quarta-feira, 17 de novembro de 2010

CIDADE LANÇANTE

Por Fernando Canto

Fotos: Juvenal Canto

Esta baía

é uma grande gamela de líquidas contorções, ondas que bailam sob a música do vento.

Esta baía

não guarda mais o sangue inglês do comandante Roger Frey que pereceu sob a espada implacável do capitão Ayres Chichorro a 14 de julho de 1632, um dia claro, aliás, de verão amazônico, quando o sol derretia naus e o piche dos tombadilhos. Nem o sol, nem o vento, nem o oceano lá adiante cogitavam que naquela mesma data, dali a 157 anos o povo francês tomaria a Bastilha.

Na margem

esquerda deste rio imensurável uma floresta úmida abrigava uns seres esquisitos, cabeludos e cheios de penas coloridas que os portugueses conheciam por Tucuju, Tikuju, Tecoju ou Tecoyen. Segundo ensina a mestra Dominique esse era um povo de origem Aruaque, ocupante da Costa Sul do Amapá que se tornou aliado dos holandeses, dos franceses e dos irlandeses. Por isso foi atacado impiedosamente por uma expedição do desbravador Pedro Teixeira no ano da graça de 1624. Sua história, no contexto da nossa, dá conta que após a façanha do capitão português esse povo procurou abrigo no Cabo do Norte, mas foi reduzido pelos jesuítas a uma missão no baixo Araguari e pelos capuchinhos no baixo Jari. É provável que um pequeno grupo tenha sobrevivido ao sul do município de Mazagão até o início do século XIX. Desse pequenino grupo restaram apenas as cinzas do tempo e um soluço quase imperceptível que morre a cada segundo na agonia de todos os silêncios.

Esta baía

guarda estranhos segredos: uns são contados em língua morta, quando o hálito da madrugada sopra depois que a lua assim determina. Esses são de difícil entendimento. Os outros pairam nos escaninhos dos tabocais ou na boca das pirararas. Dificilmente serão contados.

O estuário

deste rio dadivoso acelera a corrente de 2,5 quilômetros por hora para jogar no oceano cerca de 220 milhões de metros cúbicos de água por segundo. O inacreditável é que apenas o desaguar de 24 horas daria para abastecer de água potável uma cidade superpovoada como São Paulo por quase 30 anos. Números são números, diria o matemático. Nessa foz está a redenção de nossa terra, diz o sonhador sem perder sua utopia. Do barro e dos detritos aluviais se faz a vida. E ela está ali dentro das águas à espera da sustentação das mãos trabalhadoras.

Esta baía

não se faz só de águas e barcos deslizando ao sabor das ondas. Ela abriga uma pequena jóia nascida sobre a várzea dos aturiás, velada há dois séculos por uma fortaleza plantada em cima de falésias.

Macapá,

velho pomar das macabas, carrega dentro de si a similitude de um éden tropical das narrativas dos antigos viajantes, até por ser banhada por tantos líquidos e cheiros advindos diariamente pela chuva refrescante e pela espuma das lançantes marés.

Macaba,

Maca-paba: gordura, óleo, seiva do fruto da palmeira, vida e princípio desta terra, posto que a sombra traz a ternura e contrasta com o benefício da luz que se espraia por glebas de esperança.

Antiga terra

da maleita e da febre terçã. Terra do “já teve” já não és. Mas alguns homens ainda jogam em teu traçado xadrez e, silenciosos, manipulam segredos e conspiram contra ti, a degradar-te e degredando teus verdadeiros sonhos e tua vocação para o abrigar da vida que se espera. Mesmo assim a felicidade bem insiste em se hospedar em ti.

Embora

batizada com nome de santo - especialíssimo no panteão católico - teus habitantes não ficam isentos dos perigos: pés se torcem ou se fraturam todos os dias nos buracos das ruas outrora bem cuidadas.

Agora

eu fico aqui me perguntando: por que quando te fundaram ergueram um pelourinho? - “Símbolo das franquias municipais”, dirão os doutos e sisudos professores. Ora, quantos homens não castigaram seus escravos até à morte após a partida do governador Francisco, porque estes aproveitaram para fugir durante a solenidade.

Um tralhoto

viu e contou ao Mucuim que diz-que o Ouvidor-Geral e Corregedor Paschoal de Abranches Madeira Fernando tomou um porre de excelente vinho do Porto ofertado a ele nesse dia pelo plenipotenciário capitão-general Mendonça Furtado, que daqui zarpou para o rio Negro para demarcar as fronteiras do reino, a mando de Pombal. Foi um dia de festa aquele 04 de fevereiro de 1758, porque nasceu naquele instante a vila de São José de Macapá.

E ela cresceu

e se fez linda e amada, pois os caruanas das águas vez por outra rondam em espirais por aí, passeando em livros abertos, nos teclados dos computadores, pelas portas e pelos filtros dos aparelhos de ar condicionado, nos protegendo das agruras naturais e das decisões de homens isentos do compromisso de te amar.

Da mão para a boca

da mão para a boca Por Ray Cunha ( http://raycunha.blogspot.com)

William Faulkner disse à dupla de entrevistadores da The Paris Review que o melhor emprego que já teve foi o de gerente de bordel. Dava-lhe liberdade econômica, deixando-o livre do medo da fome e de não ter onde dormir. Um prostíbulo é quieto de manhã, o turno de trabalho preferido dos escritores; e, à noite, se gostar de vida social, ele a terá. Dessa forma, um rendez-vous pode proporcionar segurança financeira, a solidão necessária para o ato de criar e diversão.

Um escritor de primeira categoria não precisa de nada disso, é claro. Escreverá na prisão, na sarjeta ou no Copacabana Palace. Como é de primeira classe, o ambiente não piorará, nem melhorará seu texto. Mas, de certa forma, dirigir um bordel representa o lugar ideal para o escritor, pois se a segurança financeira não influi no resultado da criação do artista, proporciona tranquilidade ao homem. E há a questão do silêncio pela manhã.

Inúmeros escritores foram artistas da fome na juventude, como o famélico personagem de Knut Hamsun. Viciados, fazem quase qualquer coisa para alimentar o vício, pois todo escritor classe A sabe que se não parir as personagens que o atormentam morrerá prematuramente; muitas vezes, louco. Então escrevem.

Escritores de primeira categoria só sabem escrever. Se nascem ricos, tanto melhor, do contrário penam durante muito tempo realizando todo tipo de trabalho para não morrer de fome. Gabriel García Márquez, o gigante de Cem Anos de Solidão, chegou a pedir esmola em Paris, onde outro monstro, Ernest Hemingway, teve que matar pombos, escondido, é claro, para se alimentar. Depois de O Sol Também se Levanta, Papa não precisou mais atacar pombos para saciar a fome.

