativas de alguns estados na área de formação de professores:
Rio de Janeiro
Luiz Carlos Becker Junior, subsecretário de
Educação (Foto: Marcio Costa/SeeducRJ)
Em dezembro de 2010 foi criada a Subsecretaria de Gestão de Pessoas da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) do Rio de Janeiro. De acordo com subsecretário Luiz Carlos Becker Junior, o objetivo da criação da subsecretaria foi justamente o de cuidar de forma mais ampla da gestão e da formação dos professores do estado. Atualmente existem 53 mil profissionais em sala de aula, mas ainda faltam 2 mil  para suprir a carência das escolas.
"A universidade não está formando professores suficientes para dar aula em disciplinas como filosofia, sociologia e física, por exemplo. Temos autorização do governo para contratar profissionais temporários e professores sem licenciatura nas disciplinas em que já estão dando aula. Estamos trabalhando para ter carência zero de professores em 2012, pelo menos nas matérias básicas, e reestruturando nosso plano de carreira. O Ensino Médio do Rio ficou em 26º lugar no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e precisamos trabalhar muito para reverter esse quadro", explica o subsecretário.
Helena Bomeny, subsecretária da Secretaria
Municipal de Educação (Foto: Operator)
O município do Rio de Janeiro tem um déficit atual de 218 professores, segundo a subsecretária de ensino da Secretaria Municipal de Educação (SME), Helena Bomeny. "Quando a secretária Claudia Costin assumiu, em 2009, faltavam 7500 professores. Conseguimos reduzir bastante esse número. Um professor do município, que trabalhe 40 horas, ganha mais de R$ 6 mil no final de carreira. A cada três anos o profissional recebe um aumento de 5%. Acredito que essas iniciativas são fundamentais para valorizar o professor, para que ele sinta que é fundamental no processo de aprendizado", ressalta.
Paraná
Meroujy Cavet, superintendente de Educação do
Paraná (Foto: Divulgação) 
No Estado do Paraná os professores podem ser contratados pelo que se chama Processo Seletivo Simplificado, e o contrato dura dois anos. De acordo com Meroujy Cavet, superintendente de Educação, o sistema não é ideal, por conta da rotatividade grande de profissionais, mas é uma alternativa.
"Queremos nomear 12 mil professores aprovados no concurso de 2007, o que vai ajudar a diminuir a rotatividade. Fizemos um plano de equiparação salarial e vamos dar um reajuste de 26% para os professores, dos quais 6% já foram concedidos", diz a superintendente.
Salvador
De acordo com informações da assessoria de imprensa da Secretaria Municipal da Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Secult), no final de 2010 foi realizado um concurso com 1600 vagas para professores, 200 coordenadores pedagógicos e 300 merendeiras. Atualmente a rede municipal de Salvador tem mais de 6 mil professores e mil estagiários, que dão apoio ao corpo docente e funcionários das unidades escolares. Em 2005, 3500 professores e 300 coordenadores foram nomeados.
São Paulo
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Educação de São Paulo, em janeiro de 2011 foi autorizada pelo Governador do Estado a contratação de 25 mil professores aprovados em concurso realizado em 2010. Destes, 16 mil já se encontram atualmente cursando a Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Professores Paulo Renato Souza Costa. (Fonte: Globo Educação).

ENTREVISTA: MARIA CECÍLIA LOSCHIAVO RELACIONA DESIGN E SUSTENTABILIDADE

 

Professora conta como seus estudos contribuem para a questão dos resíduos sólidos


Maria Cecília Loschiavo (Foto: Studio 3X)
Professora Titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), Maria Cecília Loschiavo une o design e a filosofia a favor da sustentabilidade. Defensora da “necessidade de mobilizar o design para as questões de gênero, desigualdade, precariedade, informalidade e pobreza urbana”, a pesquisadora concentra seus estudos nas relações entre o reuso dos materiais, os produtos e a inclusão social dos catadores de recicláveis.

