domingo, 12 de junho de 2011

Coluna Canto da Amazônia ZUNIDOR

Ari_deise_jamil_03012010Smiley tristeA morte de Arimatheia deixa um vazio cultural imenso e muitas saudades nos corações dos amigos. Ele que era um dos maiores entusiastas do bloco carnavalesco “A Banda” e do “Reivellon do Xodó”. Ari foi Procurador Geral do Estado e Secretário de Segurança Pública em governos diferentes. Deixou o boneco gigante Arizinho, que vinha do Igarapé das Mulheres (hoje bairro Perpétuo Socorro), onde morava, para se integrar à banda na Praça Veiga Cabral na terça-feira Gorda.

Polegar para cima O Grupo PET-Física realizará de 27 junho a 01 de julho o I Minicurso de Férias de Física, evento voltado para acadêmicos de Física, Matemática, Engenharias e de áreas afins, visando uma abordagem objetiva de temas de grande relevância para graduandos e graduados nas referidas áreas, interessados em ampliar seus campos de conhecimentos em métodos matemáticos aplicados a problemas físicos.

Estrela A Chapa 04 “A UNIFAP que queremos” do DCE ganhou as eleições para o biênio 2011-2013. Dentre os projetos de campanha estão: a luta por um plano Diretor para a IFES; implantação do Orçamento Participativo para a Comunidade Acadêmica; por projetos de Pesquisa e Extensão Universitária, debates sobre o REUNI, por uma verdadeira Assistência Estudantil; por um Restaurante Universitário de qualidade; pela defesa de uma sociedade mais justa e igualitária e por acadêmicos que defendam as bandeiras de luta dos estudantes no CONSU.

luiz melo_2006Bolo de aniversário Na terça-feira, 07, a Rádio Diário FM fez um ano de atividades. Comemorou com uma vasta programação sócio-cultural na praça do barão neste sábado, 11.06. Aqui vão os parabéns e votos de longa vida à emissora e ao seu idealizador, jornalista Luís Melo e equipe.

 livro ivan carloPolegar para cima No 4º Banquete Literário do SESC haverá o lançamento do livro “O Roteiro nas Histórias em Quadrinhos, do escritor e professor Ivan Carlo Andrade de Oliveira, dia 17 de junho no SESC Centro.

Bola de futebol A torcida organizada Amapafogo realiza no dia 23 de junho no Macapá Hotel a suculenta (Suculenta? Sim. Que tem suco ou sumo, sumarenta, gorda, que tem chorume, errrgh!) feijoada “Feijão no Fogo”, com a presença do presidente do Botafogo Futebol de Regatas, Maurício Assumpção e diretores do clube.

john scott_celso rabeloPolegar para cima O radialista John Scott, que ora substitui Ranolfo Gato no programa “Argumentos” na Rádio Difusora, juntamente com o sonoplasta Celso Rabelo fez entrevista com o Grupo Pilão, contando a trajetória do grupo que fará 36 anos de contribuição para o reconhecimento da música regional e do folclore amapaense.

ranielly_fer_nataliaRindo Foi muito bacana o seminário sobre “Literatura Amazônica/amapaense: interação com os nossos escritores”, organizado pelo professor Maneca, com apresentação de diversos trabalhos dos alunos, na semana passada, na UNIFAP. Destaco o trabalho das alunas Natália Braga e Ranielly Pena.

Bolo de aniversário Bolo de aniversário Meus parceiros de longa data, os compositores/cantores Bi Trindade e Osmar Júnior estão mudando a casca da pele/idade, respectivamente nos dias 09 e 14 de junho. Bi ultrapassou a barreira dos 60 e Osmar só Deus sabe. Do fundão do coração desejo a eles um “É Big!” carinhoso e uma longa vida sem stressssssss.

Smiley piscando Vai um Inderê para meu amigo Renato Rocha que também entrou na casa dos doze “lustros”, como diz o Luís Bezerra. E também para o Tadeu Pelaes, que ainda viaja em “Devaneio, girando, girando, descobrindo a solidão”.

Taça de Martini Inderê! Volto zunindo na semana que vem.

Coluna Canto da Amazônia - TRINTA ANOS DO MACAPÁ VERÃO

MACAPÁ VERÃO 2007Prestes a começarem as férias de julho, ninguém sequer ouve falar no tradicional programa Macapá Verão, que vai completar trinta anos de atividades. É possível que as chuvas que desabam na cidade façam muita gente se esquecer do evento, que é gerador de milhares de empregos, que aquece a economia e dá aquele ar de jovialidade nos habitantes de Macapá.

Entretanto, os balneários como Fazendinha e Curiaú, locais antes aprazíveis para as famílias e turistas, ainda estão sujos, sem pintura e sem frequencia, devido à ausência do poder público e, talvez, ao alto custo dos produtos ofertados pelos bares e restaurantes locais. Esses preços parecem ser tabelados, principalmente em Fazendinha onde se encontra o famoso “camarão no bafo”, como em um cartel, de onde não se tem como escapar. E cadê o Procon?

TRINTA ANOS DO MACAPÁ VERÃO 2

macapá verão 2008O programa existe desde 1981 e iniciou em Fazendinha como uma promoção do antigo Departamento de Turismo da SEPLAN, na época dirigido pelo turismólogo pernambucano Flávio Zírpolli, e foi amplamente criticado por setores políticos contrários ao governo de Annibal Barcellos, o último governador da era da ditadura militar.

Depois que a coordenação passou para a Prefeitura de Macapá, ampliou-se por todo o município e exigiu-se um grande aparato técnico e financeiro para a sua execução, dada a necessidade de contratação de sonorizações e artistas de diversos segmentos. Muitos deles ainda reclamam do não-pagamento pelos seus trabalhos realizados no ano passado.

E foi no ano passado que alguém teve a infelicidade de mudar o nome do tradicional evento para “Festa do Sol”, um nome trivial de vários eventos nas praias do nordeste (Sobral, Fortaleza, etc.). Pura falta de criatividade e de compromisso com as coisas da terra. O tipo da coisa de quem quer apagar da história o que os outros construíram a duras penas. Coisa de bajulador profissional. Só resta esperar para ver se o Macapá Verão vai acontecer este ano, já que todo mundo reclama de falta de recursos.

ENCONTRO DE ESTUDANTES DE LETRAS

O II Eapel será realizado em outubro deste ano e as inscrições de trabalhos para o evento devem ser enviados até 30 de setembro para o e-mail eapel2011@gmail.com . Podem ser enviadas propostas de mini-cursos, comunicação e painel.

Os trabalhos serão avaliados pela Comissão acadêmica do evento que é composta por professores da UNIFAP e por estudantes de Letras da graduação de diversas Instituições de Ensino Superior. A lista oficial com o resultado dos trabalhos aceitos será divulgada no blog e nas redes sociais do evento, a partir do dia 03 de outubro. Todos os participantes que tiverem seus trabalhos aceitos receberão cartas de aceite via e-mail. Maiores informações no portal da UNIFAP: www.unifap.br .

Coluna Canto da Amazônia - NOVAS MESTRAS

glauciela isnanda
As mestrandas do PPG/MDR Glauciela Sobrinho e Isnanda Azevedo Feitosa vão apresentar suas dissertações brevemente e estão convidando acadêmicos e pessoas interessadas nos temas estudados por elas para assistirem às respectivas defesas.

Glauciela apresenta no dia 22 de junho no auditório do CONSU da UNIFAP o trabalho “Relações Sócio-ambientais: ocupação, uso e degradação na territorialidade da APA da Fazendinha”. Isnanda defende a pesquisa no dia 01 de julho no auditório da reitoria, que tem por título “Transferência de Renda: bolsa família e renda para viver melhor – reflexos no modo de vida da comunidade do Coração”. São trabalhos interessantes e inéditos. Vale a pena conferir assistindo.