Para muitos escritores classe A a briga inicial é manter o estômago aquecido. Outro tipo de tormento são as dívidas, pequenas, mas impagáveis, e às vezes grandes, que artistas da fome são obrigados a contrair. A angustiante falta crônica de dinheiro, a eterna corrida atrás de grana, os constantes pedidos de pequenos empréstimos aos amigos, as roupas puídas, os sapatos furados, são outras humilhações pelas quais passam os atormentados artistas da fome. Certa vez, convidado a um encontro num café com o diretor de uma revista na qual deveria assumir como editor, Gabriel García Márquez chegou antes do diretor e saiu depois dele, para que seu salvador não visse que o solado de um dos sapatos de Gabo estava solto, devido à absoluta falta de dinheiro para mandar consertá-lo.

Paul Auster foi outro que passou também pela falta de dinheiro. Auster é de Nova York. Tornou-se popular com Leviatã (1992). Incursionou pelo cinema. Foi o roteirista de Cortina de fumaça, Sem fôlego e O mistério de Lulu, que também dirigiu. A Companhia das Letras publicou, em 1997, Da mão para a boca - Crônica de um fracasso inicial (Companhia das Letras, 396 páginas, 1997). Da mão para a boca reúne 103 páginas de memórias; 49 páginas com três peças teatrais; 9 páginas sobre um jogo de cartas que Auster inventou para ver se ganhava algum dinheiro, mas não ganhou nenhum; e o romance policial A estratégia do sacrifício, com 205 páginas - algo na linha de Dashiell Hammett e Raymond Chandler. Auster o escreveu na tentativa de ganhar algum. Ganhou. A princípio, pouco. Mas o suficiente para sentir o batismo de fogo, como diria o poeta amapaense Isnard Lima Filho.

Auster não é Faulkner, nem García Márquez. Num momento em que Faulkner não dava mais conta de sustentar a família com os livros que publicara, escreveu Santuário, um extraordinário romance de gangster que encheu seus bolsos. García Márquez já havia publicado meia dúzia de livros e devia a todo mundo quando escreveu Cem Anos de Solidão, que começou a vender como pão francês. Acontece que, para o artista da fome, ter um livro aceito por uma editora representa o mesmo que, para o alcoólatra, uma linha de crédito num bar - sem fiador, nem cheque pré-datado, nem limite. Um acontecimento único, embora improvável, na vida de um pé inchado.

Da mão para a boca narra as peripécias do artista quando jovem. Auster nasceu numa família da classe média, mas não deu pistas de que queria ser escritor, para não assustar ninguém. Apenas alimentava as baterias da criação e ia comendo o que lhe era servido à mesa, sem reclamar. Fez todo tipo de tarefa para aguentar-se, enquanto imergia no seu bordel particular, para trabalhar na Estratégia do sacrifício. Assim, Da mão para a boca é o dia-a-dia de um candidato a escritor.

Os iluminados não estão preocupados em obter carteirinha de escritor, nem com subvenções oficiais, nem em puxar saco de ninguém. Sabem que nada disso é capaz de aumentar seu talento. Sobrevivem aceitando quase qualquer serviço que lhes apareça. Não pedem muito, nem exigem coisa alguma que represente luxo. Só querem ter seu bordel particular, pois sabem que sem poder escrever serão alcoólatras a seco. Sem nem mesmo cachaça de Abaetetuba, uma das mais ordinárias do mundo, pois contém muita soda cáustica e água.

Neste Da mão para a boca, Auster mostra com precisão o drama de quem nasce com o dom de criar, pois para criar é preciso tempo, tempo que poderá ser precioso para a sobrevivência. A menos que se escreva logo de início algo como O sol também se levanta. Aí, dá até para viver em Paris.

Tudo é válido para o candidato a escritor, no seu esforço de criar; inclusive se expatriar no jornalismo. No caso de um escritor amazônida que sobrevive de jornalismo, em Brasília, e escreve sobre políticos, ele sabe que o encontro com a solidão, aquela solidão que só os estrangeiros sentem, desnorteante e seca como um soco na boca do estômago, é certa, mas sabe também que não há outro modo de chegar ao bordel. 

Brasília, 10 de maio de 2008

terça-feira, 16 de novembro de 2010

É BIG! É BIG!

carlos lobato Parabéns o amigo Carlos Lobato pelo seu aniversário. Sucesso.

CORNUCÓPIA DE DESEJOS

cornucopia Para Sônia, que comemora o seu aniversário no Dia da Proclamação da República.

Por querer expressar meu pensamento sobre as coisas em meu idioma, às vezes arrebato o próprio coração em sofridas angustiosidades e dissentimentos infaláveis.

É o caso do amor ensolarado que sinto agora, neste mirífico momento. Um assunto ressoante, uma prosa-cornucópia (onde abundância reina) a refratar-se sem a culpa do inexpressável parlar.

Não vejo como não ensopar-me de enluação nesta crônica de candura quase irrevelável, posto que o meu amor possa entender-me ou espumar-se para sempre para o inevitável espanto que a declaração enseja. Paresque um salto com a vara achada (depois de perdida) numa olimpíada de sonhos.

Assim eu declaro: a cobra norato, o m’boitatá e as luzes do fogo-fátuo se expiram na noite. Teus olhos não! Teus olhos ternuram a medida do dia, solfejam histórias e cantam paisagens inescrutáveis para os sonostortos dos mortais. Eu sou o arauto deste cenário-testamento a castigar retumbantemente o couro dos tambores; eu anuncio a sublime compreensão do “amooor” que ecoa em gargalhadas sobre as ondas do rio. Eu declaro ainda: a pedra em sua bruta forma tem dentro de si os elementos primordiais que suprem tua sede de amar. Balance a pedra e sinta o gutigúti da sua oferenda. Lapide-a, pois ela provém da terra, e então perceberá o calor do fogo da paixão libertadora e o ar morno que movimentará o sangue pelas entranhas.

Num átimo, um áugure qualquer (que são muitos e banais) lerá tua sorte: dirá augúrios, claro. Um aúspice (que estão cada vez mais raros) dirá tua sina no vôo dos louva-deuses. E te auspiciará de boas-novas e de valores inequívocos.

