sábado, 9 de janeiro de 2010

COLUNA CANTO DA AMAZÔNIA

Publicada no jornal “A Gazeta” de sexta-feira, 08/01/2010

HISTÓRIA DAS ARTES E TCCs

Os alunos da Universidade Vale do Acaraú-UVA e também de outras instituições de Ensino Superior devem deixar anualmente um rico acervo de memória artística e cultural nesses estabelecimentos, principalmente os que fazem os cursos de História, Comunicação e Letras, pois sempre estão entrevistando para seus TCCs pessoas envolvidas com arte no Estado.

Espero que mais tarde esses trabalhos venham a ser publicados e não somente arquivados nas suas bibliotecas, pois podem se constituir importantes documentos para o tão esperado MIS do Amapá.

Aliás, é uma prática comum dos pesquisadores novos (talvez por falta de orientação metodológica) receberem as informações e não darem o feedback que os entrevistados esperam. Mas tudo pode mudar positivamente.

SÓ EM FRANCÊS

bi_trindade Bi Trindade, que ainda faz parte do Grupo Pilão, vai gravar um CD com músicas de compositores locais em francês, visando o mercado guianense e o grande número de pessoas interessadas na nossa música.

Como professor da escola Danielle Mitterrand, Bi Trindade tem recebido dos alunos daquela instituição muitos pedidos de gravação de músicas da terra, principalmente depois de ter gravado “Tajá” (Fernando Canto - Osmar Júnior), em CD de parceria com Manoel Bispo e Luiz Tadeu Magalhães, com a soberba direção musical e arranjos do maestro Manoel Cordeiro.

JORGE CABRAL

jorge_cabral

A coluna registra com pesar a morte prematura do amigo de infância Jorge Cabral, que foi assistente técnico do Flamenguinho, um timaço de adolescentes do bairro do Laguinho no final da década de 60 e início da de 70. Jorge, ex-funcionário do INCRA no Estado do Pará, era irmão do João Cabral e do advogado e contador Juarez Cabral, filhos do saudoso “seu” Cabral, respeitado oficial de justiça do antigo Território Federal do Amapá.

NOVOS EMPRESÁRIOS

deise arimathea Ex-Procurador-Geral do Estado, ex-chefe de polícia e ainda advogado do IBAMA, José de Arimathea Vernet Cavalcante vai se aposentar.

Junto com esposa, a também advogada Deyse Maria Nascimento, pretende se estabelecer como empresário no mercado hoteleiro. Para tanto já se prepara tecnicamente para o empreendimento que deverá ser realizado às margens do “rio do vale dos papagaios”, ou seja, no Araguari, no município de Ferreira Gomes, onde o turismo é o grande futuro econômico da região. Boa sorte.

PARA PENSAR

Quando o ano novo entra sempre refletimos. Pensamos em valores humanos e materiais, na família, em sentimentos, na vida e na morte. Mas nem todos nós temos o dom da humildade e da generosidade. Por isso publico aqui no “Canto” esta frase do escritor português Vergílio Antonio Ferreira:

“Não é difícil ser humilde quando se é grande. Difícil é ser humilde quando se é medíocre. Como é fácil ser generoso quando se é rico e não quando se tem pouco”

BATALHA DE CONFETE

telma duarte Telma Duarte, presidente da Confraria Tucuju informa que a instituição realizará a sua segunda “batalha de confete” no Largo dos Inocentes.

O evento acontecerá no dia 07 de fevereiro, como uma espécie de rememoração dos antigos carnavais da cidade. Os associados estão trabalhando a todo o vapor, pois a “batalha” fará parte da programação que vai comemorar os 252 anos de Macapá em grande estilo, em uma parceria com a Prefeitura Municipal de Macapá.