Coluna Canto da Amazônia - ABREU NO VERÃO 2011

ronaldo abreu Ronaldo Abreu pretende investir direto no Macapá Verão deste ano, aos sábados, diz ele, no tradicional bar da Avenida FAB.

Se obtiver o apoio da Prefeitura para que o projeto se realize na rua, vai contratar grupos de samba e pagode e promete oferecer a quem não pode ir às praias uma excelente opção de lazer no centro da cidade.

Como ninguém sabe o que a PMM está pensando para a programação do verão (que no ano passado plagiou o nome “Festa do Sol” de eventos nordestinos, tirando a autenticidade do nome da tradicional programação de férias local), inclusive sobre as programações noturnas fora dos balneários e, em função das dificuldades financeiras enfrentadas por ela, só resta esperar. Mesmo que tudo indique muita tempestade política neste verão macapaense.

Coluna Canto da Amazônia - ARTE NEGRA

piedade Dia 28 de junho ocorrerá no auditório multiuso da UNIFAP o Ciclo de Palestras e Debates sobre Arte Negra e Afro Brasileira promovido pelo Curso de Formação de Professores de Artes Visuais (PARFOR/UNIFAP) e Grupo de Estudos sobre Imagens e Representações Afro Brasileiras com as seguintes palestras: “Arte Africana e Afro Brasileira: Outro Olhar sobre a Historiografia da Arte”, pela professora Claudete Nascimento Machado; “Marabaixo, Dança/Arte/Afrodescendente e sua Educação”, com a professora Piedade Videira; “Educação escolar e o Ensino da Arte Africana e Afro Brasileira: Algumas Inferências”, com o professor Bruno Marcelo Costa e “Arte Negra na Diáspora Africana” com a professora Márcia Jardim Rodrigues.

As inscrições podem ser feitas na Coordenação do Curso de Artes Visuais, a dez reais.

Coluna Canto da Amazônia - TUMUC-U-MAC, O FILME

joni bigoo Joni Bigoo, diretor do filme “Tumuc-u-mac, a montanha dos canibais” continua obsessivo na campanha de arrecadação de fundos para a produção da película amapaense de longa-metragem. Para tanto oferece às pessoas que possam doar a partir de uma cota mínima de dez reais, a parceria na produção. É um investimento que dará aos que contribuíram recompensas como camisetas personalizadas, DVDs do filme, nome nos créditos e até convite para o jantar de lançamento. O empreendimento deverá custar apenas vinte mil reais, um “quase nada” em termos de produção cinematográfica no Brasil, diz Bigoo. Por enquanto existe apenas a promessa de alguns deputados federais em suprirem sua demanda, já que os setores culturais públicos nem sequer se manifestaram, nem a favor e nem contra.

A produção é composta de mais de 300 artistas e técnicos, envolvendo o Coletivo de Artistas, Produtores e Técnicos em Teatro do Amapá – CAPTTA, Grupo de Teatro Bote Fé, Federação de Teatro Amador – FATA; Grupo de Dança Isadora Duncan, Associação Amapaense de Artistas Plásticos – AMAPLAST e outros. Informações no blog: http://multidao.art.br ou com Joni Bigoo no telefone 9132-3568. Dê uma força ao cinema amapaense.

Coluna Canto da Amazônia PROGRAMA PARA DOUTORADO (PMID-AUF/GCUB)

O Programa constituiu-se em uma iniciativa conjunta do Grupo Coimbra de Universidades Brasileiras (GCUB) e a Agence Universitaire de la Francophonie (AUF), tendo em vista a internacionalização da formação doutoral de estudantes francófonos do Brasil, dos Estados Unidos da América e do Canadá.
O PMID-AUF/GCUB visa favorecer a mobilidade de estudantes de doutorado em todas as áreas
científicas universitárias. Mais especificamente, esta mobilidade tem em vista a realização de estágios de investigação, de 6 meses de duração, após o cumprimento dos créditos acadêmicos (disciplinas, seminários ou outros componentes curriculares) do programa doutoral.
Os estágios de investigação realizar-se-ão em uma das Universidades da América do Norte que seja membro da AUF para os estudantes brasileiros, ou em uma  universidade brasileira membro do GCUB para os estudantes da América do Norte inscritos em
uma das universidades membro da AUF.
As inscrições se encerram no dia
31 de julho de 2011 e deverão ser enviadas, em francês, à Agence Universitaire de la Francophonie ou, em francês ou português, ao Grupo Coimbra de Universidades Brasileiras.
Os Editais
estão disponíveis na página da AUF http://www.auf.org/regions/ameriques/
e do GCUB: http://www.grupocoimbra.org.br/coimbra/

AMIZADE ESSENCIAL

arimathea (1) Este texto foi escrito para o meu amigo José de Arimatheia Vernet Cavalcanti, em 2007, e publicado no Jornal do Dia em data que não me ocorre agora. Sua republicação neste espaço é uma homenagem que reitero, considerando tristemente o seu desaparecimento deste plano no dia 08 de junho passado, após meses enfermo em Belém.

Sempre tive muitos amigos: de infância, de escola, de bar, amigos que fiz no decorrer de uma vida cheia de altos e baixos e que sempre pude contar com eles nas horas que precisei. Não se têm amigos só para jogar conversa fora, brindar em uma comemoração ou para fazer (in)confidências, às vezes mentirosas e desnecessárias. Nesse caso sempre a amizade vai por água abaixo quando uma confidência é espalhada pelos sete cantos da cidade. Já tive “amigos” que supus serem Amigos, que ajudei pensando estar fazendo um bem, e que a ingratidão deles brotou como espinhosa árvore na lavoura que tentei cultivar. Não falo de inimigos, pois como os ex-amigos, eles não merecem a minha ira. Apenas desprezo o que não quero prezar. Eles são meramente pontos obscuros de referência na encarnação de um maniqueísmo torpe, trivial e vulgar. Amigo mesmo é para contar com ele na hora da necessidade, para se divertir, criar junto e imaginar um mundo melhor. Amigos bons nós desenhamos para que se tornem o modelo da nossa própria utopia.

Talvez fosse desnecessário este preâmbulo para falar de gente que gostamos de graça e nem fosse conveniente registrar numa crônica o apreço que sentimos por certas pessoas que às vezes, por gestos naturais e descomprometidos, nem sabem a extensão do bem que fizeram a nós em determinados períodos de nossa história pessoal. É verdade que nesse caminhar encontramos amigos dos amigos que não são nossos amigos, mas que os toleramos por respeito à admiração pessoal ao amigo titular. Assim também é verdade que falseamos nossa conduta para não decepcioná-lo, embora acreditando que de falso em falso se chega ao cadafalso.

Machado de Assis dizia em “Ressurreição” que o tempo não conta para a amizade: “Que importa o tempo? Há amigos de oito dias e indiferentes de oito anos”. Talvez o tempo seja o que conta para quebrar os obstáculos que surgem na vida. E dizem que muitas amizades rompidas, um dia voltando, passam a ser mais do que eram, independentemente das diferenças do passado. Voltam mais sólidas e mais maduras. E passam a ver que sempre existiu alguém interessado nesse rompimento. Coisas de novela, mas também coisas da vida.

Pessoas que estimamos passam por provações e se tornam sábias sem saber se são, ou pelo menos não demonstram isso. Há as que têm as almas simples e vivem num mundo aparentemente sofisticado. Mas as almas dos amigos muito se assemelham a casas: algumas delas são cheias de janelas abertas, onde corre ar puro e luz, outras são como prisões, fechadas e escuras, mas que merecem nossa consideração e respeito, porque a alma entende-se a si mesma e o amigo vale a afeição que fazemos valer por ele. Uma alma, mesmo fechada, sempre traz uma luz que pode nos iluminar antes de banhar-se a si própria.

