domingo, 10 de janeiro de 2010

CARNAVAL, O ESPELHO INVERTIDO

Publicado no jornal “A Gazeta” de domingo, 10/01/2010

munhoz_banda Bloco de Rua “A Banda”, década de 70. Acervo: Professor Antonio Munhoz Lopes.

O brasileiro faz festa para tudo, sempre arranja um motivo para comemorar. Mas é no carnaval que ele festeja a si próprio, pois quando isso acontece emerge claramente a velha idéia de que a festa representa uma memória e uma comunicação expressa por mensagem, no dizer do antropólogo Carlos Brandão. E se nos festejamos estamos cerimonialmente separando aquilo que deve ser esquecido (o silêncio não-festejado do cotidiano) e aquilo que deve ser resgatado. Quando nos festejamos somos convocados à evidência, para sermos lembrados por algo ou alguém, o que significa darmos sentido à vida, através de ritual na brevidade de um momento especial em que somos anunciados com ênfase. Aí nos tornamos símbolos, porque a sociedade festeja alguém que transitou de uma posição a outra ou migrou de trabalho ou de seu espaço de vida para outro.

Quando alguém, independentemente da mídia, tem seus quinze minutos de fama, pode estar solenizando uma passagem ou comemorando sua própria memória. A festa quer ser a memória viva dos seres humanos. A cada ano eles renovam essa catarse ao brincarem com os sentidos e os sentimentos, e então inventam situações onde a cultura nacional evidencia uma permanente vocação de investir no exagero, na critica e até na caricatura. Ali a oculta e difícil realidade surge epifanicamente revelando o que os indivíduos querem, fantasiados ou não, sóbrios ou loucos, juntos ou conflitantes, mas festejando o que são com suas angústias e significados.

No carnaval os atores sociais saem da rotina e forçam ao ritual da transgressão, saindo de si mesmos no breve ofício de inverter o que são. Alguns estudiosos como Da Matta e o próprio Brandão chamam isso de espelho invertido do que é socialmente esperado: pobres se vestem de príncipes, os nobres de índios, os homens de mulheres, as mulheres viram fadas e os bandidos querem ser heróis. Condutas se ultrapassam e se comemoram no ritual de si mesmo no carnaval.

Mas não é o objetivo deste artigo fazer uma análise mais acurada do carnaval. Ele, o carnaval, vai muito além do seu significado sociológico. E como cultura, qualquer mecanismo inerente a ele traz uma dimensão que nos permite o mais profundo pensar ou o maior desprezo, ou mesmo valorizar a velha ”preguiça” ancestral indígena que dá depois da farra.

Todos sabem que o carnaval, enquanto evento tem vários conceitos e facetas. O significado de sua origem se perde nas trevas do tempo. Escritores autorizados dizem que ele surgiu nas orgias pagânicas do Egito e da Grécia, ou nas bacanais de Roma, realizadas em dezembro. Ele seria, então, apenas a reprodução em sentido mais moderado das festas lupercais, saturnais e bacanais que a história registra com abundância de informações. Não parece haver dúvidas, segundo Jorge de Lima, que o carnaval, assim como o teatro, nasceu da religião. Do italiano carne vale, é o tempo em que se tira o uso da carne, pois o carnaval é propriamente a noite antes da quarta-feira de Cinzas..

Para alguns é apenas uma caricatura que se faz da realidade e das pessoas, mostrando seus defeitos de forma burlesca, com imitação cômica. A meu ver, entre tantas hipóteses do que pode ser o carnaval, fico com esta que é completamente inusitada. Certa vez ao tocar um antigo samba-enredo de uma escola do Rio, num banquinho em frente à casa de meus pais, no Laguinho, iniciei a música no cavaquinho e cantarolei: "O carnaval é a maior..." Quando fui bruscamente interrompido pelo vizinho e amigo Nonato Bufu, que completou: "...caligrafia", no lugar de "caricatura". Rimos na hora, mas hoje eu entendo que também nós somos responsáveis em escrever à mão com a nossa própria letra a história do nosso carnaval, inclusive com as alegrias e dores que porventura se fizeram presentes nas nossas vidas.

sábado, 9 de janeiro de 2010

ACERVO ICONOGRÁFICO

BALUARTE DE MADRE DE DEUS

 dekko_2000 Esta monocromia de Dekko (MCP-2000) é uma das pinturas mais diferentes que conheço sobre a Fortaleza de São José de Macapá. O ângulo pintado mostra a paisagem antiga da área do entorno, com as árvores onde agora está um supermercado na rua Cândido Mendes.

