sexta-feira, 13 de novembro de 2009

COLUNA CANTO DA AMAZÔNIA

Publicada no Jornal “A Gazeta” de sexta-feira, 13/11/2009

MANCADA

Uma pergunta dirigida ao jornalista Ricardo Noblat durante o Congresso de Comunicação da Seama deixou os participantes locais constrangidos. A pergunta feita por uma estudante de jornalismo foi mal formulada e sem o conhecimento da palavra usada. O pior, segundo disseram os que lá estavam, foi a emenda do soneto. Noblat disse por duas vezes que não havia entendido a pergunta. Então a futura repórter, na sua terceira intervenção, usou em alto e bom som a expressão “se assujeita”. Mas no geral, o Congresso foi visto como de ótima qualidade.

Agora resta esperar a participação dos estudantes universitários e futuros jornalistas amapaenses no Congresso Estadual de Comunicação, a ser realizado na semana que vem.

“AQUI É O MEU LUGAR”

volnei Por falar em jornalismo o Sindjor está firmando parceria com o Governo do Estado para executar o projeto “Aqui é o meu lugar”, que consiste na realização de sete oficinas de jornalismo comunitário. Quatro delas serão feitas em Macapá, duas em Santana e uma em Laranjal do Jari. No final de cada oficina será confeccionado um jornal.

O projeto é do presidente do Sindicato, jornalista Volney Oliveira e a ideia consiste em passar aos interessados o que é o jornalismo e descobrir novos talentos na área. Depois disso, diz Volney, é só incentivar as comunidades a fazer o seu próprio veículo de Comunicação.

O BANHO

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Quebra-mar do Araxá. Foto: Fernando Cantobanheira

Banheira estilizada.

Com o rio Amazonas passando lá adiante, o vento, a maré enchendo no calor da tarde macapaense, vem logo a vontade de tomar banho e pegar um sol como os mergulhões da orla. De repente abro uma revista num bar do Araxá e vejo esse texto aí:

“A Idade Média (séculos V a XV) foi um dos piores momentos da história em relação à higiene pessoal. A Igreja varreu da Europa os hábitos pagãos, os banhos caíram em desuso. As pessoas passavam meses sem se lavar. Nas casas mais pobres a água de uma tina era usada para banhar uma família inteira.

Foi o Iluminismo (século XVIII) que reabilitou o banho. Os médicos relacionaram a ausência de higiene a doenças contagiosas e os banhos foram recomendados como medida de saúde preventiva. Mas apenas no século XX, o hábito entrou de vez em nossa rotina (Fonte: Revista Darcy/UnB/Set/Out/2009)”.

Bom, agora mesmo é que eu vou me molhar com as ondas que explodem no muro do quebra-mar. Ah uma gelada!

GALERIA DE ARTE

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Professor João Batista.

Será no dia 23 de novembro, às 19h00, a abertura oficial da Galeria de Arte da Unifap, que conta com a colaboração dos alunos da turma de 2008 do curso de Artes Visuais, sob a orientação e coordenação do prof. dr. João Batista Gomes de Oliveira, no Bloco N do campus.

A inauguração constará de uma exposição do artista plástico Ronny Franklin, denominada “Olhares Identitários” que vai ficar até dia 27. Daí em diante a galeria vai realizar uma programação que contemplará todos os segmentos das Artes Visuais como a pintura, a escultura, o vídeo, a performance, etc.

LOBATO

lobato A coluna parabeniza o amigo Carlos Lobato pelo seu aniversário que será na segunda-feira, 16. Desejamos a ele toda a felicidade e votos de muito sucesso na sua vitoriosa carreira de jornalista e de formador de opinião, que é quase uma profissão.

O brilhante advogado e sociólogo, cap do programa matinal “Tribuna da Cidade” (101,9 FM) todos os dias, também é um ser humano despojado de vaidades mundanas. Já ajudou inúmeras pessoas e nem por isso sai falando sobre o que fez. Vida longa, meu amigo. Salut!

GINCANA CULTURAL

trevele_pilão A escola Estadual Davi Miranda dos Santos da Vila de São José do Porto do Céu realizará nos dias 02 e 03 de dezembro a sua IV Gincana, denominada “Projeto Identidade Cultural” que traz como tema a Poética Musical do Amapá, coordenado pelo professor Emanuel.

O Grupo Pilão, que será um dos focados no projeto, agradece o interesse dessa simpática escola pela cultura amapaense, pois é assim que se fortalece a nossa identidade e se valoriza a nossa memória musical.

ZUNIDOR

As inscrições para o Doutorado em Educação da UFU/UNIFAP estarão abertas entre os dias 16 e 20 de novembro. Acesse o site www.unifap.br 

Também vai abrir para 2010 o mestrado em Ciências da Saúde, que representa uma grande conquista da IFES do Amapá.

amcap_musicosreunidos (7) Bloco “Os Minhocas”, composto por músicos e compositores filiados à Amcap reuniu no sábado.

laercio aires O ex-vereador Laércio Ayres, que ensaia candidatura à Câmara Estadual com o possível apoio do Clube de Engenharia, diz convictamente que é contra a permanência do aeroporto dentro da cidade. A poluição sonora é prejudicial para quem mora em seu entorno.

