domingo, 14 de março de 2010

“EU QUERO UMA CASA NO CAMPO”

Publicado no jornal “A Gazeta” de domingo, 14.03.10

O belo tributo escrito por Heitor Pitombo sobre José Rodrigues Trindade, o Zé Rodrix, traz à tona preciosas informações sobre esse grande músico, compositor e escritor consagrado no Brasil. Como admirador não posso deixar de compartilhar essas interessantes facetas do artista, que também foi um dos mais importantes escritores recentes da Maçonaria Universal. Zé Rodrix nasceu em 25 de novembro de 1947, no Rio de Janeiro. Desde os seis anos enveredou pelos caminhos da música, depois pelos da publicidade e da literatura. Estudou no Conservatório Brasileiro de Música, tendo saído de lá tocando piano, violão, acordeão, flauta, bateria e trompete. Teve o reconhecimento do público quando acompanhou Edu Lobo e Marília Medalha na música “Ponteio”, no III Festival da Record, em 1967, como integrante do sexteto vocal “Momento 4uatro”.

Mais tarde foi para o Rio grande do Sul, onde formou o GRAL – Grupo Revolucionário de Arte Livre, que gerou a banda psicodélica “Primeira Manifestação da Peste”. Em 1970 entrou na banda “Som Imaginário”, com Wagner Tiso, Robertinho Silva, Tavito, Luís Alves e Laudir de Oliveira, que gravou com Gal Costa e Milton Nascimento e depois seguiu na estrada do Jazz e do rock progressivo. Nesse período passou a se assinar Zé Rodrix, inspirado no guitarrista Jimi Hendrix. No ano seguinte participou do festival da canção de Juiz de Fora com a música “Casa no Campo”, em parceria com Tavito, que alcançaria grande sucesso na voz de Elis Regina. Nessa letra há um verso – “Eu quero a esperança de óculos” -, justificado por ele desta forma: “Me soou interessante uma esperança tão míope quanto eu, porque é exatamente assim que as esperanças devem ser”.

Depois de ganhar o festival, Rodrix se une a Luiz Carlos Sá e Gutemberg Guarabira, formando o trio “Sá, Rodrix & Guarabira”, que estabelece a nova onda musical do “rock rural”, já antecipado por ele no verso de música acima referida: “eu quero uma casa de campo/ onde eu possa compor muitos rocks rurais”. Chegaram a gravar dois discos: “Passado, Presente & Futuro” (1971) e “Terra” (1973). Nesta fase de 73 compôs os sucessos ‘Quando Será’, “Xamego da Nega” e “Soy Latinoamericano”. Inicia seus trabalhos publicitários criando jingles para campanhas da Pepsi, Chevrolet, Marisa, Finivest que ficaram também famosos.

A trajetória do artista é marcada pelo ecletismo de sua criação. Participou do grupo “Joelho de Porco”, foi diretor musical de espetáculos de TV, fez trilhas sonoras para filmes e ainda causou muita polêmica ao revelar que era maçom, em 2000. Além de ser músico era Trekker (fã da série Jornada nas Estrelas), e ia, segundo Pitombo, de uniforme nas convenções.

Foi casado com a atriz e terapeuta holística Norma Blum e com a ex-vocalista de “As Frenéticas”, Edyr de Castro. Ao morrer, em 21 de maio de 2009, estava casado com a escritora e produtora Julia Rodrix.

Zé Rodrix se dedicava à criação e à família, cozinhando diariamente, fazendo produção de suas filhas Bárbara Rodrix e Marya Bravo. Era tradutor e multimídia.

Tive o prazer de conhecê-lo em São Paulo, apresentado por Carlos Lobato, por ocasião do show de lançamento do CD de Juliele, que por sinal gravou uma música de Bárbara , sua filha.

Na literatura lançou a “Trilogia do Templo” sobre a Maçonaria, que tem os títulos “Diário de um construtor do Templo”, “Zorobabel: reconstruindo o Templo” e ”Esquin de Floyac: o fim do Templo” (Ed. Record: 1999, 2005 e 2007).

Na sua última entrevista (concedida a Heitor Pitombo) ele fala sobre seu trabalho, mais especificamente sobre a sua literatura, informando que “ao ser iniciado na Ordem percebeu que a história do Templo era o centro e o foco das lendas, alegorias e simbologias com que a Maçonaria é praticada, e podia nos ensinar coisas fascinantes sobre cada um de nós, possibilitando nosso crescimento e mudança para melhor em todos os sentidos”.

COLUNA CANTO DA AMAZÔNIA

Publicada no jornal “A Gazeta” de sexta-feira 12.03.10

PROFESSOR TEMPORÁRIO

A UEAP inscreve até hoje os interessados nas oito vagas de professor temporário daquela instituição. As vagas disponíveis estão nas áreas de língua espanhola e literaturas afins, engenharia de produção, gestão ambiental, aquicultura e didática.

Os candidatos que se inscreverem participarão de uma única etapa: a de avaliação de títulos para especialistas, mestres e doutores, o chamado processo de seleção simplificado. A taxa é de R$70, 00 e a inscrição pode ser feita na Pró-Reitoria de Graduação.

CONFERÊNCIA DE CIÊNCIAS

Hoje será realizada a 1ª Conferência Estadual de Ciência, Tecnologia e Informação, um evento que quase passa despercebido por falta de divulgação, apesar de sua importância para a pesquisa e para o conhecimento científico de nosso Estado.

A Conferência é uma realização da Rede de Pesquisa do Estado do Amapá, formada pela UNIFAP, Embrapa, IEPA e UEAP, que visa discutir a C&T no Estado, suas dificuldades e potencialidades, bem como as estratégias para os próximos anos. Os trabalhos dos grupos serão apresentados em Belém nos dias 18 e 19 de março na Conferência Regional. Vai ser realizado no Centro de Estudos da Amazônia, prédio que fica por trás do centro de pós- graduação, próximo à Rádio e TV Universitária, no campus Marco Zero da UNFAP.

SESC ATRASA SHOW

ana_martelMuita gente saiu sem assistir ao show da excelente cantora amapaense Ana Martel na terça-feira, no SESC  Centro. A proposta do velho “Projeto Botequim” em iniciar sempre às 21h00 parece ter sido deixada de lado, pois sempre os shows agendados começam com mais de duas horas de atraso, como nesse caso.

