terça-feira, 17 de agosto de 2010

ESTRADA DO TEMPO

CLÃ LIBERAL DO LAGUINHO

clã Do final de 1972 até maio de 1973 existiu o Clã Liberal do Laguinho, um clube de artistas e jovens do bairro, que se reuniam no aprazível quintal do seu João de Deus. Nele realizávamos reuniões festivas para mostrar a nossa produção, tomar banho no lago do Poço do Mato, comer feijoada e tacacá (feito pela dona Maria Piçarra), namorar e jogar conversa fora nos dias de domingo.

Nossa alegria durou até que chegou o “Engasga-engasga”, quando a polícia e o exército começaram a prender gente considerada subversiva, espalhando terror e psicose coletiva, a mando da ditadura militar. Prenderam o Odilardo Lima nos porões da Fortaleza de São José, juntamente com outros suspeitos de serem estranguladores. Não conformados com isso, mandaram o então tenente do NPOR Amaury Farias – que era nosso amigo de pelada no campo próximo ao Cine Macapá - prender o João de Deus Filho e eu. O Azolfo Gemaque já esperava a gente, também preso, no quartel do Exército.

E assim o Clã se acabou, mas restou essa foto, batida num domingo em que o Disk Jockey João Lázaro transmitiu o seu programa ao vivo daquele inesquecível lugar, que tinha um bosque e um lago. É do acervo do Azolfo. Data de novembro de 1972. Nela estão o Celso Leite, Nardo, Azolfo, Gracinha, Mauro Cordeiro, Anauto. Na fila do meio estão: Juvenal Canto (ao violão) Palito, Lulu, Inaldo, Rosa, Antonio Paca, Leonardo Vilhena, Marinho Uchôa. Sentados: Guilherme Canto, Nicomedes Cordeiro, Zeca do Sinval, Jamil Valente, Odialrdo Lima Torres, Major, Almiro e João Rabelo. Também estão: Régia, Oscarina, Concita, Eliza e algumas crianças.

O presidente do Clã era o Manoel Bispo. Olivar Cunha, Ray Cunha, R. Peixe e Sílvio Leopoldo eram freqüentadores ativos, entre tantos outros poetas e artistas de Macapá.

ESTRADA DO TEMPO

PRIMEIRA BANDA DO SESI

banda_mestre Oscar O texto aí está no verso da foto. Foi escrito pelo Mestre Oscar Santos: “Banda de Música do SESI sob a orientação de Oscar Santos, iniciava a primeira aula no dia 1º de fevereiro de 1971. A sua aprezentação foi no dia 1º de maio do mesmo âno executamos alguns nºs. de seu repertório. Macapá, 13 de maio de 1971. Oscar Santos. Rua São José 1157 – Macapá T.F.Amapá”.

Quem me deu essa fotografia rara foi o professor Dirceu Pontes. Dos músicos que aparecem nela só conheci o Mestre Oscar e o Zé Nascimento (Hoje engenheiro eletrônico), o primeiro à esquerda, que toca piston.

Em Tempo: Nesse salão do SESI assisti e participei de muitas festas de carnaval, no tempo em que o professor Savino dirigia o órgão.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

NENHUM GALO OUSA ANUNCIAR

Publicado no jornal “A Gazeta” de domingo, 15/08/10

Galo Os galos não mais tecem a manhã. Nem sozinhos nem cantando em uníssono, apanhando o grito de um e o lançando a outro.

Pode parecer estranha esta desconstrução que faço na poesia de João Cabral de Melo Neto. Porém, nenhum canto de galo se ouve mais perto da minha casa. A cidade deve ter crescido e engolido o resto de poesia rural num tempo de expansão e de medo. O medo o afugentou e o descreditou das alvoradas louras, das manhãs de fogo flutuante no céu equatorial, onde reinava absoluto antes dos carros acordarem.

Era cedo. Perto de clarear já se ouviam os trinados dos caraxués e sabiás vindos da direção do aeroporto, talvez fugindo do barulho dos jatos viajores. Nenhum galo cantava. Uma revoada de bicos-de-lacre fez a primeira sombra, ainda tênue na manhã. Nenhum galo ousou cantar. Bem-te-vis escreviam suas notas musicais “nos fios tensos da pauta de metal”; suís azuis e pipiras devoravam o mamoeiro do vizinho, todavia o canto do galo ficou no vazio.