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Caio Palheta, um dos aprovados na primeira fase do vestibular da UNIFAP para o curso de medicina. Parabéns.

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Paulinho TeuX afirma que “o casamento é igual a uma montanha russa: se o cara não enjoar, é adrenalina pura”.

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O Maestro entre os amigos Márcia e Rambolde Campos.

Domingo foi comemorado o aniversário do maestro Manoel Cordeiro na casa do médico Raimundo Palheta.

A Universidade Estadual de Ponta Grossa – PR oferece mestrado em Gestão de Território, até 25.11.09. Site: www.uepg.br/mestrageo/index.htm .

Bloco Pererê volta no carnaval de 2010. Desta vez trazendo como enredo as olimpíadas do Rio de Janeiro.

Neste domingo o “É big. É big!” é para Sônia Canto. Que Deus te conserve sempre legal, amorosa e com saúde.

Universidad Internacional de Andalucía, com sede em Santa Maria de la Rábida, Espanha, anuncia “A III Máster Latinoamericana e Evaluación de Políticas Públicas”. Site www.unia.es 

brena_fernandes Um barato a apresentação da talentosa cantora Brena Fernandes no projeto Botequim (Sesc Centro) na terça-feira passada. Bela voz.

Está chegando o “Adoradores do Sol”.

Inderê. Volto zunindo na Sexta.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

É BIG! É BIG!

Parabéns à Juliele que aniversaria hoje. Em sua homenagem republico o texto que escrevi quando lançou seu primeiro CD.

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JULIELE E A FLORESTA REVELADA

Publicado no Jornal do Dia, de 25.11.2007

DSC_7466 Quem teve o privilégio de ouvir o CD da cantora amapaense Juliele deve ter ficado impressionado com o timbre o e meneio de sua voz – um trinado ousado e penetrante, espécie de desafiador da alma e dos sentimentos - que se movimenta avoante como notas-andorinhas, para depois pousar num pentagrama feito de cipós na contraluz do entardecer.

O rico repertório de suas canções parece mais decifrar o mistério insondável da floresta quando seu doce canto substitui paulatinamente o coro dos pássaros e o eco dos seres invisíveis, estranhamente presentes em toda a obra. A voz crescente da intérprete traz a galope alternâncias e valores sensíveis como um pêndulo que oscila entre o espaço e o tempo, e entre um nascimento e um tempo de encantados em marcha para a cidade. A seqüência, coisa notada por poucos num CD, é esse pêndulo harmônico a se balançar em enigmas astrais, insofismáveis e verdadeiros por serem sortilégios incrustados em cada uma das composições.

Compreender o gênio deste trabalho é uma tarefa que cabe a nós. Afinal o Brasil terá tempo para eviscerar o ouriço da castanha, colocá-lo no ouvido e escutar os banzeiros que o rastro musical de Juliele deixa nesse navegar constante e misterioso. O sentido da Amazônia exposto nas canções afora e por dentro da vida local se rasga impoluto, em marés mundiantes e envolventes, num tempo de arrebentações, de ondas bravas, assim como um macaréu de lua cheia a estrondar forte sobre as margens alarmadas de medo, ensopadas de quebrantos.

Cabe a nós entender que as notas vocais de Juliele sintetizam a região e os seus problemas mais abrangentes; que o esforço, a disciplina, o risco e a sua simplicidade nada escravizam ou tiranizam; e que além da dignidade e do merecimento do seu talento e do seu trabalho, direcionados para o alvo de um planeta melhor e mais humano, nós temos que reconhecer a evolução dessa produção inquestionável.

O CD é ainda um rio oculto entre montanhas a correr incontido ao oceano e a subir determinado aos Andes. Mas faz a sua viagem de estréia por difíceis obstáculos inerentes ao nosso tempo, como um céu de chuva de granizo, um chão de terremoto, águas turvas e densos cipoais que se alastram em fogo-fátuo pela planície em chamas. Mais que isso, porém, está a condição irrefutável da contemporaneidade do capital, da concorrência do mercado e de outras chaves da globalização imperiosa, a nos olharem de soslaio e mil vezes mil vetarem nossos talentos.

Pelas recorrências contidas nas letras das músicas, o conjunto do trabalho não poderia ser mais brasileiro, embora tenha a preocupação regional avistada como imprescindível nesse batismo acima referendado: a ablução constante pelas marés oceânicas, pelos rios, cachoeiras e igarapés que trazem à tona a identidade amazônica desse canto, dessa voz que produz e se acrescenta de luz. Afinal penetrar nesse CD é sacralizar-se e profanar-se ao mesmo tempo.

O amor, a água em suas formas mais diversas, a terra, a fé e as iridiscências das constelações, incluem-se indispensáveis no repertório do CD. Agora o que era subjacente emerge e seduz calcinando e abrasando presságios, para adiante se tornar manancial de amor, como argila exposta para mãos estetas modelarem o sonho. É a meu ver a floresta nua e revelada em seu potencial, do subsolo ao cume mais alto, pela voz firme e essencial de Juliele.