Não é a primeira vez que ouço reclamarem do atraso, por se tratar de um dia do início da semana e as pessoas terem que trabalhar no dia seguinte. Parece que o atraso é proposital e que querem é mesmo vender bebida. Ora, depois dizem que não são prestigiados.

ARQUEOLOGIA DA AMAZÔNIA

Ocorreu na quarta-feira a cerimônia de lançamento do curso de especialização em Patrimônio Arqueológico da Amazônia. O curso da UEAP vai funcionar com a parceria do IEPA, que há tempos desenvolve estudos arqueológicos no Estado, a Superintendência Regional do IPHAN/AP, ligada ao MINC e o Ministério Público do Estado, por meio da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, Conflitos Agrários, Habitação e Urbanismo da Comarca de Macapá.

Um curso desses estava mais do que na hora para formar profissionais que possam estudar nossas origens. E elas estão até mesmo à flor da terra (em forma urnas e outros artefatos indígenas) à espera de interpretação científica nos milhares de sítios arqueológicos encontrados em toda a área do Estado. Direcionem os estudos para o rio Matapi e verão.

RESULTADO

Hoje, por determinação judicial, abrirão os envelopes que faltam para completar a pontuação das escolas do grupo especial do carnaval.

Pelo que tudo indica vai ter ainda muita confusão com o resultado que, se der Piratas da Batucada já vem com a acusação de fraude por compra de jurados. Muita água suja ainda vai rolar embaixo da ponte do copala. Heraldo Almeida e outros escudeiros dos Boêmios do Laguinho estão de olho. Vamos conferir.

ZUNIDOR

Vem por aí o I Festival de Chorinho do Amapá.

Professor Manoel Pinto, da UNIFAP ganhou bolsa do Governo Francês para cursar seu pós-doutorado na Guiana Francesa. Vai em dezembro.

Professor Jadson Porto, que chegou recentemente de Portugal informa que de 19 a 23 de abril estarão abertas as inscrições para firmação de acordo técnico entre a Universidade de Lisboa e instituições brasileiras de Arquitetura, de língua portuguesa.

lolito_helida_fcanto O blog da Hélida Pennafort está sempre cheio de novidades. (Foto: Lolito do Bandolin,

oneide bastos nair_2

Pessoal dos Cometas em peso no show em homenagem a Sebastião Mont’Alverne.Tia Nair e Oneide Bastos como sempre dão show.

Fortaleza de São José iniciou vasta programação para comemorar os 228 anos de fundação. Exposições, projeções de filmes e palestras marcam os eventos.

nonato_paracy Nonato Leal, sua esposa Paracy e família estão sempre prestigiando os acontecimentos musicais da cidade com suas simpáticas presenças.

O MINTEG disponibilizou ao Banco de Objetos Educacionais do MEC o programa digital desenvolvido pelo professor Rafael Pontes Lima que trabalha com a síndrome de Dow.

Fernando_Marlucio Serrano Quem esteve em Macapá foi o empresário Marlúcio Serrano.

carlos orlando_fernando Carlos Orlando, advogado e escritor prepara lançamento de novo livro de literatura de cordel.

Deusdeth Nessas itinerâncias por aí encontro o veterano baterista Deusdeth Barbosa, irmão do Píndaro, que tocou nos Mocambos e no Embalo 7, na década de 70.

ze antonio japones Zé Antonio, o Japonês não abre mão de usar camisas da griffe da Tica Lemos.

Muito bom o espetáculo da Marilene Azevedo no Carinhoso.

Será no dia 30 de março o lançamento do livro “Adoradores do Sol”. No monumento Marco Zero do Equador.

Inderê! Volto zunindo na sexta.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A MULHER E A DÁDIVA DA CHUVA

Publicado no jornal “A Gazeta” de domingo 07.03.2010.

rosa Chove em Macapá neste amanhecer de pétalas caídas nos jardins. Ondas verticais fustigam a pobreza das ruas, alagam o oco das pedras e atiçam o furor do céu, onde deuses cavalgam atônitos em busca das últimas estrelas que o firmamento esconde nesta época de nimbos. Uma dádiva esta chuva. É uma faca que golpeia o rastro dos caracóis e que retarda o vôo das aves migratórias. Uma chuva é uma caba colossal dona de seu próprio vôo que procura sobre a terra o segredo do veneno perdido na face espelhada das lamas matinais Uma chuva é um dom de Deus na relativa necessidade de quem a almeja. E assim eu te quero, chuva, hoje mais do que nunca, porque és elemento da minha paisagem cotidiana, cenário da transformação do meu amor e indubitável perfume que cai suavemente sobre nós, sobre eu e ela, a mulher da minha vida.

Mulher que chove aos cântaros quando envidraça a escuridão dos teus sentidos, mulher que arde - absolutamente chama - sem o consumir do fogo. E chama a oceânica vontade do teu ser plural no sexo espumoso que especula degredos, inda que guardando segredos indizíveis na semente do tucumã, fruta ancestral. Mítica mulher que habita a cavidade dos sonhos enredados e abre as portas para o resoluto amor. Inexorável és como as calvas cúpulas da serra do Tumucumaque, a cobra adormecida, a morada dos alados seres que nunca estilhaçaram o gelo inexistente no teu dorso. Reserva-te ao direito de seres como Mitaraka, ó mulher, a montanha em forma de gente, observada pelos invasores de tua curta solidão, que chegam com o vento em indizíveis tropéis alucinantes. Ora podes ser um arquipélago. Uma teia abissal de ilhas perdidas no oceano, ilhas que bailam e que dançam sob a música dramática dos dias da civilização. Ora podes ser também a mãe orgulhosa do fulgor das vozes e o relâmpago capaz dessa esperança. Talvez até no sol que invade a tua garganta com sua luz vertiginosa das manhãs cênicas do Bailique tu podes transformar-te, ó mulher.