Em entrevista ao Globo Universidade, Maria Cecília Loschiavo conta como suas áreas de atuação convergem para enfrentar os desafios que os resíduos sólidos e sua disposição trazem para a sociedade e para as futuras gerações.

Globo Universidade - Como sua formação em Filosofia está relacionada ao Design? Por que você decidiu se especializar nesta área?
Maria Cecília Loschiavo -
 A Filosofia é uma Ciência Humana caracterizada basicamente pela atitude interrogante diante do mundo. Nesse contexto passei a estudar aspectos da cultura material no âmbito da Estética, particularmente concentrei minha atenção sobre o design.
Em um mundo conturbado e ameaçado pelas mudanças climáticas, escassez de recursos e padrões insustentáveis de consumo é fundamental pensar o humanismo e suas relações com o design. A perspectiva humanista apresenta significativos desdobramentos no âmbito da educação, sobretudo no que diz respeito à formação dos valores.

Mais do que nunca há necessidade de integrar os princípios da educação humanista na formação do designer. Nesse sentido trata-se de definir qual o papel das disciplinas teórico-críticas. Essas disciplinas não são auxiliares, mas aumentam o grau de compreensão da realidade no qual o designer vai atuar e de sua própria atuação.

Não é exagero afirmar que, atualmente, há um processo de “macdonaldização” do ensino superior (todos os níveis): preço baixo, sacia a fome, mas o cardápio é restrito, o valor nutricional questionável e provoca obesidade.

Em nosso país, considerando os vários Brasis, ou como quer Aloísio Magalhães: das distâncias "entre a pedra lascada e o computador", existe a necessidade de mobilizar o design para as questões de gênero, a desigualdade, a precariedade, a informalidade, a pobreza urbana.

GU - Ao seu ver, de que forma o Design atua a favor da Sustentabilidade?
MCL –
 Eu me especializei na área de Estética e, dentro dela, no Design, em um momento em que não havia programas de pós-graduação na área do Design no Brasil. Graças aos mestres da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP pude realizar meus estudos pós-graduados na área do design.

O design para sustentabilidade é uma ferramenta que traz uma visão sistêmica e complexa em que, a partir do momento que conhecemos os problemas ambientais e suas causas, passamos a influir na concepção, escolha dos materiais, fabricação, uso, reuso, reciclagem e disposição final dos produtos industriais.
GU - De que maneira sua formação pode ajudar com as pesquisas sobre os problemas causados pelo acúmulo de lixo e descarte irregular?
MCL -
 As perspectivas filosóficas, sociológicas, antropológicas e arqueológicas são fundamentais no debate sobre resíduos. Apenas como exemplo vale lembrar que coube ao sociólogo Vance Packard, em seu clássico livro “The Waste Makers” (1960), apontar as consequências ambientais do consumo excessivo no meio urbano. Contemporaneamente, a obra do sociólogo polonês Zygmunt Bauman constitui-se em referência básica para a compressão da lógica das relações entre consumo, produção de resíduos e exclusão social das populações que sobrevivem do lixo. No âmbito da antropologia, não há como não citar a contribuição decisiva de Mary Douglas, em “Purity and Danger” (1966). Finalmente, o arqueólogo William Rathje é outro referencial consolidado, com o livro “Rubbish! an Archeology of Garbage”.

Considero também altamente relevante a relação entre resíduos e energia. A busca de economias baseadas na sustentabilidade transformou o resíduo e todas as tecnologias para seu tratamento em elemento crucial no processo de globalização. Assim, a possibilidade do aproveitamento energético coloca-se como uma das alternativas para o problema da disposição e valorização econômica do resíduo.

No passado, os resíduos eram percebidos como o ponto final das etapas de produção e consumo e, portanto, entendia-se que resíduos eram uma questão de disposição. Nos dias de hoje, o movimento dos resíduos e dos mercados globais que envolvem a disposição e a reutilização desses resíduos têm desafios extraordinários a enfrentar.