O PAPEL DA EXTENSÃO E A UNIVERSIDADE DA MATURIDADE

Publicado no Jornal “A Gazeta” de domingo, 08/11/2009

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Cenas da Universidade Federal do Amapá – UNIFAP. Fotos: Fernando Canto

“Quando o aluno atravessa o portão da universidade, quando ele coloca os pés do muro para dentro dela, ele não está mais no Amapá. Ele está num território federal. Por isso ele tem que ter um atendimento tal qual o das melhores universidades do Brasil”.

Com essas palavras o professor Steve Wonderson, pró-reitor de Extensão e Ações Comunitárias da UNIFAP, explica o fato de a Universidade Federal do Amapá vir minimizando problemas de ordem sócio-econômica que vinham impossibilitando a permanência de dezenas de alunos na instituição.

Para tanto, desde os meados de 2008 a Proeac vem implantando programas do Governo Federal de assistência acadêmica, cujo objetivo é extinguir o aluno desistente por falta de recurso de transporte, alimentação ou cópia de materiais, bem como por falta de conhecimento em língua estrangeira e informática. A ausência desses programas vinha trazendo consequências sérias para o ensino, principalmente a evasão escolar que é alta em todas as Universidades Federais, como nos cursos de matemática e física, nos quais poucos alunos chegavam a se formar.

Até agora a Pró-reitoria realizou o programa de transporte urbano e interurbano, que atende a 800 alunos com vale transporte gratuito em todo o período letivo do ano, e o auxílio fotocópia para 800 acadêmicos, beneficiados com 400 cópias/ano (Para se ter uma idéia a Unicamp repassa apenas 100 cópias por aluno/semestre). 420 alunos são beneficiados com o auxílio-alimentação com uma bolsa de R$260,00 para os meses de outubro a dezembro. Há, ainda, o auxílio-editor de texto, para monografia e artigos acadêmicos e 100 bolsas-trabalho no valor de R$360,00 para estagiários de diversos cursos. Já está garantido para 2010 o aumento do quantitativo que já beira a trrês mil atendimentos. Em contrapartida o aluno tem que concluir o curso em quatro anos. O plano para o ano que vem é aumentar os quantitativos para que nenhum acadêmico com insuficiência financeira fique fora dos programas (cerca de 50% ou dois mil alunos). Para isso a deputada Janete firmou o compromisso de depositar 150 mil reais de emenda parlamentar para a assistência estudantil.

Como novidade a Extensão deverá implantar agora em novembro o projeto “Universidade da Maioridade”, com abertura no anfiteatro para a participação de associações de idosos, visando que eles se inscrevam ao processo seletivo a fim de que participem de um curso livre com duração de três semestres, gratuitamente. O projeto será financiado por emenda parlamentar do deputado Bala Rocha, amigo da Universidade da Maturidade.

Desde o ano passado tem crescido bastante o número de projetos institucionalizados (registrados) dentro da Universidade. Grupos da área de Educação Física, colegiado de Letras, Informática, Biologia, Geografia, Artes Visuais, têm participado com mais de 50 projetos sociais e ambientais. Há atendimento à comunidade externa com o anfiteatro, e inúmeras atividades extensionistas são realizadas com o apoio da Proeac, tais como Seminários, congressos, fóruns e outros eventos acadêmicos, inclusive com fornecimento de passagens para professores externos e apoio a viagens a congressos para estudantes.

O professor Steve reitera que o papel da Proeac é dar apoio à cultura e ao conhecimento, sendo que um dos focos é auxiliar na redução da evasão escolar. Ele espera com isso que a Unifap venha melhorar cada vez mais a qualidade do profissional para a sociedade, exemplificando que “a maioria dos aprovados nos concursos do Governo são oriundos da nossa Universidade”. O pró-reitor ainda enfatiza que o aluno tem o direito de ser bem atendido, da mesma forma que a instituição tem o dever de fazer isso por ele. O aluno bem assistido pode fazer a diferença, desde que seja estimulado a aumentar sua auto-estima, pois, finalizou o professor: “Nós não somos inferiores. Temos os mesmos neurônios e somos capazes de realizar o que queremos para o nosso Estado como qualquer outro de qualquer Universidade”.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

COLUNA CANTO DA AMAZÔNIA

Publicada no jornal “A Gazeta”, de sexta-feira 07/11/09

“BOLA DE SERINGA”

O médico Leonai Garcia em breve lançará o seu esperado livro sobre o futebol amapaense. Uma lacuna que precisava ser preenchida, não necessariamente como “história oficial do futebol”, mas como uma reportagem ampla sobre o panorama do passado, que o médico-jornalista Leonai certamente abordará com competência.

Um dos mais importantes informantes do escritor é o craque Vadoca, que jogou em vários times macapaenses e é um ardoroso torcedor do Vasco.