Confesso que era grande a expectativa do seu canto. Os ouvidos aguçados nada compreendiam. Relógios e celulares lhe substituíram na função, e os quintais - seu reino e território - cimentados, não mais permitem que cisque avidamente o chão em busca de alimento.

Onde está o galo com suas qualidades de curar as psicoses, de acordar aqueles que querem deter o crescimento, fingindo que o tempo não passa; que denuncia a mentira e anuncia a luz?

O galo é o símbolo solar, representa a altivez, a coragem e a vigilância e foi nomeado pelos antigos como o “organizador do caos”. Sua imagem se identificou com a de Cristo, denunciador da mentira e condutor da luz que penetra as trevas do mundo. Mas antes Dele a imagem do galo era tão popular que foi cunhada em moedas gregas (século 6 a.C.).

Entre os gregos e depois entre os latinos o galo branco foi consagrado primeiro a Zeus-Júpiter, depois a Apolo, deus solar. Por essa razão Pitágoras proibiu seus discípulos de comerem o animal. Chamado também de “profeta do dia”, ao anunciar o advento certo da luz do sol mesmo em meio à noite mais espessa, foi associado ao culto de Hermes-Mercúrio, o deus do comércio, pois todo o sucesso comercial depende da vigilância e também porque os antigos caldeus acreditavam que o galo recebia, desde a aurora, do planeta mercúrio, um influxo divino. Daí os alquimistas tomarem o animal como símbolo do calor natural, ligado a Mercúrio. Foi consagrado a Esculápio, o deus da medicina, filho de Apolo, por seu suposto poder sobre influências malignas. É emblema da coragem militar, por sua altivez, lealdade e fecundidade. Suas entranhas serviam para a prática da alecryomancia, um modo de adivinhação que se revela na perscrutação de suas carnes. É encontrado em esculturas e desenhos de campanários de igrejas e catedrais porque é um dos símbolos plenos de Jesus como esposo místico e fecundo da Igreja, pai e chefe dos fiéis, seu guia e defensor.

O galo está presente em todas as culturas humanas e nas religiões como um animal simbólico. É rixento e polígamo e tem parentesco direto com os jacus, mutuns e jacutingas. É o galo o anunciador da idéia da vitória e da ressurreição, pois o dia renasce depois da morte simbolizada pela noite que estende sobre o planeta seu manto de silêncio e sombra.

Em meu bairro os galos foram parar nas panelas e substituídos pelos cães que ladram e uivam em noites de lua. O medo das pessoas falou mais alto que o canto anunciador das boas novas. O medo agora é quem rasga com suas esporas o ventre da noite para se esconder nas sombras incrustadas no dia. O galo não canta mais. Não grita com outros galos tecendo a manhã. Mesmo assim o sol nasce e se revela no vasto terreiro que é este mundo com seus cantos diferentes.

Foto disponível em http://www.fotodependente.com/postcard.img3449.htm

Domingo na Fazendinha

Passeio com meu neto Leonardo.

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PAPO DE BOTECO

Cenas do lançamento do livro “Papo de Boteco” de Renivaldo Costa, no Bar do Abreu.

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Outras imagens estão postadas no meu orkut.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

COLUNA CANTO DA AMAZÔNIA

Publicada no jornal “ A Gazeta” de sexta-feira, 13/08/10

PRÊMIO SAMUEL BENCHIMOL

Haroldo-PP2 O presidente da FIEAP, Haroldo Pinto Pereira recebeu José Rincon Ferreira, de Brasília, que veio divulgar os prêmios Professor Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente.

Seus objetivos, entre outros são promover a reflexão sobre as perspectivas econômicas, tecnológicas, ambientais, sociais e empreendedorismo para o desenvolvimento sustentável da região amazônica e fomentar a interação permanente entre os setores governamentais, empresariais, acadêmicos e sociais da Amazônia. Inscrições até 31 de agosto.