Amigos têm defeitos e mazelas. Por essa imperfeição mútua é que normalmente amizades se atraem, bem como pela admiração recíproca de cada um no seu desempenho social. Uns moldam outros, outros se espelham em alguém. Porém, na amizade só não pode existir a incorporação da personalidade do amigo. Ela deve ser autêntica e eivada de respeito às idiossincrasias, inclusive pela solidão e ao silêncio do outro. Afinal somos seres em alteridades. Espíritos amigos voam na mesma direção da fonte original e bebem da mesma água fresca. Devem saciar sua sede bem antes que ela seja poluída pelos interesses pessoais de qualquer conspirador. A amizade só é possível pela oportunidade do encontro.

Meu amigo R. T. sempre diz que os inimigos são necessários, pois nos ajudam a refletir para que melhoremos. Não discordo, porque entendo que a vida é uma constante dialética. Mas não ando à caça de inimigos. Alguns cruzam meus caminhos em momentos que não criei. E, como não tenho um cemitério para enterrá-los (como um certo personagem de Jorge Amado assim o fazia), eles que cavem suas próprias sepulturas e façam de suas mortes um renascimento.

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Arimatheia e amigos no Reveillon do Bar Xodó, em 2006.

Suave é a noite‏

Por Ray Cunha

rio flexal_amapá Estou só, na tarde. A tarde é prenhe de mistérios, que desvendo com um olhar para meu jardim. Ele ostenta uma rosa amarela, de Gabriel García Márquez. Visto uma camisa branca de algodão, calças e casaco azuis de linho, e sapatos pretos de couro. Meu rosto está bem barbeado e recendo a Chanel 5, amadeirado, e assim misturo-me aos murmúrios e cheiros da tarde. Fragrâncias de mar, vindas do meu coração, amalgamam-se ao ar saturado do perfume das virgens ruivas. A tarde é azul, tão azul que chora. Ouço os sussurros da tarde como o roçar de lábios de uma mulher de olhos verdes.

Estou só, esta tarde, pois minha amada viajou. Assim, navego no rio da tarde, sozinho, ao encontro da minha amante. Meus passos me levam a um café no Setor Hoteleiro Sul. Há tantas mulheres lindas no café! Duas conversam sentadas em um sofá. Uma é loira e seus olhos são azuis como a tarde; a outra é ruiva, e seus olhos se confundem com esmeraldas. Riem. Seus risos são cristalinos como crianças recém-lavadas, ao sol matinal da primavera. Conversam tão perto uma da outra que seus lábios, grandes e vermelhos, parecem uma dança. Degusto Mateus Rosé. Preparo-me para quando minha amante chegar.

A tarde agoniza. Morre como uma rosa, que, depois de se tornar a joia mais delicada, preciosa e bela do mundo, deixa um eterno rastro de luz. Assim desliza o rio da tarde. Logo a cidade será um transatlântico todo iluminado, e as criaturas mais esplendorosas do universo, que são as mulheres, espargirão seu perfume, como jasmineiros em tórridas noites em Belém do Pará.

Uma jovem mulher passa ao meu lado, quase roçando em mim. Volto-me para vê-la. É uma negra em vestido de seda, tal qual uma que vi na Estação das Docas, em Belém. Talvez fosse da Guiana Francesa, ou de Trinidad e Tobago, ou da Martinica. Falar em Martinica, se Hemingway estivesse aqui comigo eu o convidaria para pescar ao largo de Sucuriju, no Amapá. Bem que Fernando Canto poderia estar comigo nesta tarde, que morre. Mas o poeta tem suas próprias tardes, que são, certamente, prenhes do perfume das virgens ruivas, e mar. O poeta decifrou a dimensão da intensidade e tem olho clínico para o cheiro de maresia.

Não tenho nem um, nem outro, nem a mulher amada. Só me resta esperar mais um pouco para cair no colo da minha amante. Ela chega suavemente, e, quando a percebo, sua paradoxal luz ofuscante entra nos meus sentidos e me conduz à dimensão do primeiro beijo. Mas nunca estamos preparados. Minha amante é puro mistério, e é também amante de todos os homens e, principalmente, de todas as mulheres. Ela é a mais bela das rosas; é a noite.

PASSADO OBSCURO, PRESENTE SUSPEITO

Por Binga Monteiro

binga monteiro Dizem alguns amigos, se é que desta maneira posso tratá-los, que eu só vivo de passado. Talvez, ou com certeza, eles desconheçam que é pelo o seu passado que se reconhece um grande homem, e é através dele que poderemos consertar os inevitáveis erros que contemos na vida. O folclore nada mais é do que o passado sendo constantemente lembrado e revivido no presente. Tudo o quanto sabemos hoje devemos ao passado. O passado de um homem é a garantia do seu futuro.

Infeliz é aquele que não tem um passado para ser lembrado; aquele que nunca produziu em vida ou que nunca contribuiu para o progresso e o desenvolvimento de sua terra ou de seu país. Um homem de passado obscuro é suspeito; o de passado digno é confiável. O que valemos, hoje, devemos ao passado, pois o futuro ainda não existe e o presente é incerto.

É verdade que como todo ser humano eu já cometi muitas falhas e algumas faltas, talvez até imperdoáveis no decorrer da minha vida. Contudo, muito contribui para o desenvolvimento artístico e cultural desta terra, onde os meus olhos se abriram para a luz da vida. Disso, pouca gente se lembra.

Sempre fui materialmente pobre, mas muito rico de nobreza e humildade. Quando criança eu mendigava pelas ruas desta cidade para ajudar a minha mãe que era lavadeira de roupas, no sustento de meu velho pai, que era muito doente. Mas nem por isso me tornei bandido. Pelo contrário. Aprendi muito com este lado da vida. Fui obrigado, pelas desventuras da vida, a sair às ruas, como pedinte, aos sete anos de idade. Tempos de tristeza e de sofrimento, mas que me deixaram saudades. As marcas profundas de desgostos e desenganos já ficaram para o passado, permanecendo em mim a dignidade de ter tido um passado que hoje torno público, sem o receio de ser censurado. Talvez eu já tenha pago grande parte dos erros do passado. Outros, com certeza, ainda terei que pagar.

Lembro da casa onde nasci, no “Poço do Mato”, com janelas de miriti, à margens do caminho abrupto que hoje é a rua São José. Lembro-me dos meus amigos de verdade: o “Tucuxi”, o “Charuto” e o Benjamim, meu irmão de sangue e o mais velho do grupo. Todos já se foram desta vida, infelizmente. De dia íamos para as portas do Hospital Geral e das casas de gente que ainda tinham a bondade no coração, para pedir um prato de comida. Lembro-me do Sr. Abdalh, Dona Darina, “Seu” Zé Neves, Dr. Moutinho e o Capitão Ribeiro, este último hoje major reformado. Um dos que deram grande parte de suas vidas em benefício da cultura desta terra, rica de talentos, de gente piedosa e honrada.

À noite íamos para porta do Cine Macapá “reparar” bicicletas e vender bombons. Mas sempre arranjávamos algum tempo para irmos ao Barracão dos Padres, assistir aos seriados do Zorro e Batman, projetados na tela pelo saudoso “Estandico”.