BUIADO

joao_lamarao Segundo o “Falar Tucuju”, de João Lamarão, o “buiado” é o cara rico, cheio de dinheiro, que está por cima. Geralmente o cara “buiado” sai pra farra e retorna sem o salário, mais liso que “jiju ensaboado”. Lamarão conta que “existe um vendedor de loterias que ganhou uma boa bolada na Loteria Federal. Após se sentir “buiado”, o cara passou a fazer as maiores loucuras, como comprar todas as passagens para viajar com amigos de última hora. Passou quatro meses nos prostíbulos de Belém até acabar a grana. Hoje continua a vender bilhetes pelas ruas de Macapá, doente e em situação precária, servindo de exemplo para muitos”.

ZUNIDOR

EXIF_IMG É sempre um prazer passear pela orla de Macapá, especialmente no Araxá, aonde famílias inteiras vão ali para contemplar o maior rio do mundo e se deleitar com a paisagem.

jfranca Está na cidade em férias o maestro Joaquim França. Aproveita para rever amigos e ultimar o trabalho de gravação do projeto “Piratuba, a Cantoria do Lago”, do cantador Osmar Júnior , que foi produzido magistralmente pela Sônia Canto Produções.

juliele Falar nisso brevemente teremos show da cantora Juliele, que pretende lançar CD novo e DVD para este ano.

hermano Quem anda “bombado” correndo pela Beira-Rio toda tarde é o historiador Hermano Araújo, mantendo a forma e fazendo inveja a muitos moleques “sarados” que também se exercitam por lá.

aroldo_marinho Aroldo Marinho, professor da UNIP em Brasília, também transita em férias pela cidade. Está sempre na Beira-Rio comendo camarão no bafo.

beira_rio Falar nisso está todo mundo reclamando dos preços dos bares da Beira-Rio, principalmente do péssimo atendimento e da obrigação de “pagar” os 10% dos garçons mal-encarados (ou caras de pau?).

bolero_paulosilva O repórter João Bolero Neto disponibilizou no seu blog (www.joaoboleroneto.blogspot.com) as estatísticas sobre crimes e acidentes do Estado. Um trabalho excelente que vem fazendo desde 2001. ( Na foto, João Bolero e o jornalista Paulo Silva)

Está chegando o “Adoradores do Sol”. Inderê! Volto zunindo na sexta.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

ACERVO ICONOGRÁFICO

SAGRADA CEIA DAQUI

A tela “Sagrada Ceia” de Vicent Massip feita em 1523, foi reproduzida admiravelmente pelo pintor amapaense Olivar Cunha em 2006, em Vitória-ES, onde reside atualmente.

A técnica empregada foi acrílico sobre tela, trabalhada com espátulas.

Para mudar um pouco a estampa deixada por Massip, que por sua vez se baseou na “Última Ceia” de Leonardo da Vinci, feita um século antes, Olivar Cunha, atendendo a um pedido meu, colocou seu rosto no lugar do apóstolo Tiago e o meu no lugar do de São Pedro (de perfil) ao lado de Jesus Cristo. No fundo pode-se ver a caixa d’água (de marabaixo) da CAESA que fica entre o Marco Zero e a UNIFAP, na estrada da Fazendinha. (Acervo Fernando Canto)

Detalhes da tela

             

São Tiago / Olivar Cunha                                    São Pedro / Fernando Çanto

Caixa (de marabaixo) da CAESA, no Marco Zero.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

REVEILLON DO XODÓ

O Reveillon do Bar do Xodó, uma das referências boêmias do centro de Macapá não existe mais. Nem bar nem reveillon. Ficou, entretanto, a saudade do encontro com os amigos, muitos dos quais já partiram para o Xodó Celestial.

Nas fotos estão alguns dos frequentadores aos sábados e do 2º Reveillon que aconteceu em 1999/2000, organizado pelo Savino, o Arimathéa e o Leo Platon.

As fotos do primeiro Reveillon que tirei em uma máquina anagógica, queimaram-se todas, infelizmente, mas ficou na memória as cenas da diversão que sempre a chuva tentava atrapalhar.