Dekko, pintor amapaense, é mestre em retratar paisagens da frente da cidade e aspectos sociais do trabalho interiorano do Amapá, como veremos depois. (Acervo Fernando Canto)

COLUNA CANTO DA AMAZÔNIA

Publicada no jornal “A Gazeta” de sexta-feira, 08/01/2010

HISTÓRIA DAS ARTES E TCCs

Os alunos da Universidade Vale do Acaraú-UVA e também de outras instituições de Ensino Superior devem deixar anualmente um rico acervo de memória artística e cultural nesses estabelecimentos, principalmente os que fazem os cursos de História, Comunicação e Letras, pois sempre estão entrevistando para seus TCCs pessoas envolvidas com arte no Estado.

Espero que mais tarde esses trabalhos venham a ser publicados e não somente arquivados nas suas bibliotecas, pois podem se constituir importantes documentos para o tão esperado MIS do Amapá.

Aliás, é uma prática comum dos pesquisadores novos (talvez por falta de orientação metodológica) receberem as informações e não darem o feedback que os entrevistados esperam. Mas tudo pode mudar positivamente.

SÓ EM FRANCÊS

bi_trindade Bi Trindade, que ainda faz parte do Grupo Pilão, vai gravar um CD com músicas de compositores locais em francês, visando o mercado guianense e o grande número de pessoas interessadas na nossa música.

Como professor da escola Danielle Mitterrand, Bi Trindade tem recebido dos alunos daquela instituição muitos pedidos de gravação de músicas da terra, principalmente depois de ter gravado “Tajá” (Fernando Canto - Osmar Júnior), em CD de parceria com Manoel Bispo e Luiz Tadeu Magalhães, com a soberba direção musical e arranjos do maestro Manoel Cordeiro.

JORGE CABRAL

jorge_cabral

A coluna registra com pesar a morte prematura do amigo de infância Jorge Cabral, que foi assistente técnico do Flamenguinho, um timaço de adolescentes do bairro do Laguinho no final da década de 60 e início da de 70. Jorge, ex-funcionário do INCRA no Estado do Pará, era irmão do João Cabral e do advogado e contador Juarez Cabral, filhos do saudoso “seu” Cabral, respeitado oficial de justiça do antigo Território Federal do Amapá.

NOVOS EMPRESÁRIOS

deise arimathea Ex-Procurador-Geral do Estado, ex-chefe de polícia e ainda advogado do IBAMA, José de Arimathea Vernet Cavalcante vai se aposentar.

Junto com esposa, a também advogada Deyse Maria Nascimento, pretende se estabelecer como empresário no mercado hoteleiro. Para tanto já se prepara tecnicamente para o empreendimento que deverá ser realizado às margens do “rio do vale dos papagaios”, ou seja, no Araguari, no município de Ferreira Gomes, onde o turismo é o grande futuro econômico da região. Boa sorte.

PARA PENSAR

Quando o ano novo entra sempre refletimos. Pensamos em valores humanos e materiais, na família, em sentimentos, na vida e na morte. Mas nem todos nós temos o dom da humildade e da generosidade. Por isso publico aqui no “Canto” esta frase do escritor português Vergílio Antonio Ferreira:

“Não é difícil ser humilde quando se é grande. Difícil é ser humilde quando se é medíocre. Como é fácil ser generoso quando se é rico e não quando se tem pouco”

BATALHA DE CONFETE

telma duarte Telma Duarte, presidente da Confraria Tucuju informa que a instituição realizará a sua segunda “batalha de confete” no Largo dos Inocentes.

O evento acontecerá no dia 07 de fevereiro, como uma espécie de rememoração dos antigos carnavais da cidade. Os associados estão trabalhando a todo o vapor, pois a “batalha” fará parte da programação que vai comemorar os 252 anos de Macapá em grande estilo, em uma parceria com a Prefeitura Municipal de Macapá.