Ora, dizendo isso afirmo que sou aquele que nem sabe discursar suas dores, inda que saiba do futuro, pois habito o limiar do tempo. Eu sou a timidez em prosa e verso, aluno de poesia, mas prenhe de pecados, porque ingiro virtudes nos bares da noite e não sei segredar projetos inexequíveis. Não sei, juro pueril e ludicamente (mas com toda a sinceridade de uma parlenda) pela fé da mucura, torno a jurar pela fé do guará, torno a repetir pela fé do jabuti, que não sei mentir ao sabor do vento dos ventiladores que me sopram fumaça de cigarro. Descobri que sei de ti mais do sabes da pedra em teu caminho. Sou teu (adi)vinho incontestável, ad-mirador de tua ternura. Por isso do alto da minha velada arrogância sei que tu também me amas.

Mas é de ti que quero o conteúdo dessa bilha onde Ianejar e seus pareceiros se abrigaram do fogo ardente e do dilúvio. É por ti que generalizo a farsa da criação sem pesadelos cosmogônicos. Eu me agonizo em mistérios. Eu eternizo o meu olhar nessa paixão. E me enleio como as borboletas que viajam ao paraíso pelo buraco sem-fundo do fim da terra.

Por isso eu sei que te amo.

Por isso vago ainda em fluidos imemoriais sempre presentes, antes do esquecimento das vitórias que juntos comemoramos. Por isso a ternura há de ser o mais farto elemento da imensa cornucópia de desejos que realizamos juntos. (Fernando Canto)

Publicado no jornal “A Gazeta” de domingo, 15/11/10

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

COLUNA CANTO DA AMAZÔNIA

Publicada no jornal “A Gazeta” de sexta-feira12.11.10

IRÊ PEIXE

Depois da exposição “Artistas Brasileiros 2009 – Novos Talentos/Pintura”, realizada no ano passado no Salão Branco do Palácio do Congresso Nacional, a convite do senador José Sarney, a artista plástica Irê Peixe agora se prepara para uma mostra individual em Macapá.

Mais madura, e trabalhando configurações a partir de elementos simbólicos da nossa capital, a pintora há tempos explora esses elementos que dão um teor romântico e ao mesmo tempo lúdico ao seu trabalho. Dizem que filha de R. Peixe, peixinha é.

DESENCONTRO DOS TAMBORES

O pessoal do Laguinho andava de orelha em pé por ter circulado a notícia que o mais importante evento da negritude da região seria transferido para a Expofeira, em Fazendinha, e não mais ficar no Centro de Cultura Negra. Os brabões do pedaço diziam que seria um absurdo mudar o lugar da tradição só para se encaixar nas curtas verbas do governo estadual. É que pela primeira vez em 16 anos que os eventos coincidem.

Mariléia Maciel, assessora de comunicação da UMA, confirmou à coluna que a Missa dos Quilombos e outras manifestações da programação serão realizadas no CCN, a partir do dia 20.

MOVIMENTAÇÃO

Segunda-feira passada foi um dos dias mais movimentados do campus Marco Zero. O auditório multiuso estava cedido para a Polícia Militar que fazia a formação de novos cabos e soldados. No auditório da reitoria ocorria a abertura da 3ª Semana de Arquitetura e Urbanismo, e paralelamente também acontecia o seminário de Ciências Ambientais e o Congresso de Iniciação Científica, além das aulas normais.

Na abertura do SAU o reitor em exercício, professor Antônio Filocreão, disse que “eventos como este dão tesão à academia porque o aluno quer algo mais que as aulas e provas”.

AUDIÊNCIA PÚBLICA DE CULTURA

Quase um “chororô de arrependidos” foi a tônica geral dos discursos dos representantes de órgãos culturais do Amapá, na terça, dia 09. Mas como é final de governo valeu até chutar cachorro morto.

O cantor Zé Miguel, que na ocasião disse representar o governador eleito, falou que “antes tarde do que nunca”, sobre o papel de muitos artistas que só agora se manifestaram, depois de se banharem bem nos favores dos governantes. Falou sobre a condição dos participantes do Encontro dos Tambores, que vêm do interior e não são contemplados com alojamentos condignos, que o Teatro das Bacabeiras é um atraso, e concluiu convocando os produtores culturais a mudarem, em função de um novo ciclo que se aproxima, para assim poderem determinar uma cultura de qualidade no Estado.

CADÊ A EMENDA DE 400 MIL?

A nova diretora do Centro Cultural de Formação Musical Walkíria Lima, pedagoga Josiane Siqueira, após apresentar o quadro de dificuldades pelo qual passa a escola (que são inúmeros), informou ao público presente que havia uma emenda parlamentar do deputado Jurandil Juarez no valor de 400 mil reais para compra de instrumentos musicais em 2010.

Mostrando a cópia do documento de depósito do valor da emenda, perguntou: “- Onde estão esses instrumentos?”. Se ela, que é a diretora, não sabe...

ALUGUEL DE 35 MIL

No rol das denúncias, o diretor do Teatro das Bacabeiras, Disney, disse que até hoje a reforma do prédio do teatro não foi completada, e que a empresa que iria reformá-lo levou a bomba de refrigeração para consertar, mas nunca devolveu.

O compositor Cléverson Baía trouxe a baila novamente a criação do teatro municipal, cobrou o funcionamento do Conselho Municipal de Cultura e da escola de música Amilar Brenha que está entregue às baratas.

Já a escola de Artes Cândido Portinari, cujo prédio merece um estudo técnico melhor para se pensar em demoli-lo, funciona desde o ano passado em um edifício no bairro do Trem com o dono atrás do couro do governo, que deve há sete meses o aluguel de 35 mil por mês. Égua!

EDUCAÇÃO ESPECIAL

A professora Marinalva Oliveira, coordenadora do Núcleo de Educação e Cultura da UNIFAP, participou do IV Congresso de Educação Especial em São Carlos - SP.

Liderava o grupo de pesquisa sobre inclusão de crianças com Síndrome de Down, onde as mestrandas Rosinete Rodrigues, Maria do Carmo, Cleidenira Vieira e Zeildes Paiva, do MINTEG, também participaram.

No grupo estavam vários pesquisadores, além do vereador Clécio Luís, que se destacou pela presença atuante em todas as atividades, se atualizando das discussões em nível nacional e internacional, como forma de trazer idéias de educação inclusiva para o município de Macapá.

ZUNIDOR

A coluna lamenta o falecimento do padre Paulo Lepre, na Itália.

Amanhã e domingo acontece o 3º Encontro de LGBT, que tem como tema “Saúde: direito de todas e de todos”, no hotel Mara.

O vereador Clécio Luís informou que o orçamento da Prefeitura contemplou a cultura municipal com apenas 0,2% (um pouco mais de 1 milhão de reais) em 2010. O edil lamentou que a lei do Fundo de Cultura do Município, de autoria do vereador Marcelo Dias, não foi contemplada para 2011, mas garantiu que ainda há tempo de mudar o orçamento até a aprovação da lei orçamentária.