COZINHA BRASIL

A FIEAP, através do SESI promove entre 03 e 07 deste mês o programa Cozinha Brasil – Alimentação Inteligente, na Escola Municipal São Pedro em Pedra Branca do Amapari. A ação faz parte do programa Esporte e Cidadania a ser realizada amanhã na sede do município para trabalhadores da indústria, familiares e comunidade.

Tem por objetivo transmitir hábitos alimentares saudáveis com receitas regionais nutritivas, com aproveitamento de talos, ramas e cascas, que normalmente são jogados fora.

SAGRADO AÇAÍ DO BILUCA

biluca Meu amigo Biluca, um dos fundadores da gloriosa Universidade de Samba Boêmios do Laguinho, aos 93 anos aprecia religiosamente todo dia um bom açaí do grosso.

Possuidor de uma memória fabulosa ainda canta ladrões de Marabaixo e Batuque com muita competência. Por isso mesmo seus filhos quase todos são ligados à música. Macunaíma é o intérprete oficial da escola dos Boêmios, Nena é famoso percussionista e os outros integram conjuntos de samba e pagode da cidade. Biluca também é protagonista de muitas histórias engraçadas, inclusive daquela em que proibiu seu filho Biba de sair de casa, com medo que o satélite Skylab, descontrolado no espaço, caísse sobre a cabeça dele.

LÉVY-STRAUSS E SARAMINDA

levy Faleceu no domingo passado aos cem anos de idade, o antropólogo estruturalista Claude Lévy-Strauss, que morou e trabalhou no Brasil (USP), pesquisou índios no Xingu e publicou inúmeras obras, entre as quais “O Cru e o Cozido”. Belga de nascimento, o intelectual, que pertencia à Academia Francesa, influenciou o pensamento de quase a metade do século XX com suas ideias.

Lévy-Strauss escreveu uma apreciação crítica sobre “Saraminda” de José Sarney (4ª ed., Siciliano. S. Paulo, 2000). “Li Saraminda e quanto amei esse belo livro. Depois dos pescadores do Nordeste, José Sarney faz reviver os faiscadores de ouro de Caiena e do Amapá com a mesma sensibilidade aguda à realidade etnográfica permeada por um poderoso lirismo. Sarney reconstitui ao mesmo tempo um episódio esquecido, mas saborosamente pitoresco das relações da França com o Brasil”. Foto: Reuters

INICIAÇÃO CIENTÍFICA

A UNIFAP realizará o 5º Seminário de Iniciação Científica e a 4ª Mostra de TCC’s nos dias 18 e 19 de novembro, acontecimentos de grande relevância para a formação de futuros pesquisadores. Serão feitas 35 apresentações orais de trabalhos científicos e de painéis.

No dia 19 os melhores trabalhos serão premiados com Menções Honrosas para bolsistas e professores (as) orientadores (as). O evento vai ser realizado no prédio novo da pós-graduação e quem quiser se inscrever deve procurar o Departamento de Pesquisa até o dia 12 de novembro.

CABRALZINHO NO CARNAVAL

Os diretores do bloco Unidos do Cabralzinho estão animados. Promoveram, com roda de samba e tudo, o lançamento do enredo e do samba-enredo na sexta passada no Bar do Abreu.

Na ocasião o puxador Neck, que é o autor do samba, foi interrompido pela falta de energia justamente quando cantava. Só uma hora depois é que conseguiu terminar a música.

O enredo é uma homenagem ao seu Aziz Ghammachi, pai do Nabil, que faz impressos e serigrafia.

MESTRES DA CULTURA

Na programação da Semana da Consciência Negra, da Seafro, consta o Encontro dos Mestres da Cultura, a ser realizado no auditório multiuso da UNIFAP. Será um evento que tem por objetivo levar pessoas de inestimável conhecimento sobre seus fazeres na área da cultura, para que falem de suas experiências de vida aos estudantes universitários dos cursos de Ciências Humanas.

O objetivo é realizar um encontro das sabedorias desses mestres e valorizar seus trabalhos, divulgando-os futuramente em vídeo. Será no dia 18, pela manhã, durante a Semana de Consciência Negra e do Encontro dos Tambores.

ZUNIDOR

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Assisti ao copião do DVD “Piratuba, a cantoria no lago”, do projeto do mesmo nome do cantor e compositor Osmar Junior. Está sendo ultimado pela Amazon Filmes de Belém. Égua da coisa linda. Está de arrepiar.


valmir Segundo o Valmir, do bar Calçadão “o Laguinho era pra ser um condomínio fechado, com guarita e tudo”. Seu pai, o conhecido “Plancantã” (Valdevino Pantoja) foi fazer sua iluminação no cemitério às cinco da manhã no Dia de Finados. Assustou coveiros e vigias.

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Birinha Picanço poderá ser o suplente de senador pelo Partido Socialista Brasileiro.


nivito

 

 

Nivito e banda fizeram grande sucesso em Igarapé-Açu, no Pará. E na Expofeira também.

 

Vi os shows do Osmar Jr., do Joãozinho e Val Milhomem, e do Humberto Moreira, entre outros, na Expofeira, mas perdi o da Juliele:(

Ex-prefeito João Henrique pretende trazer ídolo da MPB para Macapá. Vai passar programa ao vivo para todo o Brasil.