Não sou do tipo idiota que costuma dizer: “Sou pobre, mas com muito orgulho”. Pobreza nunca foi motivo de orgulho para ninguém. Posso me orgulhar da minha dignidade e do meu caráter; de minha inteligência e minha bondade. O que levo desta vida é aquilo que aprendi no passado e que reflete no presente. Não me orgulho por ser pobre, mas por ser honesto.

...De ter um passado e me lembrar dele com dignidade. De ter a coragem de falar dele, neste momento, sem temer os hipócritas e os ignóbeis de natureza. E basta! (Diário Marco Zero. Macapá/Santana. 20.11.1996)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

COLUNA CANTO DA AMAZÔNIA

BULINGANDO

Avó extremada, depois de pedir satisfação inutilmente, por duas vezes à professora e à diretora da escola do neto, não contou parada para uma decisão. O neto, magrinho, se dizia vítima de bullyng por uma menina que costumava lhe cuspir na cara e por um moleque enorme que às vezes lhe batia em sala de aula.

Ao buscar o neto na área de lazer do colégio e com a cuspidora já identificada, chamou-a e lhe disse: - Olha fulana, se tu cuspires de novo no meu neto eu venho aqui e vou te cuspir também. E pode dizer pra tua mãe.

No dia seguinte a avó identificou o brigão que judiava do neto e lhe falou bem baixinho, com o dedo erguido no nariz do molecão: - Olha aqui, meu irmão, se tu bateres do meu neto de novo eu vou te chamar lá pra fora e a gente vai conversar como gente grande, entendeu? Pode falar pro teu pai.

A ex-cuspidora e o ex-brigão agora são colegas “muito legais”, segundo o neto franzino. A avó só faz olhar e murmurar discretamente: - Hehehe!

MARABAIXO: QUARTA-FEIRA DA MURTA E QUINTA-FEIRA DA HORA NO LAGUINHO 

O terceiro Marabaixo deste Ciclo aconteceu na Quarta-feira da Murta do Divino Espírito Santo (01.06), no Laguinho. Tia Biló recebeu os devotos, dançarinos e convidados para a homenagem ao Divino que começou às 17h00 e encerrou no amanhecer do dia 2, na Quinta-feira da Hora (02.06), quando o mastro foi levantado. Os festejos são uma tradição amapaense que acontece, de acordo com os antigos, há quase duzentos anos e que chegou com os negros que dançavam na frente da Igreja São José, depois foi levada para o Laguinho e a Favela, hoje bairro Santa Rita, em 1945.

Os santos estão sendo festejados desde o domingo de Páscoa reunindo centenas de pessoas que participam de toda a programação. Na casa da Tia Biló a festa é organizada pela Associação Folclórica Raimundo Ladislau e descendentes de Mestre Julião Ramos, sob a coordenação de Danniela Ramos, bisneta. Eles são os responsáveis pelas rodadas de Marabaixo, produção de gengibirra, cozido, fogos, novenas, missa, tudo para que a festa não tenha qualquer incidente e seja segura. “É nosso jeito de festejar nossos santos e expressar nossa fé, com alegria, festa, orações e fogos, está dentro de cada um de nós, procuramos evitar excessos por parte de algumas pessoas, que acabam nos deixando com uma imagem ruim. Mas é uma festa pública, por isso contratamos seguranças para não que evitem confusões”, diz Danniela. Ela coordena mais de cem pessoas do grupo de todas as idades, que cantam e dançam até o amanhecer.

A FESTA

A festa inicia às 17h00 com os participantes saindo da casa da Tia Biló para buscar os ramos de murta, usadas para espantar o mau-olhado e enfeitar os mastros, na casa da dona Raimunda Ramos. Depois todos seguem cantando e tocando caixas nas ruas do Laguinho com os ramos nas mãos de volta à casa da festeira Biló, que tem 89 anos e é filha do Mestre Julião Ramos. Lá os ramos de murta, são guardados. Após a noite de Marabaixo com participação de vários cantadores que puxam os ladrões, distribuição controlada de gengibirra e muito caldo, aos primeiros raios de sol da quinta-feira o mastro é enfeitado e levantado.

A PROGRAMAÇÃO

01/06/2011--------- 17:00h

QUARTA-FEIRA DA MURTA DO DIVINO ESPíRITO SANTO: 3º MARABAIXO (Até o amanhecer do dia 02/06-QUINTA-FEIRA DA HORA: Levantação do Mastro do Divino Espírito Santo). '

02/06/2011--------- 21:00h

1º BAILE DOS SÓCIOS DO DIVINO ESPÍRITO SANTO.

03/06/2011--------- 19:00h

INÍCIO DAS NOVENAS DO DIVINO ESPÍRITO SANTO.

10/06/2011--------- 19:00h

INÍCIO DAS NOVENAS DA SANTÍSSIMA TRINDADE.

11/06/2010--------- 21:00h

2º BAILE DOS SÓCIOS DO DIVINO ESPÍRITO SANTO.

12/06/2011-------- 07:00h

DOMINGO DO DIVINO ESPÍRITO SANTO- missa na Igreja de São Benedito, após a missa café da manhã na casa dA festeira;

16:00h

MURTA DA SANTÍSSIMA TRINDADE: 4º MARABAIXO (até o amanhecer do dia 13/06:Levantação do Mastro da Santíssima Trindade).

13/06/2011-------- 21:00h

1º BAILE DOS SÓCIOS DA SANTÍSSIMA TRINDADE.

18/06/2011-------- 21:00h

2º BAILE DOS SÓCIOS DA SANTÍSSIMA TRINDADE.

19/06/2011-------- 07:00h

DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE- missa na Igreja de São Benedito, após a missa café da manhã na casa da festeira.

23/06/2011--------20:00h

CORPUS CRHISTI - 5º MARABAIXO

26/06/2011--------17:00

DOMINGO DO SENHOR - Derrubada dos mastros, escolha dos festeiros do próximo ano e encerramento do Ciclo do Marabaixo 2011.

Texto : Mariléia Maciel

CONCURSO DE TESE

jadson porto A Fundação do Amparo à Pesquisa do Amapá – Fundação Tumucumaque - lançou o Edital que regulamenta o Concurso de tese em duas categorias. A) Prêmio Tese de Doutorado e B) Prêmio Dissertação de Mestrado. As teses e dissertações devem apresentar relações diretas com o Estado do Amapá.

A inscrição vai até 30 de junho de 2011 pode ser feita pessoalmente no protocolo da Fundação Tumucumaque ou via postal na Av. Pe. Júlio Maria Lombaerd, 1614, Aptº 02, Santa Rita, Macapá –AP. CEP – 68.900-030.

O concurso visa o reconhecimento de méritos de obras científicas desenvolvidas em programas de pós-graduação stricto sensu nacional, reconhecidas pela CAPES, valorizar a produção científica e estimular a produção acadêmica de alto nível. Premiação 1 (um) notebook e a impressão e publicação do trabalho em formato de livro.

‘SETEMBRO FOTOGRÁFICO’ TEM INSCRIÇÃO PRORROGADA PARA ATÉ 10 DE JUNHO

clip_image001A Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) prorrogou até o próximo dia 10 de junho (sexta-feira), o prazo de inscrições para os interessados em participar da mostra ‘Setembro Fotográfico’. O prazo anterior seria encerrado nesta segunda-feira (30).

O projeto irá contar com 45 trabalhos selecionados de 15 fotógrafos paraibanos ou radicados na Paraíba, numa promoção da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), por intermédio da Funjope, em parceria com o Governo do Estado.

Inscrições – Os interessados podem realizar as inscrições pelo e-mail setembrofotografico@joaopessoa.pb.gov.br. O edital da convocatória, assim como os anexos, estão disponíveis no endereço eletrônico da Prefeitura (www.joaopessoa.pb.gov.br). Basta o usuário clicar no banner, que fica do lado direito do monitor.