Informações: www.amazonia.desenvolvimento.gov.br e www.bancodaamazonia.com.br

CONGRESSO DE HISTÓRIA

A historiadora Decleoma Lobato vai coordenar o Simpósio Temático “Religiosidade e Práticas Culturais”, evento incluso no Congresso Internacional de História a ser realizado de 11 a 15 de outubro em Teresina-PI.

O Congresso será executado pela Universidade Federal do Piauí, juntamente com a Seção Regional da ANPUH. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas no site www.anpuhpi.org.br .

PAGODE NO LAGUINHO

Será amanhã, a partir das 21h00, no Centro de Cultura Negra, a festa em comemoração de um ano do Pagode Vip.

Criado por jovens do bairro do Laguinho, o grupo também realiza ações de solidariedade às famílias e crianças carentes da área de invasão do Poço do Mato.

Na festa estarão presentes Jorginho do Cavaco com o show Samba de Jorge e o Grupo Atitude, de Belém, sendo que a atração principal será o Grupo Sentimento Puro, que vem se preparando para a gravação do seu primeiro CD ainda este ano.

A GEOGRAFIA URBANA DO TADEU PELAES

tadeu pelaes Tadeu Pelaes, amigo e gente boa, é daqueles caras que aproveitaram ao máximo as ofertas do mundo na sua juventude. Entre uma conversa e outra lembrou os bares e boates que frequentou nas décadas de 70 e 80 em Macapá. Falou da “Cabana do Pai Tomás”, que ficava em frente ao Supermercado Pierre, hoje SA Pneus, na Rua Tiradentes; do “Piraquê e da boate “Papos e Molhados”, onde era a Fábrica Amapaense, hoje DRA-AP e da “A Peixaria” do Dedeco, na esquina do antigo INPS e em frente ao bar do seu Afonso, depois do seu Augusto. Mais tarde “A Peixaria” foi substituída pelo bar “Berro D’água”, do Bira Picanço.

GEOGRAFIA URBANA DO TADEU PELAES 2

tadeu pelaes_ O Tadeu lembrou do “Ojuara”, do seu Otávio, que também foi o “Pink Bar”, do Capi, ali em frente à caixa d’água da CAESA, perto do IETA. E de quebra referiu-se ao “Ponto Certo” e ao “Colorado Lanches” que era do Bernardino Sena; da boate “A Tenda”, da Galeria Comercial da Avenida FAB, e do “Gelar”, de 1971. Ainda falou do “Executive”, do Aimorezinho Batista, que ficava no prédio do português Lavoura, na esquina da FAB com a Tiradentes. Todos esses lugares fizeram parte de sua geografia urbana. Ele só não disse com quem andava por lá. Mas aí é outra história. Égua da memória!

CHÁ DE CADEIRA

ana martel A festejada cantora Ana Martel foi convidada para representar o Amapá em show na Feira Internacional de Turismo que ocorrerá amanhã em Belém. Contente com o convite foi à SETUR solicitar apoio. Pegou um chá de cadeira bem quente e não foi recebida nem pela chefe do gabinete, até uma secretária lhe dizer que lhe telefonariam mais tarde. Qual nada! Ana vai à Belém, com alguns músicos, mas com o apoio dos amigos e coleta de pontos do programa de milhagens aéreas. Sucesso, Ana.

COLÓQUIO

O Museu da Imagem e do Som, órgão da SECULT que funciona nas dependências do teatro das Bacabeiras está organizando o Segundo Colóquio Amapaense de Fotografia, para comemorar o Dia da Fotografia, em 19 de agosto. Maiores informações podem ser obtidas com o jornalista e professor Alexandre Brito pelos telefones: 3223-2251 e 8112-3510.

MONTEIRO

Registro com pesar o falecimento do carnavalesco Roberto Monteiro, figura importante do carnaval amapaense, que se destacou como diretor de bateria dos Piratas da Batucada.

Monteiro foi o responsável pela primeira vitória do Piratão na Avenida FAB, em 1987 com o enredo “Biroba: o Maquinista do Trem da Alegria”, cujo samba foi feito por mim por encomenda dele. Mais tarde ele foi o carnavalesco da Unidos do Buritizal e auxiliou a Universidade de Samba Boêmios do Laguinho.