Muitas histórias ali ocorreram. Do seu Albino então, nem se fala. Albino era o proprietário do bar.

segundo_rev_xodo_1999 Preparação para o 2º Reveillon do Xodó.

alvaro_albino

Álvaro Henriques e Sr. Albino ladeado por suas auxiliares.

botelho_azolfo_zeca_bosco_ant_elias_alvaro_sandro_cristinasa

Jose Maria Botelho, Azolfo Gemaque, Zeca Mont’Alverne, Antonio Elias, Álvaro Henriques, Sandro Azevedo e Cristina Sá.

dayse_arimathea Dayse e Arimathéa.

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Fernando Canto e R. Peixe.

fernando_venilton_frank Fernando Canto, Venilton Leal e Frank de L’Amour

Helio_viana_inspetor_bosco_beto_alvaro_arara Hélio Pennafort, Vinana, Inspetor, Bosco, Beto Lacerda e Álvaro Henriques

jhenrique_robson João Henrique e Robson Serrano

lamarao_fernando_alvanea_bosco_rpeixe

João Lamarão, Fernando Canto, Alvanéa, Bosco e R. Peixe.

panorama do bar xodo

Panorama do Bar Xodó.

domingo, 3 de janeiro de 2010

A EMBALAGEM E O CONTEÚDO DO GOVERNO LOCAL

Publicado no jornal “A Gazeta” de domingo, 04.01.2010

Guarita do baluarte da Fortaleza de São José de Macapá e Mercado Central enfeitados para o natal. Foto: Juvenal Canto.

Ao entrevistar Anthony Giddens para o programa Milênio, o jornalista William Waack, da Globo News inicia afirmando que “em política a embalagem costuma ser tão importante quanto o conteúdo. Ou até mais importante, quando falta conteúdo”. Por isso mesmo, arremata, é que todos procuram uma embalagem além do conteúdo.

Embora seja essa uma fórmula difícil de ser encontrada, posto as complexidades que regem ideologias hoje encravadas nas nuvens tênues das fronteiras do que chamavam de direita e esquerda, há quem afirme como Giddens, que uma terceira via moverá a sociedade política e socialmente, em avanços sucessivos.

De fato as mudanças causadas pela globalização e pela tecnologia impactaram os setores tradicionais da política em todos os níveis e em todas as partes, por isso mesmo há a necessidade da sociedade se adequar aos novos valores impostos pelos novos tempos, ainda que isso possa significar sacrifícios de ordem econômica, social e até cultural, principalmente para as nações subdesenvolvidas e em desenvolvimento. Sem dúvida está ocorrendo um fenômeno com o nascimento e a estandardização de forças cada vez maiores, representadas talvez pelas organizações não governamentais que não param de crescer no mundo inteiro, com seus interesses comuns. E isso significa a valorização da globalização que é também um fenômeno da comunicação.

Nesse ponto a “embalagem” proposta pela chamada terceira via não é tão nova, visto que concebe valores tão amplamente debatidos pela esquerda democrática, do velho embate entre classes sociais e políticas. E esses valores são os da inclusão social e da solidariedade, da justiça e da igualdade social, do antirracismo e da antixenofobia.

Tudo isso me faz crer que embora os valores do conservadorismo estejam vivamente arraigados e adredemente vinculados à política, em um processo dialético imorredouro, a liberdade individual (que considero o maior bem do homem), ainda bem, permeia os passos, as decisões e os horizontes dos atores políticos e dos governantes.

Por ser um fenômeno, a globalização também lança seus tentáculos perversos sobre as culturas. Para que seus efeitos não sejam tão malignos é necessário, então, valorizar o que é local, dando ênfase a todos os aspectos sócio-políticos que uma sociedade exige dos seus governantes. Para isso, portanto, é preciso estar antenado com o mundo e com o futuro. Queira ou não agora todos somos cosmopolitas e por isso certamente temos mais ambições, conhecemos mais, viajamos mais pela rede mundial de computadores, nos comunicamos mais, vemos mais televisão e vídeos, somos outros seres em busca do melhor para nós e para a comunidade.