BUIADO

joao_lamarao Segundo o “Falar Tucuju”, de João Lamarão, o “buiado” é o cara rico, cheio de dinheiro, que está por cima. Geralmente o cara “buiado” sai pra farra e retorna sem o salário, mais liso que “jiju ensaboado”. Lamarão conta que “existe um vendedor de loterias que ganhou uma boa bolada na Loteria Federal. Após se sentir “buiado”, o cara passou a fazer as maiores loucuras, como comprar todas as passagens para viajar com amigos de última hora. Passou quatro meses nos prostíbulos de Belém até acabar a grana. Hoje continua a vender bilhetes pelas ruas de Macapá, doente e em situação precária, servindo de exemplo para muitos”.

ZUNIDOR

EXIF_IMG É sempre um prazer passear pela orla de Macapá, especialmente no Araxá, aonde famílias inteiras vão ali para contemplar o maior rio do mundo e se deleitar com a paisagem.

jfranca Está na cidade em férias o maestro Joaquim França. Aproveita para rever amigos e ultimar o trabalho de gravação do projeto “Piratuba, a Cantoria do Lago”, do cantador Osmar Júnior , que foi produzido magistralmente pela Sônia Canto Produções.

juliele Falar nisso brevemente teremos show da cantora Juliele, que pretende lançar CD novo e DVD para este ano.

hermano Quem anda “bombado” correndo pela Beira-Rio toda tarde é o historiador Hermano Araújo, mantendo a forma e fazendo inveja a muitos moleques “sarados” que também se exercitam por lá.

aroldo_marinho Aroldo Marinho, professor da UNIP em Brasília, também transita em férias pela cidade. Está sempre na Beira-Rio comendo camarão no bafo.

beira_rio Falar nisso está todo mundo reclamando dos preços dos bares da Beira-Rio, principalmente do péssimo atendimento e da obrigação de “pagar” os 10% dos garçons mal-encarados (ou caras de pau?).

bolero_paulosilva O repórter João Bolero Neto disponibilizou no seu blog (www.joaoboleroneto.blogspot.com) as estatísticas sobre crimes e acidentes do Estado. Um trabalho excelente que vem fazendo desde 2001. ( Na foto, João Bolero e o jornalista Paulo Silva)

Está chegando o “Adoradores do Sol”. Inderê! Volto zunindo na sexta.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

ACERVO ICONOGRÁFICO

SAGRADA CEIA DAQUI

A tela “Sagrada Ceia” de Vicent Massip feita em 1523, foi reproduzida admiravelmente pelo pintor amapaense Olivar Cunha em 2006, em Vitória-ES, onde reside atualmente.

A técnica empregada foi acrílico sobre tela, trabalhada com espátulas.

Para mudar um pouco a estampa deixada por Massip, que por sua vez se baseou na “Última Ceia” de Leonardo da Vinci, feita um século antes, Olivar Cunha, atendendo a um pedido meu, colocou seu rosto no lugar do apóstolo Tiago e o meu no lugar do de São Pedro (de perfil) ao lado de Jesus Cristo. No fundo pode-se ver a caixa d’água (de marabaixo) da CAESA que fica entre o Marco Zero e a UNIFAP, na estrada da Fazendinha. (Acervo Fernando Canto)

Detalhes da tela

             

São Tiago / Olivar Cunha                                    São Pedro / Fernando Çanto

Caixa (de marabaixo) da CAESA, no Marco Zero.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

REVEILLON DO XODÓ

O Reveillon do Bar do Xodó, uma das referências boêmias do centro de Macapá não existe mais. Nem bar nem reveillon. Ficou, entretanto, a saudade do encontro com os amigos, muitos dos quais já partiram para o Xodó Celestial.

Nas fotos estão alguns dos frequentadores aos sábados e do 2º Reveillon que aconteceu em 1999/2000, organizado pelo Savino, o Arimathéa e o Leo Platon.

As fotos do primeiro Reveillon que tirei em uma máquina anagógica, queimaram-se todas, infelizmente, mas ficou na memória as cenas da diversão que sempre a chuva tentava atrapalhar.

Muitas histórias ali ocorreram. Do seu Albino então, nem se fala. Albino era o proprietário do bar.

segundo_rev_xodo_1999 Preparação para o 2º Reveillon do Xodó.

alvaro_albino

Álvaro Henriques e Sr. Albino ladeado por suas auxiliares.

botelho_azolfo_zeca_bosco_ant_elias_alvaro_sandro_cristinasa

Jose Maria Botelho, Azolfo Gemaque, Zeca Mont’Alverne, Antonio Elias, Álvaro Henriques, Sandro Azevedo e Cristina Sá.

dayse_arimathea Dayse e Arimathéa.