Faleceu no dia 10 aos 76 anos. Era pai do meu amigo Serginho, a quem dou os pêsames. O carnaval amapaense com certeza perdeu um dos seus maiores personagens.

ZUNIDOR

O William Cardoso só conseguiu ir participar dos festivais que se classificou porque alguns sindicatos (Sinsepeap e Sindufap) lhe forneceram passagens. Órgãos ligados á cultura do Estado prometeram, mas não viabilizaram o que é de direito do artista.

Estão abertas as inscrições, até 4 de setembro, ao “Prêmio Saúde! É vital”, da Editora Abril, na sua quinta edição em sete categorias. Ver: www.premiosaude.com.br .

Viajou para o Paraná Márcio Canto que veio matar as saudades da família. Márcio mora em Araucária, região Metropolitana de Curitiba, onde exerce a função de Coordenador da Vigilância Ambiental em Saúde na Prefeitura.

É hoje o lançamento do livro “Papo de Boteco”, do sociólogo, professor e jornalista Renivaldo Costa, no bar do Abreu. Quero agradecê-lo pelas considerações que fez a mim nas diversas crônicas publicadas no seu primeiro livro.

Está aberto o Concurso de redações, artigos científicos e pedagógicos, do VI Prêmio Construindo a Igualdade de Gêneros, até 15 de setembro. Info: www.igualdadedegenero.cnpq.br .

Inderê! Volto zunindo na sexta.

UMA CARTA PARA MIM

escritor_rui guilherme (1) 26/7/2010 – Shopping Iguatemi, 17:40 h - – Em trânsito por Belém, aguardando prosseguimento de vôo para Manaus/AM.

Rui Guilherme

Naqueles antigamentes, o correio era tão ruim, atrasava tanto, que lembro de ter mandado um telegrama para Tia Eugênia, que morava no Rio de Janeiro, avisando-lhe de minha chegada em férias de fim de ano, coisa de um mês pra frente. Pois bem. Peguei o avião, um turbo-hélice Hirondelle, se não me engano. A companhia aérea? Não lembro... Pode até ter sido a Paraense Transportes Aéreos – PTA. Sigla que o paraense, com seu sarcasmo bem característico, dizia: PTA? Prepara tua Alma...

Pois é. Preparei minha alma e cheguei ao Rio. E lá já se estava quase no fim das férias quando acionam a campainha do apartamento de Tia Eugênia, em Copacabana. Fui atender: era o carteiro que viera entregar em minhas mãos o telegrama que eu havia remetido de Belém fazia quase dois meses, avisando que estava chegando ao Rio.

Esse caso do telegrama aconteceu há um tempão. Décadas, muitas décadas...

A Belém daquele tempo era pequena, acolhedora, sem violência. Luz elétrica, precária. Os edifícios eram conhecidos pelo nome: Palácio do Rádio, Importadora, Renascença, Piedade, Manoel Pinto da Silva e pouquíssimos outros mais. Shoppings? O que é isso? O comércio era nas ruas João Alfredo, Treze de Maio, Manoel Barata e suas transversais. Nem supermercado havia, magina...

Cinemas, isso sim, havia. E magníficos: Olympia, Palácio, Nazaré, Iracema, Moderno, Independência, suntuosos e enormes. Ao começar a sessão, fechavam-se grandes portas de madeira para garantir a escuridão. O calor, amenizava-se com possantes ventiladores de parede. Até os cinemas de bairros eram bons: na Cidade Velha, o Guarani e o Universal; no bairro do Reduto, o Íris; chegando em São Braz, o Popular. E para o molecório, a preços bem reduzidos, no Largo de Nazaré havia o Poeira, com seus bancos corridos de madeira e piso de chão batido a recepcionar rios de mijo vertidos pelos jovens espectadores que nem pensavam em ir ao banheiro, de modo a não perder nem uma cena dos seriados de Tarzan e do Superhomem. Mesmo no boêmio bairro da Pedreira, subúrbio conhecido como Terra do Samba e do Amor, havia um cinema, cujo nome não recordo. Pomposamente, os pedreirenses chamavam-no de cine-teatro.