Ao colocar todas essas referências, não poderia deixar de me reportar que tais embalagens e conteúdos tão procurados, possivelmente encontrem seu nicho mais perto de nós do que pensamos, porque é muito mais fácil admirar a embalagem que o conteúdo nela guardada. Refiro-me a atuação do governo local, que em um ano estartou a energia do trabalho para reconstruir Macapá como unidade renovada, deixando de ser potência para tornar-se ato, de forma plenamente satisfatória e competente. Neste caso tanto a embalagem quanto o que ela contém são bons e importantes produtos. Uma exposição de conteúdo (ou essência) marcou o ano do prefeito que discursara em sua posse dizendo humildemente a todos que a campanha o tinha tornado “mais humano”. Diante dos fatos e das crises – o mundo nunca deixou de estar em crise – a administração de Roberto Góes me pareceu superar os problemas com a maestria de quem já estava exercendo o poder há anos. Da situação encontrada à realização de obras e ações sociais, o prefeito encontrou o apoio da sociedade e de uma Câmara Municipal “aparentemente” pluriideológica, e ainda a guarida financeira e técnica do governo estadual, que por ser do mesmo partido político não hesitou em programar ações políticas em conjunto para garantir o processo administrativo. Verdade que a isso também está inserido um rol de interesses suprapartidários, coletivos e individuais, agregados como em qualquer lugar que o poder se estabelece pelo voto. Mas mesmo assim a administração zelosa e o desejo enorme de fazer do município um lugar cada vez mais digno de viver e da cidade uma paisagem bela e de poucos problemas urbanos, fizeram do conteúdo político do prefeito um presente bom para a sociedade, onde a embalagem, ora a embalagem, foi até desnecessária.

BOÊMIOS EM FESTA

A Universidade de Samba Boêmios do Laguinho completou ontem 56 anos de fundação. Recebeu em sua sede, na Avenida General Osório a comunidade laguinense para uma homenagem à rainha da bateria da Escola, Nega Vânia.

Centenas de pessoas prestigiaram o evento, inclusive representantes de outras agremiações carnavalescas.

A Escola vem se preparando para apresentar na avenida Ivaldo Veras o enredo “Índio que te quero lindo”.

fernando_vicente_daniela Fernando Canto, Vicente Cruz e Daniela.

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Nega Vània, Rainha da Bateria. A grande homenageada da festa.

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Carlos Pirú e Macunaíma.

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carlinhos_bababa Mestre Carlinhos Bababá

sábado, 2 de janeiro de 2010

FOI BONITA A FESTA, PÁ!

Foi muito bacana a confraternização do Sindicato dos Jornalistas. Volney Oliveira, eleito pela terceira vez consecutiva, foi empossado sob o aplauso dos profissionais presentes. Nivito Guedes e Rodolfo Santos fizeram o show musical. Carlos Lobato também cantou. Te cuida, Juliele.

diretoria
Parte da Diretoria do Sindjor.
soraia_simone
Simone Guimarães e Soraia Carvalho
301220091885 Luiz Melo, Antonio, Carlécio, Bira e Belair Jr.
301220091909 Antonio Luiz e Leonai Garcia.
301220091922Lorena Kubota,editora  e o fotógrafo Erich Matias, do jornal “A Gazeta”.
andreia
Andréia Freitas, colunista de “A Gazeta”.
 anibal_sergio
Aníbal Sérgio.
belair_jara_johnny
Belair Jr., Jara Dias e Johnny Senna.
 carlos_perola_lorena  Carlos Lobato, Pérola Pedrosa e Lorena Kubotaj_ney_humberto  J. Ney e Humberto Moreira.
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Volney Oliveira, Leonai Garcia, Carlos Lobato, Juliele e Nivito Guedes.
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Nivito Guedes e Carlos Lobato.