Eu amo o teu estuário de loucura e a generosidade das águas que em ti moram e louvo o bailado das ondas fulgurantes e o esplendor das estações que existem em ti. Amo, sim, pois és a chibata que açoita os pesadelos, o sustentáculo que abriga bons augúrios, a flor, o jardim e a raiz das plantas crescidas no sabor da aurora, esta que invade nossa casa sem precisar pedir licença. Eu amo o teu cabelo e o magnetismo depositado na escova, assim como as páginas viradas de um livro que relemos rindo. E ali no canto do banheiro talvez uma sandália virada espere teus pés para que calces novos planos e andes na direção do oriente. Nossos livros e telas, vinhos e cds flutuam sobre uma lona azul-turquesa, e estão lá, junto aos amigos, estes que cerzem o que rasgamos no passado, inquilinos que são da nossa vida para sempre.

Agora me despeço. Eu vivo a luz e a sombra da mulher que esbraveja o verbo e absorve a vida. Eu observo a mão que trata a argila do manancial diário das notícias da família, eu voo vaga-lume perto deste refletor iluminante, lâmina certeira, mulher dadivosa de chuva, enfeitada de estrelas e de andaimes, amante inconclusa da minha vontade.

Agora sim, eu me despeço inundado de poesia, sobre a mesa posta que abriga somente o pão quentinho e o aroma do café que tomamos juntos quando o dia chega. Eu me despeço naufragado na ternura dos teus olhos cuidadosos, enquanto a chuva, lá fora, lava almas e plantas e espera o sol brilhar para todas as mulheres que trabalham, sofrem e amam nesta terra salpicada de luz do equador.

sábado, 6 de março de 2010

COLUNA CANTO DA AMAZÔNIA

Publicada no jornal “A Gazeta”, de 05/03/10

DIA DA MULHER

O grupo de estudantes da UNIFAP, que coordena a II Semana Universitária da Mulher vai cumprir uma extensa programação a partir de segunda-feira, dia 8 de março, Dia da Mulher, até dia 11, com a mesa-redonda “Mulheres negras na história, nos espaços de poder e nos movimentos étnico-raciais”.

A segunda-feira começa com uma caminhada. À noite abrem os trabalhos com a conferência “As mulheres como sujeitos sociais e políticos – contribuições para pensar a ação política na busca de equidade”, no anfiteatro do campus Marco Zero.

DIA DA MULHER 2

A terça-feira, 09, Será marcada por uma série de mini-cursos, palestras, mesas-redondas e painéis sobre direitos, relações de gênero e avanços e conquistas nas áreas da saúde, sindicalismo, sexualidade, mercado de trabalho, reprodução e violência.

A questão política é um dos recortes mais frequentes na programação. Por isso deverá contar com ampla participação de interessados(as) no assunto, neste ano eleitoral que começa a tomar forma.

CAUSOS MÉDICOS

Dr_João Barata Com doze anos exercendo a medicina, o Dr. João Barata, da Unimed, pretende brevemente organizar e publicar um livro que retrate os “causos” vividos por ele. Os casos, segundo o médico, serão contados com muito humor.

Recentemente ele estava de plantão quando apareceu um casal no consultório. O rapaz de paletó e a moça vestida de noiva. Ela grávida, teve rompida a bolsa no momento do “sim”.

SAMBA NA MEDIDA

É hoje no Carinhoso Bar Teatro o esperado show “Samba na Medida Certa”, da cantora laguinense Marilene Azevedo, com a participação de conhecidos instrumentistas da cidade.

A artista integrou por longo tempo o Grupo Musical Pilão, gravando com ele os CDs “Nas Marés do Tempo” e “Trevelê”. Também participou dos grupos de dança Afro Bakará e Yalodes, que têm em seus repertórios músicas africanas e brasileiras. Passa lá.

PAU BRASIL

Durante as comemorações dos 500 anos da descoberta do Brasil o Governo Federal encaminhou para o Amapá 10 mil mudas de pau brasil para serem distribuídas nas escolas e plantadas em praças e logradouros públicos.

Pelo que se sabe do total restam apenas seis, plantadas na Praça da Bandeira. As outras, remanescentes, estão nos terrenos de quem comandava a área de meio ambiente da época.

Lembro de quando existia apenas um exemplar dessa espécie em Macapá. Ficava na frente do Grupo Escolar Barão do Rio Branco, esmirrada e frágil, em uma cerca de madeira.

SHOW NA CASA DE CHORO

Quem se apresenta hoje na casa do Choro do Ceará da Cuíca é o cantor paraense Nilson Chaves.

Nilson vai receber os convidados amapaenses Joãozinho Gomes (seu parceiro de longa data), Enrico de Micelis e Ana Martel, que gravaram recentemente os CDs Amazônica Elegância e Sou Ana.

PRAÇA DO BARÃO

Praça Barão do Rio Branco4 Já não é hora da Prefeitura de Macapá dar uma ajeitada na Praça do Barão, ali em frente aos Correios?

A Praça virou um campo de peladas de marmanjos que não respeitam os passantes. Que tal dar a esse nobre local outro destino como um bosque temático-ecológico no centro da cidade, ou um empreendimento cultural ou turístico que traga benefícios sociais para os munícipes.

A questão não é só preservar os lugares da memória, mas tratá-los enquanto lugares de relação com a memória e com a identidade. A dinamicidade do processo urbano não mais comporta espaços ociosos só para o aproveitamento de pequenos e inexpressivos grupos. É hora de embelezar a cidade, mas com aparatos urbanos condignos.

MAQUIAGEM DOS PEIXES

Com a proximidade da Semana Santa, quando a produção de peixe está em alta e é grande a demanda da população, muita gente age de forma desonesta para vender até o que não presta.

Não sei bem como é que os malandros fazem por aqui, mas o Fernando Bedran me contou que no Ver-O-Peso havia uma dupla de irmãos moradores da “Toca do Morcego”, apelidados de “Malcriado” e “Malouvido”, que fazia o seguinte: compravam os peixes estragados dos canoeiros; passavam urucu nas guelras para mostrar que eram frescos; escovavam os dentes deles com sangue e passavam colírio Moura Brasil para cristalizar os olhos. De quebra enchiam o peitoral do xaréu com algodão do gelo para tufar o peixe. Só depois que os incautos apareciam, mas já era tarde.

ZUNIDOR

O antigo prédio da Rádio Educadora, que depois virou a oficina da gráfica São José, na Leopoldo Machado, está pichado (pichado não, parece até logomarca de empresa) há meses com suásticas. É de se especular: tem ou não tem nazistas por aqui?