O multiinstrumentista Finéias Nelluty falou que “fumaram o som do TB”.

Zé Miguel, a quem atribuem a cadeira do futuro secretário de cultura do Estado, falou em seu discurso do interesse que os índios do Kumenê (Oiapoque) tem pelo ensino da música, que já é uma idéia de projeto cultural.

A presença de apenas seis parlamentares na audiência da cultura na CV mostrou o desinteresse político dos nossos “representantes”, inclusive dos que dizem defender a população e a cultura negra do município.

Inderê! Volto zunindo na sexta.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O CABO CAMILO, PIONEIRO DO AMAPÁ

Cabo Camilo Hoje fazem quatro anos que o Cabo Camilo, meu sogro, partiu para outra dimensão. Este texto, escrevi por ocasião do seu falecimento e está publicado no meu livro Adoradores do Sol (Scortecci, 2010)

 

“Os filhos do Cabo Camilo não sabem da importância dele para o município de Amapá”. Com essa frase o ex-prefeito Leonel Nascimento buscou dar o mérito e a consideração ao ex-vereador e enfermeiro aposentado daquele distante local, falecido aos 88 anos no último dia 11. Leonel, que aos 84 anos continua lúcido e forte, também é dono de uma prodigiosa memória que surpreende os ouvintes de suas histórias pelos detalhes de nomes, datas e lugares. Contou-nos sobre vários episódios do Cabo Camilo como enfermeiro, das vidas que salvou e das pessoas que ajudou “naquela época brava do pós-guerra”, onde não havia médicos e quase nenhum medicamento, mas uma enorme capacidade de improvisação, principalmente quando se tratava de acidentes.

Camilo Rodrigues da Silva entrou para o Exército como padioleiro em 1936 e no ano seguinte fez o curso de saúde do Exército no Hospital Militar de Belém. Em 39 foi transferido para a 3ª Companhia de Porto Velho onde foi promovido a Cabo de Saúde indo um ano depois para o Pelotão da Vila Bittencourt, em Japurá, no estado do Amazonas. Ali ele conheceu a filha de um rico dono de seringal, a professora Alba Cavalcante da Silva, com quem se casou e teve doze filhos, dos quais onze no Amapá. Só em 1945, no final da Segunda Guerra, é que veio para a 4ª Companhia do Amapá, servindo até 1950, quando se licenciou da caserna. Ingressou nos quadros do Governo do Território Federal, em 1952, como enfermeiro para trabalhar na antiga Base Aérea, até se aposentar. Mais tarde entrou para a carreira política, sendo eleito vereador pela extinta Arena em 1976, como o mais votado. Participou de inúmeros seminários e congressos de vereadores por todo o país e contribuiu grandemente para o desenvolvimento do seu município em duas legislaturas.

Depois de salvar tantas vidas e curar tantas pessoas, infelizmente sua luta contra a cegueira foi em vão. A idade avançada e as mazelas decorrentes dela também lhe tiraram a força e a voz. Mas embora sofresse com a senilidade não perdeu a lucidez e conseguia se comunicar até o último alento nos braços de sua filha Suely, que dele cuidou com extraordinário carinho por longos anos, sem tirar o mérito dos outros irmãos.

A vida longa do Cabo Camilo não permitiu que muitos amigos fossem ao seu enterro porque só os mais novos é que estão vivos. Mas as lembranças daqueles que nos são caros sempre causam comoção no momento do ritual da despedida. Um enterro sempre conduz ao “nunca mais ver” o ente querido, e o real e o atual se transformam na breve virtualidade do odor das flores, emblemática visão de um adeus que inevitavelmente suscitará a eterna saudade.

Decerto as lágrimas derramadas serão o exemplo vivo do nosso perdão aos defeitos do morto. E elas terão que regar a terra pela qual passamos com nossos pecados particulares, no nosso trajeto diário em direção ao fim da vida e ao encontro do Criador. Requiescat in pace!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Quase Diário, um poema de Luiz Jorge

Oavesso do espantalho[2]

Éramos muito jovens para fazer sexo.

Então, de mãos dadas e Havaianas trocadas,

Fomos aprender inglês.

Gastamos momentos de uma noite escura

“a ver a lua” beber água do rio.

Voltamos para casa molhados de suor,

chuva e saliva como em um frevo.

Eu vim pulando sobre a perna direita

fazendo “piruetas”.

Ela veio cabisbaixa pensando em usa Rimel

e diminuir a silhueta;

Eu pensei em Fevereiro ir morar no Rio

de Janeiro.

Ela queria ser aprovada na prova de

Admissão para a Escola Normal de Macapá.

Depois, ficamos grávidos.

Ela ganhou gêmeos.

Dois dias depois, eu ganhei um violão.

Obturei um dente que doeu.

Comecei a usar óculos e pisar errado nos

degraus corretos.

Um dia eu mudei, fui de Varig, achando

perto o imaginário.

Completei dezenas de aniversários.

As crianças já devem parecer com humanos.

Rasgados planos e panos.

Surtei casando avexadamente.

Perdi seu retrato no cinema.

Entre as coxas de Helena.

Que até o filme terminar, nunca mais

Largou de mim.

Hoje eu volto ávido.

Extremamente pálido. Já avô.

________________

Luiz Jorge Ferreira é paraense, médico e escritor. Tem fortes ligações com Macapá, onde passou a infância e parte da adolescência.

Este é o sexto livro de poesia do autor, radicado em São Paulo. Antes dele, foram publicados: Berro Verde, Tempos do Meu Tempo, Cão Vadio, Beco das Araras e Thyabum.

O Avesso do Espantalho mostra a sua poesia evoluindo consigo e em si. Espelhada com o que lhe cerca, incomoda, soma e subtrai. (Ed. Scortecci. São Paulo, 2010)

Publicado no jornal Correio do Amapá de domingo, 07/11/10

terça-feira, 9 de novembro de 2010

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

domingo, 7 de novembro de 2010

BOI-BUMBÁ, Ê BOI!

Publicado no jornal “A Gazeta” de domingo, 07.11.10

camila_emanoelPara Emanuel e Camila, donos do “Boi de Ouro”.