AS CORES DE CUZCO

João Wilson Carvalho é daqueles escritores que parecem não ter ansiedade em mostrar o que fazem. Embora premiado em concursos nacionais o escritor ainda não publicou livro de contos ou crônicas. É procurador-geral da UNIFAP, onde leciona Filosofia e Direito. Este ano inicia o doutorado em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia. Apreciem essa crônica de um viajante cheio de surpresas.

A bandeira de Cuzco

cuzco Não sou exatamente uma pessoa preconceituosa, muito pelo contrário, até incentivo muito o movimento GLS (ainda se diz assim? É este o termo politicamente correto, hoje?). De fato, sempre digo aos meus amigos que fazer parte do Movimento deve ser muito interessante, já que a pessoa recebe uma pressão danada da sociedade, uma gozação danada dos amigos (ou inimigos próximos!), a única que compreende e dá apoio geralmente é a mãe (mãe é mãe!), e o cara não larga! Deve ser danado de bom! Por mim todos os meus amigos se tornariam adeptos praticantes...

Mas então, um dia viajei para Cuzco, no Peru, realizando um velho sonho, o de conhecer Machu Picchu, o último refúgio inca, nunca encontrado pelo conquistador espanhol. Uma viagem tenebrosa, descendo Macapá-Belém-Brasília-São Paulo, e em seguida subindo São Paulo-Lima... Passei três dias em Lima, num albergue em Miraflores que era uma loucura (embora muito limpo), a bom bater pernas pela cidade. Fiquei maravilhado. Os cambistas balançam maços de dólares em pleno centro comercial e não são assaltados... O pessoal da terceira idade dança até tarde da noite uma espécie de calipso misturado com reggae em uma pracinha linda, e não está nem aí pro frio... Tudo muito, muito barato...

Mas meu objetivo era Machu Picchu e as ruínas incas, então viajei mais uma vez de avião de Lima a Cuzco, uma viagem curta e agradável. O aeroporto de Cuzco é muito bem organizado, inclusive com recepção ao turista, e, pasmem, oferecendo roteiros turísticos com todos os preços médios dos passeios, para evitar que o turista desavisado seja explorado por eventuais espertalhões locais... Até um conjunto musical devidamente paramentado recebia o povo que chegava... Mas o frio um pouco mais forte que em Lima me fez pegar um taxi correndo para procurar um hotel.

E aí conheci o Álvaro, o típico faz-tudo dos filmes do século vinte. Motorista de um velho táxi, guia turístico e sindicalista militante. Foi logo me perguntando, em excelente portunhol, por que eu queria ficar em um albergue na parte alta da cidade, se eu gostaria mesmo era de andar a pé pelo centro de Cuzco, se eu não estava acostumado a carregar aquela monstra mochila na altitude... Tive que concordar, afinal o cara sabia o que estava falando... Em seguida me perguntou se eu havia reservado o trem para MP, e se eu sabia da “huelga” no dia seguinte, que pararia todo o setor de transportes... Me recomendou que nos tratássemos logo de comprar a passagem de trem, me explicou que não valia a pena pegar a primeira classe, por que o trem era o mesmo... Me ofereceu um albergue super barato bem próximo à Praça de Armas... Enfim, me deu todas as dicas necessárias para que eu não perdesse tempo e aproveitasse o máximo minha estada em Cuzco.

Impressionado com a dialética de meu novo amigo, acatei todas as sugestões. E de fato o albergue era barato, muito bem localizado e razoavelmente confortável, só não tinha nada de calefação, e houve noites que eu quase me embrulhei com o colchão (bem feito, pra nunca mais viajar sozinho).

Mas, enfim, satisfeito com o albergue, tão logo me alojei, saí para fazer o obrigatório reconhecimento do perímetro, uma ou duas ruas para cada lado, um ponto de referência que seja reconhecido na cidade... O que se deve fazer sempre em uma cidade estranha...