CAIXA D’ÁGUA

DCS567 ExifImageTitle O pintor amapaense radicado em Vitória-ES, O. Cunha, que se prepara para mais uma exposição em Brasília, mandou-me a foto da tela “Caixa d’água”, como uma amostra do que vai ser o seu trabalho agora.

A tela traz motivos indígenas, ouriços de castanha e vaso cerâmico feito no Amapá. Ao fundo aparece a caixa d’água, como um tambor de Marabaixo e seu impacto visual na paisagem, da forma como está a sua matriz próxima ao Marco Zero do Equador.

A ideia da caixa d’água com forma de tambor de Marabaixo foi do engenheiro Ségio La Rocque, quando presidente da CAESA, no início do século. Ele solicitou a mim para escrever o memorial descritivo, ao Olivar Cunha para o estudo e aplicação dos desenhos e das cores e ao arquiteto Ubiratan Homobono para fazer o projeto de urbanização da pracinha ao redor da caixa-tambor. Depois soubemos que o terreno onde ela foi construída teria entrado em litígio, por isso nunca mais retomaram aos trabalhos. Os governos posteriores nem sequer mexeram uma palha para levar água à população da área e até agora o prédio é um “elefante branco”, um tambor inócuo na paisagem.

CONCULT COM NOVO TITULAR

joão milhomem_chico cesar Ainda é especulação, porém fontes internas da Prefeitura Municipal de Macapá informam das novas mudanças no primeiro escalão do palácio Laurindo Banha, desta vez na área cultural, que até hoje não disse a que veio no atual governo, tornando-se um órgão ineficaz e inoperante.

Os rumores levam à possível nomeação do sociólogo João Milhomem, ex-secretário estadual de cultura e irmão do deputado Evandro Milhomen, que deve substituir o advogado Ricardo Cardoso (indicado pelo mesmo deputado), considerado um peixe fora d’água.

O parlamentar vinha conseguindo recursos de emendas parlamentares para diversos setores da cultura amapaense até o ano passado. Vamos ver se agora com o João Milhomem na CONCULT se consegue tirar a cultura municipal do marasmo que assola aquele órgão inerte.

Na foto, João Milhomem e o cantor e compositor Chico César.

LANÇAMENTO

adalberto Vai ser no hall da Rádio e TV Universitária o lançamento do livro “Capital Social e Redes Sociais no Processo Organizacional de Comunidades Agroestrativistas no Amapá”, Ed. All Print, São Paulo.

O autor é o professor doutor e coordenador do Mestrado em Direito Ambiental, Adalberto C. Ribeiro, cujo livro traz ao público interessado a sua tese de doutorado, que realizou no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da UFPA.

Adalberto entregará a obra no dia 09 de junho (quinta-feira) às 17h00. Será o primeiro lançamento nas dependências da RU e será vendida a preço promocional de lançamento a R$ 30,00. Compareça, prestigie a produção científica da UNIFAP.

REVISTA LITERÁRIA

pastana De acordo com o professor José Pastana, ex-conselheiro de cultura e ex-diretor da Biblioteca Pública Elcy Lacerda, a Secretaria Estadual de Cultura vai publicar uma revista para a divulgação da produção literária amapaense.

A revista deverá trazer entrevistas com autores, seções especializadas em resenhas e bate-papos informais, crônicas, poesias e contos de escritores locais, e ainda abrirá para a valorização de novos escritores. Haverá uma seção exclusiva de dicas para professores de literatura, etc.

Nós, daqui de perto, que já vimos esse filme, esperamos mais uma vez que a coisa realmente aconteça.

BIBLIOTECA AINDA EM OBRAS

biblioteca pública A biblioteca Elcy Lacerda nunca teve a atenção devida do seu órgão gestor, que já foi a SEED, depois a Fundecap e atualmente é a SECULT. Está há anos em obras que nunca terminam, que estragam os livros e dificultam as pesquisas dos alunos da rede pública e de outros pesquisadores que poderiam usufruir melhor do seu rico acervo.

Depois da rotatividade das pessoas de contratos administrativos que por lá passam, agora o quadro de funcionários pode se acabar, pois a sua grande maioria é formada por professores da rede pública, como é o caso da própria diretora, a também escritora Luli Rojanski. Esses professores estão na eminência de serem chamados a voltar às salas de aula.

Devido a esses problemas e pelo fato da pasta da cultura ser a menor e com menos recursos do governo estadual, por que então não vincular essa importante unidade novamente à Secretaria de Educação, que tem um orçamento polpudo?

'TROPA DE ELITE 2 LEVA NOVE TROFÉUS NA NOITE DE GALA DO CINEMA BRASILEIRO

O longa foi o destaque do Grande Prêmio realizado no Rio.
Veja a lista completa dos premiados.

O filme de José Padilha recebeu 16 indicações e levou nove troféus, incluindo o de melhor longa-metragem de ficção e melhor longa escolhido pelo voto popular. Wagner Moura foi escolhido o melhor ator, como capitão Nascimento em 'Tropa de Elite 2', e Gloria Pires a melhor atriz, pela atuação em 'Lula, o filho do Brasil'.

Confira a relação completa dos premiados:

Melhor curta-metragem de animação: "Tempestade", de Cesar Cabral

Melhor curta-metragem documentário: "Geral", de Anna Azevedo

Melhor curta-metragem de ficção: "Recife frio", de Kleber Mendonça Filho

Melhor longa-metragem estrangeiro: "O segredo dos teus olhos" (Argentina / Espanha), de Juan José Campanella

Melhor efeito visual: Darren Bell, Geoff D. E. Scott e Renato Tilhe, por "Nosso lar"

Melhor longa-metragem infantil: "Eu e meu guarda-chuva", Toni Vanzolini

Melhor figurino: Kika Lopes, por "Quincas berro d'água"

Melhor maquiagem: Rose Verçosa, por "Chico Xavier"

Melhor direção de arte: Adrian Cooper, por "Quincas berro d'água"

Melhor som: Alessandro Laroca, Armando Torres Jr. e Leandro Lima, por "Tropa de elite 2"

Melhor trilha sonora: Guto Graça Mello, por "O homem que engarrafava nuvens"

Melhor trilha sonora original: Jaques Morelenbaum, por "Olhos azuis"

Melhor montagem ficção: Daniel Rezende, "Tropa de elite 2"

Melhor montagem documentário: Raphael Alvarez, por "Dzi croquetes"

Melhor fotografia: Lula Carvalho, por "Tropa de elite 2"

Melhor longa-metragem documentário: "O homem que engarrafava nuvens", de Lírio Ferreira

Melhor atriz coadjuvante: Cassia Kiss, por "Chico Xavier"

Melhor ator coadjuvante: André Mattos, por "Tropa de elite 2", e Caio Blat, por "As melhores coisas do mundo"

Melhor roteiro original: Braulio Mantovani e José Padilha, por "Tropa de elite 2"

Melhor roteiro adaptado: Marcos Bernstein, por "Chico Xavier"

Melhor atriz: Glória Pires, por "Lula, o filho do Brasil"

Melhor ator: Wagner Moura, por "Tropa de elite 2"

Melhor direção: José Padilha, por "Tropa de elite 2"

Melhor longa-metragem de ficção: "Tropa de elite 2", de José Padilha

Voto popular - Melhor longa-metragem estrangeiro: "A rede social", de David Fincher

Voto popular - Melhor longa-metragem documentário: "Dzi croquetes", Tatiana Issa e Raphael Alvarez

Voto popular - Melhor longa-metragem nacional: "Tropa de elite 2", de José Padilha

(Fonte: Jornal Hoje/ TV Globo)


FESTIVAL DA CASTANHA NA VILA DO MARACÁ ACONTECE NO PRÓXIMO FINAL DE SEMANA

O evento, que será nos dias 03 e 04 de junho, conta com o apoio do Sebrae

No próximo final de semana, 3 e 4 de junho, acontece o VII Festival da Castanha, na Vila do Maracá, na Rodovia Macapá – Jari, km 136. O festival reúne os apreciadores da castanha-do-brasil e empreendedores da localidade para degustar os mais variados pratos em que a castanha é o ingrediente principal.