Das pedras do rio Pedreira o xamã Bonfim Salgado retira, no final da semana, as energias para as labutas na cidade.

A Universidade Federal de Alfenas – Unifal-MG – oferece vagas ao mestrado em Ciências farmacêuticas. Inscrições até 30.11.09. Site: www.unifal-mg.edu.br ./

Pessoal do bloco Kubalança já está se movimentando no Morro do Sapo com um enredo mirabolante.

Está chegando o “Adoradores do Sol”.

Inderê. Volto zunindo na sexta.

ITINERÂNCIAS & ENCONTROADAS

coletanea Mesmo chegando com atraso assisti ontem (quarta-feira) no Teatro das Bacabeiras ao lançamento da coletânea “(Poetas, contistas e cronistas do meio do mundo) Poesias”. Até agora não entendi o porquê dos parênteses.

Foi publicado pelo Grupo Universo e organizado pelo poeta e pintor Manoel Bispo. Traz a editoração eletrônica de Luiz Porto e uma bela capa de autoria de Ernandes Melo.

Com muito orgulho faço parte desta antologia que reúne 16 poetas conhecidos no Estado e, apesar de ter feito apenas uma primeira leitura, já deu para sentir que os trabalhos são densos e trazem qualidade ao livro.

Achei um tanto estranho o representante da Secult, o sociólogo Tob Maciel, afirmar por duas vezes que a coletânea é produto “de muita coragem” de quem a realizou, como se os realizadores tivessem medo de fazer poesia. Na realidade a coragem está na capacidade de organizar e acreditar que se pode fazer e publicar poesia em Macapá.

Parabéns à coordenação do Grupo Universo, que vai realizar mais três coletâneas (conto, crônica e mais um volume de poesia).

Helena Amoras Encontrei com a querida poeta, e minha professora no Ginásio de Macapá, Maria Helena Amoras

obdias_maneca Obdias Alves e professor Maneca, apresentador da coletânea.

oswaldo_zaide Poeta Osvaldo Simões e professora Zaide Soledade

jo_sanzia_fernando Jô Masan, Sânzia Fernandes e Fernando Canto, integrantes da antologia.

rostan_maneca Poeta Rostan Martins e Maneca

carla_ernandes_lucia Minha querida poeta Carla Nobre, pintor Ernandes Melo e Lúcia Alcântara.

lucia_alcinea_ricardo Lúcia Alcântara, Alcinéa Cavlcante e Ricardo Pontes.

obdias_cesar Obdias (autografando) e César Bernardo

simioneide Minha amiga Semioneide Lobato, esposa de Jô Masan.

alipio Alípio Junior, ladeado por esposa e amiga, prestigiando o lançamento

oswaldo_volnei Jorrnalista e poeta Osvaldo Simões e Volney, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Amapá.

VI NA EXPOFEIRA

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Meu show e de Nivito, é claro.

show_humberto Show do Humberto Moreira

joãozinho_val Show do Joãozinho e do Val Milhomem.

osmar Show do Osmar Junior

joao_fernando Secretário de Cultura João Milhomem e Fernando Canto

heraldo almeida Heraldo Almeida e namorada

macunaima Intérprete Macunaíma, de Boêmios do Laguinho e esposa

poka MC do hip-hop “Poca” e esposa.

eri Eri Milhomem e namorada Bárbara

val_osmar Val Milhomem e Osmar Junior confabulando.

Égua! Isso até parece coluna social.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

tsUNAmi amaZÔNicA

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Três dias após a morte de F.C. eu soube da notícia alvissareira: o rio voltava a encher. Devagar, mas voltava. Os habitantes que restavam na cidade já sorriam com grandes esperanças.

Até então ninguém sabia as causas que fizeram o maior rio do mundo em volume d’água se afastar tanto do seu leito natural. Os cientistas se contradiziam, ecologistas acusavam os governos dos países ricos e o povo alimentava superstições e castigos misteriosos de diversas deidades. Mas o certo é que as marés que por aqui chegavam ficavam muito além do trapiche. Tudo acontecera tão rapidamente que os ariscos mergulhões tiveram que virar comida e as andorinhas, tão sinceramente nossas, desapareceram. Quem diria! A praia de mangue da antiga beira-rio parecia um cemitério de pequenas embarcações. Houve emigração em massa e a economia da região despencou. Sobrevivíamos com doações.

A cidade evaporava. Era um deserto em consumição. Suava com o calor assassino. Só melhorou quando F.C. convocou extraordinariamente a Assembléia Legislativa e apresentou Projeto de Lei que invertia o horário de funcionamento de trabalho e de todas as atividades oficiais: todos trabalhariam à noite e descansariam de dia. Naturalmente que tudo fora regulado, inclusive os plantões. Apesar de polêmica, fora a decisão mais sensata, principalmente no que se referia à energia, visto que as cabeceiras dos rios das hidrelétricas estavam secando.