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Fernando Canto e R. Peixe.

fernando_venilton_frank Fernando Canto, Venilton Leal e Frank de L’Amour

Helio_viana_inspetor_bosco_beto_alvaro_arara Hélio Pennafort, Vinana, Inspetor, Bosco, Beto Lacerda e Álvaro Henriques

jhenrique_robson João Henrique e Robson Serrano

lamarao_fernando_alvanea_bosco_rpeixe

João Lamarão, Fernando Canto, Alvanéa, Bosco e R. Peixe.

panorama do bar xodo

Panorama do Bar Xodó.

domingo, 3 de janeiro de 2010

A EMBALAGEM E O CONTEÚDO DO GOVERNO LOCAL

Publicado no jornal “A Gazeta” de domingo, 04.01.2010

Guarita do baluarte da Fortaleza de São José de Macapá e Mercado Central enfeitados para o natal. Foto: Juvenal Canto.

Ao entrevistar Anthony Giddens para o programa Milênio, o jornalista William Waack, da Globo News inicia afirmando que “em política a embalagem costuma ser tão importante quanto o conteúdo. Ou até mais importante, quando falta conteúdo”. Por isso mesmo, arremata, é que todos procuram uma embalagem além do conteúdo.

Embora seja essa uma fórmula difícil de ser encontrada, posto as complexidades que regem ideologias hoje encravadas nas nuvens tênues das fronteiras do que chamavam de direita e esquerda, há quem afirme como Giddens, que uma terceira via moverá a sociedade política e socialmente, em avanços sucessivos.

De fato as mudanças causadas pela globalização e pela tecnologia impactaram os setores tradicionais da política em todos os níveis e em todas as partes, por isso mesmo há a necessidade da sociedade se adequar aos novos valores impostos pelos novos tempos, ainda que isso possa significar sacrifícios de ordem econômica, social e até cultural, principalmente para as nações subdesenvolvidas e em desenvolvimento. Sem dúvida está ocorrendo um fenômeno com o nascimento e a estandardização de forças cada vez maiores, representadas talvez pelas organizações não governamentais que não param de crescer no mundo inteiro, com seus interesses comuns. E isso significa a valorização da globalização que é também um fenômeno da comunicação.

Nesse ponto a “embalagem” proposta pela chamada terceira via não é tão nova, visto que concebe valores tão amplamente debatidos pela esquerda democrática, do velho embate entre classes sociais e políticas. E esses valores são os da inclusão social e da solidariedade, da justiça e da igualdade social, do antirracismo e da antixenofobia.

Tudo isso me faz crer que embora os valores do conservadorismo estejam vivamente arraigados e adredemente vinculados à política, em um processo dialético imorredouro, a liberdade individual (que considero o maior bem do homem), ainda bem, permeia os passos, as decisões e os horizontes dos atores políticos e dos governantes.

Por ser um fenômeno, a globalização também lança seus tentáculos perversos sobre as culturas. Para que seus efeitos não sejam tão malignos é necessário, então, valorizar o que é local, dando ênfase a todos os aspectos sócio-políticos que uma sociedade exige dos seus governantes. Para isso, portanto, é preciso estar antenado com o mundo e com o futuro. Queira ou não agora todos somos cosmopolitas e por isso certamente temos mais ambições, conhecemos mais, viajamos mais pela rede mundial de computadores, nos comunicamos mais, vemos mais televisão e vídeos, somos outros seres em busca do melhor para nós e para a comunidade.

