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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Zunidor – Encontro dos Tambores (1)

Mais de 30 shows ocorreram por conta do povo dos quilombos que vieram do interior mostrar suas artes, principalmente o marabaixo e o batuque.

Obteve grande sucesso a apresentação do Grupo Pilão, que apesar de ser do Laguinho e divulgar por 36 anos o folclore amapaense, realizando um verdadeiro mapeamento cultural do Estado, nunca havia sido convidado para tocar nesse evento.

O Pilão abriu o concurso da “Negra mais Bela” e tocou para milhares de pessoas que prestigiaram o evento.

ZUNIDOR – Assembleia Legislativa

musicos_assembleiaA Assembleia já entendeu que deve promover a cultura local e integrar os produtores culturais à política. Tudo começou depois do sucesso do festival de música promovido por ela. Parabéns.

BANDA AFRO-BRASIL LANÇA DVD EM SHOW DE MARABAIXO E BATUQUE ESTILIZADOS

CANTORES DA AFRO-BRASIL (1)O contagiante som dos tambores aliado às cordas e outros instrumentos musicais da Banda Afro-Brasil sugerem o tempo de festejar Zumbi dos Palmares. Ela vem do Quilombo do Curiaú trazendo o ritmo que marca nossos mais tradicionais festejos, batuque e marabaixo, no lançamento do DVD “Uma Canção Para o Amapá”. Adelson Preto é o mentor da ousada proposta de trazer para estas festas pessoas de qualquer idade, principalmente jovens, para conhecer o que tem de mais forte na cultura amapaense. Nascido e criado entre o bairro Laguinho e o Curiaú, como a maioria dos 15 integrantes da banda, Adelson mostra no show a parte lúdica da história do negro no Amapá.

As músicas misturam os tradicionais “ladrões”, som do marabaixo, e o “bandaio”, do batuque, com seus tambores e caixas, à instrumentos pouco usados entre os antigos tocadores, mas necessários para o propósito de inovar para atrair público. As composições não fogem das raízes, são referências ao dia-a-dia do negro amapaense, com suas lidas, amores e fé. Criado por Adelson, mas com a interferência direta de quem vive a realidade do Laguinho e Curiaú, o repertório tem poesia e melodia que influenciam e chamam para a dança transformando o show em uma festa onde ninguém fica parado.

DE ONDE VENS, RAPAZ? - O berço onde, literalmente, tudo começou não poderia ser outro. Foi no Quilombo do Curiaú, no grande terreiro onde mora a Tia Chiquinha e sua imensa família formada por filhos, noras, genros, sobrinhos, netos, bisnetos e agregados, que nasceu a ideia de transformar em atração o que nada mais era que o cotidiano da maioria dos que vivem no quilombo do Curiaú. O batuque e o marabaixo, a confecção de caixas, pandeiros, tambores, de saias e lenços floridos, calças brancas e adornos para a cabeça e pescoço, tudo o que já era motivo de festa, foi usado para manter a tradição, atrair curiosos e um modo de ganhar a vida fazendo o que se gosta.

“Nossa vida sempre foi essa, pobre de dinheiro, mas cheia de música, liberdade e talento que veio no sangue, sempre abrimos nossa casa para receber devotos de nossos santos, amigos e pessoas interessadas em conhecer nossa cultura, de turistas a estudantes. Nosso dia é sempre assim, de muito trabalho com os animais que criamos, com a música, com nossas festas e produção de instrumentos. Então resolvi criar uma alternativa para manter viva a nossa tradição e garantir o sustento de nossa família, a aceitação foi sucesso e agora lançamos nosso primeiro registro”, disse Adelson Preto.

PRA ONDE TU VAIS? - Antes o grupo servia de base para outras bandas que buscavam a excelência em percussão, mas foi ganhando vida própria Em 2004, no Dia de Zumbi dos Palmares, 20 de novembro, foi lançada oficialmente a banda Afro-Brasil durante o Encontro dos Tambores. Ainda hoje eles são a base da Missa dos Quilombos e convidados para muitos shows que reforçam nossa cultura. O DVD foi resultado da gravação do I Festival de Ladrão de Marabaixo, realizado pela Confraria Tucuju em abril deste ano e mostra a apresentação da Banda que traz e essência de nossas raízes para o palco no mês da Consciência Negra e quando completam sete anos de contribuição para que a cultura do Amapá não seja somente contada, e sim vivida. (Fonte: Mariléia Maciel)

Foto: www.jeitotucuju.blogspot.com

quarta-feira, 7 de abril de 2010

PROGRAMA MOVIMENTO EM AÇÃO

DSCI0563_ Juliele esteve no Programa Movimento em Ação cantando acompanhada pelo Maestro Manoel Cordeiro. (Na foto: Cláudio Rogério, Juliele, Heraldo Almeida e Manoel Cordeiro.