Maestro Manoel Cordeiro, cantor Zé Miguel e a jornalista Márcia Corrêa estão com projeto de um programa cultural na TV Rede Vida. Cordeiro quer reeditar o “Vertentes Amazônicas” em novo formato. Padre Aldenor já está satisfeito.

Olivar Cunha me manda fotos das imagens de santos que restaurou em Vitória-ES. É de uma igrejinha do interior. Perfeito.

O IBGE lançou na terça-feira a segunda edição do manual técnico em Geomorfologia, utilizado como uma referência pelo Instituto para mapear o relevo brasileiro, com informações e conceitos que orientam o trabalho em todas as regiões do país. Coisa super-fina.

Ontem aniversariou meu irmão Eduardo Canto, companheiro de música e de vida no Grupo Pilão. Parabéns e muitas felicidades junto à família. Longa vida.

Será no dia 30 de março o lançamento do livro “Adoradores do Sol”. Inderê.

Volto zunindo na sexta.

sexta-feira, 5 de março de 2010

É BIG! É BIG!

Caricatura Parabéns e felicidades ao meu irmão Eduardo Canto que aniversaria hoje. (Caricatura de Fernando Canto. 2002)

segunda-feira, 1 de março de 2010

É BIG! É BIG!

EXIF_IMG  EXIF_IMG Hoje é aniversário de minha nora Cristiana. Esposa de meu filho Lènio e mãe de meus netos Leonardo e Amanda. Hoje a familia enfeita o blog.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

CONTRABANDO DAS ÁGUAS DO AMAZONAS

    Com tanta onda que se faz agora sobre os navios estrangeiros que supostamente entram no rio Amazonas para embarcar água, peço licença para mostrar abaixo uma música que fiz sobre o assunto em 2003, há sete anos, portanto.
  No texto poético tento dizer da angústia que quem vai arrebatado. Não é só a pequena fauna fluvial, minérios, microorganismos que vão. Somem, sobretudo, nossos seres míticos, nossas raízes mais puras. Então o encanto se quebra, fica apenas a saudade trocada por presentes, que quem recebe cala a boca e acena com a mão do adeus para sempre.
   Infelizmente a denúncia não pôde chegar a tempo porque a música ainda não foi gravada.

ROUBO DAS ÁGUAS

Letra e música de Fernando Canto

O que vem lá, hem?
O que vem lá, hem?
Sob as colinas
Que dormem em silêncio
Nasce a cobiça dos homens desertos
Nas águas que jorram
Do fundo da fonte
E o aceno da mão deixa ir (bis)

O que vem lá, hem?
O que vai lá, hem?
São almas que partem
Tragadas da terra
Por seres armados
De sede e de ranço
São almas sofridas
Embarcadas à força
Que o aceno da mão deixa ir (bis)

O que vem lá, hem?
O que vai lá, hem?
O que vai lá, o que vai lá?

Mata, mata minha sede
Que vontade de cantar
O anel que tu me deste
Está na mão para acenar
O que vem lá, hem?
O que vem lá?

Foto: Sonia Canto

A RUA E A BICICLETA

Publicado no jornal “A Gazeta” de domingo, 28/10/2009

orla_bicicleta Naquela rua a garotada andava livre e desatenta com suas bicicletas descascadas. Não havia a noção do perigo e a responsabilidade passava longe de todos. A gente circulava e voava contra o vento, descendo a ladeira e se exibindo para uma platéia quase inexistente.

A rua São José soltava piçarras em seu dorso naqueles dias de verão. Até um carro mal dirigido podia derrapar e ir direto para o bueiro que ficava no fundo da ladeira e conduzia as águas da maré para o antigo lago do Poço do Mato. Ali muita gente também caiu no período das chuvas, quando tentava se livrar dos profundos sulcos produzidos pelas águas pluviais no meio da rua. Um primo meu estreou sua bicicleta nova após o Natal com uma queda que lhe deixou marcas indeléveis pelo corpo. Meu pai desviou de um cachorro e caiu com sua merckswiss de dois varões no igarapé em frente à casa do seu Mobelino Lobato. O saudoso Edir Peres encostava o peito no guidon, abria os braços e descia a ladeira a toda velocidade. Mas um dia teve que parar para colocar o gesso no braço quebrado. Subir até o topo, na esquina com a Nações Unidas, era um ato de esforço e de satisfação, dada a condição íngreme da área. Era proeza que poucos adolescentes podiam realizar. E adultos também.

A paisagem macapaense é inconcebível sem a bicicleta: famílias inteiras se servem dela para as mais diversas atividades. E ainda é comum observar na periferia o pai pedalando, com o bebê na cadeirinha, a mulher na garupa segurando o filho menor com uma das mãos e na outra um guarda-chuva colorido da zona franca. O uso da bicicleta tornou-se comum porque nossa cidade é plana na maior parte do seu território. E também porque tudo era relativamente perto. Mas por ser tão comum, e tendo um bom valor, era um sonho de consumo de muita gente e objeto de desejo dos amigos do alheio. Tanto que as delegacias ficavam cheias de “charangas” e “maricotas” à espera de seus donos com as respectivas notas fiscais, quando a polícia desbaratava uma quadrilha de desmonte. Houve um tempo em que elas eram obrigadas a ter placas com numeração oficial, faróis, freios, campainhas e a obedecer ao Código de Trânsito Brasileiro, sob pena de pagar multas.

Inesquecível para mim é a silhueta de uma bicicleta com um casal de namorados na contraluz do sol poente. Inolvidável os grossos pingos das chuvas de verão batendo violentamente no peito na volta famélica do colégio perto do meio-dia. Mas todo esse romantismo se desfaz como fumaça ao vento forte quando a voz boleriana do rádio informa mais uma morte de um ciclista no trânsito. Imprudência, desatenção, ousadia? Culpa de quem? Como cidadão, tenho que saber as respostas e tentar contribuir para que isso não passe mais a acontecer. Mas fica um gosto de limão e sal na boca que só pode ser removido com uma boa dose de brisa na Beira-Rio.