O Sebrae, por meio do Projeto Apoio ao Empreendedorismo no Território da Cidadania do Sul do Amapá, é parceiro do festival oferecendo cursos para os empreendedores da Vila do Maracá. Segundo o gestor do projeto e técnico do Sebrae, Marcelo Modesto, a Instituição também é responsável por parte do material de divulgação do festival, como camisas, banners e cartazes. “Os cursos capacitam os empreendedores para a manipulação de alimentos que serão comercializados, agregando assim, maior profissionalismo e qualidade aos produtos”, afirma Marcelo Modesto.

Para a diretora técnica do Sebrae, Ana Dalva Ferreira, o Festival da Castanha faz parte da comemoração dos bons frutos coletados no período da safra. “È o momento em que os extrativistas, pequenos agricultores, ribeirinhos, compradores de castanha, instituições não governamentais e governamentais reúnem-se para juntos fazerem a maior festa do Assentamento, sem perder as tradições como: corrida de canoa, quebra de ouriço (fruto da castanheira), concurso de piadas e comidas típicas feitas à base de castanha. O Sebrae, como umas das Instituições que apóia e acredita em nosso potencial turístico não poderia deixar de contribuir com a realização do VII Festival da Castanha, evento esse que irá divulgar a cultura, as tradições e as riquezas naturais daquela localidade”, completa a diretora Ana Dalva.

PROJETO

O Projeto Apoio ao Empreendedorismo no Território da Cidadania do Sul do Amapá é destinado aos grupos de produtores de mandioca, açaí e castanha-do-brasil e seus derivados no Território da Cidadania do Sul do Amapá, que compreende os municípios de Mazagão, Laranjal e Vitória do Jari, e também as empresas do comércio varejista de mercantis dos dois municípios do Vale do Jari (Laranjal e Vitória do Jari). O objetivo do projeto é desenvolver os empreendedores rurais e urbanos da região, promovendo a qualidade dos produtos, a organização social dos segmentos e o incremento da geração de emprego e renda.

Fonte: Unidade de Marketing e Comunicação: (96) 3312-2832

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA CONCURSO LUSO-BRASILEIRO DE 'CARTOON' UNIVERSITÁRIO

A entrega dos prêmios será feita em cerimônia pública durante o Congresso Nacional da Intercom, que acontece de 2 a 6 de setembro em Recife.

Brasília - Estão abertas até o dia 30 de maio as inscrições para o 1º Concurso Luso-Brasileiro de "Cartoon" Universitário, promovido pela Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação e pelo Museu Nacional da Imprensa, de Portugal. O concurso tem como objetivo fortalecer as relações universitárias entre Brasil, Portugal e demais países de língua portuguesa, através da linguagem universal do humor.

O concurso não terá tema definido e é dirigido a alunos de graduação e pós-graduação que poderão apresentar trabalhos nas seguintes categorias: charge, caricatura, tiras em quadrinhos e "cartoon", propriamente dito. O júri, em número ímpar, será composto por representantes das duas entidades organizadoras.

Serão atribuídos prêmios e destaques aos três melhores trabalhos de cada uma das categorias mencionadas, separadamente aos alunos de Graduação e de Pós-Graduação. A entrega dos prêmios será feita em cerimônia pública durante o Congresso Nacional da Intercom, que acontece de 2 a 6 de setembro em Recife (PE), onde será também realizada uma exposição destes trabalhos.

Para se inscrever, os interessados devem identificar as obras e enviá-las juntamente com a ficha de inscrição do autor, fornecida pela organização do Salão, e de um pequeno Curriculum Vitae atualizado, para o seguinte endereço: cartum.intercom@gmail.com. A ficha de inscrição está disponível no site www.intercom.org.br.

(Fonte: Portugal Digital)

ZUNIDOR

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O escritor paraense Ademar Amaral está prestes a terminar seu romance “Sementes do Sol”, cuja temática versa sobre coronéis de barranco, a saga dos japoneses na Amazônia e o plantio da juta na região. Tem tudo pra dar certo.

   
 

Dia 07 de junho ocorre o I Encontro de Egressos, Acadêmicos e Profissionais de Secretariado do Amapá, com a presença de personalidades do sindicalismo secretarial do Brasil, no anfiteatro da UNIFAP. Os promotores do evento visam o I Congresso Internacional de Secretariado do Amapá para 2012.

   
 

Estão abertas as inscrições ao Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia, patrocinado por diversas instituições nacionais e internacionais. O tema é: Tecnologias para o Desenvolvimento Sustentável. Vai até 22 de agosto para as categorias: Iniciação Científica, Estudante Universitário, Jovem Pesquisador e Integração. Regulamento e inf: http://eventos.unesco.org.br/premiomercosul

   
 

Estiveram em Macapá os amigos professores Alvanéa Henriques e João Bosco, que escolheram Brasília para morar há alguns anos.

   
 

Cine PET Farmácia exibe e debate o filme “Uma prova de amor”, dia 10, às 15h00, no bloco de Ciências da Saúde da UNIFAP.

   
 

Acontece na Semana do Meio Ambiente a Conferência Especial “Os Desafios para a Rio + 20”, na UNIFAP, com a participação dos senadores João Alberto Capiberibe e Randolfe Rodrigues e a antropóloga Mary Helena Allegretti, no dia 03, à 18h00 no anfiteatro.

   
 

Dia 08 de junho ocorre o “Sarau Petiano”, do grupo PET de Ciências Sociais, com poesia, teatro, dança, voz e violão, fotografia, mini-contos e performances.

   
 

Recebi e-mail do amigo Zeca Silva Santos, velho craque de futebol dos times do Laguinho, irmão dos não menos bons de bola Joca, João, Carlos, Nazaré, com quem joguei no Flamenguinho e amigo do meu amigo Pedro Ramos. Zeca é engenheiro e mora há muito tempo em Contagem-MG.

   
 

13 e 14 de junho, de 19às 22h00, no anfiteatro, acontece o 1º Seminário Debatendo o Direito: questões polêmicas e atuais. Inf: @DebatendooDireito , debatendoodireito@hotmail.com , ou com Mariana: 9114-9796.

   
 

O escritor Paulo Tarso Barros vem aí com o seu livro de minicontos, enquanto o cronista Carlos Bezerra edita o seu para publicação em breve.

   
joãozinho gomes

O compositor Joãozinho Gomes vai lançar seu primeiro livro de poesia. Até que enfim!

   
 

O V Concurso de Monografias da Academia Nacional de Direito do Trabalho abriu suas inscrições. Na categoria Profissionais do Direito: Prêmio Elson Guimarães Gottschalk, com o tema “Assédio moral na relação de emprego”; na categoria Estudantes de Direito:Prêmio Júlio Assumção Malhadas, com o tema “Impactos das novas tecnologias na relação de emprego”. Inf: www.andt.org.br.

   
 

O carnavalesco da Universidade de Samba Boêmios do Laguinho, premiadíssimo também em São Paulo, Rodrigo Siqueira ilustrou o livro do antropólogo A. Paiva sobre o misticismo no Brasil. O trabalho vai ser lançado dia 11 em Salvador e depois nas demais capitais brasileiras.