“Abra a porta, acenda a fogueira/ Dona da casa, meu boi chegou/ Ele urra e estremece/ Que a boiada levantou”. Assim chegava o boi “Vem-te-ver” cantando o seu abre-alas nas portas das casas que o convidavam a exibir-se, sempre no início da noite nos bairros de Macapá antiga. E era tão grande o acontecimento que gerava grande expectativa na garotada, por serem tão pequenas as opções de lazer da época. No Laguinho, onde eu morava quando criança ficava apreciando aquele cortejo colorido dos trajes dos personagens, que vinham alegres cantando na rua, fazendo evoluções e apologias ao próprio boi, expressa nos cânticos fáceis e bem populares. À sua frente a figura clássica do dono do boi, o seu Gabriel, meio gordinho, baixo, de bigode a Clark Gable, com um grande chapéu e uma muxinga à mão. Ele encarnava também a figura do fazendeiro na representação do auto. A sátira, presente nas músicas e na atuação dos artistas, trazia um encanto indescritível.

O “boi-bumbá” é folguedo folclórico amazônico, réplica do “bumba-meu-boi” nordestino. Segundo Raimundo Morais (apud Vicente Salles), o “Boi-cordão Boi-bumbá é: certo número de homens e mulheres que, pelo tempo de São João, anda fazendo dançar o boi. Há o “boi-canário”, o “boi-laranja”, o “boi-estrela”. E, por ampliação, a “Ema”, o “Pavão”, a “Garça”. É um velho divertimento popular que parece oriundo da África”. Já Câmara Cascudo fala do “bumba-meu-boi” com nuances amazônicas. “O elenco do “boi-bumbá” inclui o senhor da fazenda, dona Maria, sua mulher, a moça branca, filha do casal, amo (feitor da fazenda), rapaz fiel (vaqueiro), dois vaqueiros, rapazes (vaqueiros auxiliares), Pai Francisco (preto velho, Mãe Catirina (sua mulher), Cazumbá, preto velho e seu companheiro, Mãe Guimá (mulher deste), “diretor” dos índios, que é o chefe da maloca, “doutor curador” e seu ajudante, um padre sacristão, um menino que serve de “rebolo” (segura os chifres do boi, rebolando-se enquanto Pai Francisco simula amolar uma faca para fazer o ”repartimento”), o “tripa” do boi (homem debaixo da armação, movimentando-a), maloca dos índios e roda de brincantes. Pai Francisco mata o boi para satisfazer ao “desejo” de Mãe Catirina e faz a divisão da carne e das vísceras. O fazendeiro manda prendê-lo pelos índios, previamente batizados por um falso sacerdote. O “doutor curador” ensina a Pai Francisco a técnica de espirrar em vários pontos do boi até despertá-lo (o sinal de cura é um peido). Bailados, desafios, saudações. O “boi-bumbá” outrora visitava as casas amigas e agora dança num local determinado para exibição, chamado “curral”: terreiro, barracão, tablado. Ajusta-se com outros folguedos como grupos figurando índios, bichos, pássaros, etc.”

Como a maioria dos folguedos juninos, antigamente a peça não era escrita, mas sim improvisada. O seu bom resultado ficava por conta da representação do artista popular, do seu talento, o que lhe dava grande responsabilidade de desempenho. Até hoje, nos lugares onde o folguedo subsiste, nem sempre as falas são obedecidas conforme os ensaios, o improviso pode ser a tônica do humor ou da dramaticidade que alguns quadros exigem.

Porém, antes de ser apenas um folguedo de divertimento popular o “boi-bumbá” também é, segundo V. Salles, um “brinquedo rural, da área pastoril que tem como principal motivação a luta de classes na sociedade colonial brasileira, de economia agrário-pastoril e regime escravista”. Leva-se em consideração aí, que desde 1850 já se tinha notícia escrita sobre o assunto, mas foi só depois que o tema foi abordado por vários escritores regionais, como Dalcídio Jurandir e na música por Gentil Puget e Waldemar Henrique

Por ser uma peça em que está presente a representação da morte, sua estrutura induz à reflexão religiosa ou totêmica diante de uma realidade social, pois o negro escravo tinha diante de si a busca da liberdade. Entretanto, por ser popular, era comum acontecerem as rivalidades entre esses cordões, posto que as prefeituras da região sempre promoviam concursos para a escolha do melhor boi, dando-lhes premiação que orgulhava o vencedor e estimulava o outro a vir melhor no ano seguinte. Por conta disso acirravam-se os ânimos nos encontros nas ruas e, assim, a pancadaria se generalizava e virava caso de polícia. Hoje esse antagonismo está mais para a espetacularização do folclore, que por sua vez virou atração turística, como no caso de Parintins, entre os bois “Garantido” e “Caprichoso”.

Infelizmente em Macapá esses cordões sumiram com a morte de seus promotores e por falta de incentivo. Vez por outra aparece um cordão que pouco se apresenta e não tem divulgação alguma pela imprensa. Talvez por ser satírico e caracterizado formal e literariamente como farsa, o folguedo já não pode competir com as peças de teatro e programas televisivos. Mas o “boi” ainda tem muito a ensinar. Em que pese os percalços e profundas mudanças do cenário social, os personagens continuam os mesmos, e continuam a satirizar e ridicularizar as ambições e as esquisitices dos poderosos de todas as farsas.

Gilcilene Oliveira 1º lugar no Festival SESI Música.

 

GILCILENE OLIVEIRA_INTERPRETAÇÃO

Gilcilene Oliveira, representando o estado do Amapá e a empresa Anglo American venceu em 1º lugar, na categoria Interpretação, a terceira edição do Festival SESI Música. Gilcilene competiu com 1.600 trabalhadores de mais de 700 empresas. 
A empresa Anglo American foi uma das vinte e seis empresas homenageadas na noite de ontem por investir na participação dos
trabalhadores em projetos culturais e estimular o talento dos empregados. A homenagem aconteceu no Teatro SESIMINAS, em Belo
Horizonte, durante o encerramento do Festival SESI Música.
As indústrias homenageadas se destacaram pela atuação em projetos culturais e o envolvimento dos funcionários nessas atividades.

COLUNA CANTO DA AMAZÔNIA

Publicada no jornal “A Gazeta” de sexta-feira 05.11.10

ARQUITETURA E URBANISMO

05032008094Começa nesta segunda-feira e vai até o dia 12, nos campi Marco Zero e Santana a 3ª Semana de Arquitetura e Urbanismo, realizada pela UNIFAP e Caixa Econômica Federal, com o apoio de várias entidades e empresas ligadas ao setor da construção civil.

O tema do evento é “Arquitetura e urbanismo: reflexões sobre a realidade amapaense”. Nele ocorrerão quatro palestras, 11 cursos, três oficinas, dois seminários e o lançamento de um livro.

O curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIFAP se enriquece a cada ano com esses importantes debates acadêmicos, que discutem e refletem sobre a qualidade de vida do nosso Estado. Inf: Campus de Santana, 3282-1154/1277.