As mudanças climáticas eram rápidas. Ninguém nos explicava nada, as notícias sobre o assunto eram desconexas, fugazes.

Foi no domingo que eu senti o nó no peito e o pressentimento de algo terrível: liguei o rádio e ouvi que um tsunami, onda gigante, aproximava-se do litoral a uma velocidade crescente; que se separara em duas ao bater na costa oriental da ilha de Bailique. Uma seguia, destruindo as pequenas ilhas do arquipélago e outra deslizava rumo a Caviana. A primeira ganharia mais força e se somaria à pororoca, correndo mais rápida ainda em nossa direção. Já tinha uns cem quilômetros de extensão e vinte metros de altura. Em poucas horas chegaria em nossa vulnerável cidade.

Fomos alertados e preparados pela Defesa Civil e pelos Bombeiros. Quando ela se anunciou, barulhenta e avassaladora, ainda deu para vê-la alta, acima das ilhas do outro lado do rio. Segundo o rádio ela media em torno de sessenta metros de altura. Era um ser estranho vindo guerrear e destruir. Chegou veloz e mortal com seu companheiro vento, rebentando o que era fraco e lavando praças e edifícios.

Até que as mortes não foram muitas. A maioria acreditou na ciência e nas informações maciçamente veiculadas.

Mas a cidade ficou suja e caótica. Só alguns grupos de estudantes se divertiam colhendo os peixes oceânicos que se debatiam nos lagos formados com a intempérie. Tudo era novidade. Mas já se falava em reconstrução.

O fluxo-refluxo do tsunami fez o rio encher e ficar agitado, cheio de ondas, cheio de vida. Sua água agora é salobra e de tonalidade esverdeada. Disseram-me que só daqui a dez ou vinte anos ele voltará ao que era.

Já dá para ouvir o grito das gaivotas, a silhueta dos mergulhões em formação de flecha e uma nuvem de andorinhas bailando ao pôr-do-sol do equador. Parecem cavalos alados à procura do Olimpo.

Do livro equinoCIO – Textuário do Meio do Mundo. Paka-Tatu, 2004.

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Parem de jogar coisas sobre meu túmulo. Parem, parem, parem. Parem de escrever palavras vãs em cima dessa pedra de mármore tão quente do sol do meio do mundo. Parem de chorar, parem de lamúrias sobre o túmulo deste ex-pobre sofredor, chorão até à alma: que chorou por mulheres, chorou por amor, chorou por seus amigos e por causas perdidas, chorou por falta de dinheiro, mas nunca chorou de fome porque não tinha fome ao ver criancinhas raquíticas passarem fome na periferia da cidade quando foi candidato a um cargo público. Só chorou por elas. Por Deus.

Parem. É uma ordem. Parem de chorar sobre meu túmulo porque nele só estará o lugar da alma presa e um velho corpo que se diluirá em gotas destinadas a um poço artesiano no Japão.

Ainda é tempo de parar. Morte, ó morte!

Não me irritem. Este corpo aqui embaixo foi feliz. Apesar de sua cara às vezes brava, às vezes rabugenta, cantou, tocou, gozou, ironizou e riu de ouvir e de contar piadas. Parem de falar em morte e tragam-me uma vitória do meu time no campeonato nacional, debaixo de um sol alegre de domingo e com o sabor de uma cerveja impecavelmente gelada.

Do livro equinoCIO – Textuário do Meio do Mundo. Paka-Tatu, 2004.

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07072008942 Por esperar como eu espero nada se perde ou se esconde. Todo aço se desgasta, qualquer papel se recicla. Espero. Meu tempo passa como as águas deste rio. É uma inscrição no granito, é uma paixão que não dorme. Espero. Meu tempo é cinza sobre o fogo que jaz brando, oculto, mas vivo e bruto, tal como a fera à tua espreita.

Do livro equinoCIO – Textuário do Meio do Mundo. Paka-Tatu, 2004.

FUndofuNDO

07072008940Meu destino é naufragar nas tuas águas de marés itinerantes como eu Quero mesmo aguar-me em ti como um peixe morto de velhice ou devorado por cardumes nascituros preso ao último instante às armadilhas das cadeias ecofundas

E perecerei meio sem alma fundido em ferroespírito para me tornar parte de ti matéria transparente âmbar líquido na escuridão do fundo não na mera margem que comprime tua passagem ao mar

Do livro equinoCIO – Textuário do Meio do Mundo. Paka-Tatu, 2004.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

CEMITÉRIO: LUGAR DE ENCONTRO E DE MEMÓRIA

Publicado no Jornal “A Gazeta” de domingo, 01/11/2009

No cemitério todos estão iguais: mortinhos. Mas as pessoas que o visitam no Dia de Finados estão ali para reverenciar os mortos pelas suas qualidades, pela saudade que ficou, pelo respeito à obra que deixaram ou pelo amor que ainda paira na lembrança.

Assim o cemitério torna-se um lugar da memória porque ali cada lápide é uma imagem que enclausura um objeto de representação social ou familiar. E a presença dos parentes e amigos não só traz o significado do respeito e da fé religiosa como também o da mudança que se opera em todos os homens e mulheres diante da inflexibilidade da morte. Torna-se também lugar de oração, culto e reflexão.