QUEM NÃO SE EXTINGUE SEMPRE RESPINGA

major_albino Olha só que apareceu no bar do Abreu: Albino Sousa, Jacaré para os amigos. Albino passou dois anos no Rio Grande do Sul exilado do sol equatorial. Por aqui foi Secretário de Estado da Administração, Chefe da Imprensa oficial e assessor do governador, entre outros cargos. É funcionário do Incra e morador do Laguinho. Na foto com Major, também do Incra.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

COLUNA CANTO DA AMAZÔNIA

Publicada no jornal “A Gazeta” de 26/02/10

SEBASTIÃO

zeca_montalverne É hoje a grande homenagem que o Centro de Cultura Pura Raiz faz ao violonista Sebastião Mont’Alverne. Quem convida é o produtor cultural Ceará da Cuíca, que vai preparar um belo espetáculo na Casa do Chorinho, ali na Avenida Piauí.

Zeca, como é chamado pelos amigos, esteve impossibilitado de tocar por alguns meses por conta de uma cirurgia na mão. No show deverão se apresentar com velhos parceiros que com ele fizeram uma trajetória pioneira na música amapaense.

O artista tocou com grandes músicos brasileiros como Sebastião tapajós e Paulo Porto Alegre, foi diretor da escola de Música Walkíria Lima e guitarrista do conjunto “Os Cometas”. O show promete ser bom.

DIVULGAÇÃO DO “TEIA CULTURAL”

tob_ A SECULT prepara para o início de março uma ampla campanha de divulgação do projeto “Teia Cultural”, aprovada na quarta-feira passada pelo Governo do Estado. Começará pelo rádio no dia primeiro de março e em seguida será veiculada em jornais, na televisão, out-door, faixas, cartazes, banners e folders.

Visa levar um grande público a participar das atividades do projeto, que se estende como uma teia em vários segmentos artísticos, aos municípios de Macapá e Santana, já que a experiência nos outros não foi satisfatória, segundo o Diretor de Cultura, Tob Maciel.

O projeto vinha sendo executado no Teatro das Bacabeiras e no Largo dos Inocentes, no centro da cidade, mesmo assim, devido o carnaval, com pouco afluxo de público. Finaliza até 30 de abril.

MESTRADOS

O resultado final dos mestrados em Ciências da Saúde e de Desenvolvimento regional Integrado da UNIFAP sairá no dia 10 de março. Os dois ainda prosseguem em suas etapas eliminatórias. Hoje está sendo realizada a prova de conhecimentos teóricos do Minteg e as entrevistas serão nos dias 08 e 09.

Dezenas de pessoas se inscreveram aos dois cursos, sendo que o Minteg realiza seu segundo processo seletivo este ano.

DIÁLOGO NO ABREU

Zonassulista dono da verdade: - A fantasia da escola de vocês eram todas iguais. Zonanortisa malandro argumentando: - Mas o enredo não trazia uma tribo de índios? Zonassulista meio atordoado: - Ah sim, agora entendi.

LANÇAMENTO

Amanhã às 19h00 a professora Benedita Celeste Moraes Pinto, da Universidade Federal do Pará, lança na Escola Estadual Guanabara o livro “Filhos da Mata – Práticas Tradicionais em Comunidades Quilombolas” (Ed. Açaí, Belém, 2009), resultado de dissertação de mestrado em História e uma cartilha didática sobre a história de um quilombo denominado Mola, localizado no interior do município de Cametá, do Pará.

Atualmente a autora realiza outros trabalhos de pesquisa em comunidades quilombolas do Maranhão e do Pará, sendo uma referência dos estudos da área. Ela foi orientadora no mestrado em História daquela IFES da historiadora Decleoma Lobato, que está coordenando o lançamento. A obra é imperdível para quem atua nessa linha de pesquisa.

CULTURA POPULAR

Josefa Lau, a dona Zefinha de Mazagão, acaba de ser contemplada pelo Ministério da Cultura com o prêmio Mestres da Cultura Popular. Vai receber R$10 mil e o reconhecimento do Governo Federal pelo projeto que realizará com jovens mazaganenses. A mestra vai trabalhar com eles o resgate e a reconstituição do folclore daquele histórico município, como os pássaros juninos e outras manifestações que andaram quase esquecidas por lá.

Dona Joaquina Jacarandá, um grupo de Pastorinhas e o Grupo Canto Quilombola, também de Mazagão Velho, foram contemplados pelo MinC e vão receber a mesma quantia.

Já se começa a respirar aliviado pelo interesse, mesmo tardio, demonstrado na recuperação da cultura pelos próprios munícipes.

TROTE

trote_medicina_unifap Com tantos exemplos nada salutares de trotes que vêm de algumas universidades do sul do Brasil, a UNIFAP fez a recepção dos calouros de Medicina com o plantio de árvores em vários lugares do campus Marco Zero.

Os professores Eri, Jane e outros orientaram a primeira turma do curso a plantarem oitizeiros, alvineiras e diversas espécies de mudas, próprias para o sombreamento.

Quando estudei na UFPA vi muito esse tipo de coisa. Hoje, quando volto por lá, descubro e aplaudo uma paisagem bonita, modificada simplesmente pela troca da violência por uma atitude carinhosa e positiva.

ZUNIDOR

Tob Maciel informa à coluna que vem aí a segunda edição do projeto Jornada Cultural, com emenda parlamentar do deputado Milhomen no valor de mais de R$1 milhão.

marco_zero_ O fenômeno do equinócio de outono ocorrerá dia 20 de março.

Comentário maldoso no Calçadão do Valdir: - A camisa dos botafogueses só cheira a “canfurina”.

despojos_carnaval Ainda restam umas três alegorias das escolas de samba na área do sambódromo. Secretária Gláucia Maders tem razão: só fazem poluir visualmente o monumento Marco Zero do Equador. Vai tudo para o lixo. Lá tem até dragão cuspindo fogo.

Observadores dizem que as eleições da UNIFAP serão super-disputadas entre os professores Adalberto e Tavares. Outros, porém, acham que falta uma terceira candidatura, para suprir a retirada de Ricardo Ângelo e Alberto Tostes.

Meu São José já começa a dar o ar de sua graça. Primeiro foi a boa estreia do Tricolor do Laguinho no campeonato nacional; segundo: a festa do padroeiro, no dia 19 de março.

Está chegando, finalmente, os “Adoradores do Sol”. Inderê. Volto zunindo na sexta.