E aí o susto quando vi uma enorme bandeira arco-iris bem na fachada do hotel. Estava lá, tremulando orgulhosa como dona do pedaço. Pensei imediatamente: o fdp do motorista me trouxe para um albergue temático... E ele parecia um cara tão legal... Desconfiado, comecei a observar a fauna... Duas argentinas lindas me pareceram muito íntimas... Um grupo de brasileiros que jurava que ia descer de bicicleta pela Bolívia... Não, estavam mais para malucos! Uns suíços loiríssimos, tão bonitos, me pareceram suspeitos... Bom, talvez eu estivesse mesmo em um hotel temático, mas ninguém ia saber, então, tudo bem.

Pela manhã, surpresa maior ainda. A bandeira estava por toda parte. Mas quando a vi tremulando, enorme, na frente de um movimento grevista, bem ao lado da bandeira vermelha, não resisti mais. Escolhi o grevista com uma cara boa e perguntei com muito tato. Era a bandeira de Cuzco, herança do império inca, que os cuzquenhos ostentam com muito orgulho.

Me senti ridículo, preconceituoso e tolo, com minha cabeça da década de setenta. Eu, que sempre afirmei não ter qualquer tipo de preconceito... Prometi contar essa história pra todo mundo. Serve para descobrir os meandros e as facetas do preconceito, e enfrentá-lo de fato.

João Wilson Savino Carvalho – Julho de 2009. wilsoncarvalho@unifap.br.

COLUNA CANTO DA AMAZÔNIA

Publicada no jornal “A Gazeta” de sexta-feira, 01/01/10

AUTO DE NATAL DO COPEF

sol_pelaes_ O espírito natalino passeia por todos os cantos da cidade. A atriz e diretora Sol Pelaes ensaiou um auto de natal com um grupo de detentas do Complexo Penitenciário Feminino - COPEF, apresentado no dia 22 de dezembro.

Sol revelou que entre elas há muitos talentos artísticos, o que foi fundamental para que a apresentação virasse um espetáculo emocionante. Transbordou muito chororô entre elas e os parentes convidados para o show. Agora Sol Pelaes pretende apresentar projeto para continuar o trabalho que foi muito gratificante.

ANIVERSÁRIO DOS BOÊMIOS

alemão_1982 No dia 02 de janeiro a Associação Carnavalesca Universidade de Samba Boêmios do Laguinho fará 56 anos. A gloriosa agremiação já prepara o couro dos tantãs e as cordas dos cavacos para homenagear a Nega Vânia, pelos dez anos na frente da bateria nota 10. Nossa rainha merece.

Osmar Júnior marcará presença com um show de samba sob o acompanhamento da bateria do Mestre Carlinhos Bababá. Nivito Guedes também deverá se apresentar por lá.

“ÍNDIO QUE TE QUERO LINDO”

boemios Provocação das mais maledicentes e com caráter racista é a que pessoas ligadas a uma escola de samba da zona sul vêm fazendo e disseminando como piada sem graça sobre o enredo dos Boêmios.

O enredo acima é uma inconteste prova de valorização do homem e da cultura brasileira que cada vez mais merece ser efetivada por aqueles que verdadeiramente têm compromisso com a nossa cultura. O Brasil sem índio é o mesmo que a Amazônia sem floresta e a Bahia sem negro. Falar em índio é falar de todos nós. Os arianos eugenistas dessa escolinha da zona sul que se preparem, já que só sabem fazer enredo caça-níquel.

PROJETO APROVADO NA CAPES

O Mestrado Integrado em Desenvolvimento Regional – MINTEG, da UNIFAP, teve mais um projeto aprovado junto a CAPES, através do Procad – Novas Fronteiras.