Embora já não represente mais tanto mistério nem incuta mais tanto medo, o “campo santo” no centro da cidade é apenas mais um dos tantos aparatos urbanos encravados e irremovíveis que chegam a causar muitos problemas para as administrações municipais. Principalmente os de natureza ambiental, porque o chorume humano polui densamente os lençóis freáticos das suas redondezas, algo semelhante quando combustíveis como óleos ou gasolina penetram no subsolo.

É um lugar democrático: defuntos de todas as classes sociais estão enterrados nele. É um local frequentado por pessoas de todo tipo, que expressam seus sentimentos das mais diversas maneiras. Há fanáticos, por exemplo, que se atrelam a um devocionismo doentio, pois crêem que determinado defunto faz milagres e por isso pedem o que querem e inundam seu túmulo com plaquetas de agradecimento “pela graça alcançada”. Já vi homens virarem santos por obra e graça dessa morbidez que povoa a cabeça dos devotos. Vi pessoas serem homenageadas com pompas fúnebres pela ilibada conduta pessoal e profissional que tiveram, assim como já vi impropérios atirados a assassinos mortos pela polícia e a um político que a vida toda enganara eleitores e a família. Soube, inclusive, que nos anos 60 muita gente soltou foguetes no enterro de um delegado famoso por sua perversidade para com os presos.

O cemitério também é um lugar de encontro dos amigos. Ora, depois de uma rezada básica para os parentes, antigos amigos que hoje só se encontram no dia das eleições ou numa decisão do campeonato amapaense no Glicerão, se cumprimentam e se põem a conversar sobre conhecidos que já morreram. Então vêm à tona inesquecíveis episódios e velhas piadas sobre eles. A memória se reacende e traz de volta à vida o homem e sua conduta, mesmo que lhe reste apenas o pó dos ossos sob a lápide.

A conversa gira sobre os assuntos mais banais: desde a vizinhança de túmulos de entes queridos aos preços cobrados pelos coveiros que estão “pela hora da morte”; desde os “bons e velhos tempos” às doenças enfrentadas por eles (principalmente a diabete) e as consultas periódicas aos médicos; desde aos planos mais mirabolantes às tentativas de convencimento a votar em certo candidato.

Em que pese a gritaria e o comércio de ambulantes que quase não deixam as pessoas passarem na frente do cemitério, a homenagem aos mortos passa a ser um acontecimento um tanto quanto banalizado pela força do capital que se instaura em qualquer lugar, seja onde for. Alguém vai sempre lucrar com isso. E como a morte rende. Não é à toa que cada vez mais aumenta o número de vendedores e de produtos diversificados nas proximidades das necrópoles. Não é à toa que o comércio abre suas portas mesmo sendo feriado.

Não quero dizer que acho isso estranho, pois tudo muda, evolui. Mas lembro com certa saudade a programação musical da extinta Rádio Educadora São José no dia de finados. O dia todo só tocava música clássica. Isso despertou em mim a curiosidade pelos eruditos que os padres italianos ouviam com prazer.

Cemitério é palavra que vem do grego, koimeterion, que significa “dormitório”. Como eu não quero ainda “dormir” na cidade dos pés juntos, prefiro ir até lá para exercitar a memória e jogar conversa fora com os amigos.

É BIG! É BIG!

ARAGUARINO Aniversário de José Araguarino de Mont’Alverne, 89 anos. É maçom, escritor e foi Delegado de Polícia.  Em sua homenagem publico uma de suas crônicas.

A Pororoca (Crônica de José Araguarino de Mont’Alverne)

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Pororoca no Rio Araguari. Foto de Juvenal Canto.

Seria difícil, muito difícil mesmo, enume­rar os grandes fenômenos que a natureza nos oferece. No céu, na terra e no mar há fenôme­nos que nos deixam maravilhados e embeve­cidos por sua beleza e grandiosidade, sobre­tudo se passamos a observá-los com a alma, elevando a nossa visão espiritual ao Criador, ao Supremo Artífice deste extraordinário con­junto onde está a Terra como pequenino grão de areia.

A pororoca é um desses fenômenos que por sua altivez e majestade, e pela polêmica, mas na verdade desconhecida explicação, nos enche os olhos e nos deixa verdadeiramente maravilhados.

No baixo rio Araguari ela se manifesta es­plendorosa, surgindo periodicamente e com maior intensidade nas épocas invernosas, no começo da montante. Em determinados esti­rões, se o leito por sua formação topográfica oferece melhores condições, ela varre o rio de margem a margem, proporcionando um des­lumbrante panorama.

Primeiramente escutamos, vindo de muito longe, um ruído semelhante ao barulho de um trator trabalhando à distância. Os minutos vão passando e o ruído aumentando, até que, de­pois de inquietante espera, quando os nossos olhos já se cansam de perscrutar a sua apari­ção ao longe, uma faixa branca avançando ho­rizontalmente sobre a superfície plana do rio começa a aparecer e a crescer, e sua visão vai aumentando a medida que ela se aproxima imponente e sobranceira.