GU - Que aspectos você destacaria no trabalho dos catadores de recicláveis?
MCL –
 Os catadores prestam um serviço ambiental altamente importante no manejo do resíduo no meio urbano. Estão organizados com base num tipo de economia cooperativista, onde não há patrão nem empregados. Todos trabalham e todos participam das decisões.
Os catadores viram no resíduo uma possibilidade de recurso econômico, em um momento em que o capitalismo ainda não explorava esse nicho econômico. Esse setor não era considerado lucrativo, mas os catadores, por força da necessidade de sobreviver, se organizaram para explorar o descarte e os resíduos urbanos.
GU - De que forma a mídia pode chamar a atenção da população para os problemas causados pelo lixo?
MCL -
 Os resíduos sólidos deveriam ser vistos como um dos mais sérios problemas ambientais e de saúde pública da vida contemporânea, e as consequências de seu manejo e disposição inadequados se refletem tanto direta ou indiretamente na saúde da população quanto na sobrevivência dos ecossistemas. Esses custos ambientais e sociais decorrentes da produção, manejo e disposição inadequada de resíduos são significativos e crescentes. A Lei n. 12.305/2010 introduz no sistema legal brasileiro um esquema de responsabilidade compartilhada e considera resíduo como resultado não desejado da produção e consumo. Nesse contexto, o papel da mídia é muito expressivo para informar sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, para difundir informação e educação sobre resíduos para todos os segmentos da população brasileira.

GU - Que dica de livro ou filme você daria para os estudantes que querem se aprofundar nas questões sociais sobre sustentabilidade e lixo?
MCL -
 Faz muito tempo, a Fundação Roberto Marinho publicou o livro “E Triunfo!” um dos mais importantes livros de autoria de Aloísio Magalhães, que considero referência fundamental para o design. Este autor valorizou o design vernacular e a cultura material brasileira. Este ponto de vista nos propicia uma reconsideração sobre o design presente nas ruas, nas feiras e nos mercados. Os produtos do design vernacular são criações de muitas vozes e mãos, trata-se de um patrimônio da comunidade, cuja autoria reflete a cooperação e a integração. (Fonte: Globo Universidade)

ASTRÔNOMOS AMADORES DESCOBREM PLANETA COM QUATRO SÓIS

DA BBC BRASIL

soisAstrônomos amadores encontraram um planeta cujos céus são iluminados por quatro sóis. É o primeiro sistema solar desse tipo já identificado.

No mundo, situado a pouco menos de 5 mil anos luz da Terra, orbita um par de estrelas que contam com um outro par de estrelas em sua volta.

 

Haven Giguere/Yale/Nasa

Concepção artística do novo planeta

A descoberta foi feita por astrônomos amadores utilizando o site Planethunters.org, projeto mantido pela Universidade de Yale de ''ciência cidadã'', por meio do qual voluntários procuram encontrar exoplanetas - mundos localizados fora do nosso sistema solar - com a informação obtida com o telescópio espacial norte-americano Kepler.

As chamadas estrelas binárias - um sistema estelar que consiste de duas estrelas orbitando um centro comum - não são incomuns, mas só foram encontrados alguns poucos planetas que orbitam em torno de duas estrelas. E nenhum dos já descobertos conta com outro par de estrelas.

O planeta foi batizado de PH1, em homenagem ao site Planethunters.

SEIS VEZES MAIOR

Acredita-se que o novo mundo seja um ''gigante gasoso'', maior do que Netuno e seis vezes maior do que a Terra.

''O ambiente do planeta é muito complicado, devido à pressão exercida pelas quatro estrelas. Mas, ainda assim, ele aparenta ter uma órbita estável. É algo realmente confuso e que torna essa descoberta tão divertida. Absolutamente, não é o que estávamos esperando'', afirma o cientista Chris Lintott, da Universidade de Oxford.