Aniversário será comemorado com shows de artistas regionais

Por Mariléia Maciel

O Programa Movimento em Ação completa no próximo dia 8 de abril um ano divulgando a arte e cultura amapaense. Transmitido de segunda à sexta-feira, das 08:30 às 10:00, pela Rádio Equatorial, o programa tem como característica principal os microfones abertos para todas as áreas artísticas do Amapá independente de terem fama ou serem ainda talentosos anônimos em busca de reconhecimento. Apresentado pelo radialista Heraldo Almeida, na técnica Cláudio Rogério e como produtora Mariléia Maciel, o programa foi pensado por Vicente Cruz, presidente de Boêmios e do São José, entidades carnavalesca e esportiva localizadas no bairro do Laguinho como veículo de divulgação das atividades destas instituições e do Movimento Vento Norte, que reúne diversos grupos organizados de esporte, folguedos juninos e outros movimentos até então desconhecidos da grande parte da população fora das quadras carnavalesca e junina.

O espaço aberto para falar de cultura com seriedade, porém fora dos padrões dos programas jornalísticos de rádio que dedicam pouco tempo para cultura em sua programação, o Movimento acabou se tornando a ferramenta do tamanho exato para que artistas pudessem mostrar mais detalhadamente seus trabalhos. Saindo do tradicional modelo de pergunta e resposta, nele, o entrevistado encontra tempo para falar de sua carreira, trajetória, cantar e responder questionamentos de fãs sem a correria habitual. No início o dia de sexta-feira foi dedicado como exclusivo para um artista, o Balcão Cultural era o canal onde o artista passava 1 hora e meia numa conversa descontraída e inteligente com Heraldo Almeida e intervenção de ouvintes.

A produção passou a ser procurada por muitos integrantes de vários segmentos da cultura amapaense em busca de espaço. Foi esse o motivo que levou a coordenação do programa a ampliar o espaço para artistas sem esquecer do destaque para as agremiações laguinenses. “No início tínhamos um alvo, que eram as ações do São José, Boêmios e Movimento, mas logo percebemos que os artistas tinham necessidade de um programa que falasse somente de cultura local, que não misturasse com política, polícia e outros assuntos que já são debatidos por pelo menos oito programas matinais, então resolvemos reformular a programação, claro que ás vezes não tem como fugir das polêmicas, mas o principal é falar de nossa tradições”, fala Heraldo Almeida.

O repertório totalmente regional chama atenção dos ouvintes e mostram para um público diferenciado o que nossos artistas estão produzindo. A mistura de público é considerada pela produção como um caminho da várias mãos na divulgação de várias vertentes culturais. “Quem é de festejo junino passou a conhecer outros artistas locais como Fernando Canto e Amadeu Cavalcante, os que dançam marabaixo já sabem da obra poética de Ricardo Pontes e artistas como Joãozinho Gomes tem a oportunidade de saber um pouco sobre quadra junina, e por aí vai, tudo isso com informações de esporte e muito carnaval, sem falar dos cantos emocionantes de Tia Biló e dos antigos do Curiaú e Mazagão que sempre colocamos na grade musical”, fala o técnico de som e produtor Cláudio Rogério.

Hoje o programa é reconhecido pela classe artística e a produção é diariamente procurada por pessoas querendo participar. “O Movimento em Ação é referência quando se fala em cultura, o bom é que o acervo sempre se renova, com muitas novidades e portas abertas para todos, temos nele a chance de conhecer mais sobre nós mesmos e divulgarmos nosso trabalho”, fala a produtora cultural Clícia Vieira. “Procuramos fazer entrevistas que mexam com a sensibilidade dos artistas e dos ouvintes, houve casos em que alguns se emocionaram dentro do estúdio, tudo é feito com carinho e profissionalismo, até nós nos emocionamos”, fala Heraldo.

Para comemorar um ano de existência, a produção em parceria com a Bacabeira Produções está organizando uma grande festa aberta ao público. O lugar foi escolhido a dedo, em frente à Universidade Boêmios do Laguinho, onde será armado um palco onde se apresentarão os músicos que participaram do programa. “Será uma festa inesquecível, um encontro de talentos raras vezes vistas, estão confirmados Joãozinho Gomes, Val Milhomem, Amadeu Cavalcante, Patrícia Bastos, Ana Martel, Osmar Júnior, Nilsom Chaves, Juliele, Grupo Pilão e muitos outros que estarão juntos dos grupos de marabaixo e batuque, bateria de Boêmios, Sambarte, são tantas atrações que a noite vai ser curta pra prestigiarmos tudo”, fala a produtora cultural Clícia Hoana.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Momentos do Show Musical do Projeto Pixinguinha