Sua passagem pêlo rio é espantosamente formidável; é como estouro de uma manada de búfalos.

A faixa branca que ao longe mais parecia um lenço de cambraia se agitando, nada mais é do que três grandes ondas espumejantes que vêm em trambolhões, como descomunais cilindros compressores, rolando desvairadas sobre a planura do rio.

Como uma fila de soldados marchando ca­denciadamente em perfeito alinhamento e correta cobertura, assim vêm as três ondas, uma atrás da outra, com a segunda se agigan­tando à primeira e a última se sobrepondo às duas.

Elas formam a pororoca que com o seu bojudo volume subindo impetuosamente às margens, invade a ribanceira qual horda sel­vagem, e na sua corrida avassalante vai sola­pando barrancos, desalojando abruptamente das tocas os tranqüilos acaris, quebrando e retorcendo os galhos das árvores da ribeira, arrancando troncos e revolvendo raízes, tudo carregando e destruindo na sua passagem tresloucada. Com ela vem a enchente da maré, com as águas subindo vários metros, como se fosse um grande caldeirão em fer­vura. Como dizem os moradores do lugar, "a pororoca vem na cabeça da enchente".

Atrás de todo esse burburinho de água barrenta, assim como um chacal que segue rastejante o lobo, vem o banzeiro, "o rabo da maré" como diz o caboclo, açoitando as praias e assustando os 'peixes e os mariscos mal re­feitos do susto e dos volteios que deram ao se­rem envolvidos e apanhados pela força d’água.

Faceta curiosa da pororoca é que durante o percurso ela atua com maior ou menor in­tensidade, chegando a desaparecer em deter­minados pontos do rio, para boiar mais adiante. Se o leito é raso ela se agiganta, mas diminui de volume se encontra maior profun­didade, e até chega a sumir, como um mergu­lho, se a profundidade, vai além dos cinco metros.

Passada a pororoca, a água que subira tão depressa, baixa como por encanto, como havia tufado - é a "torna" como é vulgarmente designada, para dai então ir enchendo gradati­vamente, até que o seu fluxo atinja o nível da maré cheia. Após o refluxo que se segue à en­chente, vem a reprise do espetáculo, com maior ou menor intensidade, dependendo da influência que a maré receba da Lua, esteja ela em fase crescente, cheia, minguante ou nova.

No inverno a pororoca é mais forte na Lua Nova, enquanto no verão, período que por ve­zes nem chega a aparecer, a sua maior in­fluência é na Lua Cheia.

A pororoca faz outros desatinos, e quando passa como um vendaval vai desarrumando tudo.

Ela é também responsável pelo que ocorre na foz do rio e adjacências, que por causa de sua força titânica, modifica a forma hidrográ­fica do leito, tornando-o instável, com longas praias se formando, para depois desaparece­rem como surgiram.

E muito comum encostarmos a canoa ao pé da escada de uma casa, amarrando-se a corda no esteio, para no ano seguinte termos de caminhar até um quilômetro ou mais, para chegarmos a essa mesma casa.

E que de um ano para o outro o rio como que recuando, oferece uma parte do seu leito, justamente o lugar para onde a terra foi levada e acumulada pela movimentação da maré, e ali forma uma praia. A fertilidade dessa terra reveste logo a nova praia de lodo que como macio tapete verde, serve primeiramente de farta mesa às aves marinhas e depois, com a grama, de pastagem para o gado.

A mesma maré que formou aquela praia, a destrói inteiramente, carregando a terra para mais distante, e onde era praia volta a correr o rio. O mesmo sucede com relação aos igara­pés que são formados e eliminados sob a mesma ação criadora e destruidora pela qual a pororoca é responsável.

O morador ribeirinho respeita muito a po­roroca, não se atrevendo a desafiá-Ia, e se ousa fazê-Io, quase sempre se arrepende ao ser castigado com naufrágios de embarcações e até por vezes com perdas de vida.

Quando a força da Lua provoca maré cheia e pororoca a altura de meio mato, ne­nhuma embarcação sai do seu ancoradouro e nem se afoita a empreender viagem passando pela boca do rio. A tripulação diz logo: "não se pode viajar agora porque a maré está de lan­çante; só nas mortas", isto é, as marés estão crescendo; só quando as águas baixarem, o que ocorre na fase amena da lua.

O pitoresco da pororoca é o que a sua in­fluência carismática exerce sobre os morado­res do lugar e a seu respeito eles contam os mais variados casos, que vão da crença de que em cada extremidade da onda da frente vêm dois negrinhos de barrete, à crendice de ficar muito forte, aquele que colher e beber da água espumejante dessa primeira onda. Crê ainda piamente, que se apanharmos uma por­ção dessa água em uma pororoca de Lua Nova e no mês seguinte, também na Lua Nova conseguirmos outra porção, essa água, mistu­rada e derramada em um trecho do rio ou até mesmo em outro rio onde a pororoca não atue, faz com que ela ali passe a surgir.