ESTRADA DO TEMPO

fernando_família_leite Época: 1970. Local: Casa da Dona Clotilde, Rua General Rondon, Bairro do Laguinho. Macapá-AP.
Fotógrafo (desconhecido)
Personagens:
Em pé: Neusa (empregada da Dona Clotilde, com a a garrafa de Flip Guaraná), Simone Menezes (ainda Leite, no pátio), Dona Clotilde (mãe do Major), Major (Luiz Antonio Leite), Ivete e Ivonete (irmãs do Major), Fernando Canto (com Gisele no colo).

Sentados: Guilherme Canto (meu primo, que está em Santarém), Nicomedes Cordeiro, João (primo do Nico), Vicente Arly, Celso e Anauto (irmãos do Major) e Rob Menezes (irmão da Simone e da Gisele, filhas do Menezes com a professora Ivone Leite Menezes).

EXPRESSÕES VOCABULARES DO LAGUINHO E ADJACÊNCIAS

        
            As expressões abaixo foram coletadas para que o povo do Laguinho possa prestar mais atenção na sua cultura. Apesar de pequeno, o bairro é muito disperso nas suas coisas, que precisam se adensar mais. Um exemplo disso é a forma característica de falar. Muitas expressões já estão no esquecimento ou desusadas. Essas aí são algumas que ainda se usam no dia-a-dia.
            Quem se lembrar de mais algumas dessas expressões laguinenses é só mandar como comentário para o blog. Vamos fazer um inventário da cultura laguinense (a começar pelo nome: laguinense ou laguinhense?)?

§  Tá mais pro meio-dia pra tarde do que pra de manhã
§  Athaf!
§  Tá mais sujo que cordão de amarrar pato.
§  Ele é do tempo da calça “tucandeira”.
§  Tá mais sujo do que pau de galinheiro
§  Teu xiri!
§  Tá, jacaré!
§  Tá, “cheroso!”
§  A cadeforno pegou fogo.
§  Tu acha isso bonito!?
§  Tá remando pra beira.
§   Assim como pode ser pode não ser.
§   Tu é o belo velho.
§  Te cuida, Isaías!
§  Esse peidado do juízo.
§   Paga uma aí.
§   Triste, parece um cachorro pirento.
§   Comeu farinha e arrotou camarão
§   Só te dou-te na cara.
§   É o Boêmi!
§   É o Boêmo!
§   Lai vem essa mucura velha já pra cá.
§   Não, é cuia...!
§  Não sei se vou pro cinema ou se tomo um litro do açaí do grosso.
§   Seu féla...!
§   Ah, um açaí com jabá!
§   Pissica da curicaca, desta vez tu não escapas.
§   Eu te benzo com a folha do comigo-ninguém-pode, desta vez tu te...
§   Vigia o que tu tás fazendo. Vigia bem.
§   Ei, “otaro, teu peixe caiu.
§   Lai vem esse “otaro” já pra cá.
§   Sai daí, seu painel de controle.
§   Mai já?
§   Aí ele tomou-lhe uma talagada.
§   Dessas uma.
§    Aqueles teus irmãos miudinhos...
§   Ah, uma gelada...
§   Esses moleques jitinhos, diz-que.
§   Esse aí é mais liso que jiju.
§   Tás ficando bilé?
§   Vou ali e vorto já, quando eu vortá eu venho.
§   Esqueci a chaleira no fogareiro.
§   Quero te dar um cheiro no cangote.
§   Ô morena!
§   Vê uma meiota aí.
§   Só vou te dar na lata.
§   O cara trouxe o c pra p.
§   Ah, eu num vô. Não me convidaram...!
§   Me disseram que tu tava falando de mim.
§   Cadê a minha camisa. Égua, só dão pros outros.
§   Esses pessoal...!
§   Só vou depois da chuva.
§   Tá, tapioca logo.
§   Humm! Tá muito metido! Só porque comprou um carro novo, se acha o próprio.
§   Preto é um gato!
§   Tá roubando poooouco lá na prefeitura!
§   Logo quem, não?!
§   Tás pensando que eu não sei que tu andas brincando de camone com o filho do compadre Macaiá.
§   Passa pra dentro menino.
§   Lá vem meu xerimbabo chegando.
§   Olha rapaz, eu fumo desde os doze anos e eu nunca morri...! Como é que tu queres que eu pare de fumar.
§   Bacana é o gato que não toma banho, mas tá o tempo todo limpo.
§    Tu achas?!
§   Pavulage não. É pouco.
§   Hi, a bandeira dele agora é outra!
§   Isso é muito enxirido!

    PERGUNTINHA PREOCUPADA, ENTREOUVIDA NUMA SEXTA-FEIRA À NOITE NO CALÇADÃO DO VALDIR

    - Será que a chapinha ajuda pra aumentar a camada de ozônio, mana?

    terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

    A INDIGNAÇÃO DE CLÁUDIA CHELALA

    Sobre covardia e covardes...

    Posto no blog o e-mail da professora Cláudia Chelala, pessoa ética a quem muito admiro, que foi vítima uma série de falatórios envolvendo seu nome nesse imbróglio das escolas de samba. Como o espaço é democrático e Cláudia é minha amiga, nada mais natural apoiá-la nesse momento de falta de luzes e de consenso. (F.C)

    _claudia_ A covardia está relacionada ao ânimo traiçoeiro, pusilanimidade, deslealdade, sordidez. Quando alguém ou um grupo de pessoas se prevalece de uma situação ou circunstância favorável sobre quem não tem condições equivalentes de defesa.

    Sou macapaense, tenho 42 anos e nasci no Bairro da Favela, sou economista com mestrado realizado na Universidade de Brasília e doutorado na Universidade Federal do Pará. Sou professora da Unifap, contribuindo para a formação de centenas de jovens do meu Estado e aonde há quase quatro anos exerço a função de Pró-Reitora de Administração e Planejamento. Sou mãe de dois rapazes, esposa de um homem admirável, filha, irmã, tia, madrinha e amiga de um grande número de pessoas que a minha profissão me deu a oportunidade de conhecer.

    Jamais tive meu nome vinculado a nenhuma agremiação partidária neste Estado e tampouco a nenhuma escola de samba, bloco de carnaval e sequer jamais fui ver a banda passar... Fui convidada para ser jurada do Carnaval 2010 justamente pelas características de imparcialidade com a qual busco me conduzir ante aos temas: partidos políticos e escolas de samba. Contudo e, para minha sorte, tive meu nome impugnado por razões que desconheço.