Serão mais quatro anos de financiamento para as atividades do curso, que apesar de já ter quatro anos ainda é considerado relativamente novo. O MINTEG tem como parceiro o Núcleo de Altos Estudos da Amazônia –NAEA - da UFPA. Os recursos financeiros vão ser destinados aos professores que precisam apresentar seus trabalhos em outras instituições e congressos, além de publicação de livros. Foi o único projeto da UNIFAP aprovado na CAPES.

AMIZADE DO BANCO

banco da amizade O Banco da Amizade realizou no dia 26 a sua tradicional festa de natal, envolvendo grupos musicais, folclóricos e escolas de samba do bairro do Laguinho.

Ali na General Rondon, na esquina da escola Azevedo Costa velhos moradores do bairro se reuniram para contar histórias e assistirem aos shows programados. Vale enfatizar a atuação do grupo “Marabaixo do Arthur”, que congrega dançarinos e tocadores de caixa, todos crianças, sob a coordenação de Dô Souza, um batalhador da cultura local. Dô é filho do saudoso Sacaca, e junto com suas irmãs e vizinhos mostra o talento da garotada para o povo ter certeza de que o Marabaixo não pode mais agonizar.

NOVO S DOUTORANDOS

alexara A coluna destaca a aprovação dos 14 novos doutorandos da UNIFAP que foram aprovados no doutorado em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU/MG. O projeto foi coordenado aqui no Estado pelo prof. Dr. Oto Petry.

No meio dos aprovados estão o Procurador-Geral professor João Wilson Carvalho, Eliana Paixão, Assessora Especial da Reitoria, e as professoras Alexara Maciel e Antonia Andrade, entre outros.

Nos bastidores o sindicato dos docentes ainda batalha a liberação total para quem faz mestrado ou doutorado fora ou dentro de casa, pois existe uma resolução aprovada pela Câmara de Pesquisa do Conselho Universitário desde 2006. Na foto, Alexara Maciel.

HOMENAGEM

Quero aqui homenagear os leitores da coluna e de “A Gazeta”, de modo geral, pela força que deram, sempre incentivando a buscar a melhoria no ofício de informar e de escrever. Foi um ano excelente. Por isso vou deixar este comentário do poeta americano William Carlos Willians, da sua obra “A Primavera”, de 1923.

“Na imaginação estamos daqui para frente (ou desde que você está lendo) selados em um abraço fraterno, a clássica carícia entre autor e leitor. Nós somos um. Toda vez que digo ‘eu’, também quero dizer ‘você’. E assim, juntos, um só, devemos começar”.

ZUNIDOR

mestre oscar No mês de dezembro lembramos a data de nascimento do maestro Oscar Santos (29.12.1905) que dedicou sua vida ao ensino da música e à composição de dobrados. Foto coletada na Casa de Choro Pura Raiz.

sobral_manoel_cordeiro Meu amigo Manoel Sobral fez aniversário no dia 22/12. Foi várias vezes campeão de festivais como intérprete. Sobral gravou em 1998 o CD “Boa Noite Macapá”. Nafoto, Manoel Sobral e o Maestro Manoel Cordeiro.

Quem também fez aniversário no dia 27 é o pesquisador, poeta e escritor Edgar de Paula Rodrigues, que se prepara para publicar um livro didático sobre a História do Amapá.

Foi uma festa bonita e emocionante a divulgação do resultado do vestibular da UNIFAP. O Departamento de Processo Seletivo antecipou o listão para o dia 24 de dezembro, o que foi um verdadeiro presente de natal aos aprovados. Felicidade maior foi para os 20 vestibulandos que passaram em Medicina, aliás, um evento histórico para a educação do Estado.

Dia 15 a Maracatu da Favela completou 52 anos de fundação (1957).

nivito_canela Nivito Guedes e Canela se apresentaram em Porto Grande no réveillon de um terreno particular.

Vem aí, breve, “Adoradores do Sol”. Inderê. Volto zunindo na Sexta.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

NOVA ORLA DE MACAPÁ

Enfim a Orla de Macapá está disponível para a população. Vejam através das lentes de Juvenal Canto.

 

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