Estou passando algumas horas em Belém. Em trânsito, a caminho de outros Brasis. Com uma espera de quase de dez horas, tinha como alternativas ficar um tempão bestando no aeroporto, ou dar uma chegada à cidade.

Vir à cidade... Acontece que não tenho onde ficar numa cidade que já considerei minha. Será que era mesmo minha aquela Belém da Rádio PRC-5 – A Voz que Fala e Canta para a Planície? Era minha aquela Cidade Morena onde só havia dois ladrões, o Beiço-de-Burro e o Pracaúba? Ladrões furrepas, meros macuqueiros, que se ocupavam roubando galinhas dos quintais...

Será que eram meus aqueles túneis de mangueiras? Aquelas águas barrentas do rio Guamá onde ia tomar, escondido de Mamãe, meus banhos de “mar” com a turma de moleques do Largo da Sé?

E os urubus que planavam solertes no firmamento intensamente azul, muito acima das torres da Catedral, em que páramos foram se esconder aqueles anjos negros? Deitado de peito para cima no janelão de casa na Cidade Velha, demorava-me horas invejando os urubus que voavam graciosamente naqueles céus de minha infância. E – olha só o que é cabeça de menino! – eu sonhava em transformar-me em urubu para poder, como eles, voar, voar, voar!

Pois nesta Belém de hoje, moderna, violenta, perigosa, cheia de shoppings, malls e outros lugares estilosos; pois bem: nesta metrópole do século XXI, descubro que sou um estranho. Não é minha esta Belém de dois milhões de habitantes, nem eu sou dela.

Vim pelos céus e pelos céus prossigo viagem. De avião. Não vim propulsionado pelas minhas asas; não as tenho. Nunca as tive, nunca as terei. Não consegui criar asas, por mais que, em meus sonhos de menino nesta Belém que já foi meigamente minha, contemplando com inveja os pássaros que voavam preguiçosamente no azul do céu de verão, tenha eu desejado com toda a pujança e fé contidas em meus anseios de criança, virar urubu. Ainda que somente por pouco tempo.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Histórias do Bar do Abreu são contadas em livro

Cenas do Bar do Abreu

 

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O bar mais conhecido e bem freqüentado do Amapá recebe uma homenagem em forma de livro de autoria do jornalista Renivaldo Costa, freguês que usou suas habilidades para contar alguns dos muitos casos que acontecem nas mesas e no famoso balcão. É o Bar do Abreu, que ao completar 28 anos não perdeu a essência e continua a reunir pessoas que transformam-se em personagens das histórias que saem do interior do bar e são contadas em outros balcões, nas ruas, jornais e outras publicações, viraram lendas e agora são narradas pelo jornalista no livro “Papo de Boteco-Crônicas e Contos Escritos no Bar do Abreu”.

O bar

Cenário de matérias jornalísticas; pauta constante quando se fala em tradição, festa e jogos; lugar democrático onde se discute política, religião ou futebol sem medo de retaliações; palco de apresentações culturais, lançamento de livros e discos; balcão de encontro; parada obrigatória pra quem quer encontrar parceiro para um bom papo, o Bar do Abreu está na história do Amapá. Conhecido pela característica de ser nômade, já teve vários endereços, mas sempre sob o gerenciamento dos mesmos proprietários. José Ronaldo, Eliete, Marquinho e Bruno continuam com a tradição deixada pelo patriarca Orlando de comandar o bar que só não abre segunda-feira mas nos outros seis dias recebe uma freguesia que diversifica entre funcionários públicos, empresários, escritores, esportistas, médicos, políticos, artistas, estudantes e outros tantos anônimos e famosos.