SITUAÇÃO CAÓTICA DAS ESCOLAS DE ARTE

Foto da cândido portinari

Preocupado com a situação cultural do município de Macapá, o vereador Marcelo Dias propôs, e agora vai realizar uma audiência pública na Câmara dos Vereadores com os segmentos culturais.

A audiência se chamará “Infra-estrutura na cultura de Macapá/Amapá”, e terá por objetivo cobrar do poder público e buscar soluções para as razões que determinaram a situação caótica existente na área, praticamente com as escolas sem funcionar e à beira da falência.

Chegam informações que vão demolir o prédio histórico da Escola de Artes Cândido Portinari; que os alunos da Escola de Música Walkíria Lima não têm aulas e nem lugar para estudar, apesar dos esforços dos docentes, e que a Escola Municipal de Música Amilar Brenha, do bairro Brasil Novo virou pombal e ponto de gangues, graças ao abandono de suas atividades.

BOLSAS DA UNESCO PARA ARTISTAS

Quem quiser passar uma temporada a fim de desenvolver seu trabalho numa residência artística no exterior deve acessar www.unesco.org/culture/aschberg/ . A instituição tem um programa de bolsa completa, com transporte, estadia e estúdio, que oferece a jovens artistas entre 25 e 35 anos, a chance de desenvolver trabalho em diversos países do mundo.

As residências duram geralmente de 2 a 3 meses e as bolsas serão concedidas durante o ano que vem para a Índia, Austrália, Canadá, França, Itália e Estados Unidos, para as artes plásticas, música e literatura. Maiores informações em: www.sacator.org .

FESTIVAL DO SESI

Termina hoje, no teatro SESI, em Belo Horizonte, a terceira edição do festival SESI Música, onde 65 funcionários de 55 empresas brasileiras participam.

Nas 27 etapas regionais o festival envolveu 700 empresas e mais de 1600 empregados em todo o país.

O Amapá está concorrendo nas categorias “Música inédita”, com Lenilson Buriti, que classificou a música “O velho mandingueiro”. Na categoria “Interpretação” concorre a cantora Gilcilene Oliveira, ambos da Anglo American.

ZOMBIE WALK EM MANAUS 2010

O Zombie Walk é um evento que acontece em cidades de diversos países. Consiste em pessoas vestidas de zumbis (como nos filmes clássicos de horror) caminhando ou correndo por grandes centros urbanos. Os participantes organizam uma rota pré-estabelecida nas ruas da cidade.

A edição 2010 ocorre amanhã, em Manaus, a partir das 20h00. Haverá show das bandas Soda Billy, Playmobils, Supermáquinas e Poodie, discotecagem e exibição de filmes e videoclips com o tema. Inf: http://www.orkut.com.br/Main#Community?Cmm=26212751 .

ÚLTIMO CENSO

ibgeAté o final do mês, quando termina o Censo 2010, muitas mudanças e tendências serão conhecidas: as grandes cidades brasileiras, por exemplo, estão parando de crescer em função da redução da taxa de fecundidade e do espaço urbano. A média de habitantes por domicílio será de três pessoas. Os especialistas do próprio IBGE acreditam que este será o último censo que as megalópoles brasileiras ainda registrarão crescimento populacional.

Graças à rápida informatização da sociedade, pode ser que em 2020 já não haja necessidade de novo censo, pois os dados pesquisados estarão disponíveis nas redes de computadores em tempo real. (fonte: O Globo).

VÍDEOS PREMIADOS

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Em 1985, com a transição democrática (final da ditadura/início da Nova República), o publicitário Walter Junior do Carmo produziu e dirigiu cinco filmes em vídeo para o Governo do então Território Federal do Amapá: “Julião Ramos, o Patriarca do Laguinho”, “Curiaú, o Quilombo da Liberdade”, “O Espetáculo das Águas” (que inclui “Cachoeira de Santo Antônio” e “A Pororoca”) e “O Choro Mágico de Amilar Brenha”, todos com a narração do saudoso Walter Bandeira e com roteiros feitos por mim.

Após um tratamento digital feito por WJR, o filme sobre o bandolinista de Mazagão, Amilar Brenha, concorreu e obteve uma menção Honrosa no 8º Festivídeo de Belém e o 1º lugar (Melhor Documentário), no 1º Festicine, de Manaus.

ZUNIDOR

Já foi aprovado pelo Ministério das Comunicações o local de instalação e a utilização dos equipamentos da Rádio Universitária FM 96,9 MHz.

José AraguarinoDia primeiro foi comemorado o 90º aniversário de Araguarino Mont’Alverne, no salão de eventos do Macapá Hotel. Muita alegria dos familiares a essa forte coluna da Maçonaria amapaense.

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Quase ninguém repara aquela cruz diferente no pórtico do cemitério de Nossa senhora da Conceição, no centro da cidade. Mas a pontas dos pilares do muro da frente é que fazem a diferença; assemelham-se a chapéus piramidais.

Reitor Tavares informa que até o fim do ano a UNIFAP já obterá a outorga da TV Universitária.

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Os parabéns da coluna aos novos governantes do Amapá e do Brasil.

Inderê! Volto zunindo na sexta.

domingo, 31 de outubro de 2010

A DECISÃO DO VOTO

Publicado no jornal “A Gazeta” de domingo, 31.10.10

urnasAo apertar o último botão na urna eletrônica o eleitor deverá ter passado por um processo de escolha eleitoral iniciado há muito tempo. Falo aqui do eleitor consciente, aquele que juntou aspectos pontuais nesse caminho, após seus sentidos absorverem a conjuntura atual, o processo eleitoral e as campanhas, com suas propagandas, informações, atividades políticas e conversas descontraídas no seu círculo social.

Mas nesse meio termo outras situações encontradas na realidade política se inserem na vida social, desde as mais torpes propostas de compra de votos às projeções de candidatos “heróis” fabricados pela mídia; desde as emoções causadas pelas promessas inevitáveis à busca de uma linha que conduza a um plano de governo sério, não-descartável enquanto projeto.

Por ser o eleitor perfeitamente influenciado pelo meio que vive, as atitudes que determinam suas escolhas são psicológicas, pois produzem situações que o levam a ter suas preferências, talvez não sem antes gerar em si algum tipo de conflito, dadas as opções do voto. No caso amapaense esse aspecto se exacerba devido a população ser pequena, a proximidade dos candidatos com a família, o meio e as relações sociais.