    Para minha surpresa, por conta de uma série de confusões ocorridas na apuração do Carnaval 2010, estou sendo vítima de sórdidos ataques de pessoas (porque não posso chamá-los de Homens) tentando macular minha biografia no sentido de vincular minha imagem a uma série de eventos que não fazem parte da minha vida como fraudes, subornos, má-fé, etc. Esse cenário de bandidagem expõem nitidamente o caráter (ou melhor, a ausência dele) daqueles que assacam contra mim, uma vez que eu não estive no Sambódromo, não julguei ninguém, e não há como sustentar uma trama eivada de covardia.

    A história tem reservado aos covardes um espaço inversamente proporcional as suas ações.

    Nós cidadãos amapaenses gostaríamos de ver o mesmo empenho extravagante que alguns expõem durante os dias de folia, por exemplo, em Brasília, na luta pela incorporação no quadro de funcionários da União de parcela dos servidores municipais. Tal feito desoneraria a Folha de Pagamentos da Prefeitura Municipal de Macapá, possibilitando um aumento de salários aos valorosos servidores da PMM.

    De igual maneira queremos segurança pública de verdade, em um Estado que se torna cada dia mais violento, ante a um serviço extremamente precário e divorciado das demandas sociais. Aproveito para solicitar ao Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil que observem a conduta de autoridades policiais que podem estar utilizando os veículos de comunicação para acusar inocentes sem provas.

    Quanto à parcela da imprensa marrom, é bom que ela exista. Assim é possível separar o joio do trigo. Isso só realça os profissionais de comunicação que estão verdadeiramente prestando serviços a sociedade, daqueles que eu sequer vou me ocupar em tecer comentários, em função de sua absoluta ausência de vértebras.

    A mim só resta agradecer as inúmeras mensagens de solidariedade de meus alunos, ex-alunos e colegas da Unifap, e dizer que estou processando judicialmente a todos que desferiram leviandades contra meu nome e a história de honradez e dignidade que construo dia-a-dia em todos os espaços que ocupo no meu Estado, e que não deixarei arranhar com um esdrúxulo e melancólico enredo de covardia.

    Cláudia Chelala

    domingo, 21 de fevereiro de 2010

    O JUIZ E O JOGO POLÍTICO

    Publicado no jornal “A Gazeta” de domingo, 21/02/10

    grego Pensando nas eleições deste ano no Brasil, e especialmente no Amapá, resolvi falar um pouco da cultura grega clássica, dos homens e mulheres que viveram entre os séculos V e VI a.C. na cidade grega de Atenas, chamada por Platão de Sophia. Essa palavra grega significa um tipo especial de sabedoria que une a teoria à prática, pois eles eram pessoas que filosofavam e praticavam o que pensavam, de acordo com a jornalista Ana Beatriz Magno.

    Os gregos encenavam tragédias, discursavam sobre a educação e tinham escolas para onde mandavam os meninos e praticavam a democracia com convicção. Magno informa que a cada doze meses sorteavam um quinto dos 40 mil cidadãos de Atenas para ocupar os principais cargos públicos. O sorteio acontecia na Ágora, um misto de praça, mercado e assembleia. Os mandatos eram renovados anualmente e ninguém podia permanecer no mesmo cargo. Segundo a autora, se você era juiz num momento, no outro podia ser soldado. As decisões importantes eram tomadas em grandes assembleias, realizadas mensalmente com a participação de todos os cidadãos. Todos em termos, diz a autora, pois a mesma Grécia clássica e heroica excluía mulheres e escravizava estrangeiros. Só os machos, adultos e livres podiam ser considerados cidadãos. Mas, apesar dos preconceitos, não se pode apagar o valor de um dos períodos mais férteis da humanidade. Eles também inventaram todo um cotidiano de práticas e prazeres, tais como as padarias, teatros, termas e os jogos olímpicos, estes sempre em homenagem a Zeus, em Atenas. E nunca em tempos de guerra. Os atletas competiam nus e qualquer pessoa podia assistir - menos as mulheres casadas. As desobedientes pagavam com a vida, jogadas do alto de uma rocha. Conta-se que só uma mulher rebelde, chamada Calipatira, foi perdoada, pois corajosamente invadiu a arena para abraçar o filho vitorioso.

    Por ser o clima muito seco e quente no verão e frio e úmido no inverno, Aristóteles, que foi discípulo de Platão e mestre de Alexandre, o Grande, sugere em um dos seus mais eruditos textos, “Os Meteorológicos”, que a ascensão e a queda de grupos políticos e militares da Grécia eram determinadas pelas mudanças do clima.

    Mas embora saibamos que o determinismo geográfico é uma teoria etnocêntrica, sentimos no ar um clima variante e sempre cheio de factóides e verdades na Sophia amapaense. O mercúrio fica dilatando e retraindo em todos os termômetros políticos; partidos e candidatos dançam a valsa dessa oscilação; o povo anda ofegante, na expectativa das decisões.

    gov waldezÉ que vão começar as olimpíadas da política amapaense. Porém, quem apitará o primeiro jogo é o governador. Ele é o dono do apito e do cronômetro. Tudo depende de sua decisão, mas ainda não levantou o braço, apenas adverte os jogadores, dizendo que eles poderão ser penalizados se transgredirem as regras. A tensão é muito grande. Até as torcidas, na Ágora, reclamam, ainda que curiosamente não ofendam o árbitro. Os nossos atletas também estão nus, por enquanto despidos de suas vaidades. São gregos, troianos e bárbaros, ávidos para iniciar seus esforços. Mas não dá. O árbitro não apita, apenas olha o cronômetro.

    Mulheres, velhos e adolescentes levantam-se em “ola” na torcida. Parecem mais aborrecidos quando o locutor anuncia que haverá um “minuto de silêncio”. Então protestam. Ora, todos são cidadãos, não mais como na democracia grega.

    Finalmente parece que vai começar. Mas um relâmpago anuncia a trovoada, que vem seguida de um toró amazônico sem igual. O clima fica meio frio, a água alagou o campo. Todos vão embora junto com a luz, pois o sistema elétrico do local ficou danificado.