A obra

Com fotos dos personagens, a obra é uma coletânea de textos publicados na imprensa amapaense que contam histórias e estórias de “abreulistas”, desde os que já se foram, como os jornalistas Hélio Penafort, Alcyr Guimarães e Jorge Ernani, o escritor Carlos Cordeiro, o poeta Isnard Lima; e de quem ainda freqüenta o bar, bebedores ou não, como Bira, Fernando Canto, Emanoel Reis, Paulinho, os proprietários e até o autor. Em 104 páginas, Renivaldo conta os “causos” divididos em 42 textos que deixam o leitor com impressão de que estão realmente no balcão do bar, escutando os ruídos típicos de copos e garrafas, ao som de música variada, convivendo com os personagens em diferentes níveis de embriaguês ou sobriedade, e participando das histórias reais porém com os exageros próprios dos que freqüentam balcões de bar.

O autor

renivaldo O amapaense Renivaldo Costa é sociólogo, professor, jornalista profissional com 16 anos de imprensa, passou por diversos jornais, emissoras de televisão e rádio, fez assessoria de comunicação para instituições e órgãos públicos, como compositor já recebeu premiações, e produtor, ousou ao conduzir peça teatral. Atualmente é articulista de jornal diário e apresentador de programa de rádio.

Papo de Boteco será lançado nesta sexta-feira, 13 de agosto, no Bar do Abreu, a partir das 20h. O evento será aberto e Renivaldo estará autografando o livro saboreando petiscos do coquetel ao som de músicas regionais com os presentes. O bar fica na av: Fab, na Galeria Comercial, no Centro. O livro já está a venda no Bar do Abreu, bancas do Dorimar e Ceará e Confraria Tucuju ao preço de R$ 10,00.

Mariléia Maciel - Assessora de Comunicação

Mais informações: 8116-6687

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

ANA MARTEL APRESENTA O SHOW “SOU ANA”

simples assim2Na quarta-feira (11) quem sobe ao Palco da Esquina, na Casa de Show Copacabana, é a cantora e compositora Ana Martel, primeira artista amapaense a gravar um CD com incentivo da Lei Rouanet.

O Show “Sou Ana” foi apresentado em outubro de 2009 no Teatro das Bacabeiras,  com grande sucesso de público para lançamento do CD.

A carreira

Foram mais de 25 anos de carreira até gravar o primeiro CD. “Se tivesse feito antes, talvez não ficasse tão feliz como estou agora”, revela Ana. As razões pela demora na gravação do primeiro trabalho são diversas. “Tem os percalços normais de todo mundo que mora no Norte do Brasil, no Amapá, que tem problemas de toda ordem e não consegue sobreviver da arte. Isso é fato. Mas, também tem a questão pessoal. Eu estava sempre em transição com relação à minha própria arte, se eu gostaria de fazer um CD só como intérprete ou um trabalho mais autoral”, explica.

O primeiro parceiro musical de Ana Martel foi o artista amapaense Zé Miguel, que musicou o poema “Óleo sobre tela”, feito pela cantora em homenagem à comunidade quilombola do Curiaú. A partir daí outros poemas e letras foram nascendo para novas parcerias. Ana Martel resolveu então criar suas próprias melodias. “Estudo violão para aperfeiçoar minha melodia. Tive que aprender a tocar para poder guardar aquilo que eu pensava”, conta ela. O processo criativo de Ana começa com o canto, que depois é adaptado para os acordes do violão

Repercussão

Após o lançamento do CD Ana foi convidada para cantar no Sarau do Largo dos Inocentes, maior projeto de música amapaense para execução pública, realizado desde 2008 pela Confraria Tucuju no Centro Histórico de Macapá. Em seguida a cantora recebeu convite para participar como artista e palestrante no 21º Festival de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, em Juiz de Fora – MG. Evento realizado em julho deste ano.

Nesta quarta-feira, Ana Martel subirá ao palco do Copacabana com os seguintes músicos: Alan Gomes (Direção Musical e Contrabaixo), Fabinho (Guitarra), Bibi (Sopros), Valério de Luca (Bateria e percussão) e Jeffrey (Teclados).