   
 

Dias 08 e 09 de junho teremos as eleições gerais dos estudantes da UNIFAP: para o DCE (2011-2012); CONSU (2011-2012) e 52º CONUNE (2011), com debates de 03 a 07 de junho em Macapá e 06 de junho em Santana.

   
 

Claúdio Vaz está preocupadíssimo se vão repassar ou não os recursos da quadra junina aos grupos, afinal junho está aí na porta, e nada de grana.

tecnicos unifap O reitor da UNIFAP empossou mais sete técnicos-administrativos, no dia 26 de maio.

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Azolfo Gemaque, Paulo Gurgel e Deisse Gemaque, irmã de Azolfo.

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Clã Liberal do Laguinho: Nico, Vicente Arly e Torres (em pé); Mauro e Azolfo (sentados)

Vai um Inderê bem grande para o meu especialíssimo amigo Azolfo Gemaque que aniversariou no último dia 29.05. Com ele os votos de sucesso de saúde e de paz.

Inderê! Volto zunindo na semana que vem.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

ITINERÂCIAS & ENCONTROADAS

Bira e Roberta Scheibe O famoso ex-jogador Bira, do Internacional de Porto Alegre em acontecimento social recente foi apresentado à gremista Roberta Sheibe.

Graça_Sonia_Haroldo Sônia Canto ladeada por Graça e Haroldo Canto, primos.

Sérgio e Silvia Sérgio Cléber e Sílvia Miranda.

claudio rogério_juvenal_nivito_osmar Cláudio Rogério, Juvenal Canto, Nivito Guedes e Osmar Júnior em entrevista na Diário FM, no dia 27 de maio.

boca_heraldo_orivaldo Heraldo Almeida no comando do programa Movimento em Ação, entre o violonista Leonardo “Boca” Trindade e o percussionista Orivaldo Azevedo.

Roberta e namorado Professora das UNIFAP Roberta Sheibe e o namorado.

josé filho Zé Filho não refresca no Bar do Abreu, mas garante que perderá uns quarenta quilos só pra começar o novo regime.

delegado claudionor Delegado Claudionor, o “Mió”, também conhecido como Mick Jagger do futebol (pé frio) cansado de tomar o “caldo” no Marabaixo do Laguinho, com uma dançarina.

ADEMAR AMARAL

livro ademar Publico aqui uma crônica e um conto do escritor amazônico Ademar Amaral para o deleite do leitor do blog. Considero o seu “Catalinas e Casarões” um dos mais belos e importantes escritos memoriais que conheço feitos na Amazônia, uma espécie de romance familiar carregado de realismo e beleza construtiva, até pelos extratextos que permeiam as saborosas histórias nele contidas (F.C.).

Ademar Ayres do Amaral nasceu em Óbidos, na casa de número 10 da famosa Rua do Bacuri, nos altos da renomada Farmácia Esculápio do seu avô materno, o boticário português, José Cardoso Ayres. Filho da professora normalista, Ana Ayres do Amaral (a professora Santana) e do fazendeiro Areolino Araújo do Amaral, com dias de nascido foi viver com os pais na fazenda São Braz, no Paraná de D. Rosa, onde passou a sua infância. Lá aprendeu as manhas da pescaria, o amor pela natureza e as primeiras letras na escola estadual comandada por sua mãe. Posteriormente foi morar em Óbidos, com o avô Ayres, e frequentou as escolas particulares das professoras Cora Simões e Glória Corrêa Pinto. Aos 10 anos foi para Santarém estudar por seis anos no Colégio Dom Armando. Em 1964 mudou-se para Belém onde concluiu o segundo grau no colégio Nossa Senhora de Nazaré e prestou vestibular para a Escola de Engenharia da UFPA, diplomando-se engenheiro civil na turma de 1972. Ávido leitor, começou a rascunhar seus primeiros contos e crônicas em 1976. Em 1980 recebeu menção honrosa em concurso literário da Academia Paraense de Letras. Premiado na APL, passou a colaborar com o PQP, um jornal que surgia em Belém aos moldes do Pasquim. Em 1984 publicou seu primeiro livro, A Encomenda e o Deputado. Atualmente é cronista dos jornais A Folha de Óbidos e Uruá-Tapera, além de colaborar no site Portal de Óbidos. Em 2005, recebeu o prêmio Terêncio Porto, na Academia Paraense de Letras, com o livro “Tartarugal” (ainda inédito) e em 2006 ganhou o 1º Lugar no concurso de contos do clube Assembleia Paraense, com Estirão Sem Fim. Ademar Ayres dos Santos lançou Catalinas e Casarões, obra que traça o painel de uma época marcante na história do Baixo Amazonas.

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ENCONTRO COM JACK KEROUAC

Ademar Ayres do Amaral (ademar@amazon.com.br)

Nada de grupos. Não sou e nunca serei gado. (Paulo Francis / O Pasquim, Antologia)

Nos anos 60, já um leitor voraz de Machado de Assis (acho Quincas Borba um dos maiores romances da literatura mundial), escutei muito sobre um tal Jack Kerouac. Para mim, o que falavam era apenas isto: que era um escritor americano maluco e que, ao escrever sobre suas aventuras de andarilho e carona, nas estradas do Tio Sam, acabou se tornando guru de uma geração rebelde que passava ao largo da sociedade dita de consumo. Também chamado de geração beat, esse time encontrou no escriba o catalisador de seus mais íntimos anseios, acabando por desembocar no que ficou conhecido como movimento hippie. Os anos passaram, o movimento hippie foi enfraquecendo e sendo engolido pela mesma sociedade de consumo que ele contestava, e eu acabei esquecendo de Jack Kerouac na poeira do tempo.

Mas, em julho de 2001, eu tirei trinta dias de férias, juntei uns dólares, negociei com a minha esposa (claro, sou bem casado há 35 anos), e me mandei sozinho pra Boston, no Estado de Massachusetts. E por que a escolha de Massachusetts? Ora, porque fica na região dos Estados Unidos conhecida como Nova Inglaterra, é o berço da civilização americana, da guerra pela independência, e Boston, além de uma cidade linda, é cheia de museus fantásticos, sede da famosa Harvard University e do MIT (Massachusetts Institute of Technology), esta tida como a melhor escola de engenharia do planeta. Enfim, um montão de coisas extraordinárias que eu aproveitava para me fartar nos meus fins de semana. Fui morar sem mordomia no grandioso campus da Tufts University, onde tinha aulas de inglês das 8 da manhã às 3 da tarde, e era obrigado a fazer duas coisas que eu sempre detestei na minha vida: lavar roupa e fazer faxina no quarto. Meu cômodo, sem banheiro, media uns dois metros de largura por três metros de comprimento. Tinha uma cama estreita, espaço para pendurar minha roupa, e uma escrivaninha com abajur para preparar um caminhão de exercícios todas as noites. Os banheiros eram limpos, mas coletivos. No meu andar havia dois banheiros femininos e dois masculinos. E durante as férias americanas, são muitos os estudantes do mundo inteiro que se hospedam por lá. Então, não era nada estranho a gente tentar usar um rest room e ouvir o clássico aviso: “It’s busy!”