''Existem outros seis planetas bem estabelecidos gravitando em torno de estrelas binárias e eles estão muito próximos a essas estrelas. Então, creio que o que isso nos diz é que planetas podem ser formados nas partes internas de discos protoplanetários (a massa de gás denso a partir da qual se originam sistemas planetários) '', comenta.

A descoberta, opina Lintott, pode oferecer indícios sobre a formação de planetas em outras partes da galáxia.

Os dois voluntários que descobriram o PH1 fazendo uso do Planethunters.org foram os americanos Kian Jek, de San Francisco, e Robert Gagliano.

DESCOBERTA

Os astrônomos amadores perceberam breves oscilações de luz causadas pela passagem do planeta em frente aos astros de seu sistema solar. Uma equipe de astrônomos profissionais em seguida confirmou a descoberta usando os telescópios do Observatório de Keck, em Mauna Kea, no Estado americano do Havaí.

Criado em 2010, o Planethunters.org se vale de informações tornadas públicas pelo telescópio espacial Kepler da Nasa e da leitura destes dados feitas por astrônomos amadores.

O Kepler foi inaugurado em março de 2009, com o intuito de buscar por planetas semelhantes à Terra orbitando em torno de outras estrelas.

Usuários do Planethunters.org têm acesso a informações aleatórias oferecidas pelo Kepler, ligadas aos astros observados pelo telescópio espacial

COOPERAÇÃO EDUCATIVA BOLÍVIA-BRASIL OFERECE OPORTUNIDADE DE INTERCÂMBIO

carlos javier
Carlos Javier Hinojosa, da Universidad Mayor de
San Andrés  (Foto: divulgação)

Alunos brasileiros podem participar de processo de seleção para estudar na Bolívia, que tem universidades de referência na área de medicina

Pode não parecer à primeira vista, mas a Bolívia é um destino interessante para os estudantes brasileiros que desejam aprimorar o currículo com uma experiência internacional. Desde a década de 50 o Acordo de Cooperação Educativa Bolívia-Brasil promove o intercâmbio de alunos dos dois países. Anualmente as universidades bolivianas abrem convocatórias e os interessados fazem uma bateria de testes e devem apresentar um bom currículo escolar. Os aprovados podem passar no máximo um ano e no mínimo um semestre estudando na Bolívia, explica Carlos Javier Hinojosa, coordenador de convênios e bolsas de estudos da Universidad Mayor de San Andrés (UMSA), em La Paz, uma das instituições que participa do projeto.

"A UMSA foi fundada em 1830, conta com 13 faculdades e 56 carreiras. Atualmente temos cerca de 80 mil estudantes e 3 mil professores, é a a maior instituição do país. No momento possuímos 118 convênios vigentes com universidades do exterior, entre eles 8 com instituições do Brasil, como a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro). Mesmo sem estar vinculado a nenhuma instituição, o estudante pode estudar conosco, mas devem iniciar o processo com um ano de antecedência, porque temos poucas vagas”, explica o coordenador.
Dos 5 mil alunos que tentam uma vaga na UMSA anualmente, quase 3 mil querem estudar medicina, pois o curso da universidade é referência. A instituição recebe muitos alunos brasileiros que sonham em ingressar na carreira, pessoas como o paraense Rui Freitas Barbosa, que resolveu fazer as malas e apostar na formação fora do país. Em 2009 ele cursou um semestre em uma universidade privada, a Nossa Senhora de La Paz, e durante a estadia no país descobriu o Acordo de Cooperação Educativa Bolívia-Brasil. Sem muita esperança, ele se inscreveu e nem acreditou quando foi selecionado.
“Fiz curso de enfermagem e tinha uma vontade muito grande de estudar medicina, mas era difícil por conta das condições financeiras. Quando soube do convênio de estudos, entrei em contato com a Embaixada da Bolívia no Brasil, responsável pelo processo, mas nem achava que fosse conseguir, porque a concorrência é grande. Foi uma alegria muito grande quando vi meu nome na lista de aprovados, minha perna tremeu. Comecei a estudar em março e o curso é bem puxado, temos aula em período integral e durante o ano todo. O convênio garante a vaga na universidade, mas não recebemos ajuda de custo, por isso meus pais estão bancando minha estadia, e sou muito grato a eles por isso. O nível do curso é tão elevado que nos permite trabalhar em qualquer lugar, e claro que eu gostaria de atuar no Brasil. Algumas pessoas fazem medicina e outros cursos pensando só em ganhar dinheiro, mas acho que o dever do médico é ajudar as pessoas, e isso que eu quero fazer, seja onde for”, completa. (Fonte: Globo Universidade)
As informações sobre o Acordo de Cooperação Educativa Bolívia-Brasil estão disponíveis no site da embaixada da Bolívia.