Diferentemente do Brasil, onde a maioria dos eleitores costuma definir seu voto a partir da imagem que têm do candidato, na América o elemento central e causador decisivo do voto é a identificação partidária, “traduzida como compromisso forte e que influencia a maneira de os eleitores olharem o mundo político”. Segundo a famosa Escola de Michigan (Universidade de Michigan, EUA), “a identificação partidária seria uma atitude complexa pela qual o eleitor se considera ligado a um partido, simpatizando com ele e disposto a colaborar com o voto”.

O brasileiro, de acordo com Marcelo Galli, define o voto na dimensão do imaginário, ou seja, naquele que corresponde as suas expectativas, daquele que acha que não o decepcionará, partindo do pensamento “dos males, o menor”. Mas a avaliação geral dos políticos em nosso país mostra que o eleitor os considera como embromadores, oportunistas, ambiciosos, espertos, despreocupados com o bem comum, e corruptos. O político ideal teria como característica positiva, por ordem de importância, o seguinte: a honestidade, o trabalhar pelo povo e a competência. A ideologia do candidato, nessa avaliação, é minimamente citada.

Por ser a imagem um fator fundamental para a escolha do voto, os marqueteiros não hesitam em projetar candidaturas com imagens irreais dos indivíduos. E tratam de “vendê-las” como salvadores da pátria que resolverão todos os problemas do Estado e outros mais, pois há quem compre a imagem como um produto de consumo.

Não acho impressionante a avaliação feita por pesquisadores e cientistas políticos sobre o eleitor e o político ideal, mas respeito. E creio que os tempos e os costumes se encarregarão de mudar para melhor a face e a personalidade daqueles que ambicionam servir o povo, governando-o. A ideologia, que há pouco tempo penetrava como água nos meandros da política brasileira é pouco citada, e isso se deve certamente às decepções que o eleitor vem tendo seguidamente junto aos que colocou no poder. No entanto a cada eleição realizada o perfil do eleitor parece melhorar. O Trabalho árduo dos tribunais eleitorais em fazer cumprir a lei vem inibindo as artimanhas e toda sorte de abusos e coações de candidatos que fazem do eleitor apenas um indivíduo anônimo e não um cidadão que com o peso de seu voto pode mudar o rumo da sua vida, do seu Estado e de seu país.

COLUNA CANTO DA AMAZÔNIA

Publicada no jornal “A Gazeta” de sexta-feira 29.10.10

UNAMAZ EM MACAPÁ

O vice-presidente e atual presidente para o Brasil da Universidade dos Países Amazônicos – UNAMAZ, e ainda reitor da UNIFAP, José Carlos Tavares, vai promover na sede da ANDIFES em Brasília, ainda este ano, mais um seminário sobre os avanços científicos dos países associados.

Em março de 2011 essa importante instituição científica e educacional realiza em Macapá um seminário internacional sobre Integração da Amazônia.

CALCINHA PRETA E DUDU

Estão agendados para se apresentar na Expofeira o grupo de forró Calcinha Preta, no dia 13 de novembro, o sambista Dudu Nobre, dia 20, e Régis Danese, ídolo da música evangélica, no dia 17.

Por outro lado (o lado daqui), vai diminuir bastante o número de artistas locais em relação ao ano passado, quando se apresentaram 343 atrações – música e dança. Este ano só 300 serão contempladas.

PATRÍCIA

EXIF_IMGPatrícia Bastos, nossa mais conhecida cantora, fará show em São Paulo no dia 23 de novembro, no SESC Vila Mariana, a convite daquela instituição.

Vai lançar o festejado CD “Eu sou Cabocla” sob a direção de Dante Ozetti. De quebra ainda leva a flautista Bibi e se integra posteriormente com os percussionistas do Trio Manari, de Belém, e com o contrabaixista Du Moreira.

No dia 27 vai para São Francisco Xavier, no interior de São Paulo participar de show no evento “Photosofia”.

PATRÍCIA II

Antes disso, a cantora ainda cumpre a última parte da agenda do Projeto Amazônia das Artes, do SESC, com o show “Timbres e Temperos” no qual participa com os compositores amapaenses Joãozinho Gomes e Enrico de Micelli.

O encerramento da turnê terá também a participação do cantor acriano Sérgio Souto que já se apresentou várias vezes em Macapá, no Teatro das Bacabeiras, sempre em companhia de nomes de peso da MPA.

GALLUCIO

planta4Quarta-feira, 27, fez 241anos da morte do sargento-mor Antonio Henrique Gallucio, o construtor da Fortaleza de São José de Macapá.

Gallúcio (Galluzzi) foi um dos membros da Comissão Demarcadora de Limites portuguesa que veio para a Amazônia em 1753 para se integrar com a espanhola que nunca chegou por aqui. Como engenheiro militar, realizou inúmeros trabalhos para a coroa Portuguesa na região, dedicando muitos anos de sua vida na construção do nosso maior monumento.

GALLUCIO

Nascido em Mântua, Itália, o engenheiro também era astrônomo. Chegou a observar e descrever um eclipse lunar e um solar no céu da zona equatorial enquanto cuidava das obras da Fortaleza. Lia e epigrafava versos da Eneida de Virgílio em suas epístolas. Escrevia poemas considerados hereges pela comissão do Santo Ofício que esteve em Belém, em 1763.

Acabou morrendo em consequência da malária na madrugada de 27 de outubro de 1769, em Macapá, esperando ter seus sucessivos apelos de transferência atendidos pelo governo da Província. Foi um gênio e pouco lembrado pelos historiadores.

SEXTETO DE SETE

O sexteto Clarinetada se apresentou nesta terça na Loja Maçônica Zohar, dirigida pelo Venerável Mestre Gionilson Borges. O evento é parte da agenda cultural da loja, que tem procurado unir membros da Maçonaria e suas famílias através da cultura.

Conhecido pelas apresentações que faz na Casa do Chorinho, o grupo instrumental é formado pelo maestro Benjamim Monteiro e pelos músicos Reginaldo Borges, Cássia Monteiro, Márcia Reis, Rui Silva e Anderson Miranda e Danilo Fernandes (Inf: Renivaldo Costa).

37º ENARTE

Marlúcio Mareco, ator amapaense que goza de excelente conceito em Belém, reapresentou no dia 15 passado durante o 37º Encontro de Arte de Belém, promovido pela Escola de Música da UFPA, o show “Marlúcio Mareco Canta Carmen Miranda”.

O show foi realizado no Teatro da Paz e teve a direção musical do maestro Manoel Cordeiro, que também apresentou duas composições de sua autoria - “Festa de Dante” e “Surfando na Pororoca”, durante o intervalo para troca de figurinos. Foi um espetáculo excelente, segundo a crítica paraense.