O Projeto Palco da Esquina, apresentado às quartas-feiras na Casa de Shows Copacabana é uma produzido por Sonia Canto Produções www.soniacanto.blogsport.com.

domingo, 8 de agosto de 2010

O BAR É UMA ANTENA SOCIAL

Publicado no jornal “A Gazeta” de domingo, 08/08/10

bar do abreu Cansados estamos de saber que o bar é um espaço democrático, principalmente se é popular, aberto. No entanto é o lugar onde as ideologias emergem até com fundamentalismo. É um mundo em que os fatos ali ocorridos e as histórias contadas também são objetos de exposição de valores, de ocultação de defeitos e de promoção e marketing pessoal, demandados pelas incertezas do futuro, pelo processo político e pelas contingências da história. Logicamente também é um espaço de festa e de lazer; local onde as emoções se eriçam e se cruzam, onde notícias quentinhas esclarecem novos conhecimentos; amores secretos são aprofundados ou descobertos e por isso geram descontroles emocionais e físicos entre pessoas que até então nunca podíamos pensar tão valentes ou covardes. No bar as emoções se revelam em paradoxos inusitados.

bar calçadão Talvez por isso, e nesta crônica despretensiosa, eu possa entrar no mundo do bar para dizer o quanto ele é, também, um gueto disfarçado, às vezes uma roda violenta de preconceitos, que envolve quase todos os integrantes dessas assembléias ocasionais. O bar, antes de ser um balcão onde as pessoas ficam em pé ou sentadas em bancos altos consumindo bebidas alcoólicas, é também uma unidade de medida de pressão, segundo o Aurélio. O interesse pelo bar tem um condicionamento sociológico que vai além da mera vontade de tomar uma cerveja gelada, ou de querer ficar só por alguns momentos, ou mesmo se envolver em assuntos antagônicos aos problemas sentidos para não ter que cair na real. Cada qual sabe a casca que tem para aguentar o que ronda cada cabeça pensante e a sua sentença sarcástica, pois inúmeros são os que ali vão para somente consumir o inconsumível, ou seja, a paz que o outro carrega. Os chatos, de certa forma dão vida ao bar.

bardupedro A família dos chatos é grande, tradicional, seus membros estão em todas as partes; muitos são perdulários e só demonstram humildade quando perdem tudo no jogo ou quando têm suas contas confiscadas por ordem judicial. Mas esses são os que conseguiram se ascender na escala social à custa do dinheiro público. Mesmo depois que são soltos da cadeia continuam chatos e arrogantes. Existem os chatos desmemoriados: aqueles que contam as mesmas piadas, mas sempre se esquecem dos finais, assim mesmo só eles riem da sua própria graça. Os chatos pedintes são os mais comuns. Revelam-se humílimos, franciscanos ao extremo e matam a mãe para acertar em cheio no alvo da comiseração alheia. Ao contrário desses existem os chatos barulhentos, que no jogo de futebol, na televisão, gritam tanto que cospem no copo de todo mundo num raio de três metros. E haja perdigoto na cerveja dos torcedores contrários. È claro que se podem identificar muitos desses elementos e até classificá-los, o que para tanto peço ajuda dos companheiros que não se autorrotulam nesse metier. Quem sabe não façamos um tratado sobre esse bloco afamado e muito peculiar, cujos elementos também são conhecidos cientificamente como insetos anopluros da família dos pediculídeos, os famosos Phthirius pubis (L.), que vivem no mundo inteiro sugando as pessoas.

barxodó Desde muito tempo frequento bares e neles tenho encontrado pessoas de todos os tipos: políticos, beberrões inveterados, jogadores de futebol, profissionais liberais, padres, estudantes, gente de preferências sexuais diversificadas, funcionários públicos, poetas, jornalistas então... No bar há excelentes contadores de piadas e cantadores da noite com suas alegres vaidades. Mas também há os professores de Deus, que do alto de suas sapiências enojam, mas recebem os olhares irônicos dos mais humildes que acham que eles “só querem ser o que a folhinha não marca”.

br suvaco de cobra O bar pode dar condições para o diagnóstico de uma sociedade. É uma antena extremamente poderosa e propícia para captar preferências individuais e coletivas. Pode ver! Pelo meu lado, faço minhas observações e bebo. E vice-versa. Malograda alguma companhia, só penso no ditado do Paulinho Piloto: “passarinho que acompanha morcego dorme de cabeça pra baixo”. (Do livro “Adoradores do Sol”, de Fernando Canto. Scortecci, S. Paulo, 2010).