Ao colocar todas essas referências, não poderia deixar de me reportar que tais embalagens e conteúdos tão procurados, possivelmente encontrem seu nicho mais perto de nós do que pensamos, porque é muito mais fácil admirar a embalagem que o conteúdo nela guardada. Refiro-me a atuação do governo local, que em um ano estartou a energia do trabalho para reconstruir Macapá como unidade renovada, deixando de ser potência para tornar-se ato, de forma plenamente satisfatória e competente. Neste caso tanto a embalagem quanto o que ela contém são bons e importantes produtos. Uma exposição de conteúdo (ou essência) marcou o ano do prefeito que discursara em sua posse dizendo humildemente a todos que a campanha o tinha tornado “mais humano”. Diante dos fatos e das crises – o mundo nunca deixou de estar em crise – a administração de Roberto Góes me pareceu superar os problemas com a maestria de quem já estava exercendo o poder há anos. Da situação encontrada à realização de obras e ações sociais, o prefeito encontrou o apoio da sociedade e de uma Câmara Municipal “aparentemente” pluriideológica, e ainda a guarida financeira e técnica do governo estadual, que por ser do mesmo partido político não hesitou em programar ações políticas em conjunto para garantir o processo administrativo. Verdade que a isso também está inserido um rol de interesses suprapartidários, coletivos e individuais, agregados como em qualquer lugar que o poder se estabelece pelo voto. Mas mesmo assim a administração zelosa e o desejo enorme de fazer do município um lugar cada vez mais digno de viver e da cidade uma paisagem bela e de poucos problemas urbanos, fizeram do conteúdo político do prefeito um presente bom para a sociedade, onde a embalagem, ora a embalagem, foi até desnecessária.

BOÊMIOS EM FESTA

A Universidade de Samba Boêmios do Laguinho completou ontem 56 anos de fundação. Recebeu em sua sede, na Avenida General Osório a comunidade laguinense para uma homenagem à rainha da bateria da Escola, Nega Vânia.

Centenas de pessoas prestigiaram o evento, inclusive representantes de outras agremiações carnavalescas.

A Escola vem se preparando para apresentar na avenida Ivaldo Veras o enredo “Índio que te quero lindo”.

fernando_vicente_daniela Fernando Canto, Vicente Cruz e Daniela.

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Nega Vània, Rainha da Bateria. A grande homenageada da festa.

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Carlos Pirú e Macunaíma.

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carlinhos_bababa Mestre Carlinhos Bababá

sábado, 2 de janeiro de 2010

FOI BONITA A FESTA, PÁ!

Foi muito bacana a confraternização do Sindicato dos Jornalistas. Volney Oliveira, eleito pela terceira vez consecutiva, foi empossado sob o aplauso dos profissionais presentes. Nivito Guedes e Rodolfo Santos fizeram o show musical. Carlos Lobato também cantou. Te cuida, Juliele.

diretoria
Parte da Diretoria do Sindjor.
soraia_simone
Simone Guimarães e Soraia Carvalho
301220091885 Luiz Melo, Antonio, Carlécio, Bira e Belair Jr.
301220091909 Antonio Luiz e Leonai Garcia.
301220091922Lorena Kubota,editora  e o fotógrafo Erich Matias, do jornal “A Gazeta”.
andreia
Andréia Freitas, colunista de “A Gazeta”.
 anibal_sergio
Aníbal Sérgio.
belair_jara_johnny
Belair Jr., Jara Dias e Johnny Senna.
 carlos_perola_lorena  Carlos Lobato, Pérola Pedrosa e Lorena Kubotaj_ney_humberto  J. Ney e Humberto Moreira.
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Volney Oliveira, Leonai Garcia, Carlos Lobato, Juliele e Nivito Guedes.
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Nivito Guedes e Carlos Lobato.

AS CORES DE CUZCO

João Wilson Carvalho é daqueles escritores que parecem não ter ansiedade em mostrar o que fazem. Embora premiado em concursos nacionais o escritor ainda não publicou livro de contos ou crônicas. É procurador-geral da UNIFAP, onde leciona Filosofia e Direito. Este ano inicia o doutorado em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia. Apreciem essa crônica de um viajante cheio de surpresas.

A bandeira de Cuzco

cuzco Não sou exatamente uma pessoa preconceituosa, muito pelo contrário, até incentivo muito o movimento GLS (ainda se diz assim? É este o termo politicamente correto, hoje?). De fato, sempre digo aos meus amigos que fazer parte do Movimento deve ser muito interessante, já que a pessoa recebe uma pressão danada da sociedade, uma gozação danada dos amigos (ou inimigos próximos!), a única que compreende e dá apoio geralmente é a mãe (mãe é mãe!), e o cara não larga! Deve ser danado de bom! Por mim todos os meus amigos se tornariam adeptos praticantes...