ZUNIDOR

Quem estiver interessado em expor sua pesquisa durante o II Congresso de Ciências Sociais do Amapá, a ser realizado nos dias 09, 10 e 11 de novembro, deverá fazê-lo até domingo, dia 31, adotando as orientações no endereço: www.ccs-ap.blogspot.com

Neste domingo é dia de votar nos melhores candidatos para a cultura, principalmente naqueles que têm compromisso e projetos para a área. É hora dos segmentos artísticos e culturais se unirem para uma reflexão acurada, tendo em vista um futuro melhor para todos.

Doutor em fármacos e medicamentos, o professor Tavares, reitor da UNIFAP, proferiu palestra na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, dia 27 sobre o tema “A Etnobiologia na Descoberta de Novos Fármacos”.

Acessem o blog www.olivarcunhaarte.blogspot.com. Vejam o trabalho plástico do pintor amapaense Olivar Cunha.

Pelo facebook o professor Tostes, que atualmente se encontra em Portugal fazendo pós-doc, manda dizer que esteve na Espanha em visita ao Museu do Prado e ao de Arte Moderna. Viu “Guernica”, de Picasso, ao vivo. Que legal!

Terminam amanhã ao meio-dia, na SECULT, as inscrições para os artistas amapaenses que quiserem participar da Expofeira.

Inderê! Volto zunindo na sexta.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

É BIG! É BIG!

HPIM9640_menorHPIM9648_menor  Felicidades para Ana Clara, minha neta, que completa hoje 3 anos.

Orla de Macapá - Outro olhar

Por Sônia Canto

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A Orla de Macapá já fez pose para muitos fotógrafos. Profissionais e amadores se posicionam todos os dias para colher “a imagem”. Juvenal Canto conseguiu capturar ângulos inusitados num dia de maré seca.

A beleza das falésias sobre as quais pousa a magnífica Fortaleza de São José de Macapá. Fortaleza sobre pedra. Rigidez e encanto. Sinuosidade, brilho, sombra, cor.

O trapiche derramado sobre o rio Amazonas imponente. Sim, Macapá tem encantos e magias inexploradas. É preciso ter “olhos de ver”. (Fotos de Juvenal Canto)

 DSC05865_menor DSC05884_menor DSC05885_menor DSC05895 - menor Publicado no Batuque, caderno de cultura do Jornal Correio do Amapá de domingo, 25/10/10.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O MISTÉRIO DO SANDUÍCHE DO ABREU

Publicado no jornal “A Gazeta” de domingo, 25/10/10.

Ronaldo e Liete Abreu Certa quarta-feira, depois de uma bela taca que o Flamengo deu no Vasco, o Ronaldo Abreu pediu à sua mulher Liete que lhe preparasse um sanduíche, afinal trabalhara o dia inteiro e parte da noite servindo fregueses enjoados e assobiando para as garçonetes no código de mando que ele tem com elas. Passava um pouquinho da meia-noite e no rescaldo do jogo da TV uns clientes ainda circulavam em direção ao banheiro, próximo ao balcão.

Meia-noite é uma hora tenebrosa para os supersticiosos. Dizem eles que a partir do quarto de hora anterior até o seguinte a ela abre-se um portal no qual se realizam quebrantos e mistérios. Coisas inexplicáveis ocorrem e até a figura do Malévolo pode se fazer presente sem que ninguém veja. Dá até arrepios quando nesse período de tempo um vento bate cortando o ambiente como uma navalha. – É o rabo do Demo, acreditam os mais crédulos. É justo nessa hora que o Satanás circula deixando o sopro frio da noite se misturar ao vento artificial dos ventiladores do bar.

Nesse ambiente imperceptível restavam por dentro do espaço do balcão alguns fregueses contumazes que como sempre tomavam sua “loura” sentados em altos bancos de madeira. E enquanto o proprietário esperava o sanduíche as garçonetes vinham varrendo o salão fazendo aquele barulho peculiar de centenas de fichas de cerveja se arrastando pelo piso cerâmico. Foi então que um freguês também pediu um sanduíche.

Dona Liete trouxe os dois. Quentinhos, quentinhos. O freguês pagou o dele e saiu contente, pois era flamenguista. Ronaldo Abreu deixou o refrigerante e o sanduíche de filé cheiroso feito com carinho só para ele num pires em cima do freezer que separa a área de circulação da área restrita. Mas ocorreu que na hora de comer foi chamado para atender outro cliente que queria pagar sua conta. Demorou apenas uns vinte segundos e voltou.

Enquanto suas pupilas gustativas produziam saliva em excesso, tanta era a vontade de dar uma mordida no dito cujo, ele olhou na direção do freezer e viu que o sanduíche “no capricho” havia desaparecido.

Na área só estavam o sisudo senhor Roberto; o Marra, que é famélico convicto; o enfastiado Ivan Macaco, que só bebe; o cadavérico Gabriel, e o Tatá, que a tudo observava no seu canto do balcão, mas com o olhar já turvo, falando sozinho, enrolando as orelhas e cumprimentando um cara, passando um cartão imaginário na mão dele.

Depois que viu que aquilo não era brincadeira de esconder, Ronaldo ficou invocado com o sumiço do seu jantar, feito com tanto gosto pela bem-amada companheira. Deu o alarme, mas ninguém se acusou. Foi então que começou a rolar suspeita. “Não, não fui eu. Onde já se viu?” “Na minha casa tem comida, tá? Não preciso de um sanduichezinho fuleira pra me alimentar”. “Mas tá, não? Eu que gosto de comer com pão!”. “Teu xiri que fui eu, otaro!” “Eu acho que foi o fulano”, dizia o Tatá, se esgoelando de tanto rir da parada.

Quatro horas depois a discussão continuava entre goles de cerveja, poeira levantada da varredura e o duro silêncio da Avenida FAB. Os suspeitos mudavam de assunto, mas vez por outra ele retornava. Um olhava para os olhos do outro e todos hesitavam em sair do lugar. Se alguém não aguentasse e fosse ao banheiro já virava o principal acusado. Ir para casa nem pensar. O impasse continuou até o Ronaldo pedir “pira paz” e dizer que ia fechar o bar, pois já estava muito tarde. Então pediram para ele anotar a despesa na conta e saíram juntos, enquanto os primeiros raios do sol apareciam na nascente. Seu Roberto, o mais sério de todos os suspeitos, foi para casa meio cambaleante, mas ao dobrar a esquina da Tiradentes soltou uma gostosa risada seguida de um arroto tão grande que ecoou em toda a FAB. Até hoje a Dona Liete suspeita dele nesse mistério, um caso que vem sendo exaustivamente trabalhado há meses pelo delegado Anselmo e pelo investigador Viana. E nada.