Na minha turma havia quatro franceses, três italianos, três coreanas, uma israelense, uma alemã (a Frida), um saudita, alguns argentinos, uns colombianos e apenas uma brasileira de Itabira, Minas Gerais. Uma tarde, depois da aula, eu e o grupo dos franceses resolvemos organizar uma pelada entre nós, misturando homens e mulheres, no campo de futebol da Universidade. As meninas toparam, nós dividimos os dois times e eu, que tinha idade para ser pai da galera, pedi, por pura malandragem, para jogar na lateral direita, marcando a alemã na ponta esquerda. Foi a minha desgraça. Mal o jogo começa, uma bola é lançada para a Frida. Ela veio como um bólido na minha direção, passou por mim feita uma bala, e marcou o primeiro gol. Logo em seguida, outro e mais outro, tudo da Frida e pelo meu lado. Cansado do banho e temendo um vexame maior, logo fingi uma contusão e fui servir de juiz o resto do jogo. No fim, conversei com a Frida para saber como ela tinha aprendido a jogar aquele futebol de craque. Ela, sorrindo, me explicou que era juvenil titular do time feminino do Colônia.

Pois bem. A aula que nós mais gostávamos era a do horário da tarde, porque logo tivemos uma natural identificação com o professor. Era um cara jovem, muito aberto e estava fazendo mestrado em antropologia. Ele nos fazia ler e discutir textos de um livro sobre episódios da história americana, principalmente fatos acontecidas naquela região da Nova Inglaterra. Um dia, ele deixou o livro de lado, e nos entregou uma folha de papel, contendo um texto de Jack Kerouac. Também nos disse que o texto foi tirado do livro, On The Road, e que o autor, antes muito criticado pela maneira nova e um tanto bagunçada de escrever, já era tido como um dos maiores da literatura americana. Passamos duas horas lendo e interpretando, e eu logo me interessei em ler o livro, mas o professor me desaconselhou porque o inglês usado era cheio de regionalismos e gírias (slangs), o que tornava a leitura difícil para um não nativo.

Terminado meu período em Boston, viajei de volta ao Brasil com o firme propósito de encontrar o On The Road traduzido para o português, porém minha busca foi infrutífera, porque a única tradução que havia era em espanhol e só na Argentina. Pois em uma das minhas tantas viagens, naquela horinha antes do vôo que eu sempre uso para vasculhar a livraria dos aeroportos (sou tarado em livrarias), eis que dou de cara com On The Road, e outros volumes de Jack Kerouac. Trata-se de uma bem feita edição de bolso, da Editora L&PM POCKET e me custou o preço módico de dez reais. Li o livro num tapa. Nas suas 380 páginas conta a história de dois amigos, Sal Paradise e Dean Moriarty, que saem de carona pela estrada Rota 66, e atravessam os Estados Unidos desde New Jersey até a Califórnia. O livro traz ainda uma mini-biografia de Jack Kerouac e um excelente comentário de Eduardo Bueno. O volume foi escrito em 1947, sendo recusado seguidamente em inúmeras editoras, até ser aceito e publicado dez anos depois, em 1957. Apenas como curiosidade, vejam este interessante trecho da página 151: “Para se conservar aquecido, Dean usava um suéter enrolado nas orelhas. Disse que éramos um bando de árabes chegando para explodir Nova York”. Vejam bem: isso foi escrito em 1947. Não parece previsão do 11 de setembro?

Como nos relata Eduardo Bueno no seu excelente comentário, On The Road foi a glória e a danação de Jack Kerouac. Ele acabou aos 47 anos, solitário e entupido de drogas, porém sua obra causou uma verdadeira revolução cultural no mundo. O jovem roqueiro, Bob Dylan, fugiu de casa depois de ler o livro; nosso cineasta, Hector Babenco, também. E há os que afirmam que, sem Jack Kerouac, os Beatles não teriam acontecido.

Eu ainda não fugi de casa, mas achei o livro um grande barato. Não me arrependo da feliz descoberta que fiz do autor, quase que por acidente, naquela distante e inesquecível aula de inglês, em Boston. Para o meu gosto, e gosto cada um tem o seu, Kerouac pode não ter sido tão bom escritor como foi Trumam Capote, mas era um cara que escrevia diferente, e que virou a literatura americana de ponta-cabeça, como também fizeram o próprio Capote (In Cold Blood), Falkner, e o grande Ernest Hemingway.

EMANCIPAÇÃO

Ademar Ayres do Amaral (ademar@amazon.com.br)

Sexta-feira. Luiza tinha ido embora sem bilhete nem até logo. Acabado, Gusmão assiste da janela as primeiras luzes da cidade. Olha o copo vazio, tremenda, bruta fossa. Entorna mais bebida no copo. O bar da esquina já recebia os primeiros visitantes, homens vindo do trabalho, e tomando uma loura suada antes da esposa. Súbito, do marasmo, é despertado pelo telefone.

-Alô.

Pausa longa, parecendo trote.

-Alô, quem é?

Do outro lado, a voz tremida, ansiosa, quase um sussurro.

-Gusmão, sou eu, a Mary.

Ele sentiu a cabeça estalar. Sintoma normal quando a raiva aflorava. Despejou:

-Maria das Dores?- acentuou o "das Dores".

-Gusmão, pelo amor de Deus...

-Ah, Maria, vê se não enche minha paciência!

O convite vem em forma de súplica.

-Gusmão, eu preciso falar com você.

-Não quero papo, você desencabeçou a Luiza!

-Gusmão, eu estou aqui no Cosanostra, é minha vida que está em jogo, nosso futuro, nosso destino.

-Nosso? Ora, vai à merda! Vida por vida, você já estragou a minha!

Mary começa a chorar.

-Gusmão, vem, por favor, ou você vem ou eu me mato!- e desliga.

Pensativo, Gusmão põe outra dose no copo, reflete, resolve:

-Pois vou. É tempo de dar umas bolachas nessa tal de Mariazinha.

Sai bufando de raiva em pleno rush, levando e devolvendo desaforos. Após várias voltas no quarteirão, finalmente encontra uma vaga pro carro. Entra no Cosanostra e manja o ambiente: casais nas mesas, amigos no balcão jogando conversa fora e tomando chope com música convidativa. Avista Mary, num canto, fumando nervosamente. Senta. Pede dois chopes. Ficava de certo modo desconcertado quando encarava Mary de frente. Mesmo sendo contra as suas idéias de emancipação, nutria por ela um grande desejo carnal, um secreto desejo. E num vestido justo e cheio de decote, Mary estava super tesuda naquela noite. Entrou de sola:

-Fala, Mariazinha!

-Olha o ambiente, Gusmão, não faz escândalo.

-Então fala logo!

Mary toma meia caneca de chope com tira-gosto de coragem.

-É sobre tua separação.

-Onde está minha mulher?

-Em Carajás, na Serra dos Carajás.

E explica com espuma na boca:

-Arranjei emprego pra ela, bem longe...

Gusmão agarra-lhe os pulsos.

-Ainda arrebento contigo!

Mary desaba chorando.

-Gusmão, fiz por nós, por mim, eu te amo, sempre te amei.

E beija as mãos dele com ternura desmedida como se fossem as mãos do arcebispo.

-Afastei ela de ti, será que tu não entendes?

Diante dessa inesperada revelação, a raiva inicial dele foi pras cucuias. E vários outros goles de chope e muitos cigarros, os dois, ali no aconchego do local, chegaram à bendita conclusão que tinham sido feitos um para o outro. Acabaram desesperadamente num luxuoso motel da cidade.

Passada uma semana, no sábado, Gusmão acorda às dez depois de uma tremenda noitada a dois. Tateia ainda sonolento o lado direito da cama, buscando costela no frio do ar condicionado. Toca num corpo nu e macio. Desliza a mão.

-Gusmão...

-Mary, chega aqui, dá uma costelinha.

Ela se enroscou nele e deu não só a costela, deu tudo. Em seguida, felizes e aplaudindo a vida, foram pro chuveiro e tomaram um banho demorado na base do afago. No mesmo instante, em Carajás, a emancipada Luíza levava uma tremenda dura do chefe e já lutava pra sobreviver.