Joãozinho Gomes, Patrícia Bastos e Enrico Di Miceli

Joãozinho Gomes, Lecy Brandão, Celso Viáfora, Nilson Chaves, Patrícia Bastos, Grupo Voz, Dante Ozetti e Enrico Di Micelli no final do show, com o Teatro da Bacabeiras lotado.
Joãozinho Gomes, iluminado
Patrícia Bastos
Patrícia Bastos e Lecy Brandão
Bi Trindade e Jomasan
Amigos Carlos Lobato e Juliele assistindo ao Show.
Fotos: Fernando Canto

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A MÚSICA ABRIU O BAR


Osmar Júnior, festejado cantor e compositor, reuniu amigos e admiradores na FAB, no final de junho para lançar seu CD do Bar do Abreu. O artista freqüenta o local há mais de duas décadas, sendo um acompanhante emérito do antigo bar itinerante e agora ponto boêmio mais tradicional da cidade.

De Zito Borborema trouxe de volta o sucesso dos anos sessenta “Ilha do Marajó”, aquela do “recebi um telegrama do meu velho pai/ me pedindo pra voltar”, que todos, surpreendentemente, sabem cantar por inteiro. Regravou “Pedra Negra”, do Grupo Pilão (Fernando Canto), com excelente arranjo e solo de guitarra do Cleverson Baía, interpondo um grito de indignação contundente no final da interpretação. Trouxe de volta composições suas, já gravadas, como “Kizomba”, “Pedra do Rio” e “Tarumã das Estrelas” e outras inéditas como “A Morada do Topo do Mundo” e “Sabiá Saudade”, além de “Blues Vinha D’alho” em parceria com o compositor paraense Walter Freitas e “A Brasileira” com Ronery.

A competência artística de Osmar jr. não se enquadra naquilo que equivocadamente chamam de regionalismo musical. Suas composições me parecem um esforço que procura extinguir o equívoco impregnado nesse rótulo.

A prova disso são as canções inclusas nesse CD, gravado ao vivo, onde o artista se expressa através de uma variedade de formas musicais de diferentes compositores e encontra o aplauso do público boêmio freqüentador do conhecido bar macapaense. Nesse trabalho o cantor-compositor se despoja de requintes para encontrar uma platéia fiel e contemplar no sorriso de seus fãs a satisfação de vê-lo cantando samba, marabaixo, xote e outras cantorias que a noite requer e chama. E vem acompanhado por grandes músicos locais que preenchem os espaços musicais com o poder dos seus talentos individuais, tais com o já citado Cleverson Baía, o Valério de Luca na bateria, Taronga, Alan Gomes e Odair, no contrabaixo (estúdio) e as participações especiais de Jeferson Silva no acordeon, Beto Oscar na viola e Ceará da Cuíca, que deram um “molho” fora do comum na execução das músicas.

Na canção “O Abreu Abriu o Bar”, um belo samba-bossa, Osmar mostra a realidade dos freqüentadores do local, retratando com a maior fidedignidade poética possível o que ali se sucede cotidianamente: os porres, os amores, os amigos, os poetas, a ilusão dos boêmios contumazes, o fiado, os jogos que passam na televisão e o apaixonado grito de gol do time do coração.

Suave, ótimo para ouvir e se deleitar, este CD é mais que um retrato do que se vem produzindo na música pelos nossos compositores e músicos: é, também, um ato de valorização das nossas coisas tradicionais – o próprio bar – já que tantos outros desapareceram e foram transformados sem que ninguém pudesse fazer alguma coisa. O bar Xodó, por exemplo, é apenas uma permanência na nossa memória, algo que fica porque representou um local da boemia macapaense que até hoje centenas de ex-frequentadores continuam festejando em réveillon, desde 1998.

Bom também será olhar o aspecto gráfico do produto. Um painel com caricatura dos proprietários e clientes, desenhado pelo artista plástico Alexandre Torres, procura retratar a o ambiente do bar, onde Osmar aparece em primeiro plano com seu violão.

A música de referência traz ainda uma homenagem póstuma aos poetas Alcy Araújo e Isnard Lima, citados nominalmente na canção, por serem também, como o compositor, insignes clientes do BA.

O CD “Osmar Jr. No Bar do Abreu” amplia o universo criativo do compositor, populariza ainda mais sua obra e representa uma ponte que reduz o fosso entre a música aqui produzida e a nossa vida amapaense.

Artigo publicado no Jornal A Gazeta, de 13/07/2009, disponível em http://www.jornalagazeta-ap.com/opiniao.htm