Mas então, um dia viajei para Cuzco, no Peru, realizando um velho sonho, o de conhecer Machu Picchu, o último refúgio inca, nunca encontrado pelo conquistador espanhol. Uma viagem tenebrosa, descendo Macapá-Belém-Brasília-São Paulo, e em seguida subindo São Paulo-Lima... Passei três dias em Lima, num albergue em Miraflores que era uma loucura (embora muito limpo), a bom bater pernas pela cidade. Fiquei maravilhado. Os cambistas balançam maços de dólares em pleno centro comercial e não são assaltados... O pessoal da terceira idade dança até tarde da noite uma espécie de calipso misturado com reggae em uma pracinha linda, e não está nem aí pro frio... Tudo muito, muito barato...

Mas meu objetivo era Machu Picchu e as ruínas incas, então viajei mais uma vez de avião de Lima a Cuzco, uma viagem curta e agradável. O aeroporto de Cuzco é muito bem organizado, inclusive com recepção ao turista, e, pasmem, oferecendo roteiros turísticos com todos os preços médios dos passeios, para evitar que o turista desavisado seja explorado por eventuais espertalhões locais... Até um conjunto musical devidamente paramentado recebia o povo que chegava... Mas o frio um pouco mais forte que em Lima me fez pegar um taxi correndo para procurar um hotel.

E aí conheci o Álvaro, o típico faz-tudo dos filmes do século vinte. Motorista de um velho táxi, guia turístico e sindicalista militante. Foi logo me perguntando, em excelente portunhol, por que eu queria ficar em um albergue na parte alta da cidade, se eu gostaria mesmo era de andar a pé pelo centro de Cuzco, se eu não estava acostumado a carregar aquela monstra mochila na altitude... Tive que concordar, afinal o cara sabia o que estava falando... Em seguida me perguntou se eu havia reservado o trem para MP, e se eu sabia da “huelga” no dia seguinte, que pararia todo o setor de transportes... Me recomendou que nos tratássemos logo de comprar a passagem de trem, me explicou que não valia a pena pegar a primeira classe, por que o trem era o mesmo... Me ofereceu um albergue super barato bem próximo à Praça de Armas... Enfim, me deu todas as dicas necessárias para que eu não perdesse tempo e aproveitasse o máximo minha estada em Cuzco.

Impressionado com a dialética de meu novo amigo, acatei todas as sugestões. E de fato o albergue era barato, muito bem localizado e razoavelmente confortável, só não tinha nada de calefação, e houve noites que eu quase me embrulhei com o colchão (bem feito, pra nunca mais viajar sozinho).

Mas, enfim, satisfeito com o albergue, tão logo me alojei, saí para fazer o obrigatório reconhecimento do perímetro, uma ou duas ruas para cada lado, um ponto de referência que seja reconhecido na cidade... O que se deve fazer sempre em uma cidade estranha...

E aí o susto quando vi uma enorme bandeira arco-iris bem na fachada do hotel. Estava lá, tremulando orgulhosa como dona do pedaço. Pensei imediatamente: o fdp do motorista me trouxe para um albergue temático... E ele parecia um cara tão legal... Desconfiado, comecei a observar a fauna... Duas argentinas lindas me pareceram muito íntimas... Um grupo de brasileiros que jurava que ia descer de bicicleta pela Bolívia... Não, estavam mais para malucos! Uns suíços loiríssimos, tão bonitos, me pareceram suspeitos... Bom, talvez eu estivesse mesmo em um hotel temático, mas ninguém ia saber, então, tudo bem.

Pela manhã, surpresa maior ainda. A bandeira estava por toda parte. Mas quando a vi tremulando, enorme, na frente de um movimento grevista, bem ao lado da bandeira vermelha, não resisti mais. Escolhi o grevista com uma cara boa e perguntei com muito tato. Era a bandeira de Cuzco, herança do império inca, que os cuzquenhos ostentam com muito orgulho.

Me senti ridículo, preconceituoso e tolo, com minha cabeça da década de setenta. Eu, que sempre afirmei não ter qualquer tipo de preconceito... Prometi contar essa história pra todo mundo. Serve para descobrir os meandros e as facetas do preconceito, e enfrentá-lo de fato.

João Wilson Savino Carvalho – Julho de 2009. wilsoncarvalho@unifap.br.