    No campo, entre a iluminação dos relâmpagos e raios, ficam os jogadores e o juiz, congelados, até o recomeço do jogo no dia seguinte. Mas só o juiz sabe que depois do jogo não poderá mais permanecer no mesmo cargo. Será um soldado ou um general nessa partida da cidadania.

    sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

    RÁDIO UNIVERSITÁRIA - UNIFAP

    Cenas da Inauguração

    HPIM5759   HPIM5749
    HPIM5748   HPIM5751
    HPIM5761   HPIM5773
    HPIM5815   HPIM5819

    COLUNA CANTO DA AMAZÔNIA

    CASTRO ALVES

    francisca_fav O radialista César Bernardo levou-me à casa da deputada Francisca Favacho, sua vizinha, para conversar sobre o seu projeto de mudança de nome da escola Castro Alves. A deputada estava preocupada com a repercussão negativ a dessa mudança e precisava tomar a decisão de ir ou não em frente. Parentes, amigos e correligionários comemoravam a festa de seu aniversário. Ela me explicou que a sua atitude foi em função de um abaixo-assinado de mais de mil assinaturas coletadas pelos interessados na mudança.

    Creio agora que a simpática parlamentar deverá rever o projeto, tendo em vista inaugurações de outras escolas, das quais uma pode ter o nome da professora Ivone, sem que para isso se tire a homenagem do povo amapaense a um dos maiores poetas da língua pátria. (Foto: www.correaneto.com.br)

    GÁS DE PIMENTA

    apuracao Antigamente a truculência da polícia estava em atacar o povo com cavalo e cassetetes. Hoje, mais moderna, ataca com spray de pimenta e nem quer saber das conseqüências. No episódio de quarta-feira de cinzas no sambódromo foi reeditada a mesma ação de uns cinco anos atrás, quando “pintaram com sabão” a pista da Ivaldo Veras e não deixaram as outras escolas desfilarem.

    Vi muita criança sair chorando, procurando água para lavar os olhos, porque o gás se espalhou pelo local. Ao comentar com o deputado Dalton Martins, que é médico, ele me falou que isso é muito perigoso para pessoas que têm alergia. Pode até matar.

    CARNAVAL E JULGAMENTO

    Ridículas as notas dos jurados do desfile das escolas de samba. Se pudessem, os “organizadores” deveriam colocar crianças para julgar com a pureza e sensibilidade próprias delas.

    Em último caso, já prevendo a corrupção, poderiam fazer como no caso de Al Capone que só foi condenado e preso quando o chefe dos “Intocáveis” sugeriu ao juiz que trocasse o júri do tribunal do lado, sob pena do mesmo ser categorizado também como corrupto, caso os advogados do mafioso conseguissem que ele escapasse ileso no julgamento.

    HORA DE REPENSAR

    No Sambódromo havia comentários de toda ordem sobre o tal resultado e o descaramento dos jurados. Uns querem que os jurados sejam importados do Rio, outros que o carnaval vá para a zona norte, que os blocos desfilem na Beira-Rio, etc.

    O mais importante, acho, é repensar o carnaval, pois o que acontece nos blocos é reflexo do que acontece nas escolas de samba. E o que acontece nelas é o reflexo de governos que vêm deixando suas mãos tentaculares em todas as instituições amapaenses, através do tráfico de influência e do abuso de poder.

    O gasto de milhões de reais como apoio ao carnaval demonstra o interesse dos poderes executivos em fomentar a cultura. Só que a cultura não pode ficar nas mãos de gente tão irresponsável.

    NOMES APROPRIADOS

    Comentaram também que está provado que quem ganha o carnaval no Amapá tem que ser bandido da pior espécie. A escola que usa o nome de piratão tem esse símbolo pirateado de uma garrafa de rum, cópia mesmo. Mas quem quiser ver o seu verdadeiro significado é só abrir o dicionário Aurélio.

    Nos blocos da LIBA, ganhou o famigerado “Mancha Negra”, um bandido perigoso dos quadrinhos de Walt Disney, arquiinimigo do Mickey Mouse.

    A BANDA

    banda_2010 Macapá já está pequena para o bloco de sujos “A Banda”. Quem se dispor a observar isso sem tirar a boca do copo vai ver que os “sujos” se dividem no trajeto por todas as praças. Mesmo cansados eles não desistem e se infiltram por todas as ruas e avenidas.

    No processo de repensar o carnaval, deve-se olhar A Banda com carinho para evitar burocracia e permitir a criatividade dos brincantes.

    ALA NO LIXO

    Uma ala inteira da escola Jardim Felicidade teve o azar de ver sua fantasia triturada por um caminhão de lixo.

    Deixaram uma caixa com as fantasias na calçada de um comércio do bairro, o gari pensou que era lixo e a arredou para a beira da rua. O caminhão coletor passou e triturou tudo. Sobraram gritos de desespero.

    ZUNIDOR

    boemios_10 Depois da revolução estética imposta pelos Boêmios do Laguinho, que primaram pela beleza plástica das fantasias e alegorias, falta agora fazer uma revolução moral para acabar de vez com as antigas e perniciosas práticas de dirigentes de certas escolas de samba. Não há quem não tenha se sentido envergonhado com o que houve na apuração. Muito justa e bem argumentada a proposta do presidente Vicente Cruz. Se ele aceitasse a abertura dos envelopes restante com certeza a AUSBL teria perdido ou poderia até ser rebaixada, tanto foi a “onda”.

    Hoje inaugura o prédio da Rádio Universitária FM, 96,9. Uma realidade da Universidade Federal do Amapá. Será às 17h00 no campus Marco Zero do Equador. Professor Tavares, reitor da IFES, presidirá a solenidade.

    Vice-governador Pedro Paulo, participante do bloco “Carroça do Abreu”, está firme na decisão de se candidatar. Diz que trabalha para isso.

    bombadagua Esses jurados de blocos não entendem nada mesmo de criatividade. Todo ano o Kubalança, o mais irreverente dos blocos, é penalizado nesse item. E todo mundo sabe que o bloco é o mais criativo da cidade.

    A Polícia Militar trabalhou direitinho no carnaval. Com ostentação e serenidade evitou muitos acontecimentos desagradáveis entre os foliões.

    juvenal_canto Aniversaria amanhã o meu irmão Juvenal Antonio Canto, companheiro de 35 anos do Grupo Pilão. Felicidades.

    Já está chegando o livro “Adoradores do Sol”.

    Inderê. Volto zunindo na sexta.