PRÊMIO DE POESIA VER-O-PESO 300 ANOS


            Em 1988 fui agraciado em 1º lugar do concurso de Monografia e Poesia, instituído pela Prefeitura Municipal de Belém, que então comemorava os 300 anos do mercado municipal do Ver-O-Peso. O poema abaixo empatou com o texto “Ver-O-Peso manhã”, de Alfredo Garcia e ambos foram considerados vencedores. Obtive ainda uma menção honrosa com “Avivar com Abanos”.
            Na ocasião, o coordenador do concurso, Antonio Juraci Siqueira, assim se manifestou, [...] “Agora é embarcar no sonho dos poetas e viajar nas palavras, que “tudo é translúcido – sal, suor e mar -/ nesta manhã desfraldada por sobre o Ver-O-Peso” (Alfredo Garcia).
            “É volver os olhos para a velha feira e com o peito prenhe de emoção entoar em uníssono o Canto do Fernando como quem reza: “Despacho meu olhar como mercadoria/ Na tua “Casa de Balanço” peso o coração/ Não ligo à percentagem dos impostos/ Ou para o rigor desses fiscais de sonhos”. É deixar o verbo descrever-o-peso deste amor despachado em verso & prosa”.



PELAS FRESTAS QUE TE VEJO
Fernando Canto

Aporto em ti para vender meus sonhos
Venho te ver pelas frestas que só eu conheço
Pois não quero a pieguice de cantar ufano
Nem o bairrismo exacerbado dos poetas sem paixão

É lógica a existência de mil tramas
O rondar de dramas, de mistérios...
Mas mesmo assim tu continuas ileso
À exceção da natural tragédia
Que é o envelhecer de tua candura

Eu só te vejo em burburinho por outra janela
Na dialética incessante que move teu destino:
Uma foto
            remember
Uma faca
            carniça
Uma fome
            amordaça
Uma fala
            ameaça
Uma fossa
            Dissipa

Despacho meu olhar como mercadoria
Na tua “Casa de Balança” peso o coração
Não ligo à percentagem dos impostos
Ou para o rigor desses fiscais de sonhos.
Estou aqui contigo novamente
Observando a festa das canoas embandeiradas
Nos quintais deitados para o rio
E tu, do alto de três séculos de história
Sustentas o fardo de locupletar Belém
Mesmo com a ferrugem de tuas tortas torres
Onde urubus espreitam a paisagem.

Eu te queria uma só fragrância
Mas és assim, mistura de odores
És frutas tropicais/putas/mendigos
Cães sarnentos/sortilégio/embarcações
És decibéis poluidores
O riso e o choro
            Dos amores

Tua história é a sincronia
De fortuitos raios luminosos
Refletidos na lama que conduz
O suor e o grito que o trabalho exige

E eu aqui vendendo sonhos...
- Olha o sonho bom!

Ah, te vejo mais:
Um lado lírico
Outro indefeso
Cartão postal de cor plural
E o nítido desprezo
No teu olhar coloquial

- Olha o sonho bommm!
- Olha